Questões de Concurso Comentadas para professor - biologia

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Q997449 Português

Texto 1

Como ler os clássicos? 


§ 1º Em recente artigo para o jornal The New York Times, o novelista Brian Morton compara a leitura dos grandes escritores do passado a uma viagem no tempo, na qual o aventureiro deve mover-se com cautela, sem jamais tentar impor os seus costumes aos nativos de um longínquo período da história, cujas práticas não correspondem às nossas.

§ 2º Segundo o autor, isso não quer dizer que escritores antigos estejam imunes à crítica contemporânea, como se a autoridade do cânone em relação à crítica seguisse um critério de mérito por antiguidade, a partir do qual um texto deva ser protegido a qualquer custo — pelo simples fato de ter sobrevivido às mais diversas provas de resistência ao tempo.

§ 3º Ora, por mais antigo que seja, nenhum texto está isento de reinterpretações e críticas. Exemplo disso é o que nos propõe o estudioso Harold Bloom em “O Livro de J”, em que discorre sobre a possibilidade de alguns trechos do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) terem sido compostos por uma mulher.

§ 4º Assim, Morton recomenda que a crítica não se antecipe ao bom exercício da leitura. Algo raro nos dias de hoje, em que muitas vezes se opta por boicotar certas obras antes mesmo de confrontá-las por méritos artísticos específicos e prováveis limitações de fundo ético. Exemplo disso são seus estudantes que evitam a leitura de Edith Wharton (autora de “A Casa da Alegria”) e Dostoiévski, sob o pretexto de que qualquer suspeita de antissemitismo deveria ser banida da literatura.

§ 5º Ao referir-se a esse problema, Morton argumenta que, embora a crescente oposição dos estudantes seja alimentada por uma genuína sede de justiça social, a sobrevivência dos clássicos em departamentos de literatura não seria motivada pela pulsão reacionária de velhos professores, mas pela necessidade de compreendermos o terreno em que a criatividade humana se manifesta em um dado contexto histórico e cultural.

§ 6º Não há dúvidas de que as grandes vozes literárias do passado tenham uma visão de mundo limitada por preconceitos de época. Dessa queixa nem mesmo o mais precavido dos nossos contemporâneos conseguiria se safar! Afinal, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche já declarava ser inevitável que todos os grandes espíritos estivessem ligados aos seus tempos por meio de algum preconceito.

§ 7º Mesmo assim, Morton ressalta que ainda temos muito a ganhar com a cuidadosa leitura desses textos que hoje são tidos por controversos. Segundo o autor, esse ganho se traduziria em um exercício de humildade a partir do qual o exame de um passado literário nos tornaria capazes de refletir sobre as limitações das práticas artísticas e dos costumes morais da nossa própria época.

§ 8º Em um diálogo de 2017 com o psicólogo Jordan Peterson, Camille Paglia faz uma observação complementar ao ressaltar que um texto não resiste ao tempo por imposição de uma elite cultural, mas por meio do seu constante uso pela tradição, enquanto referência à prática literária corrente. Ou seja, aquilo que nós consideramos grande arte é determinado pelas necessidades dos próprios artistas.

§ 9º Ao adotar-se o raciocínio de Paglia, chega-se à conclusão de que a permanência de autores como Homero e Shakespeare no cânone literário não seria consequência de uma conspiração do poder político e acadêmico para privilegiar determinados escritores em detrimento de outros. Isso decorre, portanto, da vitalidade das suas influências ao longo da história.

§ 10. Homero é um dos autores mais relevantes do cânone pelo fato de suas criações servirem de inspiração para escritores outros de épocas diversas. Desde os dramaturgos da antiga Grécia — como Ésquilo, que disse que suas peças não passavam de migalhas do banquete homérico — e Virgílio, o romano, até escritores modernos como o poeta e historiador britânico Robert Graves, autor de “A Filha de Homero”, e a escritora canadense Margaret Atwood com o seu “The Penelopiad”.

