Foram encontradas 19.896 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
Analise os segmentos a seguir.
I. [...] se tornaram suas “amigas” na rede social. (5º§)
II. [...] ela realiza o que define como “escuta do coletivo [...](8º§)
III. [...] o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, [...](8º§)
É correto afirmar que o emprego das aspas tem o mesmo objetivo em:
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
Concernente ao trecho “Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. ‘Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menosrelevante’, diz Spyer.” (5º§), afirma-se corretamente que:
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
No segundo parágrafo do texto, o antropólogo Juliano Spyer enumera algumas características dos jovens que tinham acesso à internet nos anos 1990, tal enumeração demonstra:
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
Em “No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor.” (1º§), a expressão “olhos pregados na tela do celular” denota:
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
Concernente aos aspectos linguísticos do texto, analise as afirmativas a seguir.
I. Em “Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada” o “está” pode ser substituído por “estão conectados”.
II. Dada a variação de gênero, caso “brasileiros” fosse substituído por “brasileiras”, no primeiro parágrafo, a palavra “meio” seria alterada para que a concordância fosse estabelecida.
III. A coerência e correção gramatical seriam preservadas caso a forma verbal “houve” fosse substituída por “haveria” em “Houve um boom de conectividade”, dada a impessoalidade do verbo “haver”.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
O título poderia ser reescrito sem que houvesse alteração de seu sentido básico ou vício de ambiguidade conforme apresentado em:
Texto para responder às questões de 06 a 15.
Mídias sociais ampliam oportunidades
Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais
rompem bolha social ao democratizar experiências,
compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico.
Nas ruas dos grandes centros urbanos, a cena se repete. No metrô, no ônibus, nos carros, os brasileiros transitam meio zumbis, olhos pregados na tela do celular, sem prestar muita atenção ao que acontece ao redor. Hoje 64,7% da população brasileira acima de 10 anos está conectada à internet, segundo a última Pesquisa por Amostra Nacional de Domicílios Contínua (PNAD). E 62% têm um smartphone, de acordo com estudo do Google Consumer Barometer, de 2017. Houve um boom de conectividade via celular nos últimos seis anos – em 2012, apenas 14% dos brasileiros possuíam telefones desse tipo.
“No passado, só tinham acesso à internet as classes A e B. Nos anos 1990, por exemplo, isso era coisa de jovem, estudante, branco, nerd e geralmente homem”, conta o antropólogo Juliano Spyer, autor de estudo realizado para a University College London (UCL), no Reino Unido, recém-publicado no livro Mídias sociais no Brasil emergente – Como a internet afeta a mobilidade social (Educ/UCL Press). “Foi a partir de meados dos anos 2000, por intermédio do Orkut, que a rede se popularizou.” No caso do Brasil, a estabilidade política e o desenvolvimento econômico experimentados nos últimos 20 anos propiciaram o acesso da população a computadores domésticos e dispositivos móveis, como tablets e smartphones.
Intrigado com a popularização de ferramentas de acesso à internet, Spyer dedicou-se a compreender esse processo. Em abril de 2013, fechou sua casa, em São Paulo, e se mudou para uma vila-dormitório para trabalhadores de baixa renda, com 15 mil habitantes, na Bahia, onde morou até maio de 2014. Para resguardar a identidade dos entrevistados, o pesquisador deu ao local o nome fictício de Balduíno.
Antes de iniciar a pesquisa de campo, Spyer e outros oito antropólogos passaram sete meses se preparando, sob a orientação do antropólogo e arqueólogo Daniel Miller, da UCL. Após revisar a bibliografia correlata ao tema, estabeleceram as principais questões a serem abordadas na investigação: a razão do uso das redes sociais, sua utilidade prática, o grau de interferência na educação, o papel político que desempenham e o quão aproximam – ou distanciam – as pessoas.
“Depois de seis meses em Balduíno, eu já estava integrado ao local”, conta Spyer. A partir daí, o antropólogo passou a acompanhar, via Facebook, WhatsApp e também fora da internet a vida de 250 pessoas, que espontaneamente se tornaram suas “amigas” na rede social. Para aprofundar a pesquisa, 50 delas, de distintos perfis sociais e idades, foram selecionadas de modo a refletir a população local. “Não quisemos uma pesquisa só com adolescentes porque o uso da internet por quem tem menos experiência on-line não é menos relevante”, diz Spyer.
