Questões de Concurso
Comentadas para cientista social
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Ao colocar a reflexão da relação do homem com a natureza no plano da fronteira da geografia com a antropologia e a sociologia, Ratzel praticamente inaugura uma tradição de ver o homem em sua relação com a natureza pela mediação do espaço político do Estado. Nisso difere dos demais criadores das geografias setoriais, que elaboraram uma geografia física pura ou uma geografia humana pura. Daí a forte impressão que dá a sua obra de uma grande virada, e, assim, um novo momento paradigmático na história do pensamento geográfico.
MOREIRA, R. Para Onde vai o Pensamento Geográfico? São Paulo: Contexto, 2006, p. 30. Adaptado.
Na geografia de Ratzel, identifica-se uma distinção dentro do pensamento geográfico em grande medida decorrente de sua referência ao:
A fragmentação e a fragilização que atingiram o campo do trabalho e da produção nas últimas décadas podem ser consideradas componentes essenciais para configurar aquilo que a maioria dos autores denomina como processos de desterritorialização. Em relação ao tema da globalização muitos autores o associam, direta ou indiretamente, a processos de desterritorialização. Nesse sentido, podemos identificar a perspectiva sob a qual, numa interpretação um pouco mais restrita, a ênfase é dada a um dos momentos do processo de globalização – ou ao mais típico -, aquele chamado capitalismo pós-fordista ou capitalismo de acumulação flexível, flexibilidade esta que seria responsável pelo enfraquecimento das bases territoriais ou, mais amplamente, espaciais, em especial na lógica locacional das empresas e no âmbito das relações de trabalho (precarização dos vínculos entre trabalhador e empresa, por exemplo).
HAESBAERT, R. O Mito da Desterritorialização. Bertrand Brasil, 2004, p. 173. Adaptado.
No texto, o processo de desterritorialização é abordado especificamente na perspectiva:
No longo e infindável processo de organização do espaço, o Homem estabeleceu um conjunto de práticas através das quais são criadas, mantidas, desfeitas e refeitas as formas e as interações espaciais. São as práticas espaciais, isto é, um conjunto de ações espacialmente localizadas que impactam diretamente sobre o espaço, alterando-o no todo, em parte ou preservando-o em suas formas e interações espaciais. (...) As práticas são ações que contribuem para garantir os diversos projetos. São meios efetivos através dos quais objetiva-se a gestão do território. (...) Há uma prática espacial por meio da qual o Homem decide sobre um determinado lugar segundo este apresente atributos julgados de interesse ou em condições favoráveis, de acordo com os diversos projetos estabelecidos. A fertilidade do solo, um sítio defensivo, a proximidade da matéria-prima, o acesso ao mercado consumidor ou a presença de um porto, de uma força de trabalho não qualificada e sindicalmente pouco ativa, são alguns exemplos de atributos que podem levar a localizações específicas, definindo essa prática espacial.
CORRÊA, R. Espaço, um conceito-chave da Geografia. In. CASTRO, I. et al. (Org.). Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p. 36. Adaptado.
A prática espacial acima mencionada é a:
Trata-se de uma geografia que utiliza a teoria marxista como fundamental para a análise científica. Com ela, pretende-se construir uma sociedade mais equitativa, sem pobreza nem sofrimento, trabalhar para a mudança social e criar uma organização, com uma ação efetiva, dentro da geografia acadêmica. Esta geografia analisa principalmente as relações estruturais dos problemas sociais. Uma das noções básicas é a de que o espaço não pode ser percebido independentemente do objeto de estudo. A geografia quantitativa, pelo contrário, considerava o espaço como uma variável explicativa. Teoricamente o maior contributo deve-se a David Harvey, que recusa igualmente o idealismo, o positivismo e a fenomenologia, porque essas teorias ou se centram sobre o indivíduo, não considerando as limitações à liberdade individual por parte das estruturas sociais, ou esquecem o papel das elites na manipulação das estruturas sociais.
FERREIRA, C.; SIMÕES, N. A Evolução do Pensamento Geográfico. Lisboa: Gradiva, 1986, p. 100. Adaptado.
No texto, são apresentadas as características próprias da Geografia:
I. A ação racional com relação a fins ocorre quando os meios são escolhidos em função de objetivos específicos.
II. A ação racional com relação a valores reflete um compromisso com normas e princípios éticos.
III. A ação tradicional baseia-se na repetição de costumes e práticas consolidadas.
IV. A ação afetiva é guiada pela emoção e pelos estados sentimentais do agente.
Estão corretas as afirmativas:
I. As desigualdades econômicas são reforçadas por disparidades educacionais e de acesso à saúde.
II. A questão racial é uma dimensão fundamental para a compreensão das desigualdades no país.
III. As desigualdades regionais, sobretudo entre Norte e Sul, têm raízes históricas e estruturais.
IV. A mobilidade social no Brasil apresenta altos índices, diminuindo significativamente as desigualdades.
Estão corretas as afirmativas: