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Q3824937 Português
Chegou a hora de pensar no pós-redes sociais


Diogo Salles


          A recente decisão do STF, que determinou que as plataformas devem ser responsáveis pelos conteúdos dos usuários, desfigurou o Marco Civil da Internet e colocou a opinião pública em alerta máximo. Muitos têm mostrado a insegurança jurídica do novo modelo, que se baseia em critérios subjetivos e abre alas para a censura.

          Produtores de conteúdo já começaram a sentir os efeitos dessa medida. Agora, as big techs serão ainda mais restritivas em relação a permissões para postagens e não terão nenhum pudor em remover preventivamente conteúdos ou até perfis de forma unilateral.

         Sei que o momento é delicado para bancar o advogado do diabo, mas é preciso lançar esta incômoda pergunta: até que ponto não estamos trocando uma arbitrariedade por outra?

       Em algum momento, todo mundo já viveu a experiência de se submeter aos interesses do Facebook/Meta, mesmo sem perceber. Cerca de dez anos atrás, comecei a colaborar com um site que prometia escalar o número de acessos e interações para poder remunerar os colaboradores através de anúncios. Levou quase dois anos para estruturar o modelo de negócio, mas funcionou. A empresa passou a remunerar de acordo com o desempenho de cada colaborador – e o Facebook era uma ferramenta essencial nessa estratégia.

         Tudo ia bem, até que o Facebook resolveu alterar seu algoritmo e, de um dia para o outro, os acessos, comentários e compartilhamentos, que giravam em torno das dezenas de milhares, caíram para cerca de uma dúzia. O modelo todo ruiu de imediato. Foi aí que entendi: eu, meus colegas e a própria empresa trabalhávamos todos para o Mark Zuckerberg.

      Dessa experiência, tirei duas lições valiosas. A primeira é a de que, para ter “relevância” e conquistar seguidores nas redes sociais, devemos nos submeter ao tacão do algoritmo, muitas vezes navegando numa direção determinada por gente que nem sabemos quem é e, não raro, abrindo mão de nossos objetivos e até valores.

         E a segunda é que os oligarcas digitais nunca se importaram com a pluralidade de ideias, com a nossa saúde mental ou até mesmo com a democracia. Eles só querem continuar lucrando em cima da guerra de todos contra todos. E quando confrontados com essa verdade inconveniente, se escondem atrás do cobertor da liberdade de expressão.

      Passamos as últimas duas décadas acreditando que as redes sociais supostamente nos dão liberdade absoluta para sermos seres digitais plenos. Mas será mesmo? Zygmunt Bauman dizia que, na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte.

       As métricas que regem as redes sociais levaram isso a cabo, quando estabeleceram que seu objetivo era manter os usuários pelo maior tempo possível na plataforma – e todos os estudos já comprovaram que a forma mais eficaz de atingir esse objetivo é impulsionando conteúdos escandalosos, sensacionalistas e violentos. Só que o lucro das big techs gera um custo social: ao manter os níveis de engajamento e indignação sempre altos, a sociedade padece, com pessoas viciadas, raivosas e depressivas.

     Para quem ousava postar algo que ferisse essa lógica do engajamento, a penalização não era muito sutil: esses conteúdos eram imediatamente rebaixados para, logo em seguida, caírem no esquecimento. Quase como se não tivessem existido. Ou seja, se você ousasse postar algo mais informativo, profundo e reflexivo, você simplesmente “flopava”, como se diz na gíria das redes. E de flopada em flopada, você vai desaparecendo no feed das pessoas, até que a sua morte virtual se torne um ato voluntário.

      É por esse caminho que o historiador Fara Dabhoiwala articula sua argumentação. O autor, que está lançando o livro What is Free Speech? (“O que é Liberdade de Expressão?”, em tradução livre), tem acompanhado de perto todos os acontecimentos aqui no Brasil e condenou a punição dada ao comediante Leo Lins, mas questionou o fato de as plataformas que impulsionaram suas piadas seguirem impunes.

