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Q3174594 Pedagogia
A afetividade na escola é um tema abordado por Valéria Amorim Arantes. Percebe-se que os aspectos relativos à afetividade são determinantes para a construção de um ambiente voltado para o prazer de ensinar e aprender. Dentro dessa linha de raciocínio, analise as afirmativas abaixo:

I – Inteligência e afetividade são diferentes em natureza e dissociáveis na conduta concreta da criança.
II – Ratifica-se que não há nenhuma conduta que seja apenas afetiva ou apenas cognitiva.
III – A afetividade exerce influência constante sobre o funcionamento da inteligência.
IV – A afetividade modifica as estruturas da inteligência.

É verdadeiro o que se afirma em:
Alternativas
Q3174593 Pedagogia
A educação inclusiva pressupõe novas relações pedagógicas centradas nos modos de aprender das diferentes crianças e jovens e de relações sociais que valorizam a diversidade em todas as atividades, espaços e formas de convivência e trabalho. Dessa forma, na efetivação do direito de todos à educação, o direito à igualdade e o direito à diferença são _______________ e os direitos específicos servem para eliminar as discriminações e garantir a plena inclusão social.
Alternativas
Q3174592 Pedagogia
Dentro dos ponderamentos do Ministério da Educação, por meio da obra: Subsídio para a gestão dos sistemas educacionais inclusivos, analise as afirmativas abaixo. Marque V (verdadeiro) e F (falso) e, posteriormente, a alternativa correspondente.

[ ] O século XX, em quase toda a sua totalidade, demonstra que a sociedade brasileira, suas agências formadoras e seus agentes empregadores eram regidos por padrões de normalidade.
[ ] Ao pautar as ações em padrões de normalidade, as pessoas com deficiência naturalmente são excluídas do âmbito social.
[ ] A criação de instituições especializadas ou classes especiais, pelo Estado, representa a primeira ação de rompimento com a conduta pautada em padrões de normalidade.
[ ] O desafio da educação é assegurar um ensino de qualidade que beneficie a todos os alunos, em que se perceba a educação especial como uma modalidade transversal que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades de ensino.
Alternativas
Q3174591 Pedagogia
De acordo com Vasconcellos, “com o crescimento da autonomia escolar, vai ganhando importância cada vez maior a avaliação da escola no seu conjunto, feita por ela mesma, na medida em que está buscando se aperfeiçoar; trata-se de uma espécie de autoavaliação da escola. No passado, a avaliação da escola era feita por um sistema centralizador e baseada em parâmetros formais e burocráticos (dados estatísticos, relatórios), tendo pouco efeito formativo”.
Dentro do contexto explicitado, qual é a parte constituinte do projeto político-pedagógico que se refere à avaliação institucional
Alternativas
Q3174590 Pedagogia
Ao analisar algumas das características do projeto político-pedagógico, dentro da visão de Alves e Sass, destacam-se os aspectos abaixo elencados. Analise cada um deles, destaque a alternativa que possui um dado que difere da perspectiva apresentada na obra: “Formação de Professores e Campos do Conhecimento”.
Alternativas
Q3174589 Pedagogia
Analise as asserções abaixo, marque, posteriormente, a alternativa pertinente.

I - Os compromissos assumidos em prol da prática verdadeiramente transformadora devem ser explicitados por meio do projeto político-pedagógico.
II - É necessário que os diferentes atores, envolvidos no processo educacional, apresentem suas necessidades, expectativas e estratégias em relação à mudança e construam um efetivo trabalho coletivo em torno do projeto político-pedagógico da escola.
Alternativas
Q3174588 Pedagogia
A organização da escola centrada no processo de desenvolvimento do educando representa uma realidade almejada e contextualizada na literatura por diferentes abordagens teóricas. Nesse contexto, o papel do coordenador pedagógico é descrito, como por exemplo, na obra de Almeida e Placco. Segundo a perspectiva das referidas autoras, analise as afirmativas abaixo:

I – Por meio da conscientização da necessidade da adoção de uma nova postura por parte dos educadores, ratifica-se a possibilidade de se transformar a realidade educacional.
II – A função inovadora da educação não é um movimento contínuo, mas sim que alterna ruptura e continuidade.
III – Uma educação compromissada com a formação do homem capaz de analisar de forma crítica a sua realidade é uma ação capaz de superar os determinantes geradores de exclusão.
IV – Os movimentos de reprodução e de transformação que ocorrem no âmbito educacional não ocorrem de forma simultânea, mas alternada, de forma cíclica.

É verdadeiro o que se afirma em:
Alternativas
Q3172760 Noções de Informática
O Bloco de Notas é um Software do sistema operacional Windows desde suas primeiras versões. Ele é amplamente utilizado para rotinas simples. Considerando as funcionalidades desse software, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3172759 Noções de Informática
No sistema operacional Windows, é possível utilizar combinações de teclas de atalho para executar ações rápidas e facilitar a interação com o ambiente de trabalho. Considerando a combinação de teclas Alt + Esc no Windows 7, qual é o resultado obtido ao utilizá-la:
Alternativas
Q3172758 Noções de Informática
Ao utilizar o sistema operacional Windows 7, acessar um diretório e clicar com o botão direito do mouse sobre uma pasta, é exibido um menu contextual com diversas opções para gerenciar e configurar o item selecionado. Nesse contexto, qual das alternativas abaixo não será apresentada no menu contextual:
Alternativas
Q3172755 Matemática
Um zoológico possui duas espécies de aves, chamadas de A e B. No total, há X aves, e a proporção entre a quantidade de aves da espécie A e da espécie B é de 5:7. Após um imprevisto, metade das aves da espécie A fugiu. Qual será a nova proporção entre as quantidades das espécies A e B após a fuga?
Alternativas
Q3172747 Português
Todas as sentenças a seguir apresentam regência verbal transitiva direta, exceto: 
Alternativas
Q3172746 Português
Não há erro ortográfico apenas em:
Alternativas
Q3172744 Português
A ênclise está aplicada em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa apenas em:
Alternativas
Q3172743 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Até breve



    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais? 


