Questões de Concurso
Comentadas para bioquímico - análises clínicas
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Os quimioterápicos são compostos químicos utilizados em diferentes tipos de neoplasias. Em relação a esses compostos, considere as seguintes afirmativas:
I O mesilato de imatinibe é um inibidor de tirosina quinase e tem indicação exclusiva para a LMC cromossomo Ph positivo.
II A talidomida tem efeitos antiangiogênicos e imunomoduladores e apresenta indicação de tratamento do mieloma múltiplo.
III O tamoxifeno é um antagonista do fator de crescimento epidérmico humano (HER-2) indicado para tratar o câncer de mama.
IV A asparaginase é uma enzima extraída da E. coli, atua clivando a asparagina e tem indicação para tratar linfomas e LLAs.
Das afirmativas, estão corretas
I A prova citoquímica do sudan black e a da mieloperoxidase detectam, respectivamente, a presença de lipídeos complexos dos lissossomos e a atividade enzimática da principal enzima dessas organelas, sendo positivas para os blastos linfóides.
II A prova citoquímica do PAS (ácido periódico de schiff) detecta glicóis vicinais após a formação de aldeídos. Esses glicóis estão presentes em grande parte dos blastos linfóides formando positividade em coroa, e podem também ser pos itivos em proeritoblastos.
III Os painéis de imunofenotipagem para caracterizar a linhagem mielóide devem conter os seguintes marcadores: CD33, CD41 , CD61 , CDw65, CD71 e CD117.
IV Os painéis de imunofenotipagem para caracterizar a linhagem linfóide devem conter os seguintes marcadores CD13, CD19, CD20, CD21, CD22 e CD79a.
Das afirmativas, estão corretas
Paciente do sexo feminino, de 37 anos, relatou ao médico que apresentava episódios isolados de sudorese noturna e leve cansaço aos pequenos esforços . Realizou um hemograma cujos resultados da série vermelha foram os seguintes: uma discreta anemia normocítica e normocrômica, plaquetas de 520.000/mm³ e leucometria de 190.000 leucócitos/mm³. A análise diferencial desse exame está reproduzida a seguir:
promielócitos 10%
mielócitos 17%
metamielócitos 7%
bastonetes 13%
segmentados neutrófilos 33%
eosinófilos 8%
basófilos 10%
linfócitos 1%
monócitos 1%
Com base nesse quadro clínico-laboratorial, o diagnóstico provável é
I Lixão ou vazadouro é considerado um sistema adequado e seguro de disposição de resíduos sólidos de origem domiciliar e se caracteriza pela simples descarga de resíduos sobre o solo.
II Aterro sanitário é um sistema cujo método consiste na compactação dos resíduos em camadas sobre o solo devidamente impermeabilizado e no controle dos efluentes líquidos e emissões gasosas.
III Valas sépticas consistem no preenchimento de valas escavadas impermeabilizadas, com largura e profundidade proporcionais à quantidade de lixo a ser aterrada, comum em municípios pequenos.
IV Em municípios com população urbana de até 30.000 habitantes é admitida a disposição final em solo por tempo indeterminado e de acordo com a devida aprovação do órgão de meio ambiente.
São corretas as afirmações
I Fungos filamentosos ou bolores, normalmente, fazem parte da microbiota animal e , portanto, o homem é um reservatório importante para esse grupo de fungos.
II As micoses sistêmicas estão associadas às leveduras, assim como as cutâneas estão associadas às criptococoses, e as superficiais às dermatofitoses.
III Leveduras estão associadas às infecções nosocomiais, ou seja, aquelas adquiridas em procedimentos hospitalares.
IV A sensibilidade de hemocultura para Candida é baixa, de modo que, aproximadamente, 50% dos pacientes com infecção invasiva por Candida podem ter culturas negativas.
São corretas as afirmativas
Sobre o exposto, considere as afirmações abaixo:
I O nível de biossegurança exigido para um ensaio será determinado pelo agente biológico de maior classe de risco envolvido no ensaio.
II O potencial patogênico do agente biológico não necessita de uma análise de risco prévia para estimar o nível de contenção.
III O profissional deve retirar o equipamento de proteção individual (EPI), no NB2, antes de sair do ambiente de trabalho e deve depositá-lo em lixeira comum.
IV O resíduo do laboratório no NB3 deve ser obrigatoriamente esterilizado antes de ser removido do laboratório e descartado.
Estão corretas as afirmativas:
I O garroteamento para a punção venosa do sangue não deve ser prolongado, pois pode produzir alterações na distribuição de alguns constituintes do sangue e facilitar a hemólise.
II Para a microscopia do sedimento urinário, é recomendável a utilização de urina recentemente emitida ou conservada em refrigerador com a finalidade de manter a integridade dos cilindros.
III Para a dosagem bioquímica da bilirrubina, o sangue coletado deve ser colocado em frasco com anticoagulante EDTA e não necessita de proteção contra a luz.
IV Para o estudo das funções digestivas, as fezes devem ser acondicionadas em recipientes limpos, de boca larga, e enviadas ao laboratório para que o exame seja realizado o mais breve possível.
