Questões de Concurso
Comentadas para secretário escolar
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Analise a frase seguinte:
“Você querendo, podemos ir ao cinema.”
I II
Os termos destacados I e II referem-se respectivamente a:
Observe os itens seguintes:
I. O bolo de chocolate, assei-o por 20 minutos.
II. O dinheiro, Alice o trazia em suas mãos.
Assinale a alternativa em que o(s) item(s) apresenta(m) objeto direto pleonástico:
Leia o trecho seguinte:
“O Airbus 320-200 da AirAsia, está desaparecido desde último domingo. Encontraram intacta a caixa-preta do avião. Ontem um navio que participa das operações de busca conseguiu determinar com precisão a localização da aeronave graças ao uso de um sonar, afirmou a Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia.”
Fonte:[http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/mais-vitimas-do-voo-da-airasia-sao-localizadas.html – ADAPTADO]
No trecho “Encontraram intacta a caixa-preta do avião”, o termo destacado é:
Dos itens abaixo, qual deles possuem uma palavra denotativa?
I. Ricardo foi à escola só hoje.
II. Sabrina faltou só à aula de Inglês.
Assinale a alternativa correta:
Observe os itens e as preposições em destaque abaixo:
I. A menina ficou mais forte com as aulas de musculação.
II. As flores foram dadas com muito amor.
III. O Corinthians jogou com o Palmeiras ontem.
As preposições estabelecem respectivamente:
A cidade acordou antes de mim,
me serviu buzinaços na cama
e caminhões despejando cimento.
Comi pão dormido e o café estava frio,
vesti a camiseta do lado errado
e não tive tempo de passear com o cachorro.
Cheguei atrasado no trabalho
e trabalhei com sono até a noite,
quando então voltei sozinho.
Subi pela escada e assim que entrei em casa,
dormi.
Hoje eu não vivi.
Martha Medeiros
Cartas Extraviadas e outros poemas. L &PM Pocket. RS.2010, p.12
A cidade acordou antes de mim,
me serviu buzinaços na cama
e caminhões despejando cimento.
Comi pão dormido e o café estava frio,
vesti a camiseta do lado errado
e não tive tempo de passear com o cachorro.
Cheguei atrasado no trabalho
e trabalhei com sono até a noite,
quando então voltei sozinho.
Subi pela escada e assim que entrei em casa,
dormi.
Hoje eu não vivi.
Martha Medeiros
Cartas Extraviadas e outros poemas. L &PM Pocket. RS.2010, p.12
A cidade acordou antes de mim,
me serviu buzinaços na cama
e caminhões despejando cimento.
Comi pão dormido e o café estava frio,
vesti a camiseta do lado errado
e não tive tempo de passear com o cachorro.
Cheguei atrasado no trabalho
e trabalhei com sono até a noite,
quando então voltei sozinho.
Subi pela escada e assim que entrei em casa,
dormi.
Hoje eu não vivi.
Martha Medeiros
Cartas Extraviadas e outros poemas. L &PM Pocket. RS.2010, p.12
As intermitências da morte
(Fragmento)
A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste. Se é certo que nunca sorri, é só porque lhe faltam os lábios, e esta lição anatômica nos diz que, ao contrário do que os vivos julgam, o sorriso não é uma questão de dentes. Há quem diga, com humor menos macabro que de mau gosto, que ela leva afivelada uma espécie de sorriso permanente, mas isso não é verdade, o que ela traz à vista é um esgar de sofrimento, porque a recordação do tempo em que tinha boca, e a boca língua, e a língua saliva, a persegue continuamente. Com um breve suspiro, puxou para si uma folha de papel e começou a escrever a primeira carta deste dia, Cara senhora, lamento comunicar-lhe que a sua vida terminará no prazo irrevogável e improrrogável de uma semana, desejo-lhe que aproveite o melhor que puder o tempo que lhe resta, sua atenta servidora, morte. Duzentas e noventa e oito folhas, duzentos e noventa e oito sobrescritos, duzentas e noventa e oito descargas na lista, não se poderá dizer que um trabalho destes seja de matar, mas a verdade é que a morte chegou ao fim exausta. Com o gesto da mão direita que já lhe conhecemos fez desaparecer as duzentas e noventa e oito cartas, depois, cruzando sobre a mesa os magros braços, deixou descair a cabeça sobre eles, não para dormir, porque morte não dorme, mas para descansar. Quando meia hora mais tarde, já refeita da fadiga, a levantou, a carta que havia sido devolvida à procedência e outra vez enviada, estava novamente ali, diante das suas órbitas atônitas.