       E por que as piadas de Leo Lins foram amplificadas? Justamente porque eram preconceituosas e escandalizaram a opinião pública, ou seja, tudo o que o algoritmo mais quer, para segurar as pessoas nas telas, se indignando, comentando, xingando e compartilhando.

        É espantoso como, após todo esse tempo de debate sobre a regulação das redes sociais, ainda não conseguimos entender que o problema nunca foi as plataformas e nem os conteúdos postados pelos usuários: é o algoritmo. Sempre foi o algoritmo. Todo o debate deveria ter sido pautado em torno dele, questionando esse poder de amplificação/moderação dos conteúdos e obrigando as big techs a serem transparentes em relação aos critérios que usam.

         Remover conteúdos com fake news e perfis apócrifos é atacar a consequência, e não a causa. Por isso que, tantos anos depois, ainda estamos aqui, paralisados, debatendo a PL das Fake News e outras excrescências.

       Independente disso, a forma como os algoritmos operam já constitui a prova de que as big techs são, sim, editores de mídia, pois escolhem quais conteúdos irão trabalhar em suas plataformas, da mesma forma que escolhem quais descartar. Assim sendo, elas devem explicações ao público sobre suas práticas tanto quanto jornais, TVs e outros veículos de mídia.

       Outro conceito que exige um debate sério: a liberdade de expressão que ― seja por ingenuidade, seja por má fé ― muitos ainda acreditam ser um fim em si mesma. A jornalista Lúcia Guimarães lembrou que, na esteira da primeira emenda da Constituição dos EUA, surgiu uma legião de “absolutistas da liberdade de expressão”, que acreditam que ofensas, difamações e ameaças não deveriam receber qualquer punição.

       Sei que tem muita gente apreensiva com esse novo cenário de incertezas, mas quero fazer um contraponto a todas essas previsões sinistras que estão ecoando: será saudável para todo mundo que o debate público saia das redes sociais. Se existe um caminho para enfraquecer a polarização e voltarmos a dialogar como seres humanos civilizados, esse caminho é longe dos algoritmos.

        E quanto aos produtos e serviços que têm seus modelos de negócio ancorados nas redes sociais, bem, estes passarão por um processo de adaptação e terão de descobrir novas formas de se conectar com seu público. Chegou a hora de pensar no pós-redes sociais. Não é o fim do mundo, mas o início de um novo. Quem se propuser a pensar em novas estratégias, já estará um passo à frente da concorrência.

         O maior desafio será desatar o nó mostrado pelo advogado e pesquisador Ronaldo Lemos: regular as redes sociais é diferente de regular toda a internet. Cada um exige um tipo de regulamentação diferente e isso precisa ser compreendido desde já. “O STF mirou nas big techs e acertou na internet inteira. Do Google ao Reclame Aqui, passando por fóruns e caixas de comentários dos jornais, todos estão abrangidos[...] O antigo regime era ‘na dúvida, próliberdade de expressão’. Agora é ‘na dúvida, próremoção’”, avisou.

         Claro, não sejamos ingênuos: agora, com a chegada da Inteligência Artificial, viveremos uma nova era de falsificações, golpes e até crimes. A quem quiser se autoalienar ainda mais no metaverso, só posso desejar sorte. Yuval Noah Harari tem emitido todos os alertas sobre estes perigos, mas parece certo que muita gente vai entregar voluntariamente sua capacidade de pensar para as máquinas e se sentirá plenamente satisfeito com conteúdos e interações fakes.

         Se esse é o futuro que nos aguarda, quem quiser manter um mínimo de sanidade mental, será forçado a selecionar melhor o que consome. Assim, abre-se a possibilidade para a construção de um caminho por fora da barbárie. Nessas últimas décadas, as redes sociais foram aperfeiçoando seus algoritmos de tal forma, que conquistaram o monopólio do mercado da atenção, criando uma cultura que não deixou qualquer espaço para a contracultura.