§ 11. Da mesma forma, Shakespeare teria influenciado outros escritores desde o seu advento, passando pelo teatro alemão do século 18 — por exemplo, tragédias históricas como “Götz von Berlichingen” e “Egmont” de Goethe — até o cinema japonês do século 20, em filmes do diretor Akira Kurosawa — tanto “Trono Manchado de Sangue” como “Ran”, cujos roteiros são adaptações dos dramas “Macbeth” e “Rei Lear”.

§ 12. Compreender essa teia de influências e associações é uma das tarefas mais difíceis do professor e crítico literário, cuja função mais ampla é a de oferecer ao público uma chave de leitura que seja simultaneamente plausível e criativa, sem que para isso tenha a necessidade de extrapolar os limites de uma obra — ora atribuindo ao texto características inexistentes, ora interpretações anacrônicas —, como se a própria obra e o seu contexto histórico não fossem capazes de despertar a fome literária do leitor.

§ 13. Desde o começo do meu doutorado, reflito sobre a melhor forma de ler e ensinar os clássicos da literatura alemã. Assim, durante o período em que me dedico aos alunos, como nas horas em que desenvolvo a minha tese, busco aplicar uma síntese das duas estratégias abordadas neste pequeno ensaio, quais sejam: a reconstrução de um contexto histórico específico na tentativa de emprestar uma ordem ao emaranhado de influências artísticas e filosóficas necessárias para o entendimento de autores como Goethe.

§ 14. Nesse afã, dedico a maior parte das minhas horas de estudo à versão de Goethe de “Ifigênia em Táuris”. Exercício em que procuro entender o contexto histórico de cada uma das versões dessa tragédia, ao mesmo tempo em que traço uma narrativa mais ampla sobre a recepção do texto original de Eurípides na Alemanha do século 18.

§ 15. Contudo, atento aos detalhes da versão de Goethe, que se distancia tanto do texto euripidiano como de outras versões da época, buscando ressaltar as qualidades morais atribuídas à protagonista, cujas atitudes revelam um importante questionamento sobre a relação entre gênero e autonomia na obra do escritor alemão.

§ 16. Goethe é um dos muitos autores clássicos arbitrariamente criticados pelas suas representações do feminino. No entanto, quanto mais tempo dedico ao estudo da sua obra, mais noto que determinadas críticas não fazem o menor sentido.

§ 17. Isso prova que, muitas vezes, a reputação de um escritor canônico entre os nossos contemporâneos apenas revela a inabilidade de nossa época em reconhecer os raros, porém eficientes, esforços do passado na promoção das liberdades que hoje consagramos.

§ 18. Não se trata de uma simples coincidência que Goethe tenha sido uma importante referência literária para a escritora George Eliot, autora de “Middlemarch”, ou que Elena Ferrante, na atualidade, tome uma citação de “Fausto” como a epígrafe de “A Amiga Genial”, o primeiro dos quatro volumes da ilustre série napolitana — uma espécie de “bildungsroman” (romance de formação ou amadurecimento) para os nossos tempos, sobre a busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade!

                             ALBURQUEQUE, Juliana de. Folha de S. Paulo, 26 mar. 2019. 

Com relação aos aspectos linguísticos do texto 1, assinale a assertiva correta:
Alternativas
Q997448 Português

Texto 1

Como ler os clássicos? 


§ 1º Em recente artigo para o jornal The New York Times, o novelista Brian Morton compara a leitura dos grandes escritores do passado a uma viagem no tempo, na qual o aventureiro deve mover-se com cautela, sem jamais tentar impor os seus costumes aos nativos de um longínquo período da história, cujas práticas não correspondem às nossas.

§ 2º Segundo o autor, isso não quer dizer que escritores antigos estejam imunes à crítica contemporânea, como se a autoridade do cânone em relação à crítica seguisse um critério de mérito por antiguidade, a partir do qual um texto deva ser protegido a qualquer custo — pelo simples fato de ter sobrevivido às mais diversas provas de resistência ao tempo.

§ 3º Ora, por mais antigo que seja, nenhum texto está isento de reinterpretações e críticas. Exemplo disso é o que nos propõe o estudioso Harold Bloom em “O Livro de J”, em que discorre sobre a possibilidade de alguns trechos do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) terem sido compostos por uma mulher.

