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Q3261781 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
Em que enunciado o pronome destacado retoma referente DISTINTO dos demais? 
Alternativas
Q3261780 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
Da passagem “No inglês, o emprego de ‘literalmente’ (...) já até ganhou a chancela de certos dicionários.” (7º§), pode-se depreender que alguns dicionários: 
Alternativas
Q3261779 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
Em “Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.” (13º§), o vocábulo destacado pode ser substituído, sem considerável alteração de sentido, pelo termo:
Alternativas
Q3261777 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
No 2º§, o autor afirma que “[...] saber o que elas significam em estado de dicionário.” Palavras “em estado de dicionário” são aquelas que apresentam sentido predominantemente:
Alternativas
Q3261776 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
A passagem que constitui um argumento a favor da tese do autor se encontra em: 
Alternativas
Q3261775 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
A principal ideia defendida pelo autor é:
Alternativas
Q3261774 Engenharia de Automação
Uma empresa de automação industrial está instalando painéis de PLC em uma nova linha de produção. Durante o processo, notou-se que o ambiente de instalação apresenta altos níveis de interferência eletromagnética, o que pode comprometer o funcionamento dos dispositivos no painel. A ação indicada para minimizar os impactos da interferência eletromagnética durante a instalação do painel de PLC é:
Alternativas
Q3261773 Redes de Computadores
A segurança de rede é um conjunto de medidas e tecnologias que mantêm as redes internas protegidas contra ataques e violações de dados. Em segurança de redes, conceitua-se corretamente firewall como:
Alternativas
Q3261772 Noções de Informática
Uma instituição que trabalha com grandes volumes de dados decidiu implementar uma solução de armazenamento confiável que equilibre desempenho e tolerância a falhas. Após analisar as necessidades, os administradores optaram por configurar um sistema RAID em seus servidores. Eles precisam de uma configuração que ofereça alta performance para leitura e escrita, ao mesmo tempo em que permita a recuperação de dados em caso de falha de um único disco. O nível de RAID adequado é:
Alternativas
Q3261771 Redes de Computadores
Uma empresa de médio porte está atualizando sua infraestrutura de rede para melhorar a conectividade entre os departamentos. Durante o processo, os administradores de TI identificaram que precisam de um dispositivo que conecte diferentes redes locais (LANs) e permita a comunicação entre elas de forma eficiente, aplicando políticas de roteamento. Assinale, a seguir, o dispositivo adequado para atender a tal necessidade. 
Alternativas
Q3261770 Redes de Computadores
Gigabit Ethernet (GbE) é uma tecnologia de rede que permite a transmissão de dados em alta velocidade, atingindo taxas de transferência de até 1 gigabit por segundo (Gbps). Trata-se de uma característica desse tipo de tecnologia de rede:
Alternativas
Q3261769 Redes de Computadores
Em redes de comunicação, os protocolos são definidos como conjuntos de regras que determinam como os dispositivos se comunicam, permitindo a troca de dados de forma padronizada. No contexto dos protocolos de redes de comunicação, assinale, a seguir, a função principal do protocolo TCP (Transmission Control Protocol).
Alternativas
Q3261768 Noções de Informática
Uma empresa decidiu consolidar seus servidores físicos em uma única infraestrutura virtualizada para reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência. Após a instalação do VMware ESXi, o administrador de TI precisa criar máquinas virtuais que compartilhem os recursos do servidor físico. Contudo, ele também deseja implementar um mecanismo para balancear automaticamente a carga de trabalho entre os servidores físicos disponíveis na infraestrutura virtual. Trata-se da seguinte solução do VMware:
Alternativas
Q3261767 Engenharia de Software

A validação de sistemas informatizados é um requisito fundamental em indústrias reguladas, como a farmacêutica e a alimentícia, para garantir confiabilidade, segurança e integridade dos dados gerados. Baseando-se em normas e diretrizes como a FDA 21 CFR Part 11, a validação abrange etapas como planejamento, qualificação e testes para assegurar que os sistemas funcionem conforme o esperado e sejam capazes de atender aos requisitos operacionais e regulamentares. Nesse contexto, relacione adequadamente as colunas a seguir.



