Questões de Concurso Comentadas para prefeitura de matinhas - pb

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Q2511709 Saúde Pública
Sobre o Sistema Nacional de Informação em Saúde, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q2511708 Saúde Pública
Sobre as atribuições do Agente Comunitário de Saúde (ACS) junto às famílias e a comunidade, analise as afirmativas a seguir:
I- O cadastramento de famílias de sua microárea, o seu território de atuação - é considerada a etapa inicial do trabalho do Agente Comunitário de Saúde (ACS). O cadastro possibilita o conhecimento das reais condições de vida das famílias residentes na área de atuação da equipe. II- A visita domiciliar é a atividade mais importante do processo de trabalho, do agente comunitário de saúde. Ao entrar na casa de uma família, você entra não somente no espaço físico, mas em tudo o que esse espaço representa. Nessa casa vive uma família, com seus códigos de sobrevivência, suas crenças, sua cultura e sua própria história. III- As ações de educação em saúde não são atribuições do Agente Comunitário de Saúde (ACS), cabe a este profissional, informar a comunidade sobre o dia e horário que irão acontecer e as ações educativas devem ser conduzidas exclusivamente pelos profissionais com formação em nível superior que compõem a equipe de saúde.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q2511707 Saúde Pública
Analise as afirmativas a seguir, sobre conceitos inerentes à prática profissional do Agente Comunitário de Saúde (ACS):
I- Considera-se território: a unidade geográfica única, de construção descentralizada do SUS na execução das ações estratégicas, destinadas à vigilância; promoção; prevenção; proteção e recuperação da saúde. II- Considera-se população Adscrita: aquela que está presente no território da Unidade Básica de Saúde (UBS), de forma a estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população, garantindo sua continuidade. III- Considera-se área a subdivisão do território-área. Corresponde à área de atuação do Agente Comunitário de Saúde (ACS). Espaços onde se concentram grupos populacionais homogêneos, de risco ou não, com vistas à programação e acompanhamentos das ações destinadas à melhoria das condições de saúde. IV- A microárea representa o espaço-população adstrita, que estabelece vínculo com uma Unidade de Saúde, permitindo a melhor relação e fluxo população-serviços.
É CORRETO o que se afirma apenas em: 
Alternativas
Q2511706 Saúde Pública
Sobre a Atenção Básica (AB) e Rede de Atenção à Saúde (RAS), de acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) - Portaria Nº 2.436, de 21 de Setembro de 2017 – Analise as afirmativas a seguir:
I- A Política Nacional de Atenção Básica considera os termos Atenção Básica - AB e Atenção Primária à Saúde - APS, nas atuais concepções, como termos equivalentes, de forma a associar a ambas, os princípios e as diretrizes definidas neste documento. II- São diretrizes do SUS e da RAS a serem operacionalizados na Atenção Básica: Universalidade; Equidade e Integralidade. III- São princípios do SUS e da RAS a serem operacionalizados na Atenção Básica: Regionalização e Hierarquização: Territorialização; População Adscrita; Cuidado centrado na pessoa; Resolutividade; Longitudinalidade do cuidado; Coordenação do cuidado; Ordenação da rede e Participação da comunidade.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q2511701 Administração de Recursos Materiais
A gestão de materiais envolve uma série de atividades, tais como: a gestão de estoques, gestão dos centros de distribuição, gestão de compras e gestão de recursos patrimoniais. Um dos conceitos inerentes aos sistemas de reposição de estoques diz respeito à quantidade do item de material, especificada no pedido de compras, ao qual denominamos: 
Alternativas
Q2511700 Administração Geral
A tomada de decisão é uma atividade central no contexto organizacional. Decisão é uma escolha entre alternativas ou possibilidades, com o objetivo de resolver um problema ou aproveitar uma oportunidade. No processo de tomada de decisão, os indivíduos estão sujeitos a vieses cognitivos que podem conduzir a erros na avaliação de situações e decisões. Atendência de um indivíduo a atribuir um peso desproporcional à uma informação inicial, dificultando assim, o ajuste diante de informações posteriores no processo de tomada de decisão é denominado como viés de: 
Alternativas
Q2511697 Administração Geral
Podemos definir a Motivação como o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta. É possível tratar do conceito de motivação a partir da identificação de três necessidades: realização, poder e associação. Assinale a alternativa CORRETA a respeito da motivação e das necessidades de realização, poder e associação. 
Alternativas
Q2511692 Administração Geral
O planejamento é a função administrativa que define os objetivos sobre os recursos e as tarefas necessárias para alcançá-los adequadamente. A principal decorrência do planejamento são os planos. Analise as afirmativas acerca dos diferentes tipos de planejamentos, planos e suas características:
I- O planejamento estratégico envolve a visão de futuro, os fatores ambientais externos e os fatores organizacionais internos. II- Políticas organizacionais são tipos de planos operacionais, que definem limites, dentro dos quais, as pessoas podem tomar suas decisões. III- Planos operacionais têm ênfase nos fins, ou seja, são voltados para a eficácia. Enquanto planos estratégicos e táticos têm como foco a eficiência, com ênfase nos meios. IV- O planejamento operacional tem como foco o curto prazo, e abrange cada uma das tarefas ou operações individualmente.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q2511689 Noções de Informática
A respeito de aplicações de computação na nuvem, marque a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q2511687 Noções de Informática
Avalie as afirmações a seguir:
I- Cada dispositivo conectado à internet, como computadores e smartphones, possui apenas um único endereço IP, independentemente da quantidade de serviços ou sites acessados a partir desse dispositivo. II- É possível acessar um site sem usar seu nome de domínio através do endereço IPassociado ao servidor web que hospeda o site. III- Cada dispositivo de rede, como placas de rede em computadores e dispositivos móveis, possui um endereço MAC (Media Access Control) único, que é uma identificação única gravada em hardware.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q2511686 Noções de Informática
Utilizando o Google como buscador, pretende-se realizar uma pesquisa específica no site letras.mus.br, buscando por páginas que contenham exatamente a seguinte frase: 'Estamos indo de volta pra casa'. Qual das opções abaixo representa CORRETAMENTE a pesquisa a ser realizada?
Alternativas
Q2511685 Noções de Informática
No sistema operacional Linux, utilizando o terminal, o comando grep serve para:
Alternativas
Q2511684 Noções de Informática
Sobre cookies de navegador, marque a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q2511683 Noções de Informática
A respeito da edição colaborativa de documentos no Google Drive, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Q2511681 Noções de Informática
Sobre um servidor proxy, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Q2511680 Português