§ 4º Assim, Morton recomenda que a crítica não se antecipe ao bom exercício da leitura. Algo raro nos dias de hoje, em que muitas vezes se opta por boicotar certas obras antes mesmo de confrontá-las por méritos artísticos específicos e prováveis limitações de fundo ético. Exemplo disso são seus estudantes que evitam a leitura de Edith Wharton (autora de “A Casa da Alegria”) e Dostoiévski, sob o pretexto de que qualquer suspeita de antissemitismo deveria ser banida da literatura.

§ 5º Ao referir-se a esse problema, Morton argumenta que, embora a crescente oposição dos estudantes seja alimentada por uma genuína sede de justiça social, a sobrevivência dos clássicos em departamentos de literatura não seria motivada pela pulsão reacionária de velhos professores, mas pela necessidade de compreendermos o terreno em que a criatividade humana se manifesta em um dado contexto histórico e cultural.

§ 6º Não há dúvidas de que as grandes vozes literárias do passado tenham uma visão de mundo limitada por preconceitos de época. Dessa queixa nem mesmo o mais precavido dos nossos contemporâneos conseguiria se safar! Afinal, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche já declarava ser inevitável que todos os grandes espíritos estivessem ligados aos seus tempos por meio de algum preconceito.

§ 7º Mesmo assim, Morton ressalta que ainda temos muito a ganhar com a cuidadosa leitura desses textos que hoje são tidos por controversos. Segundo o autor, esse ganho se traduziria em um exercício de humildade a partir do qual o exame de um passado literário nos tornaria capazes de refletir sobre as limitações das práticas artísticas e dos costumes morais da nossa própria época.

§ 8º Em um diálogo de 2017 com o psicólogo Jordan Peterson, Camille Paglia faz uma observação complementar ao ressaltar que um texto não resiste ao tempo por imposição de uma elite cultural, mas por meio do seu constante uso pela tradição, enquanto referência à prática literária corrente. Ou seja, aquilo que nós consideramos grande arte é determinado pelas necessidades dos próprios artistas.

§ 9º Ao adotar-se o raciocínio de Paglia, chega-se à conclusão de que a permanência de autores como Homero e Shakespeare no cânone literário não seria consequência de uma conspiração do poder político e acadêmico para privilegiar determinados escritores em detrimento de outros. Isso decorre, portanto, da vitalidade das suas influências ao longo da história.

§ 10. Homero é um dos autores mais relevantes do cânone pelo fato de suas criações servirem de inspiração para escritores outros de épocas diversas. Desde os dramaturgos da antiga Grécia — como Ésquilo, que disse que suas peças não passavam de migalhas do banquete homérico — e Virgílio, o romano, até escritores modernos como o poeta e historiador britânico Robert Graves, autor de “A Filha de Homero”, e a escritora canadense Margaret Atwood com o seu “The Penelopiad”.

§ 11. Da mesma forma, Shakespeare teria influenciado outros escritores desde o seu advento, passando pelo teatro alemão do século 18 — por exemplo, tragédias históricas como “Götz von Berlichingen” e “Egmont” de Goethe — até o cinema japonês do século 20, em filmes do diretor Akira Kurosawa — tanto “Trono Manchado de Sangue” como “Ran”, cujos roteiros são adaptações dos dramas “Macbeth” e “Rei Lear”.

§ 12. Compreender essa teia de influências e associações é uma das tarefas mais difíceis do professor e crítico literário, cuja função mais ampla é a de oferecer ao público uma chave de leitura que seja simultaneamente plausível e criativa, sem que para isso tenha a necessidade de extrapolar os limites de uma obra — ora atribuindo ao texto características inexistentes, ora interpretações anacrônicas —, como se a própria obra e o seu contexto histórico não fossem capazes de despertar a fome literária do leitor.

