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Q1961854 Português

Não é fácil matar uma rainha


Folha comete erro crasso ao publicar indevidamente obituário de Elizabeth 2ª


Por José Henrique Mariante

16.abr.2022 às 23h15


Deu no Twitter e em tudo o que é canto. A Folha matou a rainha Elizabeth 2ª, “aos XX anos”, em uma desastrosa publicação na manhã de segunda-feira (11). A ressuscitação levou absurdos 25 minutos, que em tempo de internet é eternidade multiplicada, como anos de cachorro. O jornal apontou para um erro técnico em seu pedido de desculpas. Explicou também que é prática do jornalismo ter obituários prontos. Apanhou feio.


[...].


Não é a primeira vez que a Folha mata alguém antes da hora. [...] Antes da rainha, foi o rei. Ninguém menos do que Pelé já foi levado desta para melhor algumas vezes, por CNN, O Globo e outros veículos. Na onda mais recente, em fevereiro, o próprio foi ao Instagram fazer troça: “Estão dizendo por aí que eu não estou bem. Vocês não acham que eu estou bonitão?”, indagou o craque, em pose de pugilista.


[...].


Argumentar que houve um erro técnico parece esquiva e lembrar que obituários são feitos com antecedência é o mínimo. A Folha tem em torno de 200 artigos desse tipo prontos ou encaminhados. Alguns personagens, pela importância, têm edições preparadas. Longevo, Oscar Niemeyer obrigou a Redação a reeditar seus textos várias vezes, assim como a apresentação gráfica, por mais de uma década. Michael Jackson, no outro extremo, pegou o mundo de surpresa. Em 2021, a Folha publicou o obituário de Carlos Menem escrito por Clóvis Rossi, morto dois anos antes. A correspondente Sylvia Colombo atualizou o original.


Vale tudo, só não vale matar antes. Aí é vexame. Bom jornalismo se faz com antecedência, planejamento e, evidentemente, sem erros. Apresentar material digno à magnitude de uma figura pública, localizar e discutir seu legado, é papel básico da imprensa, o chamado registro histórico.


Porém, as horas de ruminação que o impresso às vezes permitia, a depender do horário de chegada da má notícia, não existem mais. No site, pronto é um apertar de botão, tornando cada vez mais sedutora a ideia de notícia feita em linha de montagem, eficiente na corrida por audiência até a próxima falha, técnica ou não. Mas jornalismo não é fábrica.


Vida longa à rainha. E ao rei.



Folha de S. Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com. br/colunas/jose-henrique-mariante-ombudsman/2022/04/nao-e-facil-matar-uma-rainha.shtml.

Acesso em: 19 abr. 2022.

O artigo de opinião está no grupo dos textos dissertativos-argumentativos, em que se defende uma tese a partir da apresentação de fatos e argumentos.


A leitura integral do texto de José Henrique Mariante permite afirmar que há uma defesa da(o)

Alternativas
Q1961853 Português

INSTRUÇÃO: Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.


O aprendiz de escritor

Moacyr Scliar


Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender –, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias das personagens que me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Mickey Mouse, Tarzan e os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de minhas personagens, estas criaturas reais ou imaginárias com quem convivi desde a infância.


“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, o Júlio de Castilhos, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.


Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.


Uma vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:


– Vocês nem podem imaginar!


Uma pausa dramática, e logo em seguida:


– Sabem este avião que está em perigo? Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!


E começou a descrever o avião incendiado, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:


– Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu vi o avião cair!


Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.


Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo. Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.


Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho. O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.



SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.

Na passagem “Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais.”, a conjunção destacada poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido por
Alternativas
Q1961852 Português

INSTRUÇÃO: Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.


O aprendiz de escritor

Moacyr Scliar


Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender –, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias das personagens que me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Mickey Mouse, Tarzan e os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de minhas personagens, estas criaturas reais ou imaginárias com quem convivi desde a infância.


“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, o Júlio de Castilhos, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.


Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.


Uma vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:


– Vocês nem podem imaginar!


Uma pausa dramática, e logo em seguida:


– Sabem este avião que está em perigo? Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!


E começou a descrever o avião incendiado, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:


– Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu vi o avião cair!


Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.


Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo. Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.


Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho. O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.



SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.

