Questões de Concurso Comentadas para agente de vigilância

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Q2511679 Português
Após a leitura da História em Quadrinhos – HQ, O melhor de Hagar, de Chris Browne, avalie as proposições que se apresentam na sequência. 
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Fonte: BROWNE, Dik. O melhorde Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 2011, v. 4.
I- A palavra bastantes, no 2° quadrinho da HQ, está flexionado no plural por uma regra gramatical exclusivamente da concordância verbal. II- O vocábulo bastantes, no 2° quadrinho da HQ, está flexionado, porque semanticamente possui valor quantitativo. III- Bastantes, no 2° quadrinho da HQ, deve ser flexionado, haja vista ter valor de modificador.
Acerca do uso da concordância – bastantes - assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q2511674 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Levando em consideração o uso da crase no trecho: “Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona”, há ocorrência da crase está(ão) CORRETA(S) em:
I- Ela sentou-se junto à mim. II- Cheguei às cinco horas da tarde. III- Estou à procura de um amor. IV- Às vezes, elas saíam andando à toa. V- O povo não deve se submeter àquele tipo de político corrupto.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q2511673 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Em “Ele fremia suavemente, sem latir”, o vocábulo em destaque pode ser substituído sem alterar o valor semântico por:
Alternativas
Q2511672 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

No fragmento: “Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos”. Observe o emprego dos pronomes oblíquos átonos no fragmento e assinale o emprego CORRETO, de acordo com as normas gramaticais referentes ao uso da colocação pronominal:
Alternativas
Q2511669 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Em relação ao enunciado “[...] Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú”. Analise os termos em destaque:
I- O pronome “se” está colocado como partícula expletiva para dar ênfase ao predicado nominal. II- A forma verbal “fitavam” é empregada no tempo do pretérito perfeito e no contexto da narrativa para auxiliar as ações das personagens. III- Apartícula “se”, neste contexto, funciona como pronome reflexivo.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q2511668 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Com base na análise do texto 1, marque a alternativa que caracteriza a sua tipologia textual:
Alternativas
Q2511667 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Conforme suas características relativas ao conteúdo e à estrutura, o texto 1 é um exemplo do gênero:
Alternativas
Q2487765 Português

Leia o texto para responder à questão.


Fanatismo. (Florbela Espanca). 


Minha alma, de sonhar-te, e está perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não é nem a mesma razão do meu viver

Pois que você já é toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!...


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!..."






Marque a alternativa devida, de acordo com a correta separação de sílabas, das palavras do texto, (enlouquecida, misterioso, princípio).  
Alternativas
Q2487763 Português

Leia o texto para responder à questão.


Fanatismo. (Florbela Espanca). 


Minha alma, de sonhar-te, e está perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não é nem a mesma razão do meu viver

Pois que você já é toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!...


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!..."






No verso “Que tu és como Deus: princípio e fim!”, temos uma frase:  
Alternativas
Q2487762 Português

Leia o texto para responder à questão.


Fanatismo. (Florbela Espanca). 


Minha alma, de sonhar-te, e está perdida.

Meus olhos andam cegos de te ver.

Não é nem a mesma razão do meu viver

Pois que você já é toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!...


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Ah! podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: princípio e fim!..."






Com base na leitura do texto, assinale uma alternativa incorreta.  
Alternativas
Q2473535 Português
As luas de Saturno

