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Q1389906 Português
Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado , Bagagem. São Paulo: Siciliano. 1993. p. 11.
A palavra “envergonhada”, presente no quinto verso do poema de Adélia Prado, foi formada por:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Raposa - MA
Q1238857 Noções de Informática
Assinale a alternativa que se refere as funções dos atalhos no teclado F12 e Ctrl + O, no Microsoft Word, respectivamente: 
Alternativas
Ano: 2018 Banca: ADM&TEC Órgão: Câmara de Serra Talhada - PE
Q1230868 Administração Pública
Leia as afirmativas a seguir: 
I. Nos processos administrativos, deve-se observar a atuação conforme a lei e o Direito. 
II. É inconstitucional a investidura em cargo ou emprego público mediante nomeação, ainda que o referido cargo tenha previsão legal para a livre nomeação e exoneração. 
Marque a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Benedito Leite - MA
Q1213417 Noções de Informática
Sobre os tipos de informação que podemos apagar ao excluir o histórico de navegação no Navegador Internet Explorer 11. Assinale a alternativa INCORRETA
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Benedito Leite - MA
Q1213372 Noções de Informática
O Software Microsoft Word para língua Português Brasil (PT-BR) oferece teclas de atalho para realizar algumas funções. Das alternativas abaixo, assinale que corresponde a tecla de atalho de torna um texto selecionado em negrito.
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Benedito Leite - MA
Q1213365 Noções de Informática
O Sistema Operacional Windows reserva alguns caracteres de forma que estes não possam ser utilizados para nomear arquivos ou pastas. Das alternativas abaixo, assinale qual caractere é reservado pelo Windows 8, e NÃO pode ser utilizado para nomear um arquivo.   
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Benedito Leite - MA
Q1213228 Noções de Informática
As extensões de arquivos são sufixos que designam seu formato e principalmente a função que desempenham. 
No sistema operacional Windows cada extensão de arquivo tem funcionamento e características próprias, portanto demanda um software específico para trabalhar com ela, há extensões para os mais variados propósitos.

Considerando as extensões padrões abaixo, qual NÃO corresponde a associação padrão para arquivos de áudio.
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Benedito Leite - MA
Q1213172 Telecomunicações
Alguns aplicativos de comunicação podem ser utilizados  em Smartphones, Tablets e computadores, destinados a troca de mensagens instantâneas permitindo uma comunicação entres seus usuários.    Considerando os Aplicativos abaixo:  I. Telegram.  II. Whatsapp.  III. Facebook Messenger.  IV. Skype. 
È correto afirmar que são aplicativos que permitem a troca de mensagens instantâneas. 
 