Em Balduíno, as pessoas ganham a vida trabalhando como faxineiras, motoristas, jardineiras e cozinheiras, principalmente em hotéis e em outros negócios do polo turístico ao norte da cidade de Salvador. “Suas aspirações de consumo incluem roupas de grifes internacionais, motocicleta, carro e computador. Aliás, hoje o computador ocupa, na sala, o lugar físico e simbólico ocupado antes pela TV, para ser exibido aos amigos e vizinhos”, diz Spyer. “A pesquisa constatou que, na população de baixa renda, saber usar a internet indica que a pessoa faz parte da modernidade e tem uma capacidade de comunicação mais avançada, característica de alguém que teve alguma formação”, explica. “Mas, paradoxalmente, a comunicação digital também fortalece redes tradicionais de ajuda mútua que estavam se diluindo por causa da urbanização.”
A investigação levou Spyer a descontruir alguns estereótipos sobre o comportamento de usuários da internet que habitam as periferias das cidades brasileiras. Entre eles, o de que viveriam em realidades distintas, uma virtual e outra real. “Em meados dos anos 2000, recebia pacientes no consultório que criavam perfis falsos, completamente diferentes do que eles eram off-line”, recorda a psicanalista Patrícia Ferreira, pós-doutoranda em psicologia clínica na Universidade de São Paulo (USP). “Hoje, as postagens mudaram e surgem como a confirmação do ‘eu’ que se idealiza ser, a selfie perfeita.”
Patrícia pesquisa a apropriação política exteriorizada na retórica das mídias sociais a partir das manifestações de junho de 2013, quando explodiram protestos em todas as capitais do país, inicialmente contra o aumento das tarifas de transporte público. Utilizando ferramentas da psicanálise, ela realiza o que define como “escuta do coletivo” com informações publicadas em perfis e discussões em grupos com posições opostas. Apesar de ainda não estar concluído, o estudo tem evidenciado a função “protetora” da tela, que encoraja os usuários a dizerem o que pensam, quase sempre ignorando a responsabilidade e o efeito das palavras.
(Valéria França, edição 273. Nov. 2018. Comunicação Educação.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/2018/11/
19/midias-sociais-ampliam-oportunidades.)
Considerando a sintaxe do período “Pesquisa internacional mostra que plataformas digitais rompem bolha social ao democratizar experiências, compartilhar dicas práticas e conteúdo acadêmico”, pode-se afirmar que:
Texto para responder às questões de 01 a 05.
A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular
[...] As universidades são urgidas a buscar um enraizamento orgânico nas periferias, nas bases populares e nos setores ligados diretamente à produção. Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes, entre o saber popular, de experiências feito, e o saber acadêmico, constituído pelo espírito crítico; dessa aliança surgirão seguramente novas temáticas teóricas nascidas do confronto com a anti-realidade popular e da valorização da riqueza incomensurável do povo na sua capacidade de encontrar, sozinho, saídas para os seus problemas. Aqui se dá a troca de saberes, uns completando os outros, no estilo proposto pelo prêmio Nobel de Química (1977) Ilya Prigorine (cf. A nova aliança, UNB 1984).
Deste casamento, se acelera a gênese de um povo; permite um novo tipo de cidadania, baseada na con-cidadania dos representantes da sociedade civil e acadêmica e das bases populares que tomam iniciativas por si mesmos e submetem o Estado a um controle democrático, cobrando-lhe os serviços básicos especialmente para as grandes populações periféricas.
Nestas iniciativas populares, com suas várias frentes (casa, saúde, educação, direitos humanos, transporte coletivo etc.), os movimentos sociais sentem necessidade de um saber profissional. É onde a universidade pode e deve entrar, socializando o saber, oferecendo encaminhamentos para soluções originais e abrindo perspectivas às vezes insuspeitadas por quem é condenado a lutar só para sobreviver. [...]
(BOFF, Leonardo. A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular. Disponível em: https://leonardoboff.wordpress.com/2014/03/01/a-gestacao-do-povo-brasileiro-a-universidade-e-o-saber-popular/. Acesso em: 09/2019. Fragmento.)
