Foram encontradas 843 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3870397 Português

Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas


As férias escolares estão chegando ao fim, mas o aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças, funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que, com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres, é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)

Aponte a palavra com um encontro consonantal.
Alternativas
Q3870396 Português

Brincar no fim das férias prepara cérebro para volta às aulas


As férias escolares estão chegando ao fim, mas o aprendizado não precisa ficar restrito à sala de aula que logo voltará a ocupar a rotina.
Para especialistas em desenvolvimento infantil, o brincar é o verdadeiro "motor" do crescimento das crianças, funcionando como uma ferramenta essencial para organizar as emoções e aliviar as tensões típicas da transição para o período letivo.
Segundo Luciana Brites, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento e diretora executiva do instituto Neurosaber, a brincadeira nas férias permite que a criança explore territórios e interações sociais que a rotina escolar nem sempre oferece.
Para as famílias que buscam mais conexão e menos cobrança nesta reta final das férias, a dica é incluir a criança na rotina da casa. Atividades simples, como ajudar a fazer um bolo ou arrumar a mesa, podem ser transformadas em momentos lúdicos que desenvolvem a autonomia.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, pós-graduada em neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça que o cérebro da criança não precisa de mais estímulos digitais após um dia de aula, mas sim de experiências que ajudem a integrar o aprendizado.
"O brincar não é um luxo, nem um passatempo extra. É uma necessidade. O cérebro não se desenvolve apenas sentado, ele precisa de movimento e imaginação", afirma a médica.
Um dos maiores obstáculos para o brincar livre é o excesso de tecnologia. As especialistas alertam que a criança não consegue regular o uso de telas sozinha, cabendo aos adultos estabelecer limites claros.
Mariana, a pediatra, afirma ainda que o brincar atua como um protetor da saúde mental, agindo diretamente na redução do estresse e no fortalecimento da autoestima.
Segundo ela, quando esse tempo de lazer é negligenciado em função de uma agenda sobrecarregada, é comum observar crianças mais irritadas, desatentas e emocionalmente exaustas.
Para evitar problemas, Luciana Brites lembra ainda que, com as crianças mais tempo em casa ou em brincadeiras livres, é fundamental redobrar a atenção para evitar acidentes domésticos, mantendo o ambiente sempre seguro e orientado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/brincar-no-fim-das-feriasprepara-cerebro-para-volta-as-aulas-veja-dicas/ (adaptado)

A palavra “pai” apresenta qual encontro vocálico?
Alternativas
Q3805049 Matemática
Camila dividiu uma pizza em partes iguais, como mostra a imagem. Dos 2 pedaços que estão faltando na pizza, Camila comeu um. 
Imagem associada para resolução da questão
A fração que representa a quantidade de pizza que Camila comeu é:  
Alternativas
Q3805038 Português
A pontuação está correta na frase da alternativa: 
Alternativas
Q3805037 Português
Dentre as frases abaixo, assinale a que não está pontuada de acordo com as regras estabelecidas pela gramática normativa:
Alternativas
Q3805036 Português
Marque a alternativa em que o adjetivo destacado é classificado como biforme:
Alternativas
Q3805034 Português
Indique a alternativa em que o verbo destacado está conjugado no futuro do subjuntivo: 
Alternativas
Q3805033 Português
O vocábulo destacado está empregado como adjetivo na frase da alternativa: 
Alternativas
Q3805031 Português
Marque a alternativa em que o plural do adjetivo composto destacado está incorreto: 
Alternativas
Q3805030 Português
Indique a alternativa em que se deve usar o artigo masculino com todas as palavras:
Alternativas
Q3805029 Português
Qual é a frase que usa corretamente um artigo indefinido? 
Alternativas
Q3805027 Português
Marque a alternativa em que está correta a formação do plural do substantivo: 
Alternativas
Q3805025 Português
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão acentuadas corretamente, tendo em vista o Novo Acordo Ortográfico: 
Alternativas
Q3805024 Português

Marque a alternativa que contém todas as palavras com encontro consonantal da charge abaixo:


Imagem associada para resolução da questão


Menino (Pai, você sabe quem mexeu no meu cofrinho?)

