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Q3754205 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro.

Com base no trecho do texto-base, assinale a alternativa correta quanto à estrutura sintática da oração. 
Alternativas
Q3754204 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
O texto examina o futuro da educação pública brasileira, discutindo o papel do Estado, o financiamento das políticas educacionais e as influências internacionais sobre o Ensino Médio. Ao longo da análise, o autor defende uma concepção crítica e emancipadora de ensino, sustentando argumentos que buscam convencer o leitor sobre a necessidade de uma política educacional democrática e planejada.

Com base nessas características, assinale a alternativa correta quanto ao gênero e à tipologia textual.
Alternativas
Q3754203 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
O texto analisa criticamente as políticas educacionais brasileiras, destacando a necessidade de um financiamento público consistente e de uma concepção democrática de ensino. A discussão sobre o Plano Nacional de Educação 2025-2035 evidencia que as reformas recentes têm reproduzido diretrizes de organismos internacionais, afastando-se de uma perspectiva emancipadora e social.

De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3754202 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

Com base no trecho do texto-base, assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.
Alternativas
Q3754201 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente "tornam-se" meramente simbólicas.

Com base no trecho do texto-base, assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal do verbo destacado.
Alternativas
Q3754200 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
A experiência recente revela "que", embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas.
Com base no trecho do texto-base, assinale a alternativa correta quanto à classificação e ao emprego do termo "que". 
Alternativas
Q3754199 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio 


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.
A análise destaca, ainda, o papel estratégico que previa elevar o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino.

De acordo com as regras de acentuação, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3753925 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

Os termos destacados nos fragmentos a seguir apresentam processos coesivos de construção textual. São respectivamente classificados como:


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais.

Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos.

Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”.

A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.

Alternativas
Q3753924 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

Observe os termos destacados a seguir e responda, marcando a opção correta:


1. Por ser sempre assim na UTI, já ninguém dá atenção.

2. Sem segurarem sua mão, não há morte humanizada.

3. Sem saber do seu momento final, estou aqui com você.

4. Para poder descansar em paz, decidi falar carinhosamente sobre o desenlace.


( ) Oração subordinada adverbial concessiva
( ) Oração subordinada adverbial causal
( ) Oração subordinada adverbial final
( ) Oração subordinada adverbial condicional

Alternativas
Q3753923 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

Estabelece estreito diálogo com o décimo parágrafo do texto:
Alternativas
Q3753922 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

“Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.” Sobre tal afirmativa, é correto afirmar, exceto:

Alternativas
Q3753921 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

Durante o desenvolvimento do texto, o narrador substitui o vocábulo morte por outros vocábulos e expressões. Das opções a seguir, aponte a que não está presente no texto:
Alternativas
Q3753920 Português

Texto V — Sobre a morte e o morrer


    Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora...Eram 6h; minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar...”. Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.


    Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”. Dona Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante: “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa...”.


    Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão; ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte; medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.


    Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.


    Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.


    Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama — de repente, um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.


    Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os zigue-zagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?


    Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.


    Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.


    Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para quê, eu não sei...”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.


    Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


(Rubem Alves, crônica publicada originalmente no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse”, 12/10/2003.)

Observe o texto e responda o que se pede:



I. As palavras destacadas são respectivamente formadas por composição e derivação imprópria.

II. O narrador afirma ser a morte algo inevitável, considera a morte como algo além do biológico e, portanto, não há por que temê-la.

III. Esvaziados emoções e sentimentos, o ser já não tem nenhuma razão em afirmar-se vivo.

IV. Dor e sofrimento são inevitáveis, o que não significa dizer que devam ser sanados.

Alternativas
Q3753919 Português

Marque a opção que esteja em desacordo com a tirinha a seguir:


Texto IV


Imagem associada para resolução da questão



Alternativas
Q3753918 Português

Tendo em vista a correta estrutura e interdependência que os enunciados comportam, marque a alternativa que completa corretamente o fragmento a seguir:


____________, entre sociólogos e cientistas políticos, que, se o governo __________ uma política educacional digna e um real investimento na educação e se o legislativo __________ as perdas salariais dos professores, não __________ sérios problemas a serem resolvidos e, quando os pais e alunos __________, estará resolvido o déficit na educação do Brasil.

Alternativas
Q3753917 Português

De acordo com as flexões dos verbos fazer, haver e existir, complete corretamente as lacunas da afirmação a seguir:

_______ 25 anos que o Brasil obtém nota muito abaixo da média. ________ muitos implicativos para este fato, ________muitas nuances que necessitam de um olhar bem apurado neste caso.

Alternativas
Q3753916 Português

Marque a opção que preenche corretamente os parenteses sobre gêneros do discurso em sala de aula: 


( ) A publicação do Parâmetro Curricular Nacional de Língua Portuguesa – PCN tem acarretado muito debate para o ensino dos gêneros discursivos.


( ) O viés enunciativo-discursivo possui base teórica e ideais pautados em Bakhtin; seus fundamentos coadunam com a didatização ou escolarização dos gêneros do discurso.


( ) Bakhtin defende que os gêneros discursivos resultam em formas-padrão “relativamente estáveis” de um determinado enunciado; essas formas seriam determinadas sócio-historicamente.


( ) Os gêneros sofrem modificações de acordo e em consequência do momento histórico no qual estão inseridos; assim, podemos compreender que cada situação social dá origem a um gênero com suas próprias peculiaridades.


( ) A habilidade linguística de uso dos diversos gêneros depende do domínio da língua. A facilidade de reconhecer e empregar os gêneros perpassa pelo treino, pela observação dos aspectos formais e pelas regras fixas neles existentes.

Alternativas
Q3753915 Português

Dado o fragmento: A humanidade não tem lado de fora. O que está fora da humanidade é desumano, pois ela nada mais é que a relação entre os homens. O termo destacado é considerado:

Alternativas
Q3753914 Português

Observe as conjunções destacadas nos exemplos e, em seguida, estabeleça a relação de sentido existente:


1. ... professores relataram enfrentar “barulho perturbador e desordem” durante a aula.

2. Nem olhei os resultados da OCDE, porque estava cansada.

3. Estudei muito para o concurso, logo, cheguei cansado na prova.

4. Estava tranquila na minha profissão, então apareceu este resultado.

5. Minha sala de aula era muito boa, mas muito boa!


a. Conclusão.
b. Adição.
c. Tempo.
d. Intensidade.
e. Explicação.

Alternativas
Q3753913 Português
Veja o excerto (Texto III) e, em seguida, marque a opção que apresenta divergência das características nele existentes:

Professores brasileiros gastam mais de 20% do tempo de aula para manter a ordem em sala – acima da média internacional de 16%. O dado faz parte da nova edição do Talis, a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning International Survey, na sigla em inglês), divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na segunda-feira (6).

Mais de 50% dos professores relataram enfrentar “barulho perturbador e desordem” durante a aula. Nesse caso, o índice representa mais que o dobro da média entre os países avaliados pela OCDE, que é de 20% – ou um em cada cinco professores.(...)


(https://g1.globo.com/educacao/noticia/2025/10/07/brasil-tem-indisciplina-escolar-acima-da-media)

Alternativas
Respostas
2841: A
2842: D
2843: B
2844: B
2845: B
2846: A
2847: D
2848: C
2849: C
2850: E
2851: C
2852: A
2853: D
2854: B
2855: C
2856: D
2857: A
2858: A
2859: D
2860: D