    O planeta Saturno se destaca no Sistema Solar por seu tamanho — é o segundo maior, de acordo com a Nasa (a agência de pesquisa e exploração espacial dos Estados Unidos) — e, claro, por seus belíssimos anéis que fazem dele um corpo celeste único e tão admirado. Só que o sexto planeta desde o Sol também chama atenção por possuir em sua órbita diversas luas com características bem variadas, de grandes a pequenas.
    Desde junho de 2023, a Nasa afirma que Saturno possui 146 luas. Por conta disso, é considerado atualmente o planeta com o maior número de luas do que qualquer outro do Sistema Solar. A maior lua de Saturno se chama Titan (e também é a primeira a ser descoberta, em 1655, pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens). Ela é tão grande que tem o tamanho aproximado do planeta Mercúrio, conforme a Nasa. A Titan é a única lua do Sistema Solar conhecida por ter nuvens, uma atmosfera densa e lagos líquidos.
    O diâmetro de seu corpo sólido é de 5.150 km — o que a torna, depois da lua Ganimedes de Júpiter, a segunda maior lua do Sistema Solar. Seu interior é formado por uma mistura de materiais rochosos (silicatos) e gelos. O último provavelmente é gelo de água misturado com amônia e metano congelados. Além disso, sua superfície é coberta por uma espessa névoa vermelho-amarronzada, permanecendo em grande parte um mistério até a missão de exploração do sistema saturniano pela Cassini-Huygens, realizada em conjunto por Nasa, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana). As observações da CassiniHuygens mostraram que a lua Titan tem uma topografia de superfície complexa esculpida por precipitação, líquidos fluidos, vento, impactos e uma possível atividade vulcânica e tectônica — muitos dos mesmos processos que moldaram a superfície da Terra.
     A menor lua de Saturno é a Enceladus, que é realmente pequena, não sendo maior do que uma arena esportiva. Já a lua localizada mais próxima de Saturno é a lua Pan. O ano de 2023 mudou o status das luas de Saturno, já que foram descobertas mais 62 luas na órbita do planeta. Elas foram descobertas por uma equipe liderada por Edward Ashton, um pós-doutorando de Taiwan, que usou uma técnica chamada "shift and stack" (deslocamento e empilhamento) para encontrar luas menores ao redor de Saturno. A pesquisa contou com uma equipe internacional de astrônomos de diversos países. Eles anunciaram em maio de 2023 a descoberta de 62 luas na órbita do planeta gigante — uma descoberta reconhecida pela Nasa e demais órgãos internacionais de estudos espaciais.

National Geographic. Adaptado.
A palavra sublinhada no 3º parágrafo, que pode significar queda e, por extensão, urgência e leviandade, tem seu sentido no texto utilizado para referir-se: 
Alternativas
Q2473534 Português
As luas de Saturno

    O planeta Saturno se destaca no Sistema Solar por seu tamanho — é o segundo maior, de acordo com a Nasa (a agência de pesquisa e exploração espacial dos Estados Unidos) — e, claro, por seus belíssimos anéis que fazem dele um corpo celeste único e tão admirado. Só que o sexto planeta desde o Sol também chama atenção por possuir em sua órbita diversas luas com características bem variadas, de grandes a pequenas.
    Desde junho de 2023, a Nasa afirma que Saturno possui 146 luas. Por conta disso, é considerado atualmente o planeta com o maior número de luas do que qualquer outro do Sistema Solar. A maior lua de Saturno se chama Titan (e também é a primeira a ser descoberta, em 1655, pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens). Ela é tão grande que tem o tamanho aproximado do planeta Mercúrio, conforme a Nasa. A Titan é a única lua do Sistema Solar conhecida por ter nuvens, uma atmosfera densa e lagos líquidos.
    O diâmetro de seu corpo sólido é de 5.150 km — o que a torna, depois da lua Ganimedes de Júpiter, a segunda maior lua do Sistema Solar. Seu interior é formado por uma mistura de materiais rochosos (silicatos) e gelos. O último provavelmente é gelo de água misturado com amônia e metano congelados. Além disso, sua superfície é coberta por uma espessa névoa vermelho-amarronzada, permanecendo em grande parte um mistério até a missão de exploração do sistema saturniano pela Cassini-Huygens, realizada em conjunto por Nasa, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana). As observações da CassiniHuygens mostraram que a lua Titan tem uma topografia de superfície complexa esculpida por precipitação, líquidos fluidos, vento, impactos e uma possível atividade vulcânica e tectônica — muitos dos mesmos processos que moldaram a superfície da Terra.
     A menor lua de Saturno é a Enceladus, que é realmente pequena, não sendo maior do que uma arena esportiva. Já a lua localizada mais próxima de Saturno é a lua Pan. O ano de 2023 mudou o status das luas de Saturno, já que foram descobertas mais 62 luas na órbita do planeta. Elas foram descobertas por uma equipe liderada por Edward Ashton, um pós-doutorando de Taiwan, que usou uma técnica chamada "shift and stack" (deslocamento e empilhamento) para encontrar luas menores ao redor de Saturno. A pesquisa contou com uma equipe internacional de astrônomos de diversos países. Eles anunciaram em maio de 2023 a descoberta de 62 luas na órbita do planeta gigante — uma descoberta reconhecida pela Nasa e demais órgãos internacionais de estudos espaciais.

National Geographic. Adaptado.
Sobre as informações presentes no texto, analisar os itens.

I. A lua Titan tem quase o mesmo tamanho do planeta Mercúrio.
II. Somente a Nasa fez parte da missão de Cassini-Huygens.
III. Antes de 2023, as luas de Saturno não eram tão exploradas.
IV. O interior de Titan é formado por silicatos e gelo de água com amônia e metano.

Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Q2473533 Português
As luas de Saturno

    O planeta Saturno se destaca no Sistema Solar por seu tamanho — é o segundo maior, de acordo com a Nasa (a agência de pesquisa e exploração espacial dos Estados Unidos) — e, claro, por seus belíssimos anéis que fazem dele um corpo celeste único e tão admirado. Só que o sexto planeta desde o Sol também chama atenção por possuir em sua órbita diversas luas com características bem variadas, de grandes a pequenas.
    Desde junho de 2023, a Nasa afirma que Saturno possui 146 luas. Por conta disso, é considerado atualmente o planeta com o maior número de luas do que qualquer outro do Sistema Solar. A maior lua de Saturno se chama Titan (e também é a primeira a ser descoberta, em 1655, pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens). Ela é tão grande que tem o tamanho aproximado do planeta Mercúrio, conforme a Nasa. A Titan é a única lua do Sistema Solar conhecida por ter nuvens, uma atmosfera densa e lagos líquidos.
    O diâmetro de seu corpo sólido é de 5.150 km — o que a torna, depois da lua Ganimedes de Júpiter, a segunda maior lua do Sistema Solar. Seu interior é formado por uma mistura de materiais rochosos (silicatos) e gelos. O último provavelmente é gelo de água misturado com amônia e metano congelados. Além disso, sua superfície é coberta por uma espessa névoa vermelho-amarronzada, permanecendo em grande parte um mistério até a missão de exploração do sistema saturniano pela Cassini-Huygens, realizada em conjunto por Nasa, ESA (Agência Espacial Europeia) e ASI (Agência Espacial Italiana). As observações da CassiniHuygens mostraram que a lua Titan tem uma topografia de superfície complexa esculpida por precipitação, líquidos fluidos, vento, impactos e uma possível atividade vulcânica e tectônica — muitos dos mesmos processos que moldaram a superfície da Terra.
     A menor lua de Saturno é a Enceladus, que é realmente pequena, não sendo maior do que uma arena esportiva. Já a lua localizada mais próxima de Saturno é a lua Pan. O ano de 2023 mudou o status das luas de Saturno, já que foram descobertas mais 62 luas na órbita do planeta. Elas foram descobertas por uma equipe liderada por Edward Ashton, um pós-doutorando de Taiwan, que usou uma técnica chamada "shift and stack" (deslocamento e empilhamento) para encontrar luas menores ao redor de Saturno. A pesquisa contou com uma equipe internacional de astrônomos de diversos países. Eles anunciaram em maio de 2023 a descoberta de 62 luas na órbita do planeta gigante — uma descoberta reconhecida pela Nasa e demais órgãos internacionais de estudos espaciais.

National Geographic. Adaptado.
Em relação à acentuação das palavras do texto, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) A palavra “anéis” (1º parágrafo) está incorreta, pois não deveria ter a presença de acento agudo.
( ) A palavra “líquidos” (3º parágrafo) está acentuada corretamente.
( ) A palavra “fluidos” (3º parágrafo) está incorreta, pois deveria ser acentuada na letra “i”.
( ) A palavra “tectônica” (3º parágrafo) é acentuada obrigatoriamente, pois é uma paroxítona.
Alternativas
Respostas
521: D
522: C
523: B
524: B
525: B
526: E
527: C
528: A
529: C
530: D
531: A
532: B
533: C
534: A
535: D
536: C
537: D
538: A
539: C
540: B