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Q55987 Português
Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente
expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados,
fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o
tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso,
sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como
a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou
apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos
séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de
comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada?
O grande Dante já começava a Divina Comédia com "No
meio do caminho de nossa vida...". Se a vida é uma viagem, a
grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho.
"Ela partiu", "Ele se foi", dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase "Cuidado,
tem boi na linha". Como não havia linha de trem nem boi
por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei
a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu;
mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa
e prosaica: "suspendamos a conversa, porque há alguém
que não deve ouvi-la". Uma outra expressão pitoresca, que eu
já entendia, era "calça de pular brejo" ou "calça de atravessar
rio", no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo
constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo "passagem", no
sentido fúnebre. "Passou desta para melhor". Situação difícil:
"estar numa encruzilhada". Fim de vida penoso? "Também, já
está subindo a ladeira dos oitenta..." São incontáveis os exemplos,
é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas.
Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam
de multiplicá-las. "Tinha uma pedra no meio do caminho",
queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond
de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e
qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na
estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...


(Peregrino Solerte, inédito)

Está correta a seguinte afirmação sobre um procedimento construtivo do texto:
Alternativas
Q55986 Português
Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente
expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados,
fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o
tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso,
sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como
a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou
apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos
séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de
comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada?
O grande Dante já começava a Divina Comédia com "No
meio do caminho de nossa vida...". Se a vida é uma viagem, a
grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho.
"Ela partiu", "Ele se foi", dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase "Cuidado,
tem boi na linha". Como não havia linha de trem nem boi
por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei
a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu;
mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa
e prosaica: "suspendamos a conversa, porque há alguém
que não deve ouvi-la". Uma outra expressão pitoresca, que eu
já entendia, era "calça de pular brejo" ou "calça de atravessar
rio", no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo
constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo "passagem", no
sentido fúnebre. "Passou desta para melhor". Situação difícil:
"estar numa encruzilhada". Fim de vida penoso? "Também, já
está subindo a ladeira dos oitenta..." São incontáveis os exemplos,
é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas.
Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam
de multiplicá-las. "Tinha uma pedra no meio do caminho",
queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond
de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e
qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na
estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...


(Peregrino Solerte, inédito)

Funcionam como marcas temporais, dentro de uma sequência histórica, as expressões
Alternativas
Q55985 Português
Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente
expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados,
fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o
tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso,
sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como
a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou
apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos
séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de
comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada?
O grande Dante já começava a Divina Comédia com "No
meio do caminho de nossa vida...". Se a vida é uma viagem, a
grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho.
"Ela partiu", "Ele se foi", dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase "Cuidado,
tem boi na linha". Como não havia linha de trem nem boi
por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei
a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu;
mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa
e prosaica: "suspendamos a conversa, porque há alguém
que não deve ouvi-la". Uma outra expressão pitoresca, que eu
já entendia, era "calça de pular brejo" ou "calça de atravessar
rio", no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo
constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo "passagem", no
sentido fúnebre. "Passou desta para melhor". Situação difícil:
"estar numa encruzilhada". Fim de vida penoso? "Também, já
está subindo a ladeira dos oitenta..." São incontáveis os exemplos,
é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas.
Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam
de multiplicá-las. "Tinha uma pedra no meio do caminho",
queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond
de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e
qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na
estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...


(Peregrino Solerte, inédito)

As expressões E assim vamos seguindo e neste mundo velho sem porteira
Alternativas
Q55984 Português
Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente
expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados,
fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o
tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso,
sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como
a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou
apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos
séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de
comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada?
O grande Dante já começava a Divina Comédia com "No
meio do caminho de nossa vida...". Se a vida é uma viagem, a
grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho.
"Ela partiu", "Ele se foi", dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase "Cuidado,
tem boi na linha". Como não havia linha de trem nem boi
por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei
a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu;
mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa
e prosaica: "suspendamos a conversa, porque há alguém
que não deve ouvi-la". Uma outra expressão pitoresca, que eu
já entendia, era "calça de pular brejo" ou "calça de atravessar
rio", no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo
constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo "passagem", no
sentido fúnebre. "Passou desta para melhor". Situação difícil:
"estar numa encruzilhada". Fim de vida penoso? "Também, já
está subindo a ladeira dos oitenta..." São incontáveis os exemplos,
é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas.
Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam
de multiplicá-las. "Tinha uma pedra no meio do caminho",
queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond
de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e
qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na
estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...