Se a morte havia sonhado com a esperança de alguma surpresa que a viesse distrair dos aborrecimentos da rotina, estava servida. [...] Entre ir e vir, a carta não havia demorado mais que meia hora, provavelmente muito menos, dado que já se encontrava em cima da mesa quando a morte levantou a cabeça do duro amparo dos antebraços, isto é, do cúbito e do rádio, que para isso mesmo é que são entrelaçados. Uma força alheia, misteriosa, incompreensível, parecia opor-se à morte da pessoa, apesar de a data da sua defunção estar fixada, como para toda a gente, desde o próprio dia do nascimento. É impossível, disse a morte à gadanha silenciosa, ninguém no mundo ou fora dele teve alguma vez mais poder do que eu. eu sou a morte, o resto é nada. As intermitências da morte (Fragmento)
SARAMAGO, José. As intermitências da morte. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 139-40
As intermitências da morte
(Fragmento)
A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste. Se é certo que nunca sorri, é só porque lhe faltam os lábios, e esta lição anatômica nos diz que, ao contrário do que os vivos julgam, o sorriso não é uma questão de dentes. Há quem diga, com humor menos macabro que de mau gosto, que ela leva afivelada uma espécie de sorriso permanente, mas isso não é verdade, o que ela traz à vista é um esgar de sofrimento, porque a recordação do tempo em que tinha boca, e a boca língua, e a língua saliva, a persegue continuamente. Com um breve suspiro, puxou para si uma folha de papel e começou a escrever a primeira carta deste dia, Cara senhora, lamento comunicar-lhe que a sua vida terminará no prazo irrevogável e improrrogável de uma semana, desejo-lhe que aproveite o melhor que puder o tempo que lhe resta, sua atenta servidora, morte. Duzentas e noventa e oito folhas, duzentos e noventa e oito sobrescritos, duzentas e noventa e oito descargas na lista, não se poderá dizer que um trabalho destes seja de matar, mas a verdade é que a morte chegou ao fim exausta. Com o gesto da mão direita que já lhe conhecemos fez desaparecer as duzentas e noventa e oito cartas, depois, cruzando sobre a mesa os magros braços, deixou descair a cabeça sobre eles, não para dormir, porque morte não dorme, mas para descansar. Quando meia hora mais tarde, já refeita da fadiga, a levantou, a carta que havia sido devolvida à procedência e outra vez enviada, estava novamente ali, diante das suas órbitas atônitas.
Se a morte havia sonhado com a esperança de alguma surpresa que a viesse distrair dos aborrecimentos da rotina, estava servida. [...] Entre ir e vir, a carta não havia demorado mais que meia hora, provavelmente muito menos, dado que já se encontrava em cima da mesa quando a morte levantou a cabeça do duro amparo dos antebraços, isto é, do cúbito e do rádio, que para isso mesmo é que são entrelaçados. Uma força alheia, misteriosa, incompreensível, parecia opor-se à morte da pessoa, apesar de a data da sua defunção estar fixada, como para toda a gente, desde o próprio dia do nascimento. É impossível, disse a morte à gadanha silenciosa, ninguém no mundo ou fora dele teve alguma vez mais poder do que eu. eu sou a morte, o resto é nada. As intermitências da morte (Fragmento)
SARAMAGO, José. As intermitências da morte. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 139-40