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Q3379860 Português
'Não sei onde vamos parar', diz cientista sobre frequência de eventos climáticos extremos.

Especialistas ouvidos pelo Terra alertam que as consequências do aquecimento global podem antecipar projeçõe s sobre extinção da vida humana.

17 maio 2024
Hugo Barbosa

    O agravamento do aquecimento global, nos últimos anos, aliado aos eventos climáticos extremos recentes, como as enchentes que atingiram 458 cidades no estado do Rio Grande do Sul, no início de maio, levanta várias questões no meio científico, incluindo a possibilidade de uma extinção em massa da humanidade devido às variações de temperatura no planeta. Especialistas ouvidos pelo Terra alertam, no entanto, que as mudanças climáticas podem ser mais extremas, catastróficas e, o que é pior, mais rápidas do que o projetado.
    Na avaliação de Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a população humana deve se preparar para cenários pessimistas decorrentes do aquecimento global em um período mais curto do que o projetado em meios acadêmicos. "Existem projeções de aquecimento do planeta para daqui até o fim do século, não precisa nem ir tão longe assim, de milhões de anos, não", comenta, referindo-se à pesquisa da Universidade de Bristol, cujos modelos climáticos indicam que os mamíferos serão extintos em 250 milhões de anos.  
    "Podemos chegar ao aquecimento médio de temperatura no planeta de aproximadamente 4 graus, se nada for feito e se continuarmos acelerando a emissão de gases. Com 4 graus, a extinção em massa de espécies no planeta é algo seguro e garantido. Não há dúvida.", alerta Márcio Astrini, do Observatório do Clima. Astrini cita como base o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que conta com mais de 600 cientistas para estudar, debater e projetar os impactos das mudanças climáticas. O documento, divulgado em 2023, detalha as consequências devastadoras do aumento das emissões de gases do efeito estufa em todo o mundo: a destruição de casas, a perda de meios de subsistência e a extinção de comunidades.
    Astrini cita ainda a perda de espécies inteiras em todo o ecossistema marinho, dificuldade de produzir comida na quantidade que produzimos hoje e escassez da água potável. "O ser humano vai ter baixa capacidade adaptativa e alguns vão sobreviver, outros não. É isso que vai acontecer se continuarmos assim", diz.
De acordo com o relatório, cerca de metade da população global já vive, por exemplo, em situações de escassez severa de água, durante pelo menos um mês por ano, enquanto as altas temperaturas facilitam a disseminação de doenças vetoriais, como a malária.
     Na mesma linha de Astrini, Francisco Milanez, diretor científico da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), ressalta que a pior catástrofe socioambiental da história do Rio Grande do Sul é um alerta de como as consequências das mudanças climáticas já são uma realidade. Segundo ele, a realidade gaúcha afasta a ideia de aquecimento global como um problema abstrato e distante da vida da população do planeta. "Tanto o planeta como o Brasil estão emitindo alertas constantes por meio desses eventos climáticos extremos. Nunca vimos isso na história do País", afirma.
    Milanez cita um estudo realizado por pesquisadores do ClimaMeter, que indica que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana, especialmente a emissão de gases do efeito estufa liberados com a queima de combustíveis fósseis, tornaram as chuvas no Rio Grande do Sul mais intensas.
    "Se continuarmos assim, nesse ritmo, não sei onde vamos parar. Não será preciso milhões de anos, se permanecermos assim", completa.

https://www.terra.com.br/planeta/meio-ambiente
No desenvolvimento do texto, foram utilizados articuladores do discurso que possibilitam uma progressão textual adequada. É possível identificar alguns marcadores temporais nas frases a seguir, exceto em:  
Alternativas
Q3379859 Português
'Não sei onde vamos parar', diz cientista sobre frequência de eventos climáticos extremos.

Especialistas ouvidos pelo Terra alertam que as consequências do aquecimento global podem antecipar projeçõe s sobre extinção da vida humana.

