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Q1770997 História e Geografia de Estados e Municípios

Prefeitura de Xanxerê/ SC implanta Incubadora Tecnológica no município.


Fonteadaptada:Disponível:/www.xanxere.sc.gov.br/not icias/ver/2020/12/

A respeito da informação acima assinale a alternativa CORRETA, no dia 22 de dezembro de 2020 foi implantada a Incubadora Tecnológica De Xanxerê -SC (ITEX) tendo como objetivo:

Alternativas
Q1770996 História e Geografia de Estados e Municípios
A respeito do Boletim Diário Covid-19 no munícipio de Xanxerê –SC assinale a alternativa CORRETA sobre Ativos:
Alternativas
Q1770990 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O não desaparecimento de Maria Sombrinha

[...]

Deu-se o caso numa família pobre, tão pobre que nem tinha doenças. Dessas em que se morre mesmo saudável. Não sendo, pois espantável que esta narração acabe em luto. Em todo o mundo, os pobres têm essa estranha mania de morrerem muito. Um dos mistérios dos lares famintos é falecerem tantos parentes e a família aumentar cada vez mais. Adiante, diria o camaleonino réptil.

A família de Maria Sombrinha vivia em tais misérias, que nem queria saber de dinheiro. A moeda é o grão de areia esfluindo entre os dedos? Pois, ali nem dedos. Tudo começou com o pai de Sombrinha. Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa. Fez as rezas e olhou o tampo vazio.

[...]

Por fim, sua visão minguante aconteceu com Sombrinha. Ele via o tamanho dela se acanhar, mais e mais pequenita. E se queixava, pressentimental: - “Esta menina está-se a enxugar no poente...”

[...]

Valia a pena sombrear a miúda, minhocar-lhe o juízo? Mas Sombrinha não deixou de rimar com a alegria. Afinal, era ainda menos que adolescente, dada somente a brincriações. Sendo ainda tão menina, contudo, um certo dia ela se barrigou, carregada de outrem. Noutros termos: ela se apresentou grávida. Nove meses depois se estreava a mãe. Sem ter idade para ser filha como podia desempenhar maternidades? 

A criancinha nasceu, de simples escorregão, tão minusculinha que era. A menina pesava tão nada que a mãe se esquecia dela em todo o lado. Ficava em qualquer canto sem queixa nem choro.

[...]

Deram o nome à menininha: Maria Brisa. Que ela nem vento lembrava, simples aragem. Dona mãe ralhava, mas sem nunca fechar riso, tudo em disposições. Até que certa vez repararam em Maria Brisa. Porque a barriguinha dela crescia, parecia uma lua em estação cheia. Sombrinha ainda devaneou. Deveria ser um vazio mal digerido. Gases crescentes, arrotos tontos. Mas depois, os seios lhe incharam. E concluíram, em tremente arrepiação: a recém-nascida estava grávida! E, de facto, nem tardaram os nove meses. Maria Brisa dava à luz e Maria Sombrinha ascendia a mãe e avó quase em mesma ocasião. Sombrinha passou a tratar de igual seus rebentinhos - a filha e a filha da filha. Uma pendendo em cada pequenino seio.

A família deu conta, então, do que o pai antes anunciara: Sombrinha, afinal das contas, sempre se confirmava regredindo. De dia para dia ela ia ficando sempre menorzita. Não havia que iludir - as roupas iam sobrando, o leito ia crescendo. Até que ficou do mesmo tamanho da filha. Mas não se quedou por ali. Continuou definhando a pontos de competir com a neta.

Os parentes acreditaram que ela já chegara ao mínimo, mas, afinal, ainda continuava a reduzir-se. Até que ficou do tamanho de uma unha negra. A mãe, as primas, as tias a procuravam, agulha em capinzal.

Encontravam-na em meio de um anónimo buraco e lhe deixavam cair uma gotícula de leite.[...]

Até que, um dia, a menina se extingiu, em idimensão.

Sombrinha era incontemplável a vistas nuas. Choraram os familiares, sem conformidade. Como iriam ficar as duas orfãzinhas, ainda na gengivação de leite? A mãe ordenou que se fosse ao quintal e se trouxesse o esquecido pai. O velho entrou sem entender o motivo do chamamento. Mas, assim que passou a porta, ele olhou o nada e chamou, em encantado riso:

- “Sombrinha, que faz você nessa poeirinha?”

E depois pegou numa imperceptível luzinha e suspendeu-a no vazio dos braços. “Venha que eu vou cuidar de si”, murmurou enquanto regressava para o quintal da casa, nas traseiras da vida.

Mia Couto, Contos do nascer da Terra

"Até que ficou do tamanho de uma unha negra." O vocábulo sublinhado está classificado em:
Alternativas
Q1770989 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O não desaparecimento de Maria Sombrinha

[...]

Deu-se o caso numa família pobre, tão pobre que nem tinha doenças. Dessas em que se morre mesmo saudável. Não sendo, pois espantável que esta narração acabe em luto. Em todo o mundo, os pobres têm essa estranha mania de morrerem muito. Um dos mistérios dos lares famintos é falecerem tantos parentes e a família aumentar cada vez mais. Adiante, diria o camaleonino réptil.

A família de Maria Sombrinha vivia em tais misérias, que nem queria saber de dinheiro. A moeda é o grão de areia esfluindo entre os dedos? Pois, ali nem dedos. Tudo começou com o pai de Sombrinha. Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa. Fez as rezas e olhou o tampo vazio.

[...]

Por fim, sua visão minguante aconteceu com Sombrinha. Ele via o tamanho dela se acanhar, mais e mais pequenita. E se queixava, pressentimental: - “Esta menina está-se a enxugar no poente...”

[...]

Valia a pena sombrear a miúda, minhocar-lhe o juízo? Mas Sombrinha não deixou de rimar com a alegria. Afinal, era ainda menos que adolescente, dada somente a brincriações. Sendo ainda tão menina, contudo, um certo dia ela se barrigou, carregada de outrem. Noutros termos: ela se apresentou grávida. Nove meses depois se estreava a mãe. Sem ter idade para ser filha como podia desempenhar maternidades? 

A criancinha nasceu, de simples escorregão, tão minusculinha que era. A menina pesava tão nada que a mãe se esquecia dela em todo o lado. Ficava em qualquer canto sem queixa nem choro.

[...]

Deram o nome à menininha: Maria Brisa. Que ela nem vento lembrava, simples aragem. Dona mãe ralhava, mas sem nunca fechar riso, tudo em disposições. Até que certa vez repararam em Maria Brisa. Porque a barriguinha dela crescia, parecia uma lua em estação cheia. Sombrinha ainda devaneou. Deveria ser um vazio mal digerido. Gases crescentes, arrotos tontos. Mas depois, os seios lhe incharam. E concluíram, em tremente arrepiação: a recém-nascida estava grávida! E, de facto, nem tardaram os nove meses. Maria Brisa dava à luz e Maria Sombrinha ascendia a mãe e avó quase em mesma ocasião. Sombrinha passou a tratar de igual seus rebentinhos - a filha e a filha da filha. Uma pendendo em cada pequenino seio.

A família deu conta, então, do que o pai antes anunciara: Sombrinha, afinal das contas, sempre se confirmava regredindo. De dia para dia ela ia ficando sempre menorzita. Não havia que iludir - as roupas iam sobrando, o leito ia crescendo. Até que ficou do mesmo tamanho da filha. Mas não se quedou por ali. Continuou definhando a pontos de competir com a neta.

Os parentes acreditaram que ela já chegara ao mínimo, mas, afinal, ainda continuava a reduzir-se. Até que ficou do tamanho de uma unha negra. A mãe, as primas, as tias a procuravam, agulha em capinzal.

Encontravam-na em meio de um anónimo buraco e lhe deixavam cair uma gotícula de leite.[...]

Até que, um dia, a menina se extingiu, em idimensão.

Sombrinha era incontemplável a vistas nuas. Choraram os familiares, sem conformidade. Como iriam ficar as duas orfãzinhas, ainda na gengivação de leite? A mãe ordenou que se fosse ao quintal e se trouxesse o esquecido pai. O velho entrou sem entender o motivo do chamamento. Mas, assim que passou a porta, ele olhou o nada e chamou, em encantado riso:

- “Sombrinha, que faz você nessa poeirinha?”

E depois pegou numa imperceptível luzinha e suspendeu-a no vazio dos braços. “Venha que eu vou cuidar de si”, murmurou enquanto regressava para o quintal da casa, nas traseiras da vida.

Mia Couto, Contos do nascer da Terra

"Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa". O vocábulo sublinhado pode ser substituído sem alterar o sentido por:
Alternativas
Q1770988 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O não desaparecimento de Maria Sombrinha

[...]

Deu-se o caso numa família pobre, tão pobre que nem tinha doenças. Dessas em que se morre mesmo saudável. Não sendo, pois espantável que esta narração acabe em luto. Em todo o mundo, os pobres têm essa estranha mania de morrerem muito. Um dos mistérios dos lares famintos é falecerem tantos parentes e a família aumentar cada vez mais. Adiante, diria o camaleonino réptil.

A família de Maria Sombrinha vivia em tais misérias, que nem queria saber de dinheiro. A moeda é o grão de areia esfluindo entre os dedos? Pois, ali nem dedos. Tudo começou com o pai de Sombrinha. Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa. Fez as rezas e olhou o tampo vazio.

[...]

Por fim, sua visão minguante aconteceu com Sombrinha. Ele via o tamanho dela se acanhar, mais e mais pequenita. E se queixava, pressentimental: - “Esta menina está-se a enxugar no poente...”

[...]

Valia a pena sombrear a miúda, minhocar-lhe o juízo? Mas Sombrinha não deixou de rimar com a alegria. Afinal, era ainda menos que adolescente, dada somente a brincriações. Sendo ainda tão menina, contudo, um certo dia ela se barrigou, carregada de outrem. Noutros termos: ela se apresentou grávida. Nove meses depois se estreava a mãe. Sem ter idade para ser filha como podia desempenhar maternidades? 

A criancinha nasceu, de simples escorregão, tão minusculinha que era. A menina pesava tão nada que a mãe se esquecia dela em todo o lado. Ficava em qualquer canto sem queixa nem choro.

[...]

Deram o nome à menininha: Maria Brisa. Que ela nem vento lembrava, simples aragem. Dona mãe ralhava, mas sem nunca fechar riso, tudo em disposições. Até que certa vez repararam em Maria Brisa. Porque a barriguinha dela crescia, parecia uma lua em estação cheia. Sombrinha ainda devaneou. Deveria ser um vazio mal digerido. Gases crescentes, arrotos tontos. Mas depois, os seios lhe incharam. E concluíram, em tremente arrepiação: a recém-nascida estava grávida! E, de facto, nem tardaram os nove meses. Maria Brisa dava à luz e Maria Sombrinha ascendia a mãe e avó quase em mesma ocasião. Sombrinha passou a tratar de igual seus rebentinhos - a filha e a filha da filha. Uma pendendo em cada pequenino seio.

A família deu conta, então, do que o pai antes anunciara: Sombrinha, afinal das contas, sempre se confirmava regredindo. De dia para dia ela ia ficando sempre menorzita. Não havia que iludir - as roupas iam sobrando, o leito ia crescendo. Até que ficou do mesmo tamanho da filha. Mas não se quedou por ali. Continuou definhando a pontos de competir com a neta.

Os parentes acreditaram que ela já chegara ao mínimo, mas, afinal, ainda continuava a reduzir-se. Até que ficou do tamanho de uma unha negra. A mãe, as primas, as tias a procuravam, agulha em capinzal.

Encontravam-na em meio de um anónimo buraco e lhe deixavam cair uma gotícula de leite.[...]

Até que, um dia, a menina se extingiu, em idimensão.

Sombrinha era incontemplável a vistas nuas. Choraram os familiares, sem conformidade. Como iriam ficar as duas orfãzinhas, ainda na gengivação de leite? A mãe ordenou que se fosse ao quintal e se trouxesse o esquecido pai. O velho entrou sem entender o motivo do chamamento. Mas, assim que passou a porta, ele olhou o nada e chamou, em encantado riso:

- “Sombrinha, que faz você nessa poeirinha?”

E depois pegou numa imperceptível luzinha e suspendeu-a no vazio dos braços. “Venha que eu vou cuidar de si”, murmurou enquanto regressava para o quintal da casa, nas traseiras da vida.

Mia Couto, Contos do nascer da Terra

Os vocábulos: mistérios, grávida e avó são acentuados pelas seguintes regras:
Alternativas
Q1770987 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O não desaparecimento de Maria Sombrinha

[...]

Deu-se o caso numa família pobre, tão pobre que nem tinha doenças. Dessas em que se morre mesmo saudável. Não sendo, pois espantável que esta narração acabe em luto. Em todo o mundo, os pobres têm essa estranha mania de morrerem muito. Um dos mistérios dos lares famintos é falecerem tantos parentes e a família aumentar cada vez mais. Adiante, diria o camaleonino réptil.

A família de Maria Sombrinha vivia em tais misérias, que nem queria saber de dinheiro. A moeda é o grão de areia esfluindo entre os dedos? Pois, ali nem dedos. Tudo começou com o pai de Sombrinha. Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa. Fez as rezas e olhou o tampo vazio.

[...]

Por fim, sua visão minguante aconteceu com Sombrinha. Ele via o tamanho dela se acanhar, mais e mais pequenita. E se queixava, pressentimental: - “Esta menina está-se a enxugar no poente...”

[...]

Valia a pena sombrear a miúda, minhocar-lhe o juízo? Mas Sombrinha não deixou de rimar com a alegria. Afinal, era ainda menos que adolescente, dada somente a brincriações. Sendo ainda tão menina, contudo, um certo dia ela se barrigou, carregada de outrem. Noutros termos: ela se apresentou grávida. Nove meses depois se estreava a mãe. Sem ter idade para ser filha como podia desempenhar maternidades? 

A criancinha nasceu, de simples escorregão, tão minusculinha que era. A menina pesava tão nada que a mãe se esquecia dela em todo o lado. Ficava em qualquer canto sem queixa nem choro.

[...]

Deram o nome à menininha: Maria Brisa. Que ela nem vento lembrava, simples aragem. Dona mãe ralhava, mas sem nunca fechar riso, tudo em disposições. Até que certa vez repararam em Maria Brisa. Porque a barriguinha dela crescia, parecia uma lua em estação cheia. Sombrinha ainda devaneou. Deveria ser um vazio mal digerido. Gases crescentes, arrotos tontos. Mas depois, os seios lhe incharam. E concluíram, em tremente arrepiação: a recém-nascida estava grávida! E, de facto, nem tardaram os nove meses. Maria Brisa dava à luz e Maria Sombrinha ascendia a mãe e avó quase em mesma ocasião. Sombrinha passou a tratar de igual seus rebentinhos - a filha e a filha da filha. Uma pendendo em cada pequenino seio.

A família deu conta, então, do que o pai antes anunciara: Sombrinha, afinal das contas, sempre se confirmava regredindo. De dia para dia ela ia ficando sempre menorzita. Não havia que iludir - as roupas iam sobrando, o leito ia crescendo. Até que ficou do mesmo tamanho da filha. Mas não se quedou por ali. Continuou definhando a pontos de competir com a neta.

Os parentes acreditaram que ela já chegara ao mínimo, mas, afinal, ainda continuava a reduzir-se. Até que ficou do tamanho de uma unha negra. A mãe, as primas, as tias a procuravam, agulha em capinzal.

Encontravam-na em meio de um anónimo buraco e lhe deixavam cair uma gotícula de leite.[...]

Até que, um dia, a menina se extingiu, em idimensão.

Sombrinha era incontemplável a vistas nuas. Choraram os familiares, sem conformidade. Como iriam ficar as duas orfãzinhas, ainda na gengivação de leite? A mãe ordenou que se fosse ao quintal e se trouxesse o esquecido pai. O velho entrou sem entender o motivo do chamamento. Mas, assim que passou a porta, ele olhou o nada e chamou, em encantado riso:

- “Sombrinha, que faz você nessa poeirinha?”

E depois pegou numa imperceptível luzinha e suspendeu-a no vazio dos braços. “Venha que eu vou cuidar de si”, murmurou enquanto regressava para o quintal da casa, nas traseiras da vida.

Mia Couto, Contos do nascer da Terra

"Deram o nome à menininha: Maria Brisa". O uso do sinal indicativo de crase foi utilizado por ser, sintaticamente, o termo destacado um:
Alternativas
Q1770986 Português

Leia o texto abaixo e responda a questão.


O não desaparecimento de Maria Sombrinha

[...]

Deu-se o caso numa família pobre, tão pobre que nem tinha doenças. Dessas em que se morre mesmo saudável. Não sendo, pois espantável que esta narração acabe em luto. Em todo o mundo, os pobres têm essa estranha mania de morrerem muito. Um dos mistérios dos lares famintos é falecerem tantos parentes e a família aumentar cada vez mais. Adiante, diria o camaleonino réptil.

A família de Maria Sombrinha vivia em tais misérias, que nem queria saber de dinheiro. A moeda é o grão de areia esfluindo entre os dedos? Pois, ali nem dedos. Tudo começou com o pai de Sombrinha. Ele se sentou, uma noite, à cabeceira da mesa. Fez as rezas e olhou o tampo vazio.

[...]

Por fim, sua visão minguante aconteceu com Sombrinha. Ele via o tamanho dela se acanhar, mais e mais pequenita. E se queixava, pressentimental: - “Esta menina está-se a enxugar no poente...”

[...]

Valia a pena sombrear a miúda, minhocar-lhe o juízo? Mas Sombrinha não deixou de rimar com a alegria. Afinal, era ainda menos que adolescente, dada somente a brincriações. Sendo ainda tão menina, contudo, um certo dia ela se barrigou, carregada de outrem. Noutros termos: ela se apresentou grávida. Nove meses depois se estreava a mãe. Sem ter idade para ser filha como podia desempenhar maternidades? 

A criancinha nasceu, de simples escorregão, tão minusculinha que era. A menina pesava tão nada que a mãe se esquecia dela em todo o lado. Ficava em qualquer canto sem queixa nem choro.

[...]

Deram o nome à menininha: Maria Brisa. Que ela nem vento lembrava, simples aragem. Dona mãe ralhava, mas sem nunca fechar riso, tudo em disposições. Até que certa vez repararam em Maria Brisa. Porque a barriguinha dela crescia, parecia uma lua em estação cheia. Sombrinha ainda devaneou. Deveria ser um vazio mal digerido. Gases crescentes, arrotos tontos. Mas depois, os seios lhe incharam. E concluíram, em tremente arrepiação: a recém-nascida estava grávida! E, de facto, nem tardaram os nove meses. Maria Brisa dava à luz e Maria Sombrinha ascendia a mãe e avó quase em mesma ocasião. Sombrinha passou a tratar de igual seus rebentinhos - a filha e a filha da filha. Uma pendendo em cada pequenino seio.

A família deu conta, então, do que o pai antes anunciara: Sombrinha, afinal das contas, sempre se confirmava regredindo. De dia para dia ela ia ficando sempre menorzita. Não havia que iludir - as roupas iam sobrando, o leito ia crescendo. Até que ficou do mesmo tamanho da filha. Mas não se quedou por ali. Continuou definhando a pontos de competir com a neta.

Os parentes acreditaram que ela já chegara ao mínimo, mas, afinal, ainda continuava a reduzir-se. Até que ficou do tamanho de uma unha negra. A mãe, as primas, as tias a procuravam, agulha em capinzal.

Encontravam-na em meio de um anónimo buraco e lhe deixavam cair uma gotícula de leite.[...]

Até que, um dia, a menina se extingiu, em idimensão.

Sombrinha era incontemplável a vistas nuas. Choraram os familiares, sem conformidade. Como iriam ficar as duas orfãzinhas, ainda na gengivação de leite? A mãe ordenou que se fosse ao quintal e se trouxesse o esquecido pai. O velho entrou sem entender o motivo do chamamento. Mas, assim que passou a porta, ele olhou o nada e chamou, em encantado riso:

- “Sombrinha, que faz você nessa poeirinha?”

E depois pegou numa imperceptível luzinha e suspendeu-a no vazio dos braços. “Venha que eu vou cuidar de si”, murmurou enquanto regressava para o quintal da casa, nas traseiras da vida.

Mia Couto, Contos do nascer da Terra

Assinale a alternativa que NÃO discorre sobre os fatos do texto lido:
Alternativas
Q1768288 Português
Na atividade de leitura, o leitor se envolve dialogicamente no processo de ler e elaborar os sentidos, a partir dessa relação que estabelece com os enunciados, textos escritos, imagens e tudo que lê. Sobre esse processo, pode-se afirmar que
I- o valor de sentido atribuído aos textos está relacionado a hipóteses explícitas que se confirmam após a atividade da leitura. II- o leitor e a atividade de ler estão implicados em diversas práticas sociais que auxiliam na construção do ato de ler como um bem cultural. III- os enunciados servem de indícios para estabelecer a relação dialógica necessária na interpretação dos textos em qualquer linguagem.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q1768287 Linguística
A escola, considerada como instituição formadora, tem como função primeira promover caminhos que possibilitem aos alunos a apropriação de conhecimentos para que possam se posicionar criticamente em seu espaço social, por meio da linguagem. Nesse sentido, pode-se afirmar que a atividade de produção textual requer
Alternativas
Q1768286 Pedagogia
O entendimento da variação linguística se deu a partir do conceito de papéis sociais e certas flutuações do discurso, em função do lugar social ocupado pelos sujeitos que o produziu. Em razão disto, pode-se afirmar que
I- a língua é um modo de vida social, essencialmente, diálogico e intersubjetivo. II- o fenômeno da variação linguística "incorpora" os diversos usos que se pode fazer da língua como prática social. III- os usos concretos da língua dispensam um alto grau de variabilidade discursiva.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q1768285 Português
Leia o texto e, em seguida, analise as proposições complementares. Por fim, coloque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. A língua não está pronta como um sistema de que o sujeito se apropria para usá-la, mas é o processo de interação verbal entre os interlocutores que faz com que a língua se realize. Nesse sentido, pode-se afirmar que
( ) as pessoas participantes no fluxo da interação social apropriam-se da língua, enquanto linguagem em uso e envolvidos nesse processo tomam posse do conteúdo ideológico e da história que constroem. ( ) os enunciados fazem sentido, mesmo quando desconhecemos o modo como se diz e a situação, bem como o contexto no qual o enunciado é produzido. ( ) o processo de interação entre as pessoas por meio da escolha de palavras exige uma participação significativa e envolvimento maior entre as convenções lexicais e pragmáticas.
Marque, a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses.
Alternativas
Q1768284 Português

Leia a charge com atenção.


Imagem associada para resolução da questão

Fonte: google.com/search?q=charge. Acesso em 28/09/2020.


Da leitura da charge, pode-se inferir que


I- a produção de múltiplos artefatos culturais contribui para práticas multiletradas e pode revelar usos distintos entre as gerações.

II- o acesso à diversidade de recursos tecnológicos produz conhecimento em rede entre as gerações, independente das práticas de letramentos.

III- os enunciados são situados historicamente e revelam culturalmente os sentidos para seus leitores.


Está CORRETO o que se afirma apenas em:

Alternativas
Q1768283 Português
Leia o texto e, em seguida, analise as proposições complementares. Por fim, coloque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. "[...] tendemos a ver essas outras linguagens, a multimodalidade, como uma ilustração da escrita, ou seja, a escola está muito aferrada a essa ideia de que letramento é “letramento da letra”, letramento da escrita. As novas tecnologias vieram mudar isso. Elas funcionam o tempo todo com tudo misturado, junto. Atualmente é importante trabalhar com esses textos multimodais ou multissemióticos, que têm imagem, imagem em movimento, áudio etc. " (ROJO, 2016, p. 8). Nesse sentido, a tarefa dos educadores preocupados com uma educação linguística situada na contemporaneidade deve contemplar
( ) a complexidade de múltiplas linguagens que se hibridizam em diferentes mídias, bem como dos discursos que circulam e produzem sentidos e efeitos de sentidos. ( ) a normatização das produções hipermidiáticas que se originam com o advento da informática e convocam letramentos de uma cultura digital. ( ) a leitura e produção de textos/enunciados colaborativos em que as práticas de letramento se diversifiquem pelo uso ético, crítico e criativo de multissemioses, pois dispomos de novas tecnologias.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses.
Alternativas
Q1768282 Linguística
Práticas contemporâneas de produção e de circulação de textos/enunciados escritos, orais e em diversas multissemioses colocam em pauta outros desafios à educação linguística. Nesse sentido, pode-se afirmar que
I- a multiplicidade de linguagens e a diversidade cultural existentes instauram a possibilidade de processos criativos de produção de linguagens e ampliam os objetos de conhecimento aos quais professores e estudantes devem se envolver. II- as práticas de linguagens cotidianas demarcam outro status ao processo educativo que vão além da valorização de aspectos culturais diversos, mas da busca de estabelecer a interlocução entre saberes de diferentes esferas de atividades da linguagem. III- os repertórios culturais amplos e apropriados ao conjunto de contextos sociais evocam as experiências significativas para a produção colaborativa em que as tecnologias têm largamente contribuído para ampliar e modificar os letramentos.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q1768281 Pedagogia
As concepções do ensino de Língua Portuguesa, nas últimas décadas, estão imbuídas por uma tendência centrada
Alternativas
Q1768280 Pedagogia
O ensino de Língua Portuguesa, por muito tempo, revelou a persistência de uma prática pedagógica que, em muitos aspectos, mantinha a perspectiva reducionista em que o estudo da palavra e da frase descontextualizada eram o foco. Com o avanço dos estudos linguísticos, articulado a outras áreas afins do conhecimento, algumas perspectivas significativas têm sido efetivadas. Para tanto, é preciso reconhecer a necessidade de que
I- os professores utilizem espaços de aprendizagem e instituam um conjunto de ações pedagógicas a favor de uma formação linguística ampla que valorize as experiências sociais e culturais dos aprendizes. II- o ambiente de aprendizagem presencial ou virtual favoreça situações de uso da língua e da linguagem, de modo que contemplem reflexão sobre as práticas e as condições em que estão inseridas. III- o cenário educativo priorize metodologias de leitura, escrita e escuta em que o diálogo se instaure e abra espaço para a integração social e cultural, ao mesmo tempo, em que se aprendam práticas de análise e reflexão linguísticas.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q1768279 Pedagogia
Nas práticas de leitura, a relação de interação entre os textos/gêneros e o leitor favorece à ampliação e diversificação na produção de sentidos. Com base nessa perspectiva, pode-se declarar que
Alternativas
Q1768278 Pedagogia
Leia o texto e, em seguida, analise as proposições complementares. Por fim, coloque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. "A contribuição do ensino de LP para a construção da cidadania organiza-se, basicamente, em torno de dois eixos; o da reflexão, com suas consequências atitudinais e éticas, e o da proficiência, oral e/ou escrita, com suas implicações para o desempenho linguístico socialmente adequado (RANGEL, E. 2010, p. 185). Nesse sentido, pode-se afirmar que o
( ) trabalho com a língua escrita e oral em contextos e situações sociais diversas, incorporado ao cotidiano da ambiência de aprendizagem, visa à formação de um aprendiz crítico com domínio linguístico e discursivo. ( ) uso de uma língua/linguagem nas diferentes situações e práticas sociais se evidencia em prol de uma formação linguística que fortalece a inclusão social e a cidadania. ( ) ensino de aspectos normativos da Língua Portuguesa (LP) sob o enfoque voltado para a reflexão do fenômeno linguístico contribui para que os estudantes se apropriem de determinadas regras em atividades de usos da língua e da linguagem.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses.
Alternativas
Q1768277 Pedagogia
O trabalho didático adequado com a leitura, a produção de gêneros textuais escritos ou orais, bem como a análise linguística, sob a perspectiva enunciativo-discursiva de língua, contempla o ensino de Língua Portuguesa como uma atividade de interação social, que envolve sujeitos ativos em práticas sociais de usos diversos e de reflexão de uma língua/linguagem. Nesse sentido, pode-se afirmar que
I- as perspectivas para o ensino de Língua Portuguesa se voltam essencialmente para um trabalho articulado, que toma a língua/linguagem, sob os parâmetros da dimensão textual e discursiva. II- a mudança de postura em relação à língua possibilita ao professor a promoção de situações concretas de interação discursiva, que garantam a participação efetiva dos aprendizes nos processos e nas práticas de elaboração social do conhecimento. III- o trabalho de análise linguística deve evidenciar o uso e a funcionalidade da língua em práticas de reflexão, constituídas na e pela multiplicidade de linguagens, contempladas em diversos contextos e situações.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q1768276 Linguística
Leia o texto e, em seguida, analise as proposições complementares. Por fim, coloque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas. Levando em consideração que "o processo de elaboração de qualquer texto, seja ele escrito, seja oral ou multimodal, envolve mais que criação, mais que inspiração. Envolve essencialmente trabalho sobre e com a linguagem" (MENDONÇA, 2016, p. 40), numa acentuada diversidade cultural e de múltiplas linguagens, é válido asseverar que
( ) práticas sociais variadas contribuem para a formulação de argumentos que sustentam pontos de vista na produção textual, além de auxiliarem na organização do discurso. ( ) conhecimentos linguísticos e discursivos funcionam como base na atividade de produção textual em que as linguagens múltiplas, viabilizadas em áudios e imagens, acrescentam-se ao dom de escrever. ( ) recursos digitais ou analógicos diversos acentuam a produção de textos e propiciam o envolvimento dos produtores em tarefas multiletradas em que culturas locais e globais são valorizadas.
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de preenchimento dos parênteses.
Alternativas
Respostas
15761: A
15762: B
15763: B
15764: A
15765: A
15766: C
15767: A
15768: D
15769: E
15770: D
15771: D
15772: B
15773: C
15774: C
15775: A
15776: B
15777: A
15778: E
15779: B
15780: E