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Q3975720 Sociologia

Texto 14A1-II


O tema da uberização do trabalho ganha visibilidade com a formação de enormes contingentes de trabalhadores controlados por empresas que operam por meio de plataformas digitais. O desafio contemporâneo envolve elementos complexos e armadilhas teórico-políticas. Reside em compreender as plataformas digitais como um novo meio poderoso pelo qual as relações de trabalho vêm se reestruturando, sem, entretanto, incorrer em um determinismo tecnológico que mistifique os processos sociais que envolvem décadas de flexibilização e transformação no trabalho, e que se materializam nas plataformas digitais.


Ludmila Costhek Abilio, Henrique Amorim e Rafael Grohmann. Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas. In: Sociologias. Porto Alegre, ano 23, n. 57, maio-ago./2021 (com adaptações).

O trecho “sem, entretanto, incorrer em um determinismo tecnológico que mistifique os processos sociais”, do texto 14A1-II, expressa reflexões inspiradas pela
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Q3975719 Sociologia

Texto 14A1-II


O tema da uberização do trabalho ganha visibilidade com a formação de enormes contingentes de trabalhadores controlados por empresas que operam por meio de plataformas digitais. O desafio contemporâneo envolve elementos complexos e armadilhas teórico-políticas. Reside em compreender as plataformas digitais como um novo meio poderoso pelo qual as relações de trabalho vêm se reestruturando, sem, entretanto, incorrer em um determinismo tecnológico que mistifique os processos sociais que envolvem décadas de flexibilização e transformação no trabalho, e que se materializam nas plataformas digitais.


Ludmila Costhek Abilio, Henrique Amorim e Rafael Grohmann. Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas. In: Sociologias. Porto Alegre, ano 23, n. 57, maio-ago./2021 (com adaptações).

Quando mencionam que a reestruturação das relações de trabalho se dá no esteio de décadas de flexibilização do trabalho, os autores do texto 14A1-II referem-se
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Q3975718 Sociologia

Textos 14A1-I


A luta do negro brasileiro vem desde que começou a escravidão. Não é de agora. Há mais de quatrocentos anos, quando se iniciava o processo de escravização no Brasil, começava também a reação dos negros.


Lélia Gonzalez. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


Pelo que até agora foi exposto, já se pode perceber a profunda importância do papel da mulher negra em nossa sociedade e como o estudo desse tema assume um valor de tal ordem que acaba por revelar certos aspectos de nossa realidade cultural de que muitos pesquisadores nem sequer desconfiam. Antes de mais nada, importa caracterizar o racismo como uma construção ideológica cujas práticas se concretizam nos diferentes processos de discriminação racial. Enquanto discurso de exclusão que é, ele tem sido perpetuado e reinterpretado de acordo com os interesses dos que dele se beneficiam.


Lélia Gonzalez. A mulher negra na sociedade brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


A racialidade é aqui compreendida como uma noção relacional que corresponde a uma dimensão social, que emerge da interação de grupos racialmente demarcados sob os quais pesam concepções histórica e culturalmente construídas acerca da diversidade humana. Disso decorre que ser branco e ser negro são consideradas polaridades que encerram, respectivamente, valores culturais, privilégios e prejuízos decorrentes do pertencimento a cada um dos polos das racialidades.


Sueli Carneiro. Dispositivo de racialidade. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.



Sueli Carneiro, autora de um dos textos 14A1-I, denomina como dispositivo de racialidade as práticas de racialização que permeiam a sociedade brasileira desde os efeitos dos processos de escravização. Na sua concepção de dispositivo de racialidade, a autora evoca
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Q3975717 Sociologia

Textos 14A1-I


A luta do negro brasileiro vem desde que começou a escravidão. Não é de agora. Há mais de quatrocentos anos, quando se iniciava o processo de escravização no Brasil, começava também a reação dos negros.


Lélia Gonzalez. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


Pelo que até agora foi exposto, já se pode perceber a profunda importância do papel da mulher negra em nossa sociedade e como o estudo desse tema assume um valor de tal ordem que acaba por revelar certos aspectos de nossa realidade cultural de que muitos pesquisadores nem sequer desconfiam. Antes de mais nada, importa caracterizar o racismo como uma construção ideológica cujas práticas se concretizam nos diferentes processos de discriminação racial. Enquanto discurso de exclusão que é, ele tem sido perpetuado e reinterpretado de acordo com os interesses dos que dele se beneficiam.


Lélia Gonzalez. A mulher negra na sociedade brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


A racialidade é aqui compreendida como uma noção relacional que corresponde a uma dimensão social, que emerge da interação de grupos racialmente demarcados sob os quais pesam concepções histórica e culturalmente construídas acerca da diversidade humana. Disso decorre que ser branco e ser negro são consideradas polaridades que encerram, respectivamente, valores culturais, privilégios e prejuízos decorrentes do pertencimento a cada um dos polos das racialidades.