1. Protocolo de Qualificação de Instalação (QI).


2. Protocolo de Qualificação de Operação (QO).


3. Protocolo de Qualificação de Desempenho (QP).


4. Análise de riscos no sistema.


5. Teste de integridade de dados.



( ) Documento que verifica se o sistema está instalado de acordo com as especificações do fabricante.


( ) Avalia o comportamento do sistema em condições normais de uso, verificando sua adequação aos requisitos do usuário.


( ) Garante que o sistema pode operar corretamente dentro dos limites estabelecidos pelo fabricante e especificações técnicas.


( ) Processo que identifica vulnerabilidades que podem impactar a confiabilidade ou a segurança do sistema.


( ) Verifica se os dados gerados e armazenados pelo sistema são consistentes, confiáveis e auditáveis.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3261765 Engenharia de Automação

Os Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) são dispositivos amplamente utilizados na automação industrial, desempenhando papel fundamental no controle e automação de processos. Entre os conceitos essenciais no funcionamento dos CLPs estão as variáveis manipuladas e controladas. A variável manipulada é aquela em que o sistema pode alterar diretamente, enquanto a variável controlada é a saída do processo que se deseja manter em determinado valor ou faixa de valores. Diante do exposto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) O CLP utiliza um programa para tomar decisões lógicas e acionar atuadores, a fim de controlar as variáveis manipuladas.


( ) A variável manipulada é a grandeza diretamente ajustada pelo CLP para influenciar a variável controlada.


( ) A variável controlada é o parâmetro que o sistema busca manter em um valor desejado por meio da manipulação de variáveis.


( ) Um exemplo de variável controlada em um sistema de aquecimento é a temperatura, enquanto a potência do aquecedor pode ser considerada a variável manipulada.


( ) O CLP é responsável por medir diretamente a variável controlada e ajustar manualmente a variável manipulada.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3261764 Segurança e Saúde no Trabalho

As normas de segurança do trabalho são fundamentais para proteger os trabalhadores expostos a riscos em instalações elétricas. A NR-10 estabelece diretrizes específicas que abrangem desde o uso de equipamentos de proteção até medidas preventivas em situações de risco elétrico. Com base nesse contexto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) Os trabalhadores que realizam atividades em instalações elétricas devem, obrigatoriamente, possuir treinamento específico conforme as diretrizes da NR-10.


( ) É dispensável o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em áreas energizadas, desde que sejam utilizadas barreiras de proteção coletiva.


( ) O aterramento adequado das instalações é uma medida essencial para reduzir os riscos de choques elétricos e deve ser realizado conforme as normas técnicas vigentes.


( ) As vestimentas de trabalho para atividades em áreas com risco elétrico devem ser feitas de materiais condutivos para proteger o trabalhador.


( ) A desenergização de circuitos antes da realização de intervenções é uma medida obrigatória sempre que tecnicamente viável, conforme a NR-10.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3261763 Engenharia de Automação

Os Controladores Lógicos Programáveis (CLPs) desempenham papel essencial na automação de processos industriais, permitindo o controle eficiente de variáveis manipuladas e controladas. A variável manipulada é aquela que o sistema ajusta diretamente para influenciar o processo, enquanto a variável controlada é a grandeza que o sistema busca estabilizar em um valor desejado. Com base nesses conceitos, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) O CLP controla a variável manipulada por meio de comandos aos atuadores, ajustando a saída conforme o comportamento da variável controlada.


( ) A variável manipulada é ajustada diretamente pelo CLP, enquanto a variável controlada é o resultado indireto dessa manipulação.


( ) A medição da variável controlada é realizada por sensores que fornecem dados para o CLP executar o controle do sistema.


( ) Em um sistema de controle de nível de um tanque, a abertura de uma válvula de entrada de água é uma variável controlada, enquanto o nível do tanque é a variável manipulada.