Alternativas
Ano: 2018 Banca: CONPASS Órgão: Prefeitura de Serra Grande - PB
Q1211385 Noções de Informática
No Word, abrir a janela Aplicar Estilos: 
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: AVEP - PI
Q1204660 Português
TEXTO I
Vida de cinema
Luis Fernando Veríssimo
Os filmes que víamos antigamente não nos prepararam para a vida. Em alguns casos, continuam nos iludindo. Por exemplo: briga de socos. Entre as convenções do cinema que persistem até hoje está a de que socos na cara produzem um som que na vida real nunca se ouviu. 
O choque de punho contra rosto fazia estrago nos rostos — ou não fazia, era comum lutas em que os brigões quase se matavam a murros terminarem sem nenhuma marca nos rostos — mas poupava os punhos. E como sabe quem, mal informado pelo cinema, entrou numa briga a socos, o punho quando acerta o alvo sofre tanto quanto o alvo. 
No cinema de antigamente você já sabia: quando alguém tossia, era porque iria morrer em pouco tempo. Tosse nunca significava apenas algo preso na garganta ou uma gripe passageira — era morte certa. Quando um casal se beijava apaixonadamente e em seguida desparecia da tela era sinal que tinham se deitado. E depois, não falhava: a mulher aparecia grávida. 
Nunca se ficava sabendo o que acontecia, exatamente, depois que o casal desaparecia da tela, a não ser que o filme fosse francês. Pode-se mesmo dizer que o começo da mudança do cinema americano começou na primeira vez em que a câmera acompanhou a descida do casal e mostrou o que eles faziam deitados. Depois desse momento revolucionário não demoraria até aparecerem o beijo de língua e o seio de fora. E chegarmos ao cinema americano de hoje, em que, de cada duas palavras ditas, uma é fucking. 
Se a vida fosse como o cinema nos dizia, nunca faltaria bala nas nossas pistolas ou gelo no balde para o nosso uísque quando chegássemos em casa. E sempre que tivéssemos de sair às pressas de um restaurante, atiraríamos dinheiro em cima da mesa sem precisar contá-lo e sem esperar que o garçom trouxesse a nota. Seria uma vida mais simples, a cores ou em preto e branco, interrompida a intervalos por números musicais em que cantaríamos acompanhados por violinos invisíveis, e quando dançássemos com nossas namoradas, seria como se tivéssemos ensaiado durante semanas, e não erraríamos um passo, e seríamos felizes até the end.    Vocabulário fucking: maldito. the end: fim. Fonte: http://goo.gl/rKlT0u 
Assinale a alternativa que traduz a ideia de uma possibilidade:
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: AVEP - PI
Q1204659 Português
TEXTO I
Vida de cinema
Luis Fernando Veríssimo
Os filmes que víamos antigamente não nos prepararam para a vida. Em alguns casos, continuam nos iludindo. Por exemplo: briga de socos. Entre as convenções do cinema que persistem até hoje está a de que socos na cara produzem um som que na vida real nunca se ouviu. 
O choque de punho contra rosto fazia estrago nos rostos — ou não fazia, era comum lutas em que os brigões quase se matavam a murros terminarem sem nenhuma marca nos rostos — mas poupava os punhos. E como sabe quem, mal informado pelo cinema, entrou numa briga a socos, o punho quando acerta o alvo sofre tanto quanto o alvo. 
No cinema de antigamente você já sabia: quando alguém tossia, era porque iria morrer em pouco tempo. Tosse nunca significava apenas algo preso na garganta ou uma gripe passageira — era morte certa. Quando um casal se beijava apaixonadamente e em seguida desparecia da tela era sinal que tinham se deitado. E depois, não falhava: a mulher aparecia grávida. 
Nunca se ficava sabendo o que acontecia, exatamente, depois que o casal desaparecia da tela, a não ser que o filme fosse francês. Pode-se mesmo dizer que o começo da mudança do cinema americano começou na primeira vez em que a câmera acompanhou a descida do casal e mostrou o que eles faziam deitados. Depois desse momento revolucionário não demoraria até aparecerem o beijo de língua e o seio de fora. E chegarmos ao cinema americano de hoje, em que, de cada duas palavras ditas, uma é fucking. 
Se a vida fosse como o cinema nos dizia, nunca faltaria bala nas nossas pistolas ou gelo no balde para o nosso uísque quando chegássemos em casa. E sempre que tivéssemos de sair às pressas de um restaurante, atiraríamos dinheiro em cima da mesa sem precisar contá-lo e sem esperar que o garçom trouxesse a nota. Seria uma vida mais simples, a cores ou em preto e branco, interrompida a intervalos por números musicais em que cantaríamos acompanhados por violinos invisíveis, e quando dançássemos com nossas namoradas, seria como se tivéssemos ensaiado durante semanas, e não erraríamos um passo, e seríamos felizes até the end.    Vocabulário fucking: maldito. the end: fim. Fonte: http://goo.gl/rKlT0u 
De acordo com o autor, em relação ao texto acima podemos afirmar que:    I. Antigamente, todas as pessoas que tossiam nos filmes estavam prestes a morrer. 
II. Nos filmes de antigamente no cinema, todos os casais que se beijavam, estavam prestes a morrer.    Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q1193616 Noções de Informática
Os teclados possuem caracteres especiais à direita de algumas teclas que, para serem inseridos no seu documento, o usuário deve pressionar a seguinte tecla em conjunto com o caractere desejado:
Alternativas
Q1193601 Noções de Informática
O Painel de Controle do sistema operacional Windows fornece várias funcionalidades para o gerenciamento tanto do hardware como do software do computador. Para configurar o teclado de seu computador para o idioma como português brasileiro ABNT2, qual das alternativas abaixo deve ser acessada dentro do painel de controle para efetuar essa alteração?
Alternativas
Ano: 2018 Banca: IMA Órgão: Prefeitura de Raposa - MA
Q1181655 Noções de Informática
Assinale a alternativa abaixo que mostra as marcas de parágrafo dentro do Microsoft Word? 
Alternativas
Q981055 Noções de Informática
Recentemente tem surgido um novo tipo de praga virtual que criptografa todos os arquivos de um computador, tornando-os inacessíveis, enquanto exibe uma mensagem cobrando um resgate para que os arquivos sejam descriptografados. Esta praga virtual é conhecida como:
Alternativas
Q981054 Noções de Informática

Uma rede de computadores permite que diversos dispositivos se comuniquem entre si e troquem informações. Considerando uma rede cabeada no padrão Ethernet , analise as assertivas a seguir, identificando com verdadeiro (V) ou falso (F):

I. Um dispositivo na rede pode acessar qualquer informação em todos os outros dispositivos conectados, não sendo necessário realizar nenhuma configuração em qualquer um deles.

II. É necessário que todos os dispositivos estejam configurados com um endereço IP , configuração esta que pode ser feita manualmente, em cada dispositivo, ou automaticamente, através do protocolo DHCP .

III. É possível que um dispositivo seja configurado para expor dados específicos com outros dispositivos conectados na mesma rede, através de uma técnica chamada compartilhamento .

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:

Alternativas
Q981052 Noções de Informática
Diversos programas possuem atalhos do teclado para executar certos comandos sem a necessidade de usar o mouse. No processador de texto Microsoft Word, qual o atalho do teclado para salvar o documento atual?
Alternativas
Q981051 Noções de Informática
No sistema operacional Microsoft Windows, é possível visualizar os processos em execução no sistema, bem como o consumo de recursos de cada processo, através de uma aplicação dedicada a este propósito conhecida como:
Alternativas
Q981031 Português

                                          Seca   

                                                       (Rachel de Queiroz)
 
       Era a hora do almoço dos trabalhadores. Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre, à frente de casa espiando o sol no céu, que tinia como vidro, procurando desviar os olhos da água do açude, lá além, que dentro de mais um mês estaria virada em lama. 

      Os dois cabras se aproximaram sem que ele pressentisse. Eram um alto e um baixo; o baixo grosso e escuro, vestido numa camisa de algodãozinho encardido. O alto era alourado, e não se podia dizer que estivesse vestido de coisa nenhuma, porque era farrapo só. O grosso na mão trazia um couro de cabra, ainda pingando sangue, esfolado que fora fazia pouco. E nem tirou o caco de chapéu da cabeça, nem salvou ao menos. 

      O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera, tal e qual quem falava: 

      - Cidadão, vim lhe vender este couro de bode. 

      Aquele “cidadão”, assim desabrido, já dizia tudo. Ninguém chega de boa tenção em terreiro alheio sem dar bom-dia, e tratando o dono da casa de cidadão.  Assim, o fazendeiro achou melhor fingir que não ouvira – e foi se pondo em pé. 

      - O Quê? Que é que você quer? 

      O homem escuro botou o couro em cima do parapeito e o sangue escorreu num fio pela cal da parede. 

      - Estou arranchado com minha família debaixo daquele juazeiro grande, ali. Essa cabra passou perto – não sei de quem era. Matei, e a mulher está cozinhando a carne para se comer. Agora, o couro – o senhor ou me dá dinheiro por ele, ou me dá farinha. 

      - E de quem é essa cabra? É minha? Quem lhe deu ordem para matar? 

      O velho estava tão furioso que o dedo dele, espetado no ar, tremia. E o loureba esfarrapado chegou perto dele e deu a sua risadinha: 

      - Ninguém perguntou a ela o nome do dono... 

      Mas o outro, sempre sério, olhou o velho na cara: 

      - Matei com ordem da fome. O senhor quer ordem melhor? 

      Nesse meio tempo, os homens que almoçavam lá dentro escutaram as vozes alteradas e vieram ver o que havia. Eram uns doze – foram aparecendo pelo oitão da casa, de um em um e se abriram em redor dos estranhos no terreiro.

      Aí o velho, se vendo garantido, começou a gritar: 

      - Na minha terra só eu dou ordem! Vocês são muito é atrevidos – me matarem o bicho e ainda trazerem o couro pra vender, por desaforo! Chico Luís, veja aí de quem é o sinal dessa criação. 