Releia a frase a seguir transcrita do texto:


“[...] havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.”


Ao se passar o termo “um rapaz” para o plural, a frase, de acordo com a norma padrão, ficará:

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Q1961851 Português

INSTRUÇÃO: Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.


O aprendiz de escritor

Moacyr Scliar


Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender –, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias das personagens que me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Mickey Mouse, Tarzan e os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de minhas personagens, estas criaturas reais ou imaginárias com quem convivi desde a infância.


“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, o Júlio de Castilhos, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.


Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.


Uma vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:


– Vocês nem podem imaginar!


Uma pausa dramática, e logo em seguida:


– Sabem este avião que está em perigo? Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!


E começou a descrever o avião incendiado, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:


– Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu vi o avião cair!


Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.


Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo. Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.


Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho. O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.



SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.

Nas crônicas, textos ligados ao cotidiano, é comum a presença de marcas de informalidade na linguagem. Na crônica “O aprendiz de escritor”, de Moacyr Scliar, vê-se uma inadequação no seguinte período:

“Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias.”


O desvio de norma padrão na frase acima decorre do uso

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Q1961850 Português

INSTRUÇÃO: Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.


O aprendiz de escritor

Moacyr Scliar


Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender –, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias das personagens que me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Mickey Mouse, Tarzan e os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de minhas personagens, estas criaturas reais ou imaginárias com quem convivi desde a infância.


“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, o Júlio de Castilhos, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.


Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.


Uma vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:


– Vocês nem podem imaginar!


Uma pausa dramática, e logo em seguida:


– Sabem este avião que está em perigo? Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!


E começou a descrever o avião incendiado, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:


– Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu vi o avião cair!


Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.


Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo. Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.


Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho. O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.



SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.

Releia o trecho final da crônica:


“O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.”


Na conclusão do texto, o trecho grifado sugere que

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Q1961849 Português

INSTRUÇÃO: Leia a crônica de Moacyr Scliar para responder à questão.


O aprendiz de escritor

Moacyr Scliar


Escrevo há muito tempo. Costumo dizer que, se ainda não aprendi – e acho mesmo que não aprendi, a gente nunca para de aprender –, não foi por falta de prática. Porque comecei muito cedo. Na verdade, todas as minhas recordações estão ligadas a isso, a ouvir e contar histórias. Não só as histórias das personagens que me encantaram, o Saci-Pererê, o Negrinho do Pastoreio, a Cuca, Hércules, Mickey Mouse, Tarzan e os piratas. Mas também as minhas próprias histórias, as histórias de minhas personagens, estas criaturas reais ou imaginárias com quem convivi desde a infância.


“Na verdade”, eu escrevi ali em cima. Verdade é uma palavra muito relativa para um escritor de ficção. O que é verdade, o que é imaginação? No colégio onde fiz o segundo grau, o Júlio de Castilhos, havia um rapaz que tinha fama de mentiroso.


Todo mundo sabia que ele era mentiroso. Todo mundo, menos ele.


Uma vez, o rádio deu uma notícia alarmante: um avião em dificuldades sobrevoava Porto Alegre. Podia cair a qualquer momento. Fomos para o colégio, naquele dia, preocupados; e conversávamos sobre o assunto, quando apareceu ele, o Mentiroso. Pálido:


– Vocês nem podem imaginar!


Uma pausa dramática, e logo em seguida:


– Sabem este avião que está em perigo? Caiu perto da minha casa. Escapamos por pouco. Gente, que coisa horrível!


E começou a descrever o avião incendiado, o piloto gritando por socorro... Uma cena impressionante. Aí veio um colega correndo, com a notícia: o avião acabara de aterrissar, são e salvo. Todo mundo começou a rir. Todo mundo, menos o Mentiroso:


– Não pode ser! – repetia, incrédulo, irritado. – Eu vi o avião cair!


Agora, quando lembro este fato, concluo que não estava mentindo. Ele vira, realmente, o avião cair. Com os olhos da imaginação, decerto; mas para ele o avião tinha caído, e tinha incendiado, e tudo o mais. E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor; como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.


Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo. Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.


Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho. O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava: Descansando, senhor escritor? Ao que o escritor respondia: Não, trabalhando. Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando? Não, respondia o escritor, descansando. As aparências enganam; enganaram até o próprio escritor.