    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.


    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.


    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]


    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo — ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.


    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado).

Disponível em:

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19085/atebreve>.

As palavras destacadas no excerto a seguir, “ para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui, pertencem à classe gramatical:
Alternativas
Q3172742 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Até breve



    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais? 


    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.


    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.


    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]


    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo — ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.


    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado).

Disponível em:

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19085/atebreve>.

Analise o seguinte excerto, com especial atenção aos pronomes enumerados:

“Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles(1), sugestionados por eles(2), exacerbados por eles(3). Eles(4) é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos”.

Ainda que se apresentem de uma mesma forma, os pronomes em destaque desempenham funções sintáticas diferentes. Por essa razão, classificam-se, respectivamente, como:
Alternativas
Q3172741 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Até breve



    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais? 


    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.


    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.


    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]


    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo — ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.


    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado).

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Considerando-se as diferentes funções que a palavra “que” pode desempenhar, no contexto “Eis por que esta semana me parto”, o vocábulo atua como:
Alternativas
Q3172740 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Até breve



    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais? 


    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.


    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.


    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]


    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo — ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.


    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado).

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Um termo sinônimo de “elementar”, no excerto “lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância”, é:
Alternativas
Q3172739 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Até breve



    Há temperamentos urbanos por nascimento, mas há, igualmente, os temperamentos rurais. Uns só podem viver no asfalto, embalam-se com o escapamento das lambretas, escutam a voz dos anjos no rádio do vizinho e vão para a fila da carne como para festinha de aniversário. O rural, ao contrário, só consegue viver na cidade como escafandrista debaixo d’água: de vez em quando carece ir à tona, a fim de se livrar da pressão; doses ilimitadas de cidade são, para tal gente, perigo de morte certa, bolha de ar no sangue, pulmão achatado, colapso periférico. Que fazer se sou um desses — se aqui em casa somos rurais? 


    Eis por que esta semana me parto, em procura do retiro sertanejo de todos os anos. Alguns meses passaremos entre céu e terra, sem edifícios nem ruas, nem lotações, nem política, nem literatos, nem teatro, nem cinema; nenhum dos encantos da civilização a prejudicar o indispensável recolhimento pelo qual a alma chora e que o corpo não dispensa, sob pena de morrer ou enloucar e sair brizolando por aí, atirando pedra em quem não merece.


    Dirá quem não gosta de mim que isso é folga, que lugar de cronista é no asfalto, e que só se podem comentar acontecimentos estando no meio deles. E eu responderei que folgados têm muitos, mas não sou desses, minha lei e minha fé é o esforço e o sofrimento; e lembrarei também a verdade elementar de que não há perspectiva sem distância, e se há uma coisa neste país de que carecemos tanto quanto de divisas fortes, é de perspectiva. Vivemos dentro demais dos acontecimentos, somos absorvidos por eles, sugestionados por eles, exacerbados por eles. Eles é que nos arrastam, não somos nós que os esmiuçamos. [...] Envolvida pela fofoca, o transitório, o gás néon, perde a gente aqui os olhos de ver as grandes coisas.


    E tem mais: lembremo-nos de que hoje em dia já não há isolamento campestre que nos afaste do noticiário. Na selva mais perdida basta um pequeno transistor para nos transformar na testemunha auditiva da história. [...] Que vale a distância quando temos as asas do rádio? [...]


    Vocês aqui, e nas outras cidades grandes, pensam que são os únicos seres vivos do mundo — ou pelo menos do só mundo que interessa. Talvez, talvez contudo, ainda sobre muito mundo por aí. Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro, por causa dos holofotes que só botam luz no pessoal do balé. Porém, há mais gente do lado de lá do que do lado de cá. Deixem-me ir para lá um pouquinho, para ver se lhes mando o eco do que vocês cantam, para lhes dizer na verdade se vocês funcionam e estão vivos. Lá para onde eu vou tem milhões, sim, milhões mais de povo do que aqui. Vocês não sabem deles, mas eles sabem de vocês. A comparação da plateia é certa: lindo pode ser o espetáculo, mas sem plateia não tem razão de ser; só da plateia é que parte a ovação ou a pateada.


    Meu Deus, estou falando tão bobo, cheia de imagens e de charadas, mas é isso — preciso mesmo sair de baixo da pressão, limpar o sangue. Sentiram o drama? O doutor bota aqui a lei do arroz, do açúcar ou da carne — deixem a gente ir ver como é que essa lei funciona lá no roçado onde o arroz nasce! [...] Enfim, enfim, as desculpas são muitas, mas a verdade é uma: está chovendo no Ceará que é uma beleza... Adeus, Guanabara, adeus!


QUEIROZ, R. de. Até breve. O cruzeiro. (Adaptado).

Disponível em:

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No excerto “Vocês são os dançarinos no palco e não enxergam a plateia no escuro”, é predominante a figura de linguagem denominada:
Alternativas
Respostas
841: C
842: C
843: C
844: C
845: E
846: C
847: B
848: C
849: D
850: C
851: E
852: B
853: D
854: C
855: D
856: C
857: A
858: D
859: E
860: D