(Peregrino Solerte, inédito)

Atente para as seguintes afirmações:

I. No 1º parágrafo, expressa-se a convicção de que os modos de dizer mais expressivos não sobreviverão nos tempos modernos, por serem avaliados como ineficazes nos processos de comunicação.

II. No 3º parágrafo, a impossibilidade de o menino compreender a frase ouvida aos adultos deveu-se ao fato de estar traduzida em linguagem prosaica.

III. No 4º parágrafo, reconhece-se nos poetas a capacidade de enriquecimento expressivo da linguagem, especialistas que são na criação de imagens.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
Alternativas
Q55983 Português
Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente
expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados,
fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o
tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso,
sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como
a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou
apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos
séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de
comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada?
O grande Dante já começava a Divina Comédia com "No
meio do caminho de nossa vida...". Se a vida é uma viagem, a
grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho.
"Ela partiu", "Ele se foi", dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase "Cuidado,
tem boi na linha". Como não havia linha de trem nem boi
por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei
a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu;
mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa
e prosaica: "suspendamos a conversa, porque há alguém
que não deve ouvi-la". Uma outra expressão pitoresca, que eu
já entendia, era "calça de pular brejo" ou "calça de atravessar
rio", no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo
constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo "passagem", no
sentido fúnebre. "Passou desta para melhor". Situação difícil:
"estar numa encruzilhada". Fim de vida penoso? "Também, já
está subindo a ladeira dos oitenta..." São incontáveis os exemplos,
é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas.
Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam
de multiplicá-las. "Tinha uma pedra no meio do caminho",
queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond
de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e
qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na
estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...


(Peregrino Solerte, inédito)

A frase de abertura do texto - A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente expressiva - corresponde a uma tese
Alternativas
Q2914596 Arquitetura de Software

mov bx,2

mov cx,6

mov dx, 0400h

mov esi,02000000h

rep outs dx, dword ptr [esi]


Ao executar a instrução de escrita em I/O por DMA, no programa acima, o número de endereços de memória acessados numa arquitetura x86 é

Alternativas
Q2880211 Português

Acerca do fragmento acima, julgue os itens que se seguem

Há três substantivos em

Alternativas
Q2880209 Português

Acerca do fragmento acima, julgue os itens que se seguem

Foram inúmeros os problemas ________ nos defrontamos e inúmeras as experiências ________ passamos.


De acordo com a norma culta da língua, completam a frase, respectivamente,

Alternativas
Q2880208 Português

Acerca do fragmento acima, julgue os itens que se seguem

Muitas vezes ____________ experiências inovadoras.

Dificuldades jamais ____________ o avanço tecnológico.


Preenchem corretamente as lacunas as formas verbais

Alternativas
Q2880207 Português

A moda terminal

Já declararam o fim da memória, da escrita, da

pintura, da fotografia, do teatro, do rádio, das ferrovias,

da História e já anunciaram até que o mundo ia se

acabar. Todos os que previram esses desfechos

5 chegaram ao fim antes. Agora, a moda é decretar que

o jornalismo está terminando (e o livro também). Citam

importantes jornais do mundo como alguns dos veículos

com sérias dificuldades financeiras. Reconheço que

há argumentos respeitáveis e indícios preocupantes.

10 Mas vamos relativizar o pânico. No Brasil, por

exemplo, nos dois últimos anos, a circulação dos

diários cresceu. Em 2007, enquanto a expansão

mundial não passou de 2,5%, aqui foi de 11,8%.

