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Q1659552 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. A avaliação não deve considerar a interpretação qualitativa do conhecimento construído pelo aluno. II. São exemplos de substantivos próprios: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
Marque a alternativa CORRETA
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Q1659551 Pedagogia
Leia as afirmativas a seguir:
I. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis dá voz a um narrador defunto que, longe da vida social, pode zombar do caráter das pessoas com quem conviveu. II. Para Vygotsky, a aquisição de conhecimentos não passa pela interação do sujeito com o meio.
Marque a alternativa CORRETA
Alternativas
Q1659550 Português
• Leia as afirmativas a seguir:
I. A Libras é um sistema linguístico de natureza visual-motora com estrutura gramatical própria. II. O artigo indica, ao mesmo tempo, o gênero e o número dos substantivos.
Marque a alternativa CORRETA:
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Q1659549 Pedagogia
Leia as afirmativas a seguir:
I. A mãe e o pai têm direitos e deveres iguais, assim como responsabilidades compartilhadas no cuidado e na educação da criança. II. Em O Ateneu, de Raul Pompeia, o personagem Sérgio descobre a falsidade e os comportamentos sórdidos de um mundo onde não há lugar para o amor e a amizade.
Marque a alternativa CORRETA:
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Q1659548 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é um romance importante por se valer de novas técnicas narrativas, fazendo-se uma obra inovadora do seu século. II. Toda criança tem o direito à igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.
Marque a alternativa CORRETA:
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Q1659547 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. A obra O Ateneu, de Raul Pompeia, é um romance carregadamente autobiográfico, centrado nas desilusões do menino Sérgio em sua vida escolar. II. Todo cidadão tem direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659546 Pedagogia
Leia as afirmativas a seguir:
I. A avaliação deve se restringir ao julgamento sobre sucessos ou fracassos do aluno. II. O adjetivo composto é formado por mais de um radical. Por exemplo: luso-brasileiro.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659545 Pedagogia
Leia as afirmativas a seguir:
I. O poder público deve apoiar o uso da Libras como meio de comunicação objetiva das comunidades surdas do Brasil. II. O modernismo brasileiro apresentou características como o progresso, a sensação de instabilidade e transitoriedade, a criação e investigação pessoal, o livre exame e o futuro.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659544 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. O substantivo é a classe gramatical de palavras invariáveis, as quais denominam as pessoas, apenas. II. Todo cidadão que não concluiu o Ensino Fundamental na idade própria tem direito de acesso público e gratuito ao mesmo.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659543 Pedagogia
Leia as afirmativas a seguir:
I. Para Piaget, a assimilação e a acomodação são funções variantes, pois mudam constantemente com o desenvolvimento do sujeito. II. Toda criança tem o direito de ser respeitada por seus educadores.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659542 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. À luz dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a avaliação não é parte integrante do processo educacional. II. O adjetivo primitivo é aquele que dá origem a outros adjetivos. Por exemplo: belo, bom, feliz etc.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1659541 Pedagogia
• Leia as afirmativas a seguir:
I. Paulo Freire propôs uma prática de sala de aula que pudesse tolher a criticidade dos alunos. II. O substantivo comum é aquele que designa os seres de uma mesma espécie de forma específica. Por exemplo: Maria, Nova Iorque e São Paulo.
Marque a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q1650363 Português
Leia o TEXTO 3 para responder à questão.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(BANDEIRA, Manuel. Opus 10. In Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 307.)
TEXTO 1 Estrutura da oração
O estudo da análise sintática é um dos pontos fundamentais na formação de quem se pretende um usuário competente de sua língua. Duas das habilidades principais de pessoa culta repousam nas atividades de ler e de escrever, ações que podem caracterizar não só nossas carreiras profissionais, mas também nossa vida como cidadãos. Ler ou escrever um texto é muito mais do que apenas compreender ou organizar palavras em frases e parágrafos. É algo que envolve um amplo mecanismo a partir do qual o pensamento e as pretensões comunicativas do autor se apresentam para reflexão e avaliação do leitor. Como se constroem esses textos? Com palavras, sintagmas, termos e orações — elementos que mantêm entre si um relacionamento interno de concordância, de regência, de atribuição. A análise sintática é a análise das relações. Na estrutura da oração, estudamos as relações que as palavras mantêm entre si na frase. Essas relações são binárias: sujeito & verbo; verbo & complemento; núcleo & adjunto... A tradicional prática de exercícios voltados para o reconhecimento da função sintática de um termo nem sempre garante o real objetivo de sua aplicação. Não se pode dizer qual é a função sintática de um termo se não se encontrar o outro termo com o qual ele se relaciona. Ou seja, não se pode reconhecer que existe um objeto direto sem apresentar a "prova" (o verbo transitivo direto); não se pode afirmar que determinado termo é o agente da passiva sem que seu "parceiro" sintático seja revelado (o verbo na voz passiva). E assim sucessivamente com todos os termos da oração, pois cada um deles só tem a classificação que tem porque possui uma relação com outro termo — e cada uma dessas relações é única, e por isso são dez os termos da oração (onze se contarmos com o vocativo).  A sintaxe tem duas parceiras especiais. Uma é a semântica, a ciência do significado. Afinal o entendimento de uma frase depende da sua estrutura e das sutilezas que envolvem a construção do sentido. Outra é a estilística (a ciência da expressividade), pois compete ao autor da frase fazer as escolhas sobre como será sua organização, a partir do repertório que a língua oferece. Entretanto, para o estudo da sintaxe do português, há um pré-requisito. Sintaxe e morfologia são assuntos interligados. Ter um bom conhecimento acerca das classes de palavras é fundamental para entender a estrutura de uma oração e de um período. Lembremo-nos, por exemplo, que estudamos verbos, substantivos, adjetivos e advérbios nos livros e aulas de morfologia — suas flexões, significações, desempenhos — e que, agora, estudaremos o verbo como elemento central da oração; o substantivo como núcleo de um termo; o adjetivo como um elemento periférico ou atributivo de outro; o advérbio como um determinante sobretudo dos verbos.  Com isso, queremos enfatizar que o conteúdo aprendido nos estudos de morfologia precisa estar sedimentado para o que se coloca diante do estudante de sintaxe. Reiteramos, enfim, a convicção de que é a competência discursiva ou textual que caracteriza o saber expressivo de que fala Eugenio Coseriu. Um texto deve ter uma adequação gramatical compatível com as pretensões e intuitos de seu autor, que — se assim julgar pertinente — procurará atingir o nível de exigência da linguagem padrão praticada por escrito pela comunidade culta em que se insere. (HENRIQUES, C. Cezar. Sintaxe: estudos descritivos da frase para o texto. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, 2ª reimpressão, p. 15-16.) 





TEXTO 2

Estrelas e quimeras 


    A imaginação é razão de viver. Aciona a voracidade e não tem fim. É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades
    Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar. São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana.   
    Desde a infância exagero em prol de um mundo nítido, transparente. Apelo para certos exercícios a fim de que a voragem da invenção me dê alento. É um processo sem interrupções. Já ao primeiro gole de café intuo haver uma fórmula que, graças à sua combustão natural, aqueça a imaginação, pague o suor coletivo com as moedas ganhas no jogo de azar.    
    Atraio os tesouros para a casa sempre que refuto as versões oficiais. Pois que, quando me ajusto ao fracasso, corro o risco de atar-me ao penhasco à espera dos pássaros que biquem meu fígado.
    Sou quem depende das franquias alheias para viver, que são as crueldades e as maravilhas inerentes da loucura humana. Claro que tal condição afeta os efeitos da realidade no meu cotidiano. Acato, porém, esse transbordamento que me leva a atravessar a fronteira moral que Dante estabeleceu para punir adversários.
    A qualquer hora, em especial ao cair da noite, sou propensa a identificar a imaginação. Graças a tal exercício é fácil ver os Campos Elíseos, mais belos do que eu supunha, com a mirada emprestada por Virgílio, ou pelo próprio Eneias, em busca do pai, Anquises. Mas logo a própria imaginação desfaz a visão do Hades. Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram. Sobra-me ainda a ilusão de esquivar-me do inferno, que o ilustre florentino concebeu. De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras.


(PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019, p. 12-13.)


Considerando-se a classificação dos textos pela tipologia, em relação aos textos 1, 2 e 3, está correto afirmar que: 
Alternativas
Q1650362 Português
Leia o TEXTO 3 para responder à questão.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(BANDEIRA, Manuel. Opus 10. In Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 307.)
Sobre os elementos mórficos e o processo de formação do vocábulo “iniludível”, pelo princípio dos constituintes imediatos, está correto afirmar que:
Alternativas
Q1650361 Português
Leia o TEXTO 3 para responder à questão.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(BANDEIRA, Manuel. Opus 10. In Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 307.)
Das afirmações abaixo sobre o sistema fonológico do português com base nos textos do poema “Consoada”, aquela em que HOUVE EQUÍVOCO quanto ao critério de oposição é:
Alternativas
Q1650360 Português
Leia o TEXTO 3 para responder à questão.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(BANDEIRA, Manuel. Opus 10. In Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 307.)
O poema “Consoada” tem seu lirismo construído com base nas seguintes figuras de linguagem:
Alternativas
Q1650359 Português
Leia o TEXTO 3 para responder à questão.

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

(BANDEIRA, Manuel. Opus 10. In Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 307.)
Das características abaixo da estética do Modernismo no Brasil, NÃO pode ser atribuída ao poema:
Alternativas
Q1650358 Português

Leia o TEXTO 2 para responder a questão.

Estrelas e quimeras 


    A imaginação é razão de viver. Aciona a voracidade e não tem fim. É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades
    Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar. São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana.   
    Desde a infância exagero em prol de um mundo nítido, transparente. Apelo para certos exercícios a fim de que a voragem da invenção me dê alento. É um processo sem interrupções. Já ao primeiro gole de café intuo haver uma fórmula que, graças à sua combustão natural, aqueça a imaginação, pague o suor coletivo com as moedas ganhas no jogo de azar.    
    Atraio os tesouros para a casa sempre que refuto as versões oficiais. Pois que, quando me ajusto ao fracasso, corro o risco de atar-me ao penhasco à espera dos pássaros que biquem meu fígado.
    Sou quem depende das franquias alheias para viver, que são as crueldades e as maravilhas inerentes da loucura humana. Claro que tal condição afeta os efeitos da realidade no meu cotidiano. Acato, porém, esse transbordamento que me leva a atravessar a fronteira moral que Dante estabeleceu para punir adversários.
    A qualquer hora, em especial ao cair da noite, sou propensa a identificar a imaginação. Graças a tal exercício é fácil ver os Campos Elíseos, mais belos do que eu supunha, com a mirada emprestada por Virgílio, ou pelo próprio Eneias, em busca do pai, Anquises. Mas logo a própria imaginação desfaz a visão do Hades. Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram. Sobra-me ainda a ilusão de esquivar-me do inferno, que o ilustre florentino concebeu. De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras.


(PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019, p. 12-13.)

Para designar a imaginação, a autora vale-se de inúmeras alegorias responsáveis pela estética criativa e pela feição poética do texto. Dos trechos extraídos abaixo, aquele em que NÃO há alegoria para designar a imaginação é:
Alternativas
Q1650357 Português

Leia o TEXTO 2 para responder a questão.

Estrelas e quimeras 


    A imaginação é razão de viver. Aciona a voracidade e não tem fim. É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades
    Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar. São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana.   
    Desde a infância exagero em prol de um mundo nítido, transparente. Apelo para certos exercícios a fim de que a voragem da invenção me dê alento. É um processo sem interrupções. Já ao primeiro gole de café intuo haver uma fórmula que, graças à sua combustão natural, aqueça a imaginação, pague o suor coletivo com as moedas ganhas no jogo de azar.    
    Atraio os tesouros para a casa sempre que refuto as versões oficiais. Pois que, quando me ajusto ao fracasso, corro o risco de atar-me ao penhasco à espera dos pássaros que biquem meu fígado.
    Sou quem depende das franquias alheias para viver, que são as crueldades e as maravilhas inerentes da loucura humana. Claro que tal condição afeta os efeitos da realidade no meu cotidiano. Acato, porém, esse transbordamento que me leva a atravessar a fronteira moral que Dante estabeleceu para punir adversários.
    A qualquer hora, em especial ao cair da noite, sou propensa a identificar a imaginação. Graças a tal exercício é fácil ver os Campos Elíseos, mais belos do que eu supunha, com a mirada emprestada por Virgílio, ou pelo próprio Eneias, em busca do pai, Anquises. Mas logo a própria imaginação desfaz a visão do Hades. Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram. Sobra-me ainda a ilusão de esquivar-me do inferno, que o ilustre florentino concebeu. De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras.


(PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019, p. 12-13.)

“É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades.” (1º §) No processo de criação, a autora faz referência a espaços urbanos históricos, a autores representativos da antiguidade clássica e medieval, e ainda a seres mitológicos. Para uma compreensão integral do texto, tanto na perspectiva do entendimento objetivo, quanto na interpretação das imagens, das figurações e das conotações, é importante o conhecimento dessas referências.
Está INCORRETA, no sentido atribuído no texto, a informação a respeito da seguinte referência:
Alternativas
Q1650356 Português

Leia o TEXTO 2 para responder a questão.

Estrelas e quimeras 


    A imaginação é razão de viver. Aciona a voracidade e não tem fim. É um tapete que estendo ao longo da escalinata da Piazza di Spagna a pretexto de chegar às portas do Hades
    Espécie de caixa que enfeixa segredos, sacia a fome, cede pedaços da matéria capaz de me salvar. São côdeas de pão, pedaços de vidro, bilhete amarfanhado, tudo que não renega a origem humana.   
    Desde a infância exagero em prol de um mundo nítido, transparente. Apelo para certos exercícios a fim de que a voragem da invenção me dê alento. É um processo sem interrupções. Já ao primeiro gole de café intuo haver uma fórmula que, graças à sua combustão natural, aqueça a imaginação, pague o suor coletivo com as moedas ganhas no jogo de azar.    
    Atraio os tesouros para a casa sempre que refuto as versões oficiais. Pois que, quando me ajusto ao fracasso, corro o risco de atar-me ao penhasco à espera dos pássaros que biquem meu fígado.
    Sou quem depende das franquias alheias para viver, que são as crueldades e as maravilhas inerentes da loucura humana. Claro que tal condição afeta os efeitos da realidade no meu cotidiano. Acato, porém, esse transbordamento que me leva a atravessar a fronteira moral que Dante estabeleceu para punir adversários.
    A qualquer hora, em especial ao cair da noite, sou propensa a identificar a imaginação. Graças a tal exercício é fácil ver os Campos Elíseos, mais belos do que eu supunha, com a mirada emprestada por Virgílio, ou pelo próprio Eneias, em busca do pai, Anquises. Mas logo a própria imaginação desfaz a visão do Hades. Sofro tal golpe, mas consola-me perpetuar na minha memória os seres amados que já partiram. Sobra-me ainda a ilusão de esquivar-me do inferno, que o ilustre florentino concebeu. De olhar a salvo o firmamento povoado de estrelas e quimeras.


(PIÑON, Nélida. Uma furtiva lágrima. Rio de Janeiro: Record, 2019, p. 12-13.)

Nesse belíssimo texto, rico em imagens e com profundas reflexões sobre a arte da criação literária fundamentada no cotidiano da imaginação, Nélida Piñon ultrapassa os limites dos recursos próprios da linguagem em prosa para criar um texto profundamente poético, na linha da literatura pós-modernista. Dentre as características do Pós-modernismo abaixo, a que mais se aplica ao texto é:
Alternativas
Respostas
18301: C
18302: B
18303: A
18304: A
18305: A
18306: A
18307: C
18308: B
18309: C
18310: C
18311: C
18312: D
18313: D
18314: C
18315: E
18316: D
18317: A
18318: D
18319: B
18320: C