SCLIAR, Moacyr. Memórias de um aprendiz de escritor.

São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1984.

A crônica “O aprendiz de escritor”, de Moacyr Scliar, passa pela discussão acerca da matéria-prima utilizada na profissão de escritor.

O fato narrado acerca de um colega considerado mentiroso contribui com a reflexão da crônica porque

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Q1956732 Controle Externo
Encerrado o exercício financeiro, o Prefeito Municipal deverá prestar contas de todos os recursos recebidos, utilizados e os montantes disponíveis para utilização futura. Tal operação é denominada Prestação de Contas e está prevista na legislação para garantir que a gestão dos recursos foi realizada de acordo com os dispositivos legais. O julgamento das contas prestadas pelo Prefeito Municipal é de responsabilidade do(a): 
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Q1956723 Direito Financeiro
A proposta orçamentária deve contemplar todos os programas e atividades do governo, considerando a possibilidade de que os recursos não contemplarão todas as necessidades da população, exigindo que o gestor público faça escolhas das ações que considera prioridade. Sobre a proposta orçamentária enviada para apreciação e aprovação, assinale a única alternativa correta:
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Q1956722 Direito Financeiro
A proposta orçamentária deve ser composta por todas receitas e despesas do exercício. Através deste instrumento, é possível planejar as ações de governo e estabelecer metas e objetivos de gestão. Sobre a proposta orçamentária, analise as seguintes afirmativas:

I - A proposta orçamentária do Município compreenderá todas as receitas do Ente, inclusive as decorrentes de repartição tributária transferida pelo Estado e pela União.
II - A proposta orçamentária de todos os Poderes do Município será consolidada e elaborada pelo Prefeito Municipal, remetida para apreciação por parte do Poder Legislativo.
III - A estimativa da receita terá por base as receitas obtidas nos três últimos exercícios, pelo menos, bem como as circunstâncias de ordem conjuntural e outras que possam afetar a produtividade de cada fonte de receita.

Estão corretas:
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Q1956712 Atualidades
Qual dos impostos abaixo foi alvo de uma grande tensão política no Brasil entre o presidente e os governadores, principalmente no que diz respeito ao preço dos combustíveis? Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q1956711 História e Geografia de Estados e Municípios
Qual das opções abaixo possui a comarca a que o município de Renascença está vinculado? Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q1956710 História e Geografia de Estados e Municípios
Quais dos nomes abaixo se referem a distritos administrativos do município de Renascença? Assinale a alternativa correta:

I - Canela.
II - Senhor Bom Jesus dos Gramados.
III - Baulândia.
IV - Dom Carlos.
Alternativas
Q1956709 Conhecimentos Gerais
Em 2022, o músico Paul McCartney completou 80 anos. Antes de seguir carreira solo, ele esteve vinculado a uma das bandas mais populares do mundo. Qual era esta banda? Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q1956708 Conhecimentos Gerais
Recentemente, denúncias jornalísticas sobre um julgamento ocorrido em Santa Catarina tiveram repercussão nacional. Naquele processo, num caso que envolvia temas sensíveis e polêmicos como _________________, uma menina com idade entre 10 e 11 anos teria sido coagida pela juíza e pela promotora, antes de ser separada de sua mãe e enviada a um abrigo, o que levou a conduta das profissionais a ser alvo de apuração no Conselho Nacional de Justiça. Sobre este caso, assinale a alternativa que completa corretamente a questão: 
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Q1956707 Atualidades
Nos últimos meses, o Brasil se tornou notícia internacional pelo desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips enquanto investigavam irregularidades na região do Vale do Javari, na fronteira da Amazônia Brasileira. Qual era a principal ocupação profissional dos dois desaparecidos? Analise as assertivas e assinale a alternativa correta:

I - Indigenista.
II - Pescador.
III - Jornalista.
IV - Policial.
Alternativas
Q1956698 Português
Vinte e dois migrantes do Mali morrem em
naufrágio na costa da Líbia


   Vinte e dois migrantes, todos procedentes do Mali, morreram em um naufrágio na costa da Líbia, informaram as Nações Unidas nesta terça-feira (5), citando testemunhos de sobreviventes, que indicaram que houve mortos por afogamento e desidratação.
   Os sobreviventes são 61. Eles foram resgatados pela Guarda Costeira líbia e levados de volta ao continente, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que faz parte da ONU. O bote onde estavam os imigrantes ficou 9 dias no mar.
   Os migrantes embarcaram na cidade líbia de Zuwara, perto da fronteira com a Tunísia, cerca de 01h (20h em Brasília) em 22 de junho, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM. "Depois de nove dias no mar, foram resgatados pelos guarda-costas líbios", acrescentou. No sábado retornaram à terra. "Segundo os sobreviventes, 22 migrantes, todos do Mali, morreram na travessia. Reportaram como causas de morte o afogamento e a desidratação. Entre os mortos há três crianças", indicou Msehli.
   Msehli disse que alguns dos migrantes estavam em péssimas condições de saúde e foram transferidos para hospitais pela OIM. Os demais foram levados ao centro de detenção Al Maya, assinalou. A Líbia se transformou em uma rota-chave para a migração irregular à Europa nos anos caóticos desde a queda e morte do ditador Muammar Kadafi em um levante apoiado pela Otan em 2011. 

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/05/vinte-e-dois-migrantesdo-mali-morrem-em-naufragio-na-costa-da-libia.ghtml 
Assinale a alternativa que apresente a justificativa correta para o uso da crase no período: “Os demais foram levados à clínica de saúde de Al Maya”.
Alternativas
Q1956697 Português
Vinte e dois migrantes do Mali morrem em
naufrágio na costa da Líbia


   Vinte e dois migrantes, todos procedentes do Mali, morreram em um naufrágio na costa da Líbia, informaram as Nações Unidas nesta terça-feira (5), citando testemunhos de sobreviventes, que indicaram que houve mortos por afogamento e desidratação.
   Os sobreviventes são 61. Eles foram resgatados pela Guarda Costeira líbia e levados de volta ao continente, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que faz parte da ONU. O bote onde estavam os imigrantes ficou 9 dias no mar.
   Os migrantes embarcaram na cidade líbia de Zuwara, perto da fronteira com a Tunísia, cerca de 01h (20h em Brasília) em 22 de junho, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM. "Depois de nove dias no mar, foram resgatados pelos guarda-costas líbios", acrescentou. No sábado retornaram à terra. "Segundo os sobreviventes, 22 migrantes, todos do Mali, morreram na travessia. Reportaram como causas de morte o afogamento e a desidratação. Entre os mortos há três crianças", indicou Msehli.
   Msehli disse que alguns dos migrantes estavam em péssimas condições de saúde e foram transferidos para hospitais pela OIM. Os demais foram levados ao centro de detenção Al Maya, assinalou. A Líbia se transformou em uma rota-chave para a migração irregular à Europa nos anos caóticos desde a queda e morte do ditador Muammar Kadafi em um levante apoiado pela Otan em 2011. 

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/05/vinte-e-dois-migrantesdo-mali-morrem-em-naufragio-na-costa-da-libia.ghtml 
Assinale a alternativa cuja letra em destaque represente o mesmo fonema representado pela letra “s” em destaque na palavra causas:
Alternativas
Q1956696 Português
Vinte e dois migrantes do Mali morrem em
naufrágio na costa da Líbia


   Vinte e dois migrantes, todos procedentes do Mali, morreram em um naufrágio na costa da Líbia, informaram as Nações Unidas nesta terça-feira (5), citando testemunhos de sobreviventes, que indicaram que houve mortos por afogamento e desidratação.
   Os sobreviventes são 61. Eles foram resgatados pela Guarda Costeira líbia e levados de volta ao continente, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que faz parte da ONU. O bote onde estavam os imigrantes ficou 9 dias no mar.
   Os migrantes embarcaram na cidade líbia de Zuwara, perto da fronteira com a Tunísia, cerca de 01h (20h em Brasília) em 22 de junho, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM. "Depois de nove dias no mar, foram resgatados pelos guarda-costas líbios", acrescentou. No sábado retornaram à terra. "Segundo os sobreviventes, 22 migrantes, todos do Mali, morreram na travessia. Reportaram como causas de morte o afogamento e a desidratação. Entre os mortos há três crianças", indicou Msehli.
   Msehli disse que alguns dos migrantes estavam em péssimas condições de saúde e foram transferidos para hospitais pela OIM. Os demais foram levados ao centro de detenção Al Maya, assinalou. A Líbia se transformou em uma rota-chave para a migração irregular à Europa nos anos caóticos desde a queda e morte do ditador Muammar Kadafi em um levante apoiado pela Otan em 2011. 

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/05/vinte-e-dois-migrantesdo-mali-morrem-em-naufragio-na-costa-da-libia.ghtml 
Assinale a alternativa cuja palavra NÃO apresente dígrafo: 
Alternativas
Q1956695 Português
Vinte e dois migrantes do Mali morrem em
naufrágio na costa da Líbia


   Vinte e dois migrantes, todos procedentes do Mali, morreram em um naufrágio na costa da Líbia, informaram as Nações Unidas nesta terça-feira (5), citando testemunhos de sobreviventes, que indicaram que houve mortos por afogamento e desidratação.
   Os sobreviventes são 61. Eles foram resgatados pela Guarda Costeira líbia e levados de volta ao continente, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que faz parte da ONU. O bote onde estavam os imigrantes ficou 9 dias no mar.
   Os migrantes embarcaram na cidade líbia de Zuwara, perto da fronteira com a Tunísia, cerca de 01h (20h em Brasília) em 22 de junho, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM. "Depois de nove dias no mar, foram resgatados pelos guarda-costas líbios", acrescentou. No sábado retornaram à terra. "Segundo os sobreviventes, 22 migrantes, todos do Mali, morreram na travessia. Reportaram como causas de morte o afogamento e a desidratação. Entre os mortos há três crianças", indicou Msehli.
   Msehli disse que alguns dos migrantes estavam em péssimas condições de saúde e foram transferidos para hospitais pela OIM. Os demais foram levados ao centro de detenção Al Maya, assinalou. A Líbia se transformou em uma rota-chave para a migração irregular à Europa nos anos caóticos desde a queda e morte do ditador Muammar Kadafi em um levante apoiado pela Otan em 2011. 

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/05/vinte-e-dois-migrantesdo-mali-morrem-em-naufragio-na-costa-da-libia.ghtml 
Assinale a alternativa que apresente a regra que justifica o acento gráfico na palavra “naufrágio”: 
Alternativas
Q1956694 Português
Vinte e dois migrantes do Mali morrem em
naufrágio na costa da Líbia


   Vinte e dois migrantes, todos procedentes do Mali, morreram em um naufrágio na costa da Líbia, informaram as Nações Unidas nesta terça-feira (5), citando testemunhos de sobreviventes, que indicaram que houve mortos por afogamento e desidratação.
   Os sobreviventes são 61. Eles foram resgatados pela Guarda Costeira líbia e levados de volta ao continente, disse a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que faz parte da ONU. O bote onde estavam os imigrantes ficou 9 dias no mar.
   Os migrantes embarcaram na cidade líbia de Zuwara, perto da fronteira com a Tunísia, cerca de 01h (20h em Brasília) em 22 de junho, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM. "Depois de nove dias no mar, foram resgatados pelos guarda-costas líbios", acrescentou. No sábado retornaram à terra. "Segundo os sobreviventes, 22 migrantes, todos do Mali, morreram na travessia. Reportaram como causas de morte o afogamento e a desidratação. Entre os mortos há três crianças", indicou Msehli.
   Msehli disse que alguns dos migrantes estavam em péssimas condições de saúde e foram transferidos para hospitais pela OIM. Os demais foram levados ao centro de detenção Al Maya, assinalou. A Líbia se transformou em uma rota-chave para a migração irregular à Europa nos anos caóticos desde a queda e morte do ditador Muammar Kadafi em um levante apoiado pela Otan em 2011. 

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/07/05/vinte-e-dois-migrantesdo-mali-morrem-em-naufragio-na-costa-da-libia.ghtml 
Assinale a alternativa que apresente o tipo textual predominante no texto: 
Alternativas
Respostas
4401: E
4402: E
4403: B
4404: D
4405: D
4406: A
4407: A
4408: D
4409: E
4410: B
4411: D
4412: D
4413: E
4414: A
4415: C
4416: D
4417: A
4418: E
4419: C
4420: B