Pai (Só falo na presença do meu advogado) 

Alternativas
Q3805023 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.

    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 

    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.

    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.

    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:

    - Boa noite, seu Zimbo!

    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:

    - Boa noite!

    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.

    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?

    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:

    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....

    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.

    - Besta! Isso que ela é.

    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?

    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:

    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?

    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:

    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!

    Fernanda se pôs de pé.

    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?

    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.

    - Ódio, ódio, ódio.

    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.

    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?

    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.

    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....

    - Então Lu, não quer ser boazinha?

    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.

    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.

    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:

    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?

    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.

    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.

    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.

    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.

    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...

    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.

    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.

    Deu boa-noite e voltou para casa.

Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.

(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Em todas as alternativas o significado das palavras destacadas está adequado ao texto, exceto em: 
Alternativas
Q3805022 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.

    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 

    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.

    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.

    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:

    - Boa noite, seu Zimbo!

    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:

    - Boa noite!

    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.

    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?

    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:

    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....

    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.

    - Besta! Isso que ela é.

    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?

    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:

    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?

    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:

    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!

    Fernanda se pôs de pé.

    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?

    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.

    - Ódio, ódio, ódio.

    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.

    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?

    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.

    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....

    - Então Lu, não quer ser boazinha?

    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.

    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.

    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:

    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?

    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.

    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.

    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.

    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.

    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...

    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.

    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.

    Deu boa-noite e voltou para casa.

Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.

(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Qual é a posição de Fernanda em relação ao conflito entre Lu e D. Magnólia? 
Alternativas
Q3805021 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.

    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 

    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.

    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.

    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:

    - Boa noite, seu Zimbo!

    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:

    - Boa noite!

    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.

    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?

    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:

    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....

    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.

    - Besta! Isso que ela é.

    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?

    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:

    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?

    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:

    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!

    Fernanda se pôs de pé.

    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?

    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.

    - Ódio, ódio, ódio.

    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.

    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?

    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.

    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....

    - Então Lu, não quer ser boazinha?

    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.

    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.

    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:

    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?

    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.

    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.

    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.

    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.

    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...

    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.

    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.

    Deu boa-noite e voltou para casa.

Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.

(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Como D. Magnólia reage à rebeldia da filha Lu?  
Alternativas
Q3805019 Português
Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.

    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 

    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.

    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.

    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:

    - Boa noite, seu Zimbo!

    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:

    - Boa noite!

    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.

    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?

    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:

    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....

    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.

    - Besta! Isso que ela é.

    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?

    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:

    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?

    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:

    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!

    Fernanda se pôs de pé.

    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?

    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.

    - Ódio, ódio, ódio.

    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.

    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?

    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.

    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....

    - Então Lu, não quer ser boazinha?

    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.

    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.

    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:

    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?

    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.

    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.

    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.

    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.

    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...

    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.

    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.

    Deu boa-noite e voltou para casa.

Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.

(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Qual é a principal razão da opressão sentida por Fernanda ao estar na casa de D. Magnólia?  
Alternativas
Q3767041 Segurança e Transporte
A segurança na operação de tratores de pneu depende do uso correto de equipamentos de proteção, do estado do maquinário e da postura preventiva do operador. Nesse sentido, analise as assertivas:
I. Cabine ROPS/FOPS é equipamento estrutural de proteção que reduz riscos de esmagamento em capotamentos, sendo considerado EPC.
II. O uso de protetor auricular é recomendado devido ao nível de ruído gerado pelo motor e transmissões.
III. O operador pode dispensar o cinto de segurança quando o trator possui cabine fechada e suspensão reforçada.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas
Respostas
101: C
102: B
103: D
104: D
105: A
106: C
107: A
108: A
109: C
110: D
111: B
112: C
113: B
114: C
115: A
116: C
117: B
118: D
119: A
120: A