Está de acordo com o último parágrafo transcrito o comentário:
Texto para responder às questões de 01 a 05.
A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular
[...] As universidades são urgidas a buscar um enraizamento orgânico nas periferias, nas bases populares e nos setores ligados diretamente à produção. Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes, entre o saber popular, de experiências feito, e o saber acadêmico, constituído pelo espírito crítico; dessa aliança surgirão seguramente novas temáticas teóricas nascidas do confronto com a anti-realidade popular e da valorização da riqueza incomensurável do povo na sua capacidade de encontrar, sozinho, saídas para os seus problemas. Aqui se dá a troca de saberes, uns completando os outros, no estilo proposto pelo prêmio Nobel de Química (1977) Ilya Prigorine (cf. A nova aliança, UNB 1984).
Deste casamento, se acelera a gênese de um povo; permite um novo tipo de cidadania, baseada na con-cidadania dos representantes da sociedade civil e acadêmica e das bases populares que tomam iniciativas por si mesmos e submetem o Estado a um controle democrático, cobrando-lhe os serviços básicos especialmente para as grandes populações periféricas.
Nestas iniciativas populares, com suas várias frentes (casa, saúde, educação, direitos humanos, transporte coletivo etc.), os movimentos sociais sentem necessidade de um saber profissional. É onde a universidade pode e deve entrar, socializando o saber, oferecendo encaminhamentos para soluções originais e abrindo perspectivas às vezes insuspeitadas por quem é condenado a lutar só para sobreviver. [...]
(BOFF, Leonardo. A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular. Disponível em: https://leonardoboff.wordpress.com/2014/03/01/a-gestacao-do-povo-brasileiro-a-universidade-e-o-saber-popular/. Acesso em: 09/2019. Fragmento.)
Sobre o segmento “Aqui pode se estabelecer uma fecunda troca de saberes”, tendo em vista o contexto apresentado, pode-se afirmar que:
“O Nordeste foi cantado na voz do Rei do Baião”. (VIANA, FEITOSA, NETO e AZEVEDO, 2013). O músico, intérprete e compositor, Luiz Gonzaga cantou a nossa fauna, flora, o amor, a seca, a saudade, o êxodo rural, enfim, todas as nossas esperanças e desolações. A partir desse mote, o que se pode perceber da letra da canção abaixo:
Asa Branca
(Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João,
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação?
Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de prantação,
Por farta d'água perdi meu gado,
Morreu de sede meu alazão.
Por farta d'água perdi meu gado,
Morreu de sede meu alazão.
Até mesmo a asa-branca
Bateu asas do sertão,
Então eu disse adeus, Rosinha,
Guarda contigo meu coração.
Então eu disse adeus, Rosinha,
Guarda contigo meu coração.
Hoje longe, muitas léguas,
Numa triste solidão,
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão,
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão.
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu?
Meu coração.
Eu te asseguro não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu?
Meu coração.
A alternativa que traduz CORRETAMENTE o sentimento do sertanejo é:
Luiz Gonzaga encontra-se na constelação das vozes mais expressivas no Brasil e, particularmente no Nordeste, enquanto músico, compositor e cantor. Foi reconhecido como o “Rei do Baião” por ser um ícone da nossa historiografia musical nordestina. No dia 6 de setembro de 2005, através de Projeto de Lei de n° 11.176, foi instituído o dia 13/12, como Dia Nacional do Forró, em homenagem à data de aniversário de Luiz Gonzaga. O que pode justificar o título a ele atribuído e o orgulho de tê-lo como nosso maior expoente do Forró?
A Literatura de Cordel enquanto Patrimônio Cultural Brasileiro foi reconhecido pelo Conselho Consultivo do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e por unanimidade, no dia 19 de setembro de 2018. O que este ato significa para a manutenção desse Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro?
Com a democratização das edições de álbuns temáticos, pode-se dizer que a xilogravura se desenvolveu, ampliando os espaços e popularizando-se do sertão à cidade nas regiões Nordeste ao Sul do país. Sua entrada em novos territórios urbanos redimensionou a arte e técnicas da gravura em madeira, promovendo, assim, uma profusão de novos xilógrafos e temas. (In Nordeste Reinventado na imagem gravada)
I- A xilogravura popular nordestina ganhou maior visibilidade e reconhecimento, ao longo de décadas, sobretudo pela qualidade e originalidade de seus artistas, tornando-se uma das mais ricas expressões da cultura do Nordeste e do Brasil.