§ 13. Desde o começo do meu doutorado, reflito sobre a melhor forma de ler e ensinar os clássicos da literatura alemã. Assim, durante o período em que me dedico aos alunos, como nas horas em que desenvolvo a minha tese, busco aplicar uma síntese das duas estratégias abordadas neste pequeno ensaio, quais sejam: a reconstrução de um contexto histórico específico na tentativa de emprestar uma ordem ao emaranhado de influências artísticas e filosóficas necessárias para o entendimento de autores como Goethe.

§ 14. Nesse afã, dedico a maior parte das minhas horas de estudo à versão de Goethe de “Ifigênia em Táuris”. Exercício em que procuro entender o contexto histórico de cada uma das versões dessa tragédia, ao mesmo tempo em que traço uma narrativa mais ampla sobre a recepção do texto original de Eurípides na Alemanha do século 18.

§ 15. Contudo, atento aos detalhes da versão de Goethe, que se distancia tanto do texto euripidiano como de outras versões da época, buscando ressaltar as qualidades morais atribuídas à protagonista, cujas atitudes revelam um importante questionamento sobre a relação entre gênero e autonomia na obra do escritor alemão.

§ 16. Goethe é um dos muitos autores clássicos arbitrariamente criticados pelas suas representações do feminino. No entanto, quanto mais tempo dedico ao estudo da sua obra, mais noto que determinadas críticas não fazem o menor sentido.

§ 17. Isso prova que, muitas vezes, a reputação de um escritor canônico entre os nossos contemporâneos apenas revela a inabilidade de nossa época em reconhecer os raros, porém eficientes, esforços do passado na promoção das liberdades que hoje consagramos.

§ 18. Não se trata de uma simples coincidência que Goethe tenha sido uma importante referência literária para a escritora George Eliot, autora de “Middlemarch”, ou que Elena Ferrante, na atualidade, tome uma citação de “Fausto” como a epígrafe de “A Amiga Genial”, o primeiro dos quatro volumes da ilustre série napolitana — uma espécie de “bildungsroman” (romance de formação ou amadurecimento) para os nossos tempos, sobre a busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade!

                             ALBURQUEQUE, Juliana de. Folha de S. Paulo, 26 mar. 2019. 

Com base nas ideias expressas no texto 1, considere as assertivas seguintes:


I. O bom exercício da leitura de grandes obras do passado exige humildade do leitor, de modo que este não demande do escritor distante do tempo presente adesão aos costumes contemporâneos.

II. O valor ético e moral de uma obra deve se sobrepor a suas qualidades artísticas.

III. O contexto em que uma obra clássica foi escrita não é necessário para a sua boa compreensão, haja vista que a cultura contemporânea, vivenciada pelos atuais leitores, se revela diversa da cultura da época em que a obra foi produzida.

IV. Escritores contemporâneos, ao contrário dos clássicos, não estão suscetíveis a vocalizar preconceitos em suas obras, dado que a cultura presente é marcada pela adesão à justiça social.

V. A influência da obra de Goethe em uma obra contemporânea que trata da busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade corrobora o argumento de que o escritor não merece as críticas que recebeu acerca da representação do feminino em sua obra.


Assinale a opção correta:

Alternativas
Q997447 Português

Texto 1

Como ler os clássicos? 


§ 1º Em recente artigo para o jornal The New York Times, o novelista Brian Morton compara a leitura dos grandes escritores do passado a uma viagem no tempo, na qual o aventureiro deve mover-se com cautela, sem jamais tentar impor os seus costumes aos nativos de um longínquo período da história, cujas práticas não correspondem às nossas.

§ 2º Segundo o autor, isso não quer dizer que escritores antigos estejam imunes à crítica contemporânea, como se a autoridade do cânone em relação à crítica seguisse um critério de mérito por antiguidade, a partir do qual um texto deva ser protegido a qualquer custo — pelo simples fato de ter sobrevivido às mais diversas provas de resistência ao tempo.

§ 3º Ora, por mais antigo que seja, nenhum texto está isento de reinterpretações e críticas. Exemplo disso é o que nos propõe o estudioso Harold Bloom em “O Livro de J”, em que discorre sobre a possibilidade de alguns trechos do Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) terem sido compostos por uma mulher.