Estão corretas as afirmativas
Mitos da criminalidade juvenil no Brasil
Marília Rovaron
Propostas de emenda à Constituição que reduzem a maioridade penal e projetos de lei que ampliam o tempo de internação de adolescentes envolvidos em crimes hediondos têm reaparecido nas pautas do Senado brasileiro. A análise dessa complexa questão demanda, porém, um conhecimento mais objetivo da realidade dos atos infracionais praticados por adolescentes em relação ao problema da violência no Brasil. Muitos mitos circundam o debate acerca da autoria de jovens na criminalidade urbana, sendo três deles mais ce ntrais nas discussões.
O primeiro mito aponta uma criminalidade crescente e descontrolada, praticada por crianças e adolescentes, contrariando as estatísticas oficiais que, na verdade, revelam um hiperdimensionamento na apresentação das violências praticadas por jovens, se comparadas às praticadas por adultos. No ano de 2012, por exemplo, só 8,4% dos homicídios registrados no país foram cometidos por adolescentes. E, no ano de 2010, das 8.686 crianças e adolescentes assassinados no Brasil, 2,5% das mortes foram cometidas por adolescentes, segundo o estudo Porque dizemos não à redução da maioridade penal, de 2013, da Fundação Abrinq. Portanto, ao contrário do que afirma a opinião pública, é baixa a proporção de jovens que cometem atos infracionais graves, como os homicídios. E o mesmo se observa em roubo e tráfico.
O segundo mito associa a pobreza à criminalidade, determinando o risco que as crianças e os adolescentes pobres oferecem à sociedade, como criminosos em potencial. Diversas pesquisas comprovam a participação de jovens de diferentes classes sociais em atos infracionais. O que importa considerar, nesses casos, são os encaminhamentos dados: a diferenciação entre dependente químico e traficante é um exemplo claro dos tipos de tratamento possíveis aos sujeitos a partir de recortes de cor, classe social e região de moradia.
O terceiro mito sustenta que há uma passividade do Estado frente às ações consideradas criminosas praticadas por jovens, reforçando o desejo de grande parte da sociedade por uma menor tolerância no trato com crianças e adolescentes autores de ato infracional, desconsiderando, assim, os índices crescentes das medidas socioeducativas no país, sobretudo das medidas privativas de liberdade.
As simplificações das justificativas normalmente empregadas na defesa por mais punição aos jovens envolvidos (ou em risco de se envolver) em atos criminais parecem sempre mover a atenção para os indivíduos e não para as estruturas sociais. É quando o papel da punição na política criminal contemporânea adquire força e capilaridade no tecido da sociedade, afetando um público-alvo específico e legitimado por uma sociedade conivente com o recrudescimento de um sistema que se mostra seletivo em suas punições. Apesar da gravidade de acontecimentos violentos no país, deve-se ressaltar que, do total de adolescentes em conflito com a lei, apenas 8,4% cometeram homicídios. A maioria dos delitos juvenis é roubo, seguido por tráfico. Sabemos também que a maioria dos adolescentes em conflito com a lei já abandonou a escola ainda no Ensino Fundamental e que é imensa a dificuldade daqueles que estão cumprindo medidas socioeducativas, principalmente em liberdade assistida, em retomar seus estudos.
Ao mesmo tempo, não existem indícios suficientes de que aumentar a repressão e o rigor das medidas socioeducativas em si seja o bastante para reduzir a criminalidade e os homicídios. Ao contrário, dados do Conselho Nacional de Justiça atestam que 70% dos egressos do sistema prisional retornam a ele por reincidirem. Assim, a extensão dessa situação às infrações juvenis
— ou seja, mais encarceramentos de adolescentes — não amenizará os índices de crimes cometidos por eles no país.
É dever do Estado aprimorar e ampliar as políticas sociais que amparam a juventude vulnerável. E é, sobretudo, a ausência dessas políticas que gera as condições de vulnerabilidade, empurrando os adolescentes para a criminalidade. Desse modo, a simples ausência de universalidade de direitos fundamentais, como o direito à moradia, à educação, à saúde, à inserção produtiva qualificada, já se constitui em violência contra a infância e a adolescência.
Nos sistemas judiciário, executivo e legislativo, ainda está bem presente a “lógica menorista” (visão antiga que ainda considera crianças e adolescentes “objetos do direito”, assujeitados, em situação irregular, e não sujeitos em desenvolvimento, que demandam proteção, respeito e autonomia), e pouco avançamos em leis que permitem saltos nessa visão. Debatemos a ineficácia de um Estatuto da Criança e do Adolescente que nem sequer foi implantado por completo e opinamos sobre a redução da maioridade penal, esquecendo -nos de que as causas da questão social continuam intocáveis em praticamente todas as esferas.
A efetivação da mudança de paradigma no sistema de justiça juvenil exige uma transformação coletiva na mentalidade da sociedade para que a opinião pública aprofunde as reflexões acerca da cultura punitiva e possa, assim, vislumbrar novas formas de sociabilidade, pautadas na liberdade. Da mesma forma que à lei não pode ser atribuído o papel de salvar a humanidade, o cárcere não resolverá as desigualdades sociais que marcam tão profundamente as vidas dos jovens e sua busca por sobrevivência, expressão, visibilidade e ascensão social.
Disponível em: <www.cartaeducacao.com.br>. Acesso em: 14 dez. 2017. [Adaptado]