Sueli Carneiro. Dispositivo de racialidade. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.



Considerando-se os escritos de Lélia Gonzalez apresentados entre os textos 14A1-I e sua obra como um todo, é correto afirmar que, ao entender o racismo como uma construção ideológica, a autora considera que
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Q3975716 Sociologia

Textos 14A1-I


A luta do negro brasileiro vem desde que começou a escravidão. Não é de agora. Há mais de quatrocentos anos, quando se iniciava o processo de escravização no Brasil, começava também a reação dos negros.


Lélia Gonzalez. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


Pelo que até agora foi exposto, já se pode perceber a profunda importância do papel da mulher negra em nossa sociedade e como o estudo desse tema assume um valor de tal ordem que acaba por revelar certos aspectos de nossa realidade cultural de que muitos pesquisadores nem sequer desconfiam. Antes de mais nada, importa caracterizar o racismo como uma construção ideológica cujas práticas se concretizam nos diferentes processos de discriminação racial. Enquanto discurso de exclusão que é, ele tem sido perpetuado e reinterpretado de acordo com os interesses dos que dele se beneficiam.


Lélia Gonzalez. A mulher negra na sociedade brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


A racialidade é aqui compreendida como uma noção relacional que corresponde a uma dimensão social, que emerge da interação de grupos racialmente demarcados sob os quais pesam concepções histórica e culturalmente construídas acerca da diversidade humana. Disso decorre que ser branco e ser negro são consideradas polaridades que encerram, respectivamente, valores culturais, privilégios e prejuízos decorrentes do pertencimento a cada um dos polos das racialidades.


Sueli Carneiro. Dispositivo de racialidade. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.



Considerando as ideias de Lélia Gonzalez apresentadas nos textos 14A1-I e os diversos aspectos a elas relacionados, assinale a opção correta.
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Q3975715 Sociologia

Textos 14A1-I


A luta do negro brasileiro vem desde que começou a escravidão. Não é de agora. Há mais de quatrocentos anos, quando se iniciava o processo de escravização no Brasil, começava também a reação dos negros.


Lélia Gonzalez. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


Pelo que até agora foi exposto, já se pode perceber a profunda importância do papel da mulher negra em nossa sociedade e como o estudo desse tema assume um valor de tal ordem que acaba por revelar certos aspectos de nossa realidade cultural de que muitos pesquisadores nem sequer desconfiam. Antes de mais nada, importa caracterizar o racismo como uma construção ideológica cujas práticas se concretizam nos diferentes processos de discriminação racial. Enquanto discurso de exclusão que é, ele tem sido perpetuado e reinterpretado de acordo com os interesses dos que dele se beneficiam.


Lélia Gonzalez. A mulher negra na sociedade brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


A racialidade é aqui compreendida como uma noção relacional que corresponde a uma dimensão social, que emerge da interação de grupos racialmente demarcados sob os quais pesam concepções histórica e culturalmente construídas acerca da diversidade humana. Disso decorre que ser branco e ser negro são consideradas polaridades que encerram, respectivamente, valores culturais, privilégios e prejuízos decorrentes do pertencimento a cada um dos polos das racialidades.


Sueli Carneiro. Dispositivo de racialidade. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.



Em sua reflexão acerca das formas de estratificação social da sociedade brasileira, sobretudo ao longo do século XX, conforme indicado em dois dos textos 14A1-I, Lélia Gonzalez defende que 
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Q3975714 Sociologia

Textos 14A1-I


A luta do negro brasileiro vem desde que começou a escravidão. Não é de agora. Há mais de quatrocentos anos, quando se iniciava o processo de escravização no Brasil, começava também a reação dos negros.


Lélia Gonzalez. O racismo no Brasil é profundamente disfarçado. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


Pelo que até agora foi exposto, já se pode perceber a profunda importância do papel da mulher negra em nossa sociedade e como o estudo desse tema assume um valor de tal ordem que acaba por revelar certos aspectos de nossa realidade cultural de que muitos pesquisadores nem sequer desconfiam. Antes de mais nada, importa caracterizar o racismo como uma construção ideológica cujas práticas se concretizam nos diferentes processos de discriminação racial. Enquanto discurso de exclusão que é, ele tem sido perpetuado e reinterpretado de acordo com os interesses dos que dele se beneficiam.


Lélia Gonzalez. A mulher negra na sociedade brasileira. In: Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.


A racialidade é aqui compreendida como uma noção relacional que corresponde a uma dimensão social, que emerge da interação de grupos racialmente demarcados sob os quais pesam concepções histórica e culturalmente construídas acerca da diversidade humana. Disso decorre que ser branco e ser negro são consideradas polaridades que encerram, respectivamente, valores culturais, privilégios e prejuízos decorrentes do pertencimento a cada um dos polos das racialidades.