17 maio 2024
Hugo Barbosa

    O agravamento do aquecimento global, nos últimos anos, aliado aos eventos climáticos extremos recentes, como as enchentes que atingiram 458 cidades no estado do Rio Grande do Sul, no início de maio, levanta várias questões no meio científico, incluindo a possibilidade de uma extinção em massa da humanidade devido às variações de temperatura no planeta. Especialistas ouvidos pelo Terra alertam, no entanto, que as mudanças climáticas podem ser mais extremas, catastróficas e, o que é pior, mais rápidas do que o projetado.
    Na avaliação de Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a população humana deve se preparar para cenários pessimistas decorrentes do aquecimento global em um período mais curto do que o projetado em meios acadêmicos. "Existem projeções de aquecimento do planeta para daqui até o fim do século, não precisa nem ir tão longe assim, de milhões de anos, não", comenta, referindo-se à pesquisa da Universidade de Bristol, cujos modelos climáticos indicam que os mamíferos serão extintos em 250 milhões de anos.  
    "Podemos chegar ao aquecimento médio de temperatura no planeta de aproximadamente 4 graus, se nada for feito e se continuarmos acelerando a emissão de gases. Com 4 graus, a extinção em massa de espécies no planeta é algo seguro e garantido. Não há dúvida.", alerta Márcio Astrini, do Observatório do Clima. Astrini cita como base o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que conta com mais de 600 cientistas para estudar, debater e projetar os impactos das mudanças climáticas. O documento, divulgado em 2023, detalha as consequências devastadoras do aumento das emissões de gases do efeito estufa em todo o mundo: a destruição de casas, a perda de meios de subsistência e a extinção de comunidades.
    Astrini cita ainda a perda de espécies inteiras em todo o ecossistema marinho, dificuldade de produzir comida na quantidade que produzimos hoje e escassez da água potável. "O ser humano vai ter baixa capacidade adaptativa e alguns vão sobreviver, outros não. É isso que vai acontecer se continuarmos assim", diz.
De acordo com o relatório, cerca de metade da população global já vive, por exemplo, em situações de escassez severa de água, durante pelo menos um mês por ano, enquanto as altas temperaturas facilitam a disseminação de doenças vetoriais, como a malária.
     Na mesma linha de Astrini, Francisco Milanez, diretor científico da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), ressalta que a pior catástrofe socioambiental da história do Rio Grande do Sul é um alerta de como as consequências das mudanças climáticas já são uma realidade. Segundo ele, a realidade gaúcha afasta a ideia de aquecimento global como um problema abstrato e distante da vida da população do planeta. "Tanto o planeta como o Brasil estão emitindo alertas constantes por meio desses eventos climáticos extremos. Nunca vimos isso na história do País", afirma.
    Milanez cita um estudo realizado por pesquisadores do ClimaMeter, que indica que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana, especialmente a emissão de gases do efeito estufa liberados com a queima de combustíveis fósseis, tornaram as chuvas no Rio Grande do Sul mais intensas.
    "Se continuarmos assim, nesse ritmo, não sei onde vamos parar. Não será preciso milhões de anos, se permanecermos assim", completa.

https://www.terra.com.br/planeta/meio-ambiente
O texto possui características que permitem identificá-lo como  
Alternativas
Q3052724 Odontologia
Um homem de 65 anos de idade, desdentado total, busca atendimento em um consultório odontológico para reabilitação por meio de prótese total convencional em ambas as arcadas. Durante a prova clínica dos dentes montados em cera, o cirurgião-dentista deve observar: 
Alternativas
Q3052723 Odontologia
O sucesso do tratamento com PPR envolve duas etapas essenciais: o delineamento do modelo de estudo, que fundamenta o planejamento do caso, e o delineamento do modelo de trabalho ou mestre, que permite obter a estrutura metálica adequadamente aliviada e retentiva. O delineamento é realizado com o delineador. Avalie as afirmativas sobre os objetivos do uso do delineador em PPR.
I- Estabelecer o eixo de inserção e remoção da prótese.
II- Quantificar as interferências de tecidos duros e/ou moles que facilitam a inserção e a remoção da prótese parcial fixa (PPF).
III- Estabelecer o paralelismo relativo entre as superfícies duras e moles da boca representadas no modelo de estudo.
IV- Quantificar a retenção dos dentes suportes, determinando a melhor área para a localização da ponta do grampo de retenção.
V- Confeccionar planos oclusais em superfícies dentais expulsivas ou em coroas de prótese fixa associadas à PPR.

Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3052722 Odontologia
Para que possam repor com sucesso os dentes perdidos, os elementos constituintes das PPR devem atuar da forma correta, de acordo com os princípios biomecânicos, devolvendo a estética e a função de maneira a preservar os dentes remanescentes.
Sobre as funções dos elementos constituintes das PPR, associe a segunda coluna de acordo com a primeira.
1. Conector maior 2. Sela 3. Apoio 4. Grampo de retenção 5. Grampo de oposição
( ) Impede que a prótese se desloque no sentido ocluso-cervical e comprima os tecidos moles e duros.
( ) Resiste às forças que tendem a deslocar a prótese no sentido cérvico-oclusal/incisal.
( ) Recebe as forças oclusais funcionais e as transfere para os tecidos subjacentes de suporte.
( ) Une direta ou indiretamente todos os elementos da prótese localizados em ambos os hemiarcos.
( ) Estabiliza e controla as forças nocivas sofridas pelo dente pilar.

A associação CORRETA, considerando-se a associação de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3052721 Odontologia
O adequado planejamento dos retentores diretos extracoronários é essencial tanto para promover a retenção das PPR quanto para a sua estabilidade. A escolha de quais retentores devem ser utilizados, bem como sua localização, é de responsabilidade do cirurgião-dentista, que deve conhecer detalhadamente os tipos de grampos de retenção e de oposição, suas características, indicações e funções.
Sobre os retentores extracoronários, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3052718 Odontologia
Um homem com 73 anos de idade procura atendimento odontológico com a queixa principal de que sua prótese total está folgada e desgastada e os dentes inferiores estão com mobilidade. No exame e abordagem clínica, detecta-se que os dentes 43, 42, 41, 31, 32 e 33 apresentam mobilidade grau 2. O cirurgião-dentista sugere uma prótese total convencional para o arco superior e uma prótese total imediata para o arco inferior, a fim de que o paciente não fique desdentado.
Avalie as afirmativas a seguir sobre a prótese imediata.
I - ina a humilhação que os pacientes sofrem ao se apresentarem sem os dentes.
II - uz a maior parte dos transtornos e reajustes fonéticos com a perda dos dentes.
III - ulta a mastigação, necessita de vários reajustes dietéticos e digestivos.
IV - ede a perda imediata da DVO e minimiza as alterações na ATM.
V- ta-se perfeitamente eliminando a necessidade de reembasamento.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3052717 Odontologia
Uma mulher com 52 anos apresenta ausência dos dentes 36, 37, 38, 46, 47 e 48. O cirurgião-dentista propõe uma PPR. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a classificação do arco desdentado e o local mais indicado para a instalação dos apoios.
Alternativas
Q3052716 Odontologia
Um paciente do sexo masculino, 40 anos de idade, relata estar insatisfeito com seu sorriso devido à falta de alguns dentes. Ao exame clínico, o cirurgião-dentista identifica a ausência dos dentes 13,14, 16, 18, 25, 26, 27, 28 e propõe uma prótese parcial removível (PPR). Assinale a alternativa que apresenta a classificação da arcada superior parcialmente desdentada, sabendo que os dentes 18 e 28 não serão substituídos.
Alternativas
Q3052715 Odontologia
Os planos de orientação em cera ajustados e relacionados à boca vão orientar todos os passos de confecção das próteses a partir de então, funcionando como um verdadeiro projeto, quase um protótipo, pois sua presença na boca promove a recuperação de parte significativa das características estéticas perdidas. A linha alta do sorriso, a linha média e a linha dos caninos orientam a montagem dos dentes. Sobre os planos de orientação, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3052714 Odontologia
O sucesso de uma prótese total convencional a longo prazo é aferido pela integridade e saúde dos tecidos com os quais ela mantém um contato mais direto. Por conseguinte, tal sucesso depende principalmente das orientações sobre os cuidados de higienização e manutenção dessas próteses.
Sobre as orientações que o cirurgião-dentista deve passar ao paciente, selecione a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3052713 Odontologia
Avalie as afirmativas a seguir sobre moldagem em prótese total convencional.
I- A moldagem funcional deve ser dividida em duas fases distintas, mas que se complementam: o vedamento periférico e a moldagem funcional propriamente dita.
II- A moldagem anatômica é realizada utilizando-se uma moldeira individual confeccionada em resina acrílica autopolimerizável.
III- A borda da moldeira individual superior deve guardar uma distância do fundo de vestíbulo de 2 a 3 mm em toda a periferia, com exceção da região do término posterior.
IV- O alginato é o material de escolha para moldagem anatômica por ser fácil de manipular, produzir menores deformações aos tecidos e apresentar boa fidelidade de cópia.
V- Após a moldagem, a godiva deve apresentar-se com contorno arredondado, superfície fosca e com dobras ou rugosidades, demonstrando que copiou os tecidos.
Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Q3052712 Odontologia
Para a confecção de uma prótese total, o dentista realiza a moldagem funcional para a obtenção do modelo de trabalho. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o tipo de moldeira e os materiais de moldagem empregados para essa técnica.
Alternativas
Q3052711 Odontologia
Compreender as relações maxilomandibulares são de grande importância para a reabilitação protética de paciente com prótese total. Os ajustes no plano de orientação inferior estão essencialmente relacionados ao restabelecimento da posição da mandíbula em relação à maxila nos planos vertical e horizontal.
Avalie as afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3052710 Odontologia
O sistema mastigatório é a unidade funcional do corpo, principal responsável pela mastigação, fala e deglutição. O sistema é composto por ossos, articulação temporomandibular, ligamentos, dentes e músculos. Além disso, um complexo sistema de controle neurológico regula e coordena todos esses componentes estruturais. A área onde a mandíbula se articula com o osso temporal do crânio é chamada de articulação temporomandibular (ATM) – certamente uma das articulações mais complexas do corpo.
Avalie as afirmativas a seguir sobre a articulação temporomandibular:
I- O disco articular é composto por tecido conjuntivo fibroso denso, na maior parte desprovido de vasos sanguíneos e fibras nervosas.
II- O tecido retrodiscal é composto por tecido conjuntivo frouxo, altamente vascularizado e inervado, inserido na região anterior do disco articular.
III- A cápsula articular envolve os ossos e limita uma cavidade articular, além de reter o líquido sinovial no seu interior.
IV- A ATM é inervada pelo mesmo nervo que fornece inervação motora e sensitiva aos músculos que a controlam (o nervo facial).
V- A ATM pode ser definida como uma articulação ginglimoartrodial devido aos movimentos de dobradiça e deslizamento que executa.

