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Q1291787 Educação Artística

Conforme Domingues (1997, p. 15-20), relacione a COLUNA II com a COLUNA I, associando a característica recorrente das obras de arte tecnológicas a seu respectivo conceito .

COLUNA I

1. Interatividade

2. Mutabilidade

3. Conectividade

4. Efemeridade

5. Não linearidade

COLUNA II

( ) Por meio de obras aliadas às novas tecnologias, cria-se uma impossibilidade de prever o rumo que elas tomarão, tornando difícil criar uma linearidade criativa.

( ) As obras podem estar interligadas por meio de redes de conexão com a ação da internet.

( ) A obra pode ter apenas o tempo necessário de sua ação artística.

( ) As obras tomam vida a partir da interação do espectador–usuário. São obras abertas à interação.

( ) A obra vai se modificando, seja por ela mesma, por recursos técnicos que permitam sua alteração ou por ação do público que interfere no processo por meio da interatividade.

Assinale a sequência correta

Alternativas
Q1291786 Educação Artística

A professora Ana Mae Barbosa adaptou a teoria norteamericana a respeito do ensino de arte na escola ao contexto brasileiro, apontando três vertentes: o fazer artístico, a leitura da imagem (obra de arte) e a história da arte. Para a autora, a escola é o lugar que pode tornar o acesso à arte possível para a vasta maioria dos estudantes em na nação brasileira. Analise as afirmativas a seguir sobre o fazer artístico na escola, segundo Ana Mae, em seu livro Teoria e Prática da Educação Artística (1990).

I. A qualidade do ensino da arte na escola está literalmente associada ao método livre auto expressão. O método surgiu para atingir uma liberação emocional e para garantir o desenvolvimento da criatividade.

II. É necessário que se estabeleça uma ponte entre o trabalho de ver e apreciar a arte como produto da atividade do artista. Na educação, os modos de ver a arte de dentro e de ver a arte de fora se completam.

III. É de suma importância permitir a reflexão acerca da internalização do tempo na estrutura da obra, ou melhor, da intercessão do nível diacrônico com o nível sincrônico.

Estão corretas as afirmativas

Alternativas
Q1291785 Pedagogia
De acordo com os PCNs–Arte (1998), assinale a alternativa que não se carateriza como uma abordagem pluriculturalista no ensino de arte.
Alternativas
Q1291784 Pedagogia

Os PCNs elaborados para a área da Arte (BRASIL, 1998) preconizam o respeito à diversidade ao direito dos estudantes. No contexto dos PCNs, o pesquisador Roberto Conduro contribui ao discutir sobre a diversidade da arte afro-brasileira. Segundo o autor, “entender arte afro-brasileira pressupõe essencialidades como africanidade e brasilidade não como dados preexistentes, atemporais e atávicos, pois essas culturas estão em processo contínuo de formação e mudança.” (CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte: C/ARTE, 2007, p. 10-11). Considerando esse contexto, analise as seguintes afirmativas e as relações propostas entre elas, conforme CONDURO (2007). I. A arte afro-brasileira indica mais que um estilo ou um movimento artístico produzido apenas por afrodescendentes brasileiros, ou deles representativo, mas no campo plural, composto por objetos e práticas bastante diversificados, a partir do qual tensões artísticas, culturais e sociais podem ser problematizadas estética e artisticamente,

PORQUE

II. a arte afro-brasileira é qualquer manifestação plástica, visual ou sonora indicada pelo cruzamento de arte e afro-brasilidade. Afrobrasilidade pode ser entendida como expressão que designa um campo de questões sociais, uma problemática delineada pelas especificidades da cultura brasileira decorrentes da diáspora de homens e mulheres da África para o Brasil e da escravidão deles e de seus descendentes, do século XVI ao XIX.

A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q1291783 Pedagogia

Sobre os objetivos a serem alcançados pelos alunos no Ensino Fundamental do 3º e do 4º ciclo, segundo os PCNs, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.

( ) Compreender a cidadania como fato histórico, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia a dia, atitudes de solidariedade e cooperação nas comunidades circundantes, além do repúdio a movimentos políticos partidários, respeitando as leis institucionais.

( ) Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país.

( ) Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos, apoiando a alta cultura, utilizando diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos.

( ) Utilizar as diferentes linguagens – verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e corporal – como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação.

Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q1291782 Pedagogia
Segundo Fernando Antônio G. Azevedo (1996) no livro Som, gesto, forma e cor: dimensões da arte e seu ensino (PIMENTEL, 1996), “arte é linguagem – verbal e não verbal – visual, cênica e sonora que traduz, desde tempos imemoriais, possibilidades, angústias, indignações, amores, perplexidades, fantasias, mitos, crenças, dores, transformando ’coisas‘ aparentemente sem sentido em coisas absolutamente, circunstancialmente, apaixonadamente significativas”.
Assinale a alternativa que apresenta aspectos em que o autor não associa arte à linguagem.
Alternativas
Q1291781 Pedagogia

“Uma metodologia do ensino e aprendizagem constituem-se em um conjunto de ideias e teorias educativas em arte formadas em opções e atos que são concretizados em projetos ou o próprio desenvolvimento das aulas de arte. São ideias e teorias baseadas ao mesmo tempo em propostas de estudiosos da área e em nossas práticas escolares em artes e que se cristalizam em propostas e aulas.”

FUSARI, Maria F. R; FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. Metodologia do ensino da arte. São Paulo: Cortez, 1993. p. 98.

Tendo em vista esse trecho e livro, relacione a COLUNA II com a COLUNA I, associando os componentes curriculares básicos a seus respetivos conceitos.

COLUNA I 1. Objetivos educacionais em arte 2. Conteúdos escolares em arte 3. Métodos de ensino e aprendizagem em arte 4. Meios de comunicação escolares em arte COLUNA II

( ) Explicitam ações culturais e diversos meios didáticos produzidos que possibilitam a assimilação do ensino da arte. Essas ações são selecionadas para a ação educativa seja presencial ou a distância, para docentes, discentes, etc. O uso pedagógico de combinações entre si durante o processo é sempre avaliável.

( ) Explicitam ações culturais essenciais selecionados pelos professores. As ações e seus conhecimentos devem ser selecionados conforme avaliação prévia com o olhar docente sobre a produção histórica da arte. Faz parte do objeto de estudo no fazer artístico pessoal a produção de produtos artísticos.

( ) Explicitam ações culturais mais essenciais e abrangentes que os alunos devem ser capazes de praticar à medida que dominam os saberes e convicções artísticas e estéticas. Indicam possibilidades que ajudem o aluno a se formar como cidadão cultural no mundo contemporâneo.

( ) Explicitam ações culturais caracterizadas por “modos pedagógicos de fazer”. As ações culturais organizam-se considerando a assimilação e o desenvolvimento do processo de produção e de entendimento sensíveis-cognitivos da arte que os alunos vivenciam e passam a conhecer.

Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q1291780 Pedagogia

Para estudar arte na escola, Fusari e Ferraz (2000) consideram que o arte-educador precisa ter em mente procedimentos de ensino e aprendizagem intencionalmente escolhidos para uma única finalidade: o conhecimento da arte como um saber. As autoras propõem, para um planejamento de atuação docente voltado para a experiência e crescimento artístico do estudante, etapas para as ações pedagógicas e metodológicas.

ConformeFerraz (2000), analise as etapas metodológicas para um planejamento docente pa ra a escola.

I. Conhecer a prática social e cultural vivida pelos alunos com relação aos aspectos artísticos, estéticos e históricos, abordados nas unidades de programa; identificar ao mesmo tempo o que lhes falta ainda saber sobre o assunto

II. Organizar atividades de ensino e aprendizagem que permitam o aprofundamento dos conteúdos escolares em arte por meio de elaborações práticas e teóricas nas dimensões artísticas estéticas.

II. Verificar o estágio em que se encontra o conhecimento estético e artístico dos alunos após as intervenções educativas prático-teóricas para elencar, classificar e selecionar os alunos talentosos.

Sobre essas etapas, estão corretas as afirmativas

Alternativas
Q1291779 Pedagogia

“A arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem por meio do tempo, a arte é um patrimônio cultural da humanidade e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber.”

MARTINS, M; Picosque, G; Guerra, M. T. Didática de ensino de arte – a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998. p. 13.

Considerando esse contexto, analise as seguintes afirmativas e a relação proposta entre elas.

I. Tratar a arte como conhecimento é o ponto fundamental e condição indispensável para o enfoque do ensino de arte na escola,

PORQUE

II. isto significa articular três campos conceituais da arte para seu ensino: a criação / produção, a percepção / análise e o conhecimento da produção artísticoestética da humanidade, compreendendo-a histórica e culturalmente. Esses três campos conceituais estão presentes nos PCNs-Arte e são denominados, respectivamente, produção, fruição e reflexão.

A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta.


Alternativas
Q1291778 Pedagogia

“A arte não tem importância para o homem somente como instrumento para desenvolver sua criatividade, sua percepção etc., mas tem importância em si mesma, como assunto, como objeto de estudo.”

BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix,1990/95. p. 113.

Considerando o significado que se dá à arte na Educação, Fusari e Ferraz, no livro Metodologia do ensino da arte (1993), corroboram com Barbosa (1990/95) sobre o sentido que se dá à arte e o que com que ela tenha um espaço inclusive na educação em geral e também na escola.

Para as autoras, essa importância primeiramente é devida à

Alternativas
Q1291777 Educação Artística

“Na arte, as formas expressivas são sempre formas de estilo, formas de linguagem, formas de condensação de experiências, formas poéticas [...]”

OSTROWER, Fayga. Acasos e criação artista. Rio de Janeiro: Campus, 1995. p. 17.

De acordo com Ostrower, assinale a alternativa que não se enquadra ao conceito de formas expressivas na arte.

Alternativas
Q1291776 Pedagogia

Considerando o sentido e a importância de ensinar arte na escola, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas, conforme FERRAZ, Maria Heloísa C. T.; FUSARI, Maria F. R. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez, 2000.

( ) Se arte é invenção, ela é também produção, trabalho e construção, uma vez que inclui o artista, a obra de arte, os difusores comunicacionais e o público.

( ) Aconcepção de arte está diretamente relacionada com o ato de criação da obra de arte a partir da reprodução de outras obras. O público é o expectador e o receptor que observa.

( ) Uma obra de arte é feita para ser exposta no mundo cultural e num determinado contexto histórico-social. Por essa razão, essa obra artística se encontra protegida em instituições que a aguardam e a protegem do acesso público.

( ) O principal sentido da obra está na sua capacidade de retratar seu processo histórico e de seu próprio autor e, ao mesmo tempo, ser por ele determinado, justificando, assim, sua relação com o belo e com outras obras.

Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q1291775 Pedagogia

“É com a gramática da linguagem da arte que se trabalha no fazer artístico para abstrair dela uma forma expressiva que será percebida como imagem sonora, gestual ou visual, tornando presentes nossas próprias ideias.”

MARTINS, M; Picosque, G; Guerra, M. T. Didática de ensino de arte – a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998, p. 130.

Com relação à gramática da linguagem da arte e suas formas expressivas, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas
Q1291774 Pedagogia
Considerando o livro Teoria e Prática da Educação Artística (BARSOSA, 1990, p. 90), que aborda a função da arte na educação e na sociedade, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q1291773 Pedagogia

Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino da Arte escolar (BRASIL, 1998), sobre o conhecimento artístico como produção e fruição, assinale com V as afirmativas verdadeiras e F as falsas.

( ) As formas artísticas apresentam análises objetivas de obras construídas em imagens concretas (visuais, sonoras, corporais ou de conjuntos de palavras, como no texto literário ou teatral).

( ) A forma artística é uma combinação de imagens que são objetos, fatos, questões, ideias e sentimentos, ordenados pela objetividade da matéria articulada à lógica do imaginário.

( ) O artista seleciona, escolhe, reordena, recria, reedita os signos, transformando e criando novas realidades. Ele pode fazer uma árvore azul, o céu verde, aludir com sons à ideia de uma catedral.

( ) A arte representa e descreve a realidade, é como uma realidade percebida, fotografada, idealizada, bela. O artista relata a realidade como ela é para apresentar o mundo como ele é.

Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q1291772 Pedagogia

Em Porque Arte–Educação (JUNIOR, 1998), ao decompor o termo arte–educação em seus elementos constituintes, seu autor encontra um ponto em comum: a criação de um sentido para as nossas vidas. No jogo entre o sentir e o pensar, a aprendizagem se formula como um processo em que transformamos nossas experiências em símbolos, abstraindo delas seus significados.

Sobre a aprendizagem, inclusive, no âmbito da arte e segundo esse autor, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas
Q1277399 Português
Leia o texto para responder a questão.

 Vista Cansada

    Acho que foi o Ernest Hemingway* quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse um poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo.
     Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não nos desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. De tanto ver, você não vê.
    Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
     Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, esse profissional nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
      Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos?
Não, não vemos.
    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. Companhia das Letras. Adaptado)

* Ernest Hemingway: escritor estadunidense que se suicidou em 1961.
Uma criança vê o que o adulto não vê, ______________ olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.
Para que as ideias se associem por meio da relação de causa, a lacuna da frase deve ser preenchida por
Alternativas
Q1277398 Português
Leia o texto para responder a questão.

 Vista Cansada

    Acho que foi o Ernest Hemingway* quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse um poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo.
     Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não nos desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. De tanto ver, você não vê.
    Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
     Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, esse profissional nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
      Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos?
Não, não vemos.
    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. Companhia das Letras. Adaptado)

* Ernest Hemingway: escritor estadunidense que se suicidou em 1961.
Considere os trechos do texto.
•  Acho que foi o Ernest Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. (1º parágrafo) •  Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. (5º parágrafo)
O emprego das formas verbais destacadas permite ao autor, respectivamente:
Alternativas
Q1277395 Português
Leia o texto para responder a questão.

 Vista Cansada

    Acho que foi o Ernest Hemingway* quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
    Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse um poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo.
     Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não nos desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. De tanto ver, você não vê.
    Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
     Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, esse profissional nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
      Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos?
Não, não vemos.
    Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. Companhia das Letras. Adaptado)

* Ernest Hemingway: escritor estadunidense que se suicidou em 1961.
Assinale a alternativa em que o autor expõe, respectivamente, ideias aparentemente contraditórias e a consequência de um fato.
Alternativas
Q1277392 Português
Leia o texto para responder a questão..

Os imortais

   De vez em quando, ao olhar para o meu filho – de três anos, quase quatro – pergunto retoricamente qual será a longevidade dele.
   Nascido em 2015, ele pode conhecer o próximo século. Mas se a medicina conseguir conquistar o envelhecimento e a morte – não é esse o santo graal do momento? – será que ele vai conhecer o novo milênio?
  Esse pensamento ganhou forma com um ensaio primoroso de Regina Rini, no “Times Literary Supplement”.
    Escreve a autora: em 1900, um cidadão americano tinha uma média de vida de 47 anos. Em 1950, a meta já estava nos 68. Em 2057, é possível que o limite seja os 100.
  Agora, imagine o seguinte, caro leitor: a ciência anuncia, ainda durante as nossas vidas, que o envelhecimento e a doença serão revertidos em 2119.
   Sim, esse ano já será demasiado tarde para nós. Aliás, será demasiado tarde até para os nossos filhos.
   Mas não será para os nossos netos. Com essa data imaginária, nós seremos os últimos mortais a partilhar a Terra com os primeiros imortais. Que tipo de convivência teremos com eles? Haverá inveja? Sofrimento? Desespero ante o nosso (injusto) destino?
   O ensaio de Rini é um elegante exercício de especulação filosófica. E a autora termina a sua indagação com um pensamento consolador: se as nossas vidas se justificam pelo legado que deixamos aos outros, então devemos olhar para os primeiros imortais como os felizes depositários desse histórico legado.
     Nós seremos o último elo entre a humanidade perecível e a humanidade eterna.
    A páginas tantas, Rini cita um dos meus filmes favoritos: “Feitiço do Tempo”, uma comédia com Bill Murray. No filme, Murray está preso no tempo, condenado a viver o mesmo dia todos os dias.
   Para Rini, o filme é uma boa metáfora sobre o tédio que pode acometer os imortais e para o qual vários filósofos já nos alertaram: quando estamos condenados a viver eternamente, deixamos de ter urgência para fazer alguma coisa.
   Mas existe uma outra dimensão do filme que a autora ignorou: o personagem de Bill Murray só consegue seguir em frente quando encontra um mínimo de sentido para a sua existência.
    E esse sentido não está no hipotético legado que deixará para os vindouros. Está na forma como vive o seu presente. Quando isso acontece – quando o personagem encontra um propósito para si próprio e na relação com os outros – ele consegue finalmente quebrar o feitiço e despertar na manhã seguinte. Como diria o neurocientista Viktor Frankl, de que vale ter uma vida de eternidade quando não há razões para vivê-la?
    Da próxima vez que olhar para o meu filho, vou desejar-lhe uma vida longa, sem dúvida. Desde que essa vida seja dotada de sentido.

(João Pereira Coutinho. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2019/05/os-imortais.shtml. Publicado em 15.05.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que, entre parênteses, a reescrita do trecho destacado segue a norma-padrão de emprego dos pronomes.
Alternativas
Respostas
15901: B
15902: C
15903: D
15904: A
15905: B
15906: A
15907: C
15908: A
15909: B
15910: A
15911: B
15912: D
15913: C
15914: B
15915: D
15916: C
15917: E
15918: A
15919: B
15920: C