      O feitor largou a foice no chão, puxou as orelhas do couro, e virou-se achando graça para um dos companheiros: era a sua cabrinha, não era mesmo, compadre Augusto? Está aqui o sinal... 

      O Augusto veio olhar também e ficou danado: 

      - Seus perversos, a cabra era da minha menina beber leite, estava de cabrito novo! 

      Mas o olho do homem escuro era feio e, se ele se assustara vendo-se cercado pelos cabras da fazenda, não deu parecença. O loureba é que virava a cara dum lado para outro, procurando saída; ainda levou a mão ao quadril, tateou o rabo da faca – mas cada um dos homens tinha uma foice, um terçado, um ferro na mão. 

      Nesse pé, o fazendeiro, para acabar a história, resolveu mostrar bom coração; e gritou para o corredor: 

      - Menina! Manda aí uma cuia com um bocado de farinha! 

      Depois, retornando ao homem: 

      - Eu podia mandar prender vocês, para aprenderem a não matar bicho alheio! Mas têm crianças, não é? Tenho pena das crianças! Leve essa farinha, comam e tratem de ir embora. Daqui a uma hora quero o pé de juazeiro limpo e vocês na estrada. Podem ir! 

      O homem recebeu a cuia, não disse nada, saiu sem olhar para trás. O outro o acompanhou, meio temeroso, tirou ainda o chapéu em despedida e pegou no passo do companheiro. O velho reclamava em voz alta – cabra desgraçado, além de fazer o malfeito, recebe o favor e nem sequer abana o rabo. 

      Os trabalhadores, calados, acompanhavam com os olhos os dois estranhos que marchavam um atrás do outro, na direção do juazeiro, do qual só se avistava a copa alta dali do terreiro. Ninguém sabe o que pensavam; o dono da cabra deu de mão no couro e foi com ele para trás da casa. 

      Aí a sineta bateu e os homens saíram para o serviço. Passando pelo juazeiro, lá viram a família ao redor do fogo, os meninos procurando pescar pedaços da carne que fervia numa lata. Mas o homem escuro, encostado ao tronco, via-os passar, de braços cruzados, sem baixar os olhos. Ainda foi o dono da cabra que baixou os seus; explicou depois que não gostava de briga.

MORALIDADE: Este caso aconteceu mesmo. Faz mais de trinta anos escrevi uma história de cabra morta por retirante, mas era diferente. Então, o homem sentia dor de consciência, e até se humilhou quando o dono do bicho morto o chamou de ladrão. Agora não é mais assim. Agora eles sabem que a fome dá um direito que passa por cima de qualquer direito dos outros. A moralidade da história é mesmo esta: tudo mudou, mudou muito.
 
Elenco de cronistas modernos [por] Carlos Drummond de Andrade [e outros] – 21ª ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2005

Leia e responda em seguida: “O Augusto veio olhar também e ficou danado”. Encontre um sinônimo para a palavra destacada:
Alternativas
Q981030 Português

                                          Seca   

                                                       (Rachel de Queiroz)
 
       Era a hora do almoço dos trabalhadores. Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre, à frente de casa espiando o sol no céu, que tinia como vidro, procurando desviar os olhos da água do açude, lá além, que dentro de mais um mês estaria virada em lama. 

      Os dois cabras se aproximaram sem que ele pressentisse. Eram um alto e um baixo; o baixo grosso e escuro, vestido numa camisa de algodãozinho encardido. O alto era alourado, e não se podia dizer que estivesse vestido de coisa nenhuma, porque era farrapo só. O grosso na mão trazia um couro de cabra, ainda pingando sangue, esfolado que fora fazia pouco. E nem tirou o caco de chapéu da cabeça, nem salvou ao menos. 

      O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera, tal e qual quem falava: 

      - Cidadão, vim lhe vender este couro de bode. 

      Aquele “cidadão”, assim desabrido, já dizia tudo. Ninguém chega de boa tenção em terreiro alheio sem dar bom-dia, e tratando o dono da casa de cidadão.  Assim, o fazendeiro achou melhor fingir que não ouvira – e foi se pondo em pé. 

      - O Quê? Que é que você quer? 

      O homem escuro botou o couro em cima do parapeito e o sangue escorreu num fio pela cal da parede. 

      - Estou arranchado com minha família debaixo daquele juazeiro grande, ali. Essa cabra passou perto – não sei de quem era. Matei, e a mulher está cozinhando a carne para se comer. Agora, o couro – o senhor ou me dá dinheiro por ele, ou me dá farinha. 