Estão CORRETAS as afirmativas
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Fundação CETREDE Órgão: CPSMCR - CE Provas: Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Enfermeiro | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Farmacêutico | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Endocrinologia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Gastroenterologia - Colonoscopia e Retossigmoidoscopia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Neurologia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Pediatria | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Radiologia - Diagnóstico por Imagem ou Ultrassonografia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Fisioterapeuta | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Nutricionista | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Fonoaudiólogo | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Gastroenterologia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Gastroenterologia - Endoscopia Digestiva | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Bucomaxilo Facial | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Endodontista | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Médico Especialista em Ginecologia | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Ortodontista | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Pacientes Especiais | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Periodontista | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Odontólogo Protesista | Fundação CETREDE - 2023 - CPSMCR - CE - Psicólogo |
Q3611181 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Avanço da inteligência artificial abre debate sobre riscos da tecnologia


Descobertas preocupam empresas e governos, geram forte reação da sociedade e levam pesquisadores a buscar novas formas de controle.


Por Alessandro Giannini – Publicado em 7 abr 2023.


O bioquímico e escritor de ficção científica russo-americano Isaac Asimov (1920-1992) foi responsável por antecipar e popularizar, em meados do século XX, o conceito de inteligência artificial – IA na literatura. Influenciado pela emergente corrida espacial e pela ebulição tecnológica de seu tempo, Asimov explorou temas como moralidade, ética e as consequências da inovação para a humanidade. No livro Eu, Robô, lançado em 1950, ele reúne nove contos que mostram a evolução dos autômatos ao longo do tempo. Os enredos se passam em um mundo no qual uma série de regras, chamadas “Três Leis da Robótica”, protegem os seres humanos das máquinas. Visionário, Asimov anteviu em sua obra os temores expressos na carta divulgada há alguns dias pelo Future of Life Institute, organização que busca reduzir o risco de grandes tecnologias para a humanidade. Com milhares de assinaturas, a missiva pede aos laboratórios de pesquisa que parem imediatamente o desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial – IA, que estariam se tornando perigosamente ativos na realização de tarefas mais complexas. “Esses sistemas só devem progredir quando estivermos confiantes de que seus efeitos serão positivos e seus riscos, gerenciáveis”, adverte o texto.