Desconfio muito das antecipações feitas por

15 um mundo que não conseguiu prever nem a crise

econômica atual. Além do mais, nunca uma nova

tecnologia de comunicação eliminou a anterior. Com

o advento da escrita – para citar a primeira dessas

transformações – acreditava-se que, por desuso, a

20 memória iria desaparecer. Dispondo de um suporte

mecânico para registrar suas experiências, o homem

não usaria mais a cabeça. Para que decorar, se era

possível guardar tudo em forma de letrinhas? (a última

especulação no gênero é a de que o Google vai tornar

25 inúteis arquivos e bibliotecas).

Antes se dizia que a “civilização visual” (a TV)

iria abolir a “civilização verbal”. Uma imagem vale mais

que mil palavras, repetia-se, esquecendo-se de que só

se diz isso com palavras. Agora se afirma, veja a ironia,

30 que a Internet veio salvar a escrita que a TV estava

matando. De fato, nunca se escreveu tanto quanto hoje,

pelo menos em e-mails. A onipresença desse universo

on-line passou então a funcionar como uma espécie de

pá de cal sobre o jornal. Só que a Internet ainda precisa

35 da confirmação e do endosso do “impresso”, de seu

prestígio e credibilidade. Os blogueiros sérios que me

perdoem, mas a rede não é confiável (ainda bem, para

Veríssimo e Jabor, pelo que costumam atribuir a eles

ali). Uma vez, um site noticiou que eu tinha morrido.

40 Houve controvérsia, mas eu só não morri mesmo

porque a notícia não saiu nos jornais.

Por tudo isso, é provável que, em vez de

extermínio, haja convergência e convivência de mídias,

como já está ocorrendo. Muitos dos blogs e sites mais

45 influentes estão hospedados em jornais e revistas.

VENTURA, Zuenir. O Globo – 14 fev. 2009. (com adaptações)

De acordo com o texto, a Internet seria duplamente responsável:

Alternativas
Q2880206 Português

A moda terminal

Já declararam o fim da memória, da escrita, da

pintura, da fotografia, do teatro, do rádio, das ferrovias,

da História e já anunciaram até que o mundo ia se

acabar. Todos os que previram esses desfechos

5 chegaram ao fim antes. Agora, a moda é decretar que

o jornalismo está terminando (e o livro também). Citam

importantes jornais do mundo como alguns dos veículos

com sérias dificuldades financeiras. Reconheço que

há argumentos respeitáveis e indícios preocupantes.

10 Mas vamos relativizar o pânico. No Brasil, por

exemplo, nos dois últimos anos, a circulação dos

diários cresceu. Em 2007, enquanto a expansão

mundial não passou de 2,5%, aqui foi de 11,8%.

Desconfio muito das antecipações feitas por

15 um mundo que não conseguiu prever nem a crise

econômica atual. Além do mais, nunca uma nova

tecnologia de comunicação eliminou a anterior. Com

o advento da escrita – para citar a primeira dessas

transformações – acreditava-se que, por desuso, a

20 memória iria desaparecer. Dispondo de um suporte

mecânico para registrar suas experiências, o homem

não usaria mais a cabeça. Para que decorar, se era

possível guardar tudo em forma de letrinhas? (a última

especulação no gênero é a de que o Google vai tornar

25 inúteis arquivos e bibliotecas).

Antes se dizia que a “civilização visual” (a TV)

iria abolir a “civilização verbal”. Uma imagem vale mais

que mil palavras, repetia-se, esquecendo-se de que só

se diz isso com palavras. Agora se afirma, veja a ironia,

30 que a Internet veio salvar a escrita que a TV estava

matando. De fato, nunca se escreveu tanto quanto hoje,

pelo menos em e-mails. A onipresença desse universo

on-line passou então a funcionar como uma espécie de

pá de cal sobre o jornal. Só que a Internet ainda precisa

35 da confirmação e do endosso do “impresso”, de seu

prestígio e credibilidade. Os blogueiros sérios que me

perdoem, mas a rede não é confiável (ainda bem, para

Veríssimo e Jabor, pelo que costumam atribuir a eles

ali). Uma vez, um site noticiou que eu tinha morrido.