      - E de quem é essa cabra? É minha? Quem lhe deu ordem para matar? 

      O velho estava tão furioso que o dedo dele, espetado no ar, tremia. E o loureba esfarrapado chegou perto dele e deu a sua risadinha: 

      - Ninguém perguntou a ela o nome do dono... 

      Mas o outro, sempre sério, olhou o velho na cara: 

      - Matei com ordem da fome. O senhor quer ordem melhor? 

      Nesse meio tempo, os homens que almoçavam lá dentro escutaram as vozes alteradas e vieram ver o que havia. Eram uns doze – foram aparecendo pelo oitão da casa, de um em um e se abriram em redor dos estranhos no terreiro.

      Aí o velho, se vendo garantido, começou a gritar: 

      - Na minha terra só eu dou ordem! Vocês são muito é atrevidos – me matarem o bicho e ainda trazerem o couro pra vender, por desaforo! Chico Luís, veja aí de quem é o sinal dessa criação. 

      O feitor largou a foice no chão, puxou as orelhas do couro, e virou-se achando graça para um dos companheiros: era a sua cabrinha, não era mesmo, compadre Augusto? Está aqui o sinal... 

      O Augusto veio olhar também e ficou danado: 

      - Seus perversos, a cabra era da minha menina beber leite, estava de cabrito novo! 

      Mas o olho do homem escuro era feio e, se ele se assustara vendo-se cercado pelos cabras da fazenda, não deu parecença. O loureba é que virava a cara dum lado para outro, procurando saída; ainda levou a mão ao quadril, tateou o rabo da faca – mas cada um dos homens tinha uma foice, um terçado, um ferro na mão. 

      Nesse pé, o fazendeiro, para acabar a história, resolveu mostrar bom coração; e gritou para o corredor: 

      - Menina! Manda aí uma cuia com um bocado de farinha! 

      Depois, retornando ao homem: 

      - Eu podia mandar prender vocês, para aprenderem a não matar bicho alheio! Mas têm crianças, não é? Tenho pena das crianças! Leve essa farinha, comam e tratem de ir embora. Daqui a uma hora quero o pé de juazeiro limpo e vocês na estrada. Podem ir! 

      O homem recebeu a cuia, não disse nada, saiu sem olhar para trás. O outro o acompanhou, meio temeroso, tirou ainda o chapéu em despedida e pegou no passo do companheiro. O velho reclamava em voz alta – cabra desgraçado, além de fazer o malfeito, recebe o favor e nem sequer abana o rabo. 

      Os trabalhadores, calados, acompanhavam com os olhos os dois estranhos que marchavam um atrás do outro, na direção do juazeiro, do qual só se avistava a copa alta dali do terreiro. Ninguém sabe o que pensavam; o dono da cabra deu de mão no couro e foi com ele para trás da casa. 

      Aí a sineta bateu e os homens saíram para o serviço. Passando pelo juazeiro, lá viram a família ao redor do fogo, os meninos procurando pescar pedaços da carne que fervia numa lata. Mas o homem escuro, encostado ao tronco, via-os passar, de braços cruzados, sem baixar os olhos. Ainda foi o dono da cabra que baixou os seus; explicou depois que não gostava de briga.

MORALIDADE: Este caso aconteceu mesmo. Faz mais de trinta anos escrevi uma história de cabra morta por retirante, mas era diferente. Então, o homem sentia dor de consciência, e até se humilhou quando o dono do bicho morto o chamou de ladrão. Agora não é mais assim. Agora eles sabem que a fome dá um direito que passa por cima de qualquer direito dos outros. A moralidade da história é mesmo esta: tudo mudou, mudou muito.
 
Elenco de cronistas modernos [por] Carlos Drummond de Andrade [e outros] – 21ª ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2005

Releia a passagem e, em seguida, responda: “O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera,...”. Indique a construção que pode ser explicativa ou sinonímica da expressão sublinhada:
Alternativas
Respostas
1061: D
1062: D
1063: B
1064: C
1065: B
1066: A
1067: B
1068: D
1069: B
1070: D
1071: C
1072: C
1073: A
1074: B
1075: B
1076: A
1077: A
1078: B
1079: D
1080: C