Subscrito por nomes insuspeitos do mundo digital, como Elon Musk, dono da Tesla e do Twitter, e Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple, o documento se tornou um grande sinal de alerta. Entre os riscos descritos na mensagem estão a disseminação de propaganda falsa e desinformação, a potencial obsolescência humana e a perda do controle da civilização. Além do caráter alarmista, surpreende o fato de personagens cuja trajetória está diretamente ligada à inovação — Musk e Wozniak em especial — desejarem deter o avanço tecnológico. Se eles estão apreensivos com o desabrochar da inteligência artificial, imagina-se que algo realmente danoso possa nos atingir.

O temor tem crescido em intensidade e levou a reações em série de governos, empresas e organismos sociais. Na Europa, a Itália bloqueou o funcionamento do ChatGPT, aplicativo criado pela OpenAI que simula conversação humana. Segundo os italianos, o app viola a lei local de dados pessoais. França e Alemanha estão considerando seguir os mesmos passos do país vizinho. Na semana passada, o presidente americano Joe Biden se reuniu com seu conselho de consultores em ciência e tecnologia para debater os “riscos e oportunidades” envolvidos no campo da IA, agora aquecido pela competição aguerrida de conglomerados como as americanas Microsoft e Google e as chinesas Baidu e Tencent, entre outros gigantes. Uma das propostas na mesa seria regulamentar o setor. “A questão é que grupos relativamente pequenos, com recursos limitados, podem avançar a pesquisa nessas áreas”, disse a VEJA o brasileiro Marcelo Gleiser, físico, astrônomo e professor da Dartmouth College, nos EUA. “Portanto, a regulamentação torna-se muito complexa. Quem poderá garantir que as leis serão seguidas?”

A perspectiva histórica enriquece o debate. Quando se analisam com atenção as inovações do passado — as máquinas a vapor, a internet ou o sequenciamento de genomas, é importante observar que elas, especialmente em seu período de afirmação, foram alvo de questionamentos e consideradas perigosas para a humanidade. Contudo, todas se comportaram como o mito da Caixa de Pandora: uma vez aberta, seu conteúdo não pode mais ser contido. A mesma lógica vale para a inteligência artificial? Provavelmente, sim. 

[...] Duvidar do potencial das novas tecnologias é típico do espírito humano. Em 1943, o então presidente da IBM, Thomas Watson, disse algo que se tornou risível com o passar dos anos: “Eu acredito que há mercado para talvez cinco computadores”. Em 1946, Darryl Zanuck, fundador do estúdio 20th Century Fox, declarou que “a televisão não vai conseguir se segurar no mercado por mais de seis meses”.

É fácil criticar o passado com os olhos do presente. Mais difícil talvez seja compreender o potencial disruptivo de uma tecnologia e dimensionar seus riscos. Não são poucos os perigos associados à inteligência artificial. Entre os mais marcantes estão a concentração de poder nas mãos de poucas empresas, o desaparecimento de empregos pela automação de atividades, a disseminação descontrolada de ataques cibernéticos e o desenvolvimento de armas autônomas. [...] Mas há um aspecto vital que não pode ser ignorado: o econômico. O mercado de IA está avaliado em 142,3 bilhões de dólares e continua a avançar impulsionado pelo fluxo crescente dos investimentos que recebe. [...] Muitos cientistas, empresários e empreendedores argumentam que os benefícios da tecnologia superam os riscos embutidos nela. O bilionário e filantropo Bill Gates está entre os que pensam dessa maneira. Gates reconheceu e listou avanços gerados pela inteligência artificial que podem ser conquistados em campos como bem-estar social, educação e meio ambiente. Ao mesmo tempo, faz uma importante ponderação. Segundo ele, é imperativo garantir que todos — e não apenas os ricos — desfrutem da nova tecnologia.

Em linhas gerais, existem quatro níveis básicos de inteligência artificial. A primeira, a “fraca”, está associada a tarefas como trancar a porta do carro. No segundo patamar, chamado de “geral”, ela é aplicável a atividades automatizadas que quase não precisam de supervisão humana, como linhas de produção ou a gestão de lavouras. A terceira vertente, denominada “superinteligência artificial”, é usada em máquinas capazes de tomar decisões rápidas de forma quase autônoma, como os carros sem motorista. Recentemente, surgiu a “generativa”, capaz de criar textos, imagens, códigos de programação, vídeos ou qualquer outra linguagem natural, a partir de sistemas de aprendizado de máquina e grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês). O aplicativo “aprende” a partir de buscas em bancos de dados abertos e também analisando os estímulos (“prompts”) alimentados pelos usuários.

Sucesso desde que foi lançado, no fim do ano passado, o ChatGPT conquistou corações e mentes ao responder a estímulos escritos dos usuários como se fosse uma pessoa real. A despeito dos tropeços iniciais, o chatbot, como é chamada a ferramenta criada pela empresa americana OpenAI, ganhou tração popular e atraiu a atenção da Microsoft. [...] É importante reconhecer que esses modelos de linguagem não são perfeitos e têm limitações, como produzir respostas incorretas e sem sentido, além de possíveis vieses. 

Mais ou menos ao mesmo tempo, surgiram os geradores de imagens como DALL-E (também da OpenAI), Midjourney e Stable Diffusion, que produzem cenas realistas a partir de definições propostas pelos usuários. Os resultados são tão impressionantes que uma fotografia falsa do papa Francisco vestindo um sobretudo de tecido sintético acolchoado enganou até veículos especializados em moda. Imagens do ex-presidente americano Donald Trump sendo preso em Nova York e do presidente francês Emmanuel Macron atacando manifestantes em Paris rodaram a internet. [...] “Só há uma solução”, disse a VEJA o eng. de robótica israelense Hod Lipson, professor da Universidade Columbia e estudioso do assunto. “Você sempre pode gerar outra inteligência artificial para distinguir o real e o falso.” 

A despeito da evolução das tecnologias associadas à inteligência artificial, é consenso entre especialistas e pesquisadores que a natureza humana e sua integridade devem prevalecer. Criador do conceito de realidade virtual e ferrenho crítico das redes sociais, o cientista da computação americano Jaron Lanier declarou recentemente, em tom jocoso, que o maior perigo desses aplicativos não é seu potencial destrutivo, mas a possibilidade de que “nos deixem loucos”. Também signatário da carta que defende um freio de arrumação na inteligência artificial, o historiador e escritor israelense Yuval Noah Harari afirma que avançar na sofisticação dos computadores “pode servir apenas para fortalecer a estupidez natural dos humanos”. As possibilidades são infinitas e, de fato, algumas são assustadoras. Mas a verdade é que a inteligência artificial já está entre nós — e esse é um movimento irreversível.


Adaptado https://veja.abril.com.br/tecnologia/avanco-da-inteligencia-artificial-abredebate-sobre-riscos-da-tecnologia
No terceiro parágrafo, o autor afirma que

“[...] aquecido pela competição aguerrida de conglomerados como as americanas Microsoft e Google[...].”

A palavra que modifica o sentido do termo sublinhado nessa frase é
Alternativas
Q2203415 Odontologia
Sobre os ramos alveolares superiores anteriores, marque a afirmativa CORRETA. 
Alternativas
Q2203411 Odontologia
A radiografia panorâmica é a técnica extrabucal mais solicitada em odontologia. NÃO são indicações da radiografia panorâmica.
Alternativas
Q2203410 Odontologia
Em relação aos acessos cirúrgicos ao esqueleto da face, podemos identificar técnicas de acesso ao processo alveolar e palato ósseo. Um desses acessos é o acesso com descolamento papilar. Sobre essa técnica é CORRETO afirmar que
Alternativas
Q2203409 Odontologia
Em relação à região posterior da maxila, são estruturas anatômicas com imagem radiopaca.
Alternativas
Respostas
101: D
102: B
103: D
104: B
105: C
106: E
107: A
108: E
109: C
110: D
111: C
112: B
113: A
114: E
115: B
116: B
117: C
118: C
119: B
120: E