II- Para além das ilustrações dos folhetos de cordéis, a xilogravura tornou-se uma arte gráfica extraordinária que representa a riqueza do imaginário popular, suas relações e diálogos com a cultura local, regional, nacional e até universal.
III- A xilogravura contemporânea no Nordeste se renova, reinventa-se e se fortalece permanentemente através de geração em geração: do Mestre Noza a Samico, de J. Borges a Marcelo Soares, José Altino, Dila, Josafá de Orós, Costa Leite, Ciro Fernandes, Antônio Lucena, José Lourenço, Sténio Diniz, Elias Santos, Arnilson Montenegro, entre outros.
A alternativa que responde CORRETAMENTE é:
Muitas são as heranças culturais deixadas pelos povos indígenas ao longo de séculos no Brasil. Algumas comunidades mantêm vivas as tradições, apesar dos grandes desafios e transformações dos séculos, sobretudo, o contato com culturas diferentes dos costumes e saber-fazer dos seus ancestrais.
I
Dos indígenas nós herdamos
A cultura, a tradição.
Costumes de caça e pesca,
O cultivo, a criação,
A arte da cestaria,
A cerâmica, a fiação.
II
Os nativos cultivavam
Abóboras, milho, feijões,
Amendoim, mandioca,
Nas serras e nos sertões,
Pimenta, algodão, cará,
Entre outras plantações.
III
Caçavam para alimento
De arco e flecha, e espera
Que eles chamavam tocaia,
E essa tocaia era
Um abrigo feito nas árvores
Para matar ave ou fera.
IV
Fabricavam belas redes,
De tucum e caroá,
Bolsa de palha, urupema,
Abanador, caçoá;
Canoas de casca e tronco
Que ainda hoje há.
A partir do texto poético de Rouxinol do Rinaré, indique qual das quatro estrofes melhor ilustra bem as contribuições deixadas pelos autóctones na cultura brasileira.
Analise as proposições e coloque V para verdadeiro e F para falso, atentando para o seu conteúdo:
( ) A tradição da sanfona de oito baixos na região Nordeste está intrinsecamente associada aos bailes da zona rural e de periferia urbana, nos quais a sanfona se torna gradualmente o principal instrumento solista a partir da virada do séc. XX.
( ) Com o processo migratório que se intensifica na década de 1959, o fole acompanha o nordestino emigrado às capitais de Rio de Janeiro e São Paulo. (RUGERO, 2013).
( ) No Museu Fonográfico Luiz Gonzaga, em Campina Grande, Paraíba, está em exposição permanente uma sanfona Holner. Acima da caixa de vidro que protege este instrumento, há um texto explicativo com os seguintes dizeres: “Esta harmônica, conhecido fole pé de bode, pertenceu a Januário José dos Santos, lavrador, sanfoneiro, concertador de fole, pai de Luiz Gonzaga (Rugero,2013).
Marque a alternativa que contém a sequência CORRETA de preenchimentos dos parênteses.
A importância do aprendizado tradicional do Fole de Oito Baixos se dá, geralmente, através da transmissão oral de geração em geração, conforme o depoimento abaixo de um dos maiores nomes do Fole de Oito Baixos no Brasil, Luizinho Calixto. Não obstante, Rugero (2013) descreve os grandes desafios nesse processo de herança, transmissão de pai (mestre) para filho (discípulo) e dom inato. E que este processo do despertar do dom pela arte, envolve outros elementos, quer seja, acesso ou não ao instrumento, a aceitação ou recusa da família e, por fim o reconhecimento.
Vendo meu pai tocar, senti um pouco de desejo de tocar alguma coisa, de fazer alguma coisa com aquela caixinha de madeira- porque antigamente [a sanfona de oito baixos] era uma caixinha de madeira quadrada, parecia um caixotezinho. Mas tinha umas teclas e aquelas teclas emitiam um som. Eu peguei aquele instrumento, comecei a tentar e descobri uma melodiazinha muito ingênua, mas meu pai não acordou, porque eu era muito jovem, tinha sete anos quando comecei (CALIXTO, 1999).