Leia o texto abaixo, extraído do perfil do instagram @psitarjapreta, e responda à questão. 



Fonte: <https://www.instagram.com/p/C30_k5gPTsd/?hl=pt-br>


Analise as proposições abaixo a respeito da postagem do perfil @psitarjapreta


I- No período “Financeiramente estou num momento que não posso ajudar ninguém, mas emocionalmente podemos chorar juntos”, há uma relação sintática que predomina entre as orações, por meio de um termo de oposição.

II- A construção do humor no post, é provocado pelo verbo “chorar”, que contribui para a construção do sentido (trágico/cômico).

III- As palavras “financeiramente” e “emocionalmente”, não possuem valores morfossemânticos da classe modificadora de sentido no post.


É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q2511675 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

No fragmento “Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva”, do texto 1, os verbos destacados estão conjugados nos seguintes tempos e modos:
Alternativas
Q2511674 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Levando em consideração o uso da crase no trecho: “Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona”, há ocorrência da crase está(ão) CORRETA(S) em:
I- Ela sentou-se junto à mim. II- Cheguei às cinco horas da tarde. III- Estou à procura de um amor. IV- Às vezes, elas saíam andando à toa. V- O povo não deve se submeter àquele tipo de político corrupto.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q2511673 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

Em “Ele fremia suavemente, sem latir”, o vocábulo em destaque pode ser substituído sem alterar o valor semântico por:
Alternativas
Q2511672 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder às questão.

Texto 1

Tentação


    Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

    Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.

Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. 

    Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. 

    Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

    A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

    Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.

    Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

    Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

    No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

    Mas ambos eram comprometidos.

    Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

    A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

    Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


Fonte: (LISPECTOR, Clarice. Tentação. In Felicidade Clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 46-48.)

No fragmento: “Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos”. Observe o emprego dos pronomes oblíquos átonos no fragmento e assinale o emprego CORRETO, de acordo com as normas gramaticais referentes ao uso da colocação pronominal:
Alternativas
Respostas
101: D
102: A
103: B
104: A
105: E
106: B
107: E
108: D
109: C
110: B
111: E
112: A
113: D
114: E
115: C
116: D
117: C
118: C
119: B
120: B