Questões de Concurso Comentadas para auxiliar de enfermagem

Foram encontradas 3.628 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3944326 Atualidades
Em janeiro de 2026, o governo brasileiro, por meio do Ministério da Saúde, anunciou o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde à Venezuela, em resposta à destruição do maior centro de distribuição de medicamentos daquele país. Esse apoio humanitário tinha como objetivo principal:
Alternativas
Q3944325 Saúde Pública
Conforme divulgado pela Agência Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz conduzirá, no Brasil, um estudo para avaliar a viabilidade de incorporação, pelo Sistema Único de Saúde, de uma estratégia de profilaxia pré-exposição ao HIV baseada na aplicação periódica de um medicamento injetável. De acordo com as informações divulgadas, a principal característica que diferencia essa estratégia das formas tradicionais de PrEP atualmente utilizadas é:
Alternativas
Q3944324 Saúde Pública
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou um estudo denominado ImPrEP LEN Brasil para subsidiar a avaliação da incorporação de uma forma de profilaxia pré-exposição ao HIV ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de injeção semestral do medicamento lenacapavir. Considerando as condições de uso especificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para essa modalidade de prevenção, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE as exigências para que uma pessoa seja elegível a participar do estudo.
Alternativas
Q3944318 Sistemas Operacionais
Considere um usuário que está trabalhando em um computador com o Microsoft Windows 11 instalado. Durante seus estudos, ele descobre que esse sistema operacional traz um recurso interessante: pequenos painéis interativos que exibem informações e atalhos rápidos (tempo, notícias, calendário, tarefas) em um painel acessível pela barra de tarefas. Considerando o enunciado, assinale a alternativa que apresenta o atalho de teclado desse recurso presente no Microsoft Windows 11.
Alternativas
Q3944317 Noções de Informática
Considere um gamer que está configurando um novo computador com o Microsoft Windows 11. Por trabalhar como jogador profissional, ele precisa otimizar o seu computador, de modo que o Windows desative automaticamente programas em segundo plano para não interferir no desempenho. Diante do exposto, assinale a alternativa que indica o comando a ser realizado pelo usuário, no Microsoft Windows 11, para realizar a operação desejada. 
Alternativas
Q3944310 Matemática
Um mural retangular de uma biblioteca mede 4,8 m de largura e 3,0 m de altura. Para decorá-lo, serão utilizadas placas quadradas de 15 cm de lado, cobrindo toda a superfície do mural. O número de placas necessárias para revestir completamente esse mural é igual a:
Alternativas
Q3944304 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
No trecho “Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos”, as palavras destacadas classificam-se, CORRETA e respectivamente, como:
Alternativas
Q3944303 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
A mudança na atuação profissional do pesquisador citado decorre principalmente de:
Alternativas
Q3944302 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
O conceito de subnotificação é apresentado no texto para indicar que:
Alternativas
Q3944301 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
A presença de um especialista em mosquitos no núcleo familiar contribui para o texto ao:
Alternativas
Q3944300 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
O episódio da ida ao hospital revela, sobretudo, uma crítica implícita a: 
Alternativas
Q3944299 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
A menção às aves migratórias cumpre qual função argumentativa no texto? Assinale CORRETAMENTE:
Alternativas
Q3944298 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
A comparação entre o vírus do Nilo Ocidental e outras doenças transmitidas por mosquitos tem como objetivo principal:
Alternativas
Q3944297 Português
MOSQUITOS: OS ANIMAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO


    Tudo começou em um dia de junho de 2007, com febre súbita e vômitos intensos. David Hancock conta que deveria ter ido imediatamente ao hospital, mas achou que se tratava de alguma pequena infecção. Mesmo assim, tinha a sensação de que algo estava errado, não parecia se tratar de uma gripe.

    E realmente algo grave estava por vir. Levou dez dias para que o homem de 49 anos fosse diagnosticado. Neste tempo, ele entrou em coma, seu coração parou várias vezes, seus pulmões se encheram de líquido e seu cérebro inflamou. “Eu estava com um pé em outro mundo, podemos dizer”, conta David.

    Finalmente, os médicos conseguiram chegar a um diagnóstico definitivo: David havia sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental. Tudo por causa de uma simples picada de mosquito, bem em frente à sua casa em Glendale, uma cidade próxima a Phoenix, nos Estados Unidos.

    Diferentemente da malária, da dengue, da febre amarela e do Zika, o vírus do Nilo Ocidental não é transmitido por uma espécie de mosquito invasora, como o Aedes aegypti, mas principalmente pelo gênero Culex (pernilongo), nativo do hemisfério norte.

    O vírus do Nilo Ocidental, no entanto, é originalmente tropical. Foi descrito pela primeira vez em 1937 na região do Nilo Ocidental, no norte de Uganda, e recebeu esse nome por causa do local onde foi encontrado. Ele se multiplica especialmente bem em aves. Graças a elas, conseguiu deixar a África – aves migratórias levaram o vírus para a Europa e para os EUA. Em 1999, foi registrado pela primeira vez nos Estados Unidos. Hoje, é a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos no país.

    Isso porque o vírus tropical encontrou o Culex pipiens, o mosquito comum. Nativo da Europa e da América do Norte, ele é um vetor particularmente eficiente para o vírus do Nilo Ocidental: quando pica uma ave infectada, absorve o vírus e o transmite para outra vítima – que pode ser outra ave, um cavalo ou uma pessoa, como foi o caso de David.

    Embora a infecção geralmente passe despercebida e sem sintomas, nos EUA cerca de 1.300 pessoas por ano desenvolvem formas graves da doença e 130 morrem. Em 18 de junho de 2007, David não teve somente febre e vômitos. Ele também não conseguia engolir. Sua esposa, Teri, o levou diretamente ao hospital. Um erro. 

    “Deveríamos ter chamado uma ambulância, assim eu teria prioridade na triagem. Em vez disso, esperamos horas na emergência, o que quase custou a minha vida”, explica David. Teri precisou voltar para casa para alimentar o cachorro. Quando voltou, descobriu que o coração de David já havia parado duas vezes, e que ele estava na UTI, com ventilação mecânica. A febre era tão alta que o quarto foi resfriado ao máximo. Os médicos achavam que ele morreria a qualquer momento.

    Teri reuniu toda a família. Seus pais, os pais de David e seu irmão Bob, que, é biólogo e, por ironia do destino, pesquisa há décadas o comportamento dos mosquitos. “Quando souberam que David tinha sido infectado pelo vírus do Nilo Ocidental, todos perguntaram: ‘Tem certeza que é o David?’”, conta Bob.

    Afinal, é Bob quem vive cercado de mosquitos e prefere estar no meio do mato estudandoos. “Eu amo meu objeto de estudo. Não pesquiso mosquitos para exterminá-los. Eles me interessam”.

    A história dos dois irmãos mostra o quão diferente podem ser os resultados de uma picada de mosquito: a maioria delas é inofensiva, e só são contabilizados os casos clínicos, “ou seja, quando alguém precisa ir ao médico ou ao hospital”, explica Bob. Ou quando a infecção é fatal. Por isso, a subnotificação de pessoas que são infectadas sem perceber é provavelmente muito alta.

    Ao mesmo tempo, os riscos são reais, assim como as consequências. Teri também ficou traumatizada e ainda chora ao lembrar dos dias em que o marido esteve entre a vida e a morte.

    “Eu teria sido perfeitamente feliz sendo apenas aquele entusiasta de mosquitos, interessado em observar os mosquitos da selva voando por aí e fazendo coisas legais”, diz ele. Mas, desde então, ele se concentrou principalmente na transmissão de doenças por mosquitos. “Eu me tornei o entomologista médico que sou hoje.”

    Em sua profissão, Bob observa atentamente as mudanças nos EUA. Por exemplo, a espécie Aedes levou dez anos para se espalhar do sul da Califórnia até São Francisco. Como bem sabemos no Brasil, esses mosquitos tropicais são potentes transmissores de doenças como dengue, febre amarela e Zika. As mudanças climáticas oferecem condições cada vez melhores para que mosquitos e vírus tropicais sobrevivam e se espalhem em regiões mais ao norte. “Não há razão para pensar que os mosquitos virão, mas as doenças não.”

    David mudou desde 18 de junho de 2007. Quando saiu do coma, não conseguia respirar nem falar sozinho. Estava muito magro e precisou reaprender a andar. Levou nove meses para voltar ao trabalho. Até hoje não consegue engolir sozinho. Teri diz que ele ficou mais introvertido, diferente do homem com quem se casou. Provavelmente devido aos danos que o vírus causou em seu cérebro.

    Mas uma coisa não mudou: David ainda é picado por mosquitos com frequência. A única coisa que ajuda é usar muito repelente. “Odiamos eles profundamente”, dizem David e Teri. Já Bob... “Eu continuo amando os mosquitos. Eles só tentam encontrar alimento e cuidar da prole. Eu poderia odiar os pássaros também, não? Afinal, o mosquito que infectou meu irmão pegou o vírus de um pássaro.”


Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/mosquitos-osanimais-mais-perigosos-do-mundo/a-75114552>. Adaptado. Acesso em 05 de janeiro. 2026.
Assinale a alternativa que explica CORRETAMENTE a razão pela qual o diagnóstico da doença demorou a ser estabelecido.
Alternativas
Q3943871 Saúde Pública
A equidade no SUS representa estratégia de justiça distributiva e não se confunde com igualdade formal. Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3943870 Saúde Pública
A vigilância em saúde constitui um conjunto articulado de ações voltadas ao monitoramento contínuo da situação de saúde da população, envolvendo prevenção de riscos, controle de agravos e produção de informações estratégicas para a tomada de decisões em saúde pública. Analise as afirmativas abaixo:
I.A vigilância em saúde integra ações de promoção e proteção da saúde.
II.A vigilância em saúde atua na prevenção de riscos e agravos.
III.A vigilância em saúde limita-se ao controle sanitário de estabelecimentos comerciais.
IV.A vigilância em saúde envolve monitoramento contínuo da situação de saúde da população.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3943869 Saúde Pública
O trabalho em equipe multiprofissional é elemento estruturante da organização das ações de saúde, favorecendo a integralidade da assistência e a resolutividade dos serviços por meio da articulação de saberes e práticas. Analise as afirmativas a seguir:
I.A comunicação entre profissionais impacta diretamente a qualidade do cuidado.
II.O planejamento das ações de saúde deve ser compartilhado entre os membros da equipe.
III.A existência de hierarquia técnica elimina a necessidade de cooperação entre profissionais.
IV.A atuação integrada favorece a resolutividade da atenção prestada.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3943868 Saúde Pública
A educação em saúde constitui estratégia permanente de atuação nos serviços de atenção básica. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3943867 Saúde Pública
A promoção da saúde ultrapassa intervenções clínicas isoladas, envolvendo abordagem intersetorial. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
21: D
22: A
23: B
24: D
25: C
26: D
27: B
28: D
29: C
30: C
31: A
32: D
33: B
34: C
35: B
36: D
37: C
38: B
39: C
40: C