Sueli Carneiro. Dispositivo de racialidade. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.



Lélia Gonzalez, ao formular o seu conceito de racismo cultural, dialoga com bases antropológicas, políticas e sociológicas, bem como com aspectos da filosofia e da psicanálise. Ao refletir sobre o lugar das mulheres negras na sociedade brasileira, como evidenciado em um dos textos 14A1-I, a autora
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Q3975713 Sociologia

Se o capital econômico transmitido é mínimo, e o capital cultural e escolar comparativamente baixo em relação às classes superiores, média e alta, a maior parte dos batalhadores entrevistados, por outro lado, possuem família estruturada, com a incorporação dos papéis familiares tradicionais de pais e filhos bem desenvolvidos e atualizados.


Jessé Souza (Org.). Os batalhadores brasileiros: nova classe média ou nova classe trabalhadora?. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.



Do trecho apresentado infere-se que, ao utilizar o termo “batalhadores”, o autor 

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Q3975712 Sociologia
Considerando as ideias e reflexões de William Edward Burghardt Du Bois, notadamente em sua obra As almas da gente negra, assinale a opção correta.
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Q3975711 Sociologia
Quando Max Weber discute as formas de dominação, ele explicita que elas têm por base a probabilidade de que as pessoas obedeçam. Diante disso, ele propõe uma classificação de “tipos puros” de dominação legítima. Assinale a opção que apresenta corretamente esses três tipos puros.
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Q3975710 Sociologia
Na sua clássica obra O 18 Brumário de Napoleão Bonaparte, Karl Marx considera que a transformação histórica
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Q3975709 Sociologia
Em seu conceito de classe, Max Weber destaca
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Q3975708 Sociologia
Karl Marx, em seu Manifesto do Partido Comunista, argumentou que a sociedade, no momento em que ele a analisava, estruturava-se fundamentalmente na
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Q3975684 Química
O sangue é considerado uma solução tampão no organismo humano. Uma pequena variação no seu pH pode causar alcalose ou acidose sanguínea, que pode até levar o paciente a óbito. Sabendo-se que a concentração de íons hidrônio no sangue humano é de 4,0 × 10−8 mol/L e considerando-se que log 4 = 0,6, é correto afirmar que o pH sanguíneo é
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Q3975674 Química
A estequiometria baseia-se em leis ou princípios empíricos que descrevem como as massas das substâncias se combinam. Uma dessas leis (ou princípio) afirma que volumes iguais de gases, nas mesmas condições de temperatura e pressão, contêm o mesmo número de moléculas, independentemente do gás. Essa lei refere-se ao conceito fundamental conhecido como
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Q3975416 Português

Texto 12A4-II


Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.


João Guimarães Rosa. As margens da alegria. In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

Assinale a opção correta a respeito da técnica descritiva no texto 12A4-II. 
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Q3975415 Português

Imagem associada para resolução da questão


O efeito de humor da tirinha precedente está relacionado principalmente

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Q3975414 Português
Aula de português
Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.


Carlos Drummond Andrade. In: Esquecer para lembrar.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p.79.

O poeta Carlos Drummond de Andrade é autor de uma vasta obra literária composta no decorrer de mais de 60 anos. Na evolução dessa obra, alguns traços estilísticos de sua poesia sempre reafirmaram valores e procedimentos típicos do início do movimento modernista.


A partir dessa informação, assinale a opção em que é corretamente mencionado um dos traços permanentes da poesia de Drummond presente no texto Aula de português.

Alternativas
Q3975412 Português
Aula de português
Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.


Carlos Drummond Andrade. In: Esquecer para lembrar.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p.79.
Além da função expressiva, manifesta na subjetividade com que o poeta aborda o tema do poema, predominam no texto Aula de português as funções 
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Q3975411 Português

Texto 12A4-I


    Alguém me falou de um anúncio institucional que a UNESCO publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia em uma frase escrita de trás para a frente — ideia talvez tirada de Alice através do espelho (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar “do lado de lá” do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto — uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.


    No Brasil, 5,2% da população ainda continua analfabeta. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isso os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, alguns desses analfabetos sabem de sua condição e não querem que se estenda a seus filhos.


    Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu PIX (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.


    Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?


    Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 


Ruy Castro. Signos sem significado. Internet: <www1.folha.uol.com.br>(com adaptações).

O texto 12A4-I apresenta características de crônica, como 
Alternativas
Respostas
101: A
102: C
103: B
104: C
105: E
106: C
107: B
108: C
109: E
110: D
111: B
112: E
113: A
114: B
115: A
116: E
117: E
118: A
119: B
120: E