( ) Um CLP pode ser programado para realizar o controle de variáveis em malha aberta ou fechada, dependendo das exigências do processo.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3261762 Engenharia de Automação

Na instrumentação industrial, o monitoramento de variáveis como nível, vazão e características analíticas de fluidos e sólidos é essencial para garantir a eficiência e segurança dos processos. Diversos dispositivos e técnicas são utilizados, como medidores baseados em ultrassom, radar e diferencial de pressão para níveis, além de medidores de vazão por efeito Coriolis ou turbina. Na análise industrial, sensores para pH, condutividade e composição química desempenham papel crucial para controle de qualidade e conformidade com normas. Diante do exposto, relacione adequadamente as colunas a seguir.



1. Medição de nível baseada em ultrassom.


2. Medidor de vazão por efeito Coriolis.


3. Análise de pH em fluidos industriais.


4. Medição de nível por radar.


5. Medidor de vazão tipo Venturi.



( ) Utiliza ondas eletromagnéticas para determinar a distância entre o sensor e a superfície do fluido ou sólido.


( ) Mede a vazão com base na diferença de pressão gerada em um estreitamento do fluxo.


( ) Determina a concentração de íons de hidrogênio em líquidos para indicar sua acidez ou alcalinidade.


( ) Baseia-se na deflexão de tubos vibratórios causada pela massa do fluido em movimento.


( ) Emite pulsos sonoros e calcula o tempo de retorno para medir distâncias.



A sequência está correta em

Alternativas
Q3261761 Engenharia de Automação

Na automação industrial, a instrumentação desempenha um papel essencial para monitorar e controlar processos. Sensores e transdutores são utilizados para medir variáveis como temperatura, pressão e deformação, enquanto padrões de calibração garantem precisão e confiabilidade nas medições. Termômetros, pirometria e sensores de deformação são comumente empregados, sendo escolhidos de acordo com a aplicação específica. A compreensão de seus princípios de funcionamento, bem como das condições operacionais, é indispensável para garantir medições corretas e seguras. Sobre instrumentação industrial e seus princípios, analise as afirmativas a seguir.



I. Sensores de deformação baseados em extensômetros operam utilizando a variação da resistência elétrica proporcional à deformação mecânica aplicada.


II. Termômetros de resistência (RTDs) possuem maior faixa de medição e resposta mais rápida do que termopares em aplicações industriais.


III. A calibração de instrumentos de medição é realizada comparando os resultados obtidos com padrões de referência rastreáveis a padrões nacionais ou internacionais.


IV. Em aplicações de medição de pressão em ambientes com vácuo extremo, manômetros Bourdon são mais adequados do que transdutores piezoelétricos.


V. A pirometria permite medições de temperatura sem contato direto, sendo utilizada em ambientes de alta temperatura onde outros sensores não seriam viáveis.



Está correto o que se afirma apenas em

Alternativas
Q3261759 Redes de Computadores

Na automação e no controle automático de processos de comunicação de dados, os protocolos e os sistemas de transmissão desempenham papéis fundamentais para garantir confiabilidade, eficiência e sincronismo. Tecnologias como controle de fluxo, correção de erros e multiplexação são aplicadas para otimizar a troca de informações entre dispositivos. A correta interpretação de diagramas de sequência, modelos OSI e protocolos como TCP/IP é essencial para a compreensão e o dimensionamento de redes industriais e sistemas distribuídos. Sobre comunicação de dados em sistemas de automação e controle, analise as afirmativas a seguir.



I. O protocolo TCP garante a entrega confiável de pacotes de dados, utilizando controle de fluxo e retransmissões em caso de perda.


II. A multiplexação por divisão de frequência (FDM) é um método que utiliza diferentes intervalos de tempo para transmitir múltiplos sinais em um único canal.


III. O modelo OSI possui sete camadas, sendo que a camada de enlace é responsável pela detecção de erros em transmissões físicas.


IV. Em sistemas de comunicação half-duplex, a transmissão e a recepção de dados podem ocorrer simultaneamente no mesmo canal.


V. Protocolos industriais, como o Modbus, permitem a troca de dados entre dispositivos mestres e escravos, sendo amplamente utilizados em redes de automação.



Está correto o que se afirma apenas em

Alternativas
Respostas
441: D
442: A
443: B
444: D
445: C
446: D
447: C
448: D
449: C
450: C
451: A
452: D
453: D
454: A
455: C
456: A
457: C
458: D
459: B
460: C