Acerca da transmissão e o reconhecimento e o reconhecimento desses saberes, a partir do relato acima, assinale a alternativa CORRETA:
O poeta Manoel Monteiro idealizou o que denominou de Novo Cordel, digno de ir da feira às salas de aulas, sempre respeitando a rima, a métrica, a oração e o formato original, ou seja, a literatura de folheto, com nova roupagem: _________ de cores __________, abordando ___________ atuais e diversificados, que trouxessem mensagens consistentes e importantes, de interesse principalmente das crianças e jovens, servindo como um auxiliar didático, que despertasse o interesse para leitura, ajudasse no aprendizado dos conteúdos apresentados e despertasse poetas novos. (Monteiro, 2017)
As palavras que completam CORRETAMENTE essas lacunas são:
O Poeta popular e editor, Manoel Monteiro da Silva, natural de Bezerros (PE), afeiçoado à leitura desde a infância, conheceu o cordel através de um professor primário e visitas a feira com seu pai. Iniciou a produção de cordel na adolescência, veio radicar-se em Campina Grande (PB), em 1953, atraído pela feira central com funcionamento diário, que facilitaria a comercialização de sua literatura de folheto. Sobreviveu recitando e vendendo cordéis de sua autoria até início da década de 1960, após esse período, exerceu diversas profissões. Em meados dos anos de 1990, voltou a se dedicar, exclusivamente à produção, edição e divulgação da literatura de Cordel.
A partir do texto concernente ao poeta editor, Manoel Monteiro, qual a importância do poeta editor para a manutenção da literatura de cordel no cenário paraibano e brasileiro?
Aquarela do Brasil (composição Ary Barroso)
Brasil
Meu Brasil Brasileiro
Meu mulato inzoneiro,
Vou cantar-te nos meus versos:
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor,
Terra de Nosso Senhor...
Brasil, Brasil, pra mim, pra mim...
Ô, abre a cortina do passado,
Tira a mãe preta do cerrado,
Bota o rei congo no congado,
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor,
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...
Brasil, Brasil, pra mim, pra mim...
Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente,
Ô Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar,
Ô Brasil, do meu amor,
Terra de Nosso Senhor...
Brasil, Brasil, pra mim, pra mim...
Esse coqueiro que da coco,
Oi! Onde amarro a minha rede,
Nas noites claras de luar,
Ô oi essas fontes murmurantes,
Onde eu mato a minha sede,
Onde a lua vem brincar,
Esse Brasil lindo e trigueiro
É meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro...
Brasil! Brasil!
(In: Livro de Leitura e Escrita-Diversidade Cultural. Fortaleza: Ed.IMEPH, 2013.)
A partir da letra Aquarela do Brasil, transcrita abaixo, identifique a proposição que ilustra o que Ary Barroso quis enaltecer no samba-canção?
Associe as duas colunas, relacionando as manifestações da cultura afro-brasileira à definição.
1. Congada
2. Maracatu
3. Samba
4. Capoeira
( ) Dança folclórica de origem afro-brasileira a partir da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana. É uma dança de cortejo associada aos reis congos. Ligada às irmandades tem predominância religiosa e como divindade africana associada a uma santa católica, Nossa Senhora do Rosário. No Brasil se desenvolveu no Pernambuco, passando a fazer parte das apresentações de carnaval.
( ) Manifestação popular folclórica e religiosa de origem africana, hoje incorporada às festas da igreja católica em diferentes regiões do Brasil: Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais. Acontece geralmente na festa de São Benedito, mas também nas festas de Santa Efigênia e de Nossa Senhora do Rosário.
( ) Arte marcial de origem afrodescendente. Tem suas origens nas técnicas de combate e danças dos povos africanos que chegaram ao Brasil no período da escravidão. Une como manifestação cultural esporte, cultura popular, dança, música, brincadeiras, luta e acrobacias.
( ) Gênero musical com forte influência afro-brasileira oriundo do Rio de Janeiro. É uma das mais expressivas manifestações populares da cultura brasileira.
A sequência CORRETA dessa associação é: