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TEXTO II
PORÉM IGUALMENTE
É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália apanhando.
É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália sangrando.
Porém igualmente se surpreenderam na noite em que, mais bêbado que de costume, o marido, depois de surrála, jogou-a pela janela, e D. Eulália rompeu em asas o voo de sua trajetória.
COLASANTI, Marina. Um espinho de Marfim & outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 44.
No processo de obtenção de ferro a partir da hematita, Fe2O3 (s), considere a equação não balanceada:
Fe2O3 (s) + C (s) → Fe (s) + CO (g)
Utilizando-se 4,8 t de minério e admitindo-se um rendimento de 70% na reação, a quantidade de ferro produzida será de:
Dados: Fe = 56; O= 16; C= 12 (valores expressos em g/mol)
As células podem ser observadas através do microscópio óptico ou de luz. Esse equipamento, de amplo uso em laboratórios de biologia, é composto por lentes, fontes de luz e condensador, mesa ou platina e parafusos, além da parte mecânica de suporte. Sobre esse equipamento, considere as seguintes afirmativas:
I) O microscópio óptico possui duas lentes, objetiva e ocular, e o aumento da imagem é obtido pela soma do aumento da objetiva com o aumento da ocular.
II) Os parafusos macro e micrométrico servem para ajustar o foco da imagem.
III) A fonte de luz e o condensador projetam um feixe de luz sobre o objeto em análise.
Está(ão) correta(s):
O hipoclorito de sódio, conhecido popularmente como água sanitária, tem propriedades bactericida e alvejante. Para sua fabricação, reage-se gás cloro com soda cáustica:
Cl2 (g) + 2 NaOH (aq) → NaCl (aq) + NaClO (aq) + H2O (l)
A massa de NaOH (aq) necessária para obter 298 kg de hipoclorito de sódio é:
Dados: H = 1; O = 16; Na = 23; Cl = 35,5 (valores expressos em g/mol)
Observe as assertivas abaixo.
Quando se deseja estudar a ultraestrutura interna de uma célula, como as organelas, usa-se:
I) um microscópio óptico.
II) um microscópio eletrônico de varredura.
III) um microscópio eletrônico de transmissão.
Está(ão) correta(s) apenas:
CISÃO
Há alguns anos havia uma clara separação entre cultura humanística e cultura científica. As duas não se falavam, tinham vocabulários diferentes. Nenhuma comunicação era possível entre elas, nem por sinais metafóricos: seus códigos simplesmente não combinavam. A divisão continuou até há pouco. Hoje as duas culturas estão na internet e usam a linguagem universal dos impulsos eletrônicos. Conversa-se, pelo menos, entre os dois lados do abismo.
Mas há uma separação que se agrava, entre facções de uma mesma ciência, ou pseudociência: facções com o mesmo vocabulário e os mesmos códigos, mas que não se entendem. Economistas de um lado e de outro do abismo lidam com os mesmos números, recebem os mesmos dados, analisam as mesmas estatísticas – e veem e preveem coisas diferentes. Há dias o Elio Gaspari escreveu sobre a controvérsia que está havendo a respeito das taxas de juros entre economistas brasileiros, todos da mesma escola, com a mesma formação e a mesma informação, e nenhum deles adepto de qualquer heresia econômica. A cisão é inexplicável, a não ser que se procure sua causa no terreno movediço dos egos em choque.
Ou então a explicação é antiga: o mundo da ciência econômica, como todos os mundos, também está dividido entre humanistas e seus contrários. Antes de divergirem nas suas interpretações e receitas, os economistas divergem no seu coeficiente de consciência social. Não é o caso da polêmica citada pelo Gaspari, em que nenhum dos contendores pode remotamente ser chamado “de esquerda”. Mas o menor desafio à ortodoxia vigente já vale como um ponto para o humanismo.
“Consciência social” é um termo escorregadio. Não se trata de compaixão, ou de ter ou não ter coração. Nenhum lado tem monopólio dos bons sentimentos, todos têm consciência da desigualdade crescente, no país e no mundo, entre os poucos que têm dinheiro e poder e a maioria de despossuídos, e da explosão a que pode levar. Ou a que, segundo alguns, já levou. A doença é clara, discute-se a cura. Ela certamente não virá com a insistência num pensamento liberal único e a vassalagem irreversível ao capital financeiro, A divisão reportada por Gaspari é, entre outras coisas, sobre a persistência de um conservadorismo econômico que ainda não se deu conta de que a prancha acabou, e os tubarões estão esperando lá embaixo.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Cisão. Gazeta do Povo, Curitiba, p. 24. 11 e 12 fev 2017.