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Q2433972 Português

A moça tecelã


Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Nada lhe faltava. Na hora da fome, tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao seu lado.

Não esperou o dia seguinte. Com o capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado.

Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

– Uma casa melhor é necessária – disse para a mulher.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

– Para que ter casa, se podemos ter palácio?

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto.

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia.

Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.

Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.

Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha.

E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta.

Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


(Marina Colasanti. A moça tecelã. In: ___. Doze reis e a moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. Fragmento.)

Leia o 2º§ do texto: “Nada lhe faltava. Na hora da fome, tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.” Podemos afirmar que, na narrativa, a personagem feminina era:

Alternativas
Q2433971 Português

A moça tecelã


Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Nada lhe faltava. Na hora da fome, tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao seu lado.

Não esperou o dia seguinte. Com o capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado.

Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

– Uma casa melhor é necessária – disse para a mulher.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

– Para que ter casa, se podemos ter palácio?

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto.

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia.

Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.

Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.

Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha.

E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta.

Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


(Marina Colasanti. A moça tecelã. In: ___. Doze reis e a moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. Fragmento.)

Considerando as ideias textuais, é possível deduzir sobre “a moça tecelã” que:

Alternativas
Q2342976 Legislação de Trânsito
Qual das placas a seguir representa adequadamente a placa e advertência A-3ª – Pista sinuosa à esquerda:
Alternativas
Q2342975 Legislação de Trânsito

A placa da imagem a seguir representa:


   Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q2342974 Legislação de Trânsito

A placa da imagem a seguir representa:


   Imagem associada para resolução da questão

Alternativas
Q2342973 Legislação de Trânsito
Com relação às placas regulamentadoras, qual das imagens abaixo representa adequadamente a R-13, placa relacionada a proibição de circulação de tratores e máquinas de obras:
Alternativas
Q2342972 Legislação de Trânsito
De acordo com o Código de trânsito brasileiro, com relação à circulação em vias terrestres abertas, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342971 Legislação de Trânsito
De acordo com o Código de trânsito brasileiro, com relação à circulação em vias terrestres abertas, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342970 Legislação de Trânsito
De acordo com o Código de trânsito brasileiro, é competência dos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, exceto:
Alternativas
Q2342969 Legislação de Trânsito
De acordo com o Código de trânsito brasileiro, é competência dos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, exceto:
Alternativas
Q2342968 Legislação de Trânsito
De acordo com o Código de trânsito brasileiro, é competência da Polícia Rodoviária Federal, exceto:
Alternativas
Q2342967 Legislação de Trânsito
Com relação ao conceito de cargas perigosas, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342966 Legislação de Trânsito
Com relação ao conceito de cargas perigosas, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342965 Legislação de Trânsito
Com relação às noções de primeiro socorro em caso de desmaios, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342964 Legislação de Trânsito
Com relação às noções de primeiro socorro em caso de fratura, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342963 Legislação de Trânsito
Com relação à distância de segurança, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342962 Legislação de Trânsito
Com relação a distância de segurança e seus componentes, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2342961 Legislação de Trânsito
Com relação à direção defensiva e a distância de segurança, analise as proposições a seguir:

I.    Distância de segurança é a distância mínima entre o veículo do condutor e o veículo a sua frente II.  A distância de segurança serve para evitar colisões caso o veículo a frete realize uma redução de velocidade inesperada III. A distância de segurança é composta pela distância de reação, distância de parada acrescida e um saldo da distância de seguimento de modo a garantir que haja tempo suficiente para evitar colisões em caso de frenagem brusca do veículo e frente
Alternativas
Q2342960 Legislação de Trânsito
Com relação às medidas de segurança em curvas, analise as alternativas abaixo e assinale a alternativa correta:

I.   Deve-se reduzir a velocidade antes de entrar na curva II.  Não há riscos em frenagem durante a curva III. Cuidados com a velocidade e angulação da curva reduzem o risco de derrapagem
Alternativas
Q2342959 Legislação de Trânsito
Com relação às ações a serem adotadas pelo condutor em caso de derrapagem, analise as proposições a seguir e assinale a alternativa correta:

I – O condutor deve manter a calma, manter a mão firme no volante, pisar no freio, não realizar movimentos bruscos
Porque
II – As ações citadas acima ajudam a recuperar o controle do veículo
Alternativas
Respostas
1641: D
1642: B
1643: C
1644: E
1645: C
1646: A
1647: D
1648: C
1649: B
1650: A
1651: E
1652: A
1653: C
1654: E
1655: D
1656: C
1657: B
1658: E
1659: B
1660: E