40 Houve controvérsia, mas eu só não morri mesmo

porque a notícia não saiu nos jornais.

Por tudo isso, é provável que, em vez de

extermínio, haja convergência e convivência de mídias,

como já está ocorrendo. Muitos dos blogs e sites mais

45 influentes estão hospedados em jornais e revistas.

VENTURA, Zuenir. O Globo – 14 fev. 2009. (com adaptações)

Considere as afirmações.


I – Para o cronista é impossível a coexistência de duas tecnologias da comunicação.

II – Dificuldades financeiras e onipresença do universo on-line constituem ameaças à vida dos jornais.

III – Falta à Internet a credibilidade e a confiabilidade do jornal impresso.


É(São) verdadeira(s) APENAS a(s) afirmação(ões)

Alternativas
Q2880204 Português

A moda terminal

Já declararam o fim da memória, da escrita, da

pintura, da fotografia, do teatro, do rádio, das ferrovias,

da História e já anunciaram até que o mundo ia se

acabar. Todos os que previram esses desfechos

5 chegaram ao fim antes. Agora, a moda é decretar que

o jornalismo está terminando (e o livro também). Citam

importantes jornais do mundo como alguns dos veículos

com sérias dificuldades financeiras. Reconheço que

há argumentos respeitáveis e indícios preocupantes.

10 Mas vamos relativizar o pânico. No Brasil, por

exemplo, nos dois últimos anos, a circulação dos

diários cresceu. Em 2007, enquanto a expansão

mundial não passou de 2,5%, aqui foi de 11,8%.

Desconfio muito das antecipações feitas por

15 um mundo que não conseguiu prever nem a crise

econômica atual. Além do mais, nunca uma nova

tecnologia de comunicação eliminou a anterior. Com

o advento da escrita – para citar a primeira dessas

transformações – acreditava-se que, por desuso, a

20 memória iria desaparecer. Dispondo de um suporte

mecânico para registrar suas experiências, o homem

não usaria mais a cabeça. Para que decorar, se era

possível guardar tudo em forma de letrinhas? (a última

especulação no gênero é a de que o Google vai tornar

25 inúteis arquivos e bibliotecas).

Antes se dizia que a “civilização visual” (a TV)

iria abolir a “civilização verbal”. Uma imagem vale mais

que mil palavras, repetia-se, esquecendo-se de que só

se diz isso com palavras. Agora se afirma, veja a ironia,

30 que a Internet veio salvar a escrita que a TV estava

matando. De fato, nunca se escreveu tanto quanto hoje,

pelo menos em e-mails. A onipresença desse universo

on-line passou então a funcionar como uma espécie de

pá de cal sobre o jornal. Só que a Internet ainda precisa

35 da confirmação e do endosso do “impresso”, de seu

prestígio e credibilidade. Os blogueiros sérios que me

perdoem, mas a rede não é confiável (ainda bem, para

Veríssimo e Jabor, pelo que costumam atribuir a eles

ali). Uma vez, um site noticiou que eu tinha morrido.

40 Houve controvérsia, mas eu só não morri mesmo

porque a notícia não saiu nos jornais.

Por tudo isso, é provável que, em vez de

extermínio, haja convergência e convivência de mídias,

como já está ocorrendo. Muitos dos blogs e sites mais

45 influentes estão hospedados em jornais e revistas.

VENTURA, Zuenir. O Globo – 14 fev. 2009. (com adaptações)

Pelas previsões citadas no 2º parágrafo do texto, estaria reservado à memória, aos arquivos e às bibliotecas um destino comum: tornarem-se

Alternativas
Q2879374 Português

A moda terminal

Já declararam o fim da memória, da escrita, da

pintura, da fotografia, do teatro, do rádio, das ferrovias,

da História e já anunciaram até que o mundo ia se

acabar. Todos os que previram esses desfechos

5 chegaram ao fim antes. Agora, a moda é decretar que

o jornalismo está terminando (e o livro também). Citam

importantes jornais do mundo como alguns dos veículos

com sérias dificuldades financeiras. Reconheço que

há argumentos respeitáveis e indícios preocupantes.

10 Mas vamos relativizar o pânico. No Brasil, por

exemplo, nos dois últimos anos, a circulação dos

diários cresceu. Em 2007, enquanto a expansão

mundial não passou de 2,5%, aqui foi de 11,8%.

Desconfio muito das antecipações feitas por

15 um mundo que não conseguiu prever nem a crise

econômica atual. Além do mais, nunca uma nova

tecnologia de comunicação eliminou a anterior. Com

o advento da escrita – para citar a primeira dessas

transformações – acreditava-se que, por desuso, a

20 memória iria desaparecer. Dispondo de um suporte

mecânico para registrar suas experiências, o homem

não usaria mais a cabeça. Para que decorar, se era

possível guardar tudo em forma de letrinhas? (a última

especulação no gênero é a de que o Google vai tornar

25 inúteis arquivos e bibliotecas).

Antes se dizia que a “civilização visual” (a TV)

iria abolir a “civilização verbal”. Uma imagem vale mais

que mil palavras, repetia-se, esquecendo-se de que só

se diz isso com palavras. Agora se afirma, veja a ironia,

30 que a Internet veio salvar a escrita que a TV estava

matando. De fato, nunca se escreveu tanto quanto hoje,

pelo menos em e-mails. A onipresença desse universo

on-line passou então a funcionar como uma espécie de

pá de cal sobre o jornal. Só que a Internet ainda precisa

35 da confirmação e do endosso do “impresso”, de seu

prestígio e credibilidade. Os blogueiros sérios que me

perdoem, mas a rede não é confiável (ainda bem, para

Veríssimo e Jabor, pelo que costumam atribuir a eles

ali). Uma vez, um site noticiou que eu tinha morrido.

40 Houve controvérsia, mas eu só não morri mesmo

porque a notícia não saiu nos jornais.

Por tudo isso, é provável que, em vez de

extermínio, haja convergência e convivência de mídias,

como já está ocorrendo. Muitos dos blogs e sites mais

45 influentes estão hospedados em jornais e revistas.

VENTURA, Zuenir. O Globo – 14 fev. 2009. (com adaptações)

O início do 1º parágrafo (l. 1 a 4) deixa claro que a moda de que fala o cronista é um tema

Alternativas
Ano: 2009 Banca: CESGRANRIO Órgão: DECEA
Q1236217 Português
São acentuadas graficamente pela mesma razão as palavras:
Alternativas
Ano: 2009 Banca: CESGRANRIO Órgão: DECEA
Q1222197 Segurança da Informação
Considere o contexto no qual não existe falha de segurança na proteção da(s) chave(s) privada(s) e pública(s). Dentro deste contexto, se Marcelo escreve um e-mail para José e o assina digitalmente, José pode ter certeza de que
Alternativas
Q2902230 Telecomunicações

A "janela" espectral de menor atenuação em uma fibra mono modo está em torno de:

Alternativas
Q2902135 Arquitetura de Software

Um lance de rede óptica de 100 km usa:


1 - cabos com fibras ópticas monomodo com dispersão cromática τ = 10 ps/nm. km;


2 - laser DFB com largura espectral igual a Δλ = 2,0 nm, na transmissão.



A dispersão cromática total na fibra é de:

Alternativas
Q2902123 Noções de Informática

A memória volátil de escrita e leitura é chamada de memória:

Alternativas
Q2879448 Inglês
not valid statement found

When we say that a war is "ongoing" (l.4), we mean it is:

Alternativas
Q2879445 Inglês
not valid statement found

"a key victory" (l.4) means that the victory is:

Alternativas
Respostas
461: E
462: D
463: A
464: C
465: B
466: E
467: D
468: D
469: A
470: E
471: E
472: B
473: C
474: A
475: A
476: B
477: A
478: B
479: E
480: B