§ 4º Assim, Morton recomenda que a crítica não se antecipe ao bom exercício da leitura. Algo raro nos dias de hoje, em que muitas vezes se opta por boicotar certas obras antes mesmo de confrontá-las por méritos artísticos específicos e prováveis limitações de fundo ético. Exemplo disso são seus estudantes que evitam a leitura de Edith Wharton (autora de “A Casa da Alegria”) e Dostoiévski, sob o pretexto de que qualquer suspeita de antissemitismo deveria ser banida da literatura.

§ 5º Ao referir-se a esse problema, Morton argumenta que, embora a crescente oposição dos estudantes seja alimentada por uma genuína sede de justiça social, a sobrevivência dos clássicos em departamentos de literatura não seria motivada pela pulsão reacionária de velhos professores, mas pela necessidade de compreendermos o terreno em que a criatividade humana se manifesta em um dado contexto histórico e cultural.

§ 6º Não há dúvidas de que as grandes vozes literárias do passado tenham uma visão de mundo limitada por preconceitos de época. Dessa queixa nem mesmo o mais precavido dos nossos contemporâneos conseguiria se safar! Afinal, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche já declarava ser inevitável que todos os grandes espíritos estivessem ligados aos seus tempos por meio de algum preconceito.

§ 7º Mesmo assim, Morton ressalta que ainda temos muito a ganhar com a cuidadosa leitura desses textos que hoje são tidos por controversos. Segundo o autor, esse ganho se traduziria em um exercício de humildade a partir do qual o exame de um passado literário nos tornaria capazes de refletir sobre as limitações das práticas artísticas e dos costumes morais da nossa própria época.

§ 8º Em um diálogo de 2017 com o psicólogo Jordan Peterson, Camille Paglia faz uma observação complementar ao ressaltar que um texto não resiste ao tempo por imposição de uma elite cultural, mas por meio do seu constante uso pela tradição, enquanto referência à prática literária corrente. Ou seja, aquilo que nós consideramos grande arte é determinado pelas necessidades dos próprios artistas.

§ 9º Ao adotar-se o raciocínio de Paglia, chega-se à conclusão de que a permanência de autores como Homero e Shakespeare no cânone literário não seria consequência de uma conspiração do poder político e acadêmico para privilegiar determinados escritores em detrimento de outros. Isso decorre, portanto, da vitalidade das suas influências ao longo da história.

§ 10. Homero é um dos autores mais relevantes do cânone pelo fato de suas criações servirem de inspiração para escritores outros de épocas diversas. Desde os dramaturgos da antiga Grécia — como Ésquilo, que disse que suas peças não passavam de migalhas do banquete homérico — e Virgílio, o romano, até escritores modernos como o poeta e historiador britânico Robert Graves, autor de “A Filha de Homero”, e a escritora canadense Margaret Atwood com o seu “The Penelopiad”.

§ 11. Da mesma forma, Shakespeare teria influenciado outros escritores desde o seu advento, passando pelo teatro alemão do século 18 — por exemplo, tragédias históricas como “Götz von Berlichingen” e “Egmont” de Goethe — até o cinema japonês do século 20, em filmes do diretor Akira Kurosawa — tanto “Trono Manchado de Sangue” como “Ran”, cujos roteiros são adaptações dos dramas “Macbeth” e “Rei Lear”.

§ 12. Compreender essa teia de influências e associações é uma das tarefas mais difíceis do professor e crítico literário, cuja função mais ampla é a de oferecer ao público uma chave de leitura que seja simultaneamente plausível e criativa, sem que para isso tenha a necessidade de extrapolar os limites de uma obra — ora atribuindo ao texto características inexistentes, ora interpretações anacrônicas —, como se a própria obra e o seu contexto histórico não fossem capazes de despertar a fome literária do leitor.

§ 13. Desde o começo do meu doutorado, reflito sobre a melhor forma de ler e ensinar os clássicos da literatura alemã. Assim, durante o período em que me dedico aos alunos, como nas horas em que desenvolvo a minha tese, busco aplicar uma síntese das duas estratégias abordadas neste pequeno ensaio, quais sejam: a reconstrução de um contexto histórico específico na tentativa de emprestar uma ordem ao emaranhado de influências artísticas e filosóficas necessárias para o entendimento de autores como Goethe.

§ 14. Nesse afã, dedico a maior parte das minhas horas de estudo à versão de Goethe de “Ifigênia em Táuris”. Exercício em que procuro entender o contexto histórico de cada uma das versões dessa tragédia, ao mesmo tempo em que traço uma narrativa mais ampla sobre a recepção do texto original de Eurípides na Alemanha do século 18.

§ 15. Contudo, atento aos detalhes da versão de Goethe, que se distancia tanto do texto euripidiano como de outras versões da época, buscando ressaltar as qualidades morais atribuídas à protagonista, cujas atitudes revelam um importante questionamento sobre a relação entre gênero e autonomia na obra do escritor alemão.

§ 16. Goethe é um dos muitos autores clássicos arbitrariamente criticados pelas suas representações do feminino. No entanto, quanto mais tempo dedico ao estudo da sua obra, mais noto que determinadas críticas não fazem o menor sentido.

§ 17. Isso prova que, muitas vezes, a reputação de um escritor canônico entre os nossos contemporâneos apenas revela a inabilidade de nossa época em reconhecer os raros, porém eficientes, esforços do passado na promoção das liberdades que hoje consagramos.

§ 18. Não se trata de uma simples coincidência que Goethe tenha sido uma importante referência literária para a escritora George Eliot, autora de “Middlemarch”, ou que Elena Ferrante, na atualidade, tome uma citação de “Fausto” como a epígrafe de “A Amiga Genial”, o primeiro dos quatro volumes da ilustre série napolitana — uma espécie de “bildungsroman” (romance de formação ou amadurecimento) para os nossos tempos, sobre a busca de duas amigas por autoconhecimento e liberdade!

                             ALBURQUEQUE, Juliana de. Folha de S. Paulo, 26 mar. 2019. 

Com relação às ideias do texto 1, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2759141 Biologia

Em uma aula de campo sobre ecologia realizada na Chapada do Araripe, o Professor André chamava a atenção dos seus alunos do 9º ano para aspectos de grande relevância, dentre eles, a existência de uma ave endêmica conhecida por soldadinho-do-araripe e a importância da preservação das nascentes de água para a manutenção da biodiversidade regional. Além disso, alertava o Professor para a ocorrência de diferentes tipos de fisionomias de vegetação na Chapada e seus ecótonos, como o Cerrado sensu stricto e o carrasco, com a existência de espécies adaptadas a diferentes fatores como altitude e tipos de solo.

Assinale a alternativa incorreta referente aos termos utilizados pelo Professor André na aula:

Alternativas
Q2759140 Biologia

Um dos problemas ambientais de consequências mais drásticas a se combater é a introdução de espécies exóticas, considerada a segunda causa principal de perda de biodiversidade no planeta. Quando introduzidas em habitats fora de sua área natural de distribuição, essas espécies causam uma série de impactos negativos ao ambiente. Como exemplos de espécies exóticas introduzidas na região do Cariri, ao Sul do Estado do Ceará, pode-se observar o caramujo-gigante-africano (Lissachatina fulica), na qual a infestação causou verdadeiras devastações em plantações de moradores da zona rural de Barbalha, no final de 2017, o tucunaré (Cichla ocellaris) que pode ter resultado em grande perda de biodiversidade em rios, lagos e açudes em escala regional e o nim-indiano (Azadirachta indica), árvore com alto poder invasor, comumente utilizada na arborização urbana e rural de municípios como Jardim e Porteiras.

Com base no enunciado assinale a opção que melhor corresponde às relações ecológicas dos organismos citados, respectivamente:

Alternativas
Q2759139 Biologia

Analise as afirmações que se referem às teorias da evolução das espécies:

I – A Teoria Sintética da Evolução ou Neodarwinismo afirma que as variações genéticas são explicadas biologicamente como sendo causas fundamentais do processo evolutivo, sendo a mutação o principal fator evolutivo.

II – Para Lamarck, o ambiente modifica-se provocando transformações nos organismos para que estes se adaptem a essas modificações ambientais.

III – O Darwinismo afirma que o ambiente apenas seleciona as variações mais favoráveis aos organismos.

IV – Tanto para o Lamarckismo como para o Darwinismo o meio ambiente exerce papel preponderante no processo de evolução.

Assinale a alternativa correta quanto às afirmações acima:

Alternativas
Q2759138 Biologia

No casal Joaquim e Vicência, a esposa é albina (caráter recessivo), sendo o marido, normal para esse caráter. Os pais de Joaquim são normais, no entanto, cada um deles, tem um progenitor albino. A probabilidade de o casal (Joaquim e Vicência) vir a ter um descendente albino é de:

Alternativas
Q2759136 Biologia

A região do encéfalo localizada acima da hipófise que exerce controle sobre ela através de conexões neurais e substâncias que apresentam semelhança a hormônios, denominados fatores desencadeadores (ou de liberação) é denominado(a):

Alternativas
Q2759135 Biologia

Observe as afirmações acerca do sistema digestório humano:

I – É formado por um longo tubo musculoso (esôfago), ao qual são associados órgãos (como estômago e intestino grosso) e glândulas (como pâncreas e vesícula biliar) que participam da digestão intracelular.

II – O fígado tem como, dentre várias funções, secretar a bile, substância líquida que atua no emulsionamento de gorduras que são ingeridas, o que facilita a ação da enzima lipase.

III - O intestino delgado é um tubo com aproximadamente 11 m de comprimento por 7 cm de diâmetro e pode ser dividido em três regiões: duodeno (cerca de 2 m), jejuno (cerca de 7 m) e íleo (cerca de 2 m).

Está(ão) correta(as) a(s) afirmação(ões):

Alternativas
Q2759134 Biologia

Numa aula sobre reino animal o Professor resolve mostrar cartazes com símbolos representativos dos principais Filos para facilitar a compreensão das características e identificação pelos alunos, conforme exposto abaixo:

1Imagem associada para resolução da questão2Imagem associada para resolução da questão3Imagem associada para resolução da questão4Imagem associada para resolução da questão5Imagem associada para resolução da questão

Assinale a alternativa que melhor representa a simbologia relativa aos Filos exposta pelo Professor:

Alternativas
Q2759133 Biologia

“A”, “B”, “C”, “D” e “E” podem ser substituídos, na figura abaixo, respectivamente por:

Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q2759132 Biologia

O projeto Flora do Brasil 2020, que faz a divulgação da identificação das espécies de plantas, fungos e algas conhecidos no Brasil, aponta que atualmente existem 33.226 espécies de angiospermas conhecidas, 1568 de briófitas e 1357 de samambaias e licófitas (Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/>. Acesso em: 22 Out. 2018).

Essa ordem (do número de espécies) pode ser representada por:

Alternativas
Q2759131 Biologia

Hadroma e leptoma são estruturas responsáveis por transportar seiva encontradas em alguns representantes do grupo dos(as):

Alternativas
Q2759130 Biologia

Para uma aula de ciências, Natália leva à Escola um organismo (figura abaixo) que ela mesma coletou no jardim da casa da sua avó. Não sabendo que tipo de organismo era aquele a aluna logo chega à conclusão, junto aos colegas, de que não se tratava de um animal (pois “não se mexia”) e nem de planta, pois não era verde e não apresentava estruturas como raízes ou folhas. Com o auxílio do Professor, Natália faz algumas anotações que a levam ao desfecho da sua dúvida:

I – Faz parte de um grupo de organismos que apresentam digestão extracelular.

II – Alguns podem ser comestíveis e outros tóxicos, se ingeridos ou submetidos à ebulição (preparação de chás).

III – Apresentam estruturas típicas como micélio e hifas.

Imagem associada para resolução da questão

Sabendo agora se tratar de um fungo e recebendo do Professor a missão de ilustrar (desenhar) e descrever a estrutura morfológica do organismo, a aluna agora se depara com uma nova questão: Em qual grupo dos fungos está enquadrado este meu organismo?

Como base na morfologia do organismo descrito pela aluna, assinale a alternativa que melhor se adequa como resposta ao questionamento:

Alternativas
Q2759129 Biologia

Assinale a alternativa incorreta sobre estruturas locomotoras em protozoários:

Alternativas
Q2759128 Biologia

Dentre as características gerais das bactérias, está o fato de muitas serem causadoras de enfermidades em humanos. Abaixo, observe algumas afirmações acerca de doenças causadas por bactérias:

I – Doença causada pela bactéria Bordetella pertussis, provoca tosse frequente e prolongada. É transmitida por gotículas de saliva contaminadas e eliminadas por meio de espirro, fala ou tosse.

II - Transmitida por água, alimentos e objetos contaminados pela urina de animais infectados, como ratos. As manifestações mais comuns são febre, dor de cabeça, vômitos e dores musculares

III – Doença causada pela bactéria conhecida também como bacilo de Nicolaier. Existente no solo na forma de esporos, esse bacilo pode penetrar no corpo humano, em ferimentos da pele, por meio de contato com terra ou objetos contaminados. Uma vez instalada no organismo, a bactéria libera uma toxina neurotóxica, que se espalha pelo corpo, causando principalmente dor de cabeça, febre e rigidez muscular causada pelas fortes contrações dos músculos da nuca, pescoço e mandíbula.

IV - Doença transmitida aos seres humanos por água e alimentos contaminados. A bactéria instala-se no intestino, irritando suas paredes e provocando infecção aguda. Os principais sintomas da doença são: diarreias muito fortes, fezes às vezes esbranquiçadas lembrando "água de arroz", vômitos, cólicas intestinais, cãibras musculares e alteração na produção de urina.

As doenças as quais se referem as afirmações I, II, III e IV são, respectivamente:

Alternativas
Q2759126 Biologia

Um vírus de RNA do gênero Morbillivirus é o agente etiológico de uma doença infecciosa aguda, contagiosa e transmissível diretamente de pessoa a pessoa através da tosse ou espirro. Essa doença pode ser muito perigosa principalmente em pacientes muito jovens ou de idade muito avançada por poder trazer lesões cerebrais permanentes.

A doença em questão referida no texto acima é:

Alternativas
Q2759125 Biologia

Observe a representação das fases do ciclo lítico de bacteriófago:

Imagem associada para resolução da questão

As figuras abaixo (1, 2 e 3) estão relacionadas, respectivamente, a:

1Imagem associada para resolução da questão

2Imagem associada para resolução da questão

3Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q2759124 Biologia

Numa atividade prática sobre tecidos humanos um Professor de Ciências do ensino fundamental II (9º ano) utilizou alguns materiais na construção de um modelo tridimensional de representação dos constituintes básicos de um tecido animal. Na demonstração, o Professor utilizou gel de cabelo transparente, fita elástica, barbante, botões de diferentes tamanhos e cores e um recipiente plástico transparente. Utilizou ainda fios de lã vermelhos para simular os vasos sanguíneos.

Sobre a proposta didática em questão, analise as afirmações que seguem:

I – O uso dos botões nesta atividade está relacionado ao reconhecimento dos diferentes tipos de células nos tecidos.

II – O barbante pode representar as fibras de colágeno e as fibrilas que se associam para formar fibras espessas.

III – A fita elástica pode ser substituída por outro material, já que não há elemento biológico nos tecidos com a capacidade de elasticidade.

IV – O gel de cabelo pode simular o gel amorfo, que nos tecidos dá sustentação às células e as hidrata.

Acerca das afirmações acima, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta (V - Verdadeiro; F- Falso):

Alternativas
Q2759123 Biologia

No processo de desenvolvimento embrionário, num embrião com 32 células os blastômeros secretam fluído para os espaços internos do embrião e esse líquido se concentra numa cavidade denominada blastocele. Nessa fase, esse embrião recebe o nome de:

Alternativas
Respostas
2361: A
2362: A
2363: C
2364: C
2365: D
2366: E
2367: A
2368: A
2369: C
2370: E
2371: B
2372: D
2373: C
2374: E
2375: B
2376: B
2377: E
2378: D
2379: C
2380: A