         Agora, com essa crise institucional e as big techs praticando censura à larga, abre-se o flanco para que pensemos numa nova contracultura, onde ainda existirão pessoas reais produzindo conteúdos reais e propagando ideias que não morrerão asfixiadas pelo algoritmo. Um lugar onde a IA terá seu papel apenas como ferramenta, não como cérebro. Aliás, cabe uma provocação: será que, no futuro, conteúdos 100% reais não serão considerados “premium”?

       Pode levar anos, até décadas, mas é preciso reconstruir o debate público dentro de um ecossistema novo, que funcione com regras claras e longe das manipulações algorítmicas. Utópico? Talvez, mas é imprescindível dizer: temos em mãos uma grande oportunidade de libertar o debate público do cativeiro das big techs e devolvê-lo à sociedade civil.


Fonte:
https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=481
0&titulo=Chegou_a_hora_de_pensar_no_pos-redes_sociais
Denomina-se gênero textual o texto que, por meio de uma linguagem e estrutura típica, possui uma intenção comunicativa em determinado contexto. Sabendo disso, após leitura e observação das características do texto, assinale a alternativa que se trata do gênero textual:
Alternativas
Q3824541 Farmácia
Uma indústria farmacêutica brasileira está desenvolvendo um fitomedicamento padronizado a partir da espécie vegetal Harpagophytum procumbens (Garra do Diabo), utilizada tradicionalmente para o alívio de dores articulares e inflamações. O controle de qualidade da matéria-prima e do produto final é determinante para garantir a eficácia e a segurança do medicamento.
No contexto da Farmacognosia e do desenvolvimento tecnológico de produtos farmacêuticos de origem natural, assinale qual dos seguintes procedimentos é essencial para a introdução à análise fitoquímica da matéria-prima e para a garantia da qualidade do insumo ativo vegetal.
Alternativas
Q3824540 Farmácia
Segundo a Resolução CNS nº 553/2017 e os princípios da Carta dos Direitos e Deveres, assinale a alternativa que descreve corretamente um dos direitos fundamentais relacionados ao acesso à informação e à participação na gestão da saúde pública:
Alternativas
Q3824539 Farmácia
De acordo com o que estabelece a Resolução CFF nº 586/2013 sobre o exercício da prescrição farmacêutica, assinale em qual condição o farmacêutico prescreve um medicamento que contenha substância da Lista C1 (como, por exemplo, a amitriptilina) ou da Lista C4 (antirretrovirais) da Portaria SVS/MS nº 344/98.
Alternativas
Q3824538 Farmácia
A Resolução CFF nº 585/2013 regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico, estabelecendo um novo paradigma para a profissão, focado na atenção à saúde e no uso racional de medicamentos.
Com base na referida Resolução e no conceito de Boas Práticas em Farmácia, assinale a alternativa incorreta acerca das atribuições clínicas do farmacêutico no contexto da prática profissional:
Alternativas
Q3824537 Farmácia
Com base na Portaria SVS/MS nº 344/98, que estabelece as listas de substâncias sujeitas a controle especial, assinale qual dos medicamentos listados abaixo pertence à Lista B1 (Substâncias Psicotrópicas) e, portanto, exige obrigatoriamente a utilização da Notificação de Receita B (azul) para sua dispensação em farmácias.
Alternativas
Q3824534 Farmácia
Na Farmácia de Manipulação Forma Certo durante o preparo de 100g de gel de papaína a 10%, conforme estabelecido pelo Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira, o farmacêutico elaborou previamente um gel à base de carbômer 980 e utilizou trietanolamina durante o processo. Diante disso, assinale a alternativa que indica a função da trietanolamina nessa formulação.
Alternativas
Q3824532 Farmácia
A Farmácia de Manipulação "Vita Essência" busca manter sua certificação de Boas Práticas de Manipulação (BPM), conforme as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O farmacêutico responsável, Dr. Carlos, está revisando a gestão dos equipamentos e instrumentos de controle utilizados no laboratório, ciente de que a precisão destes é determinante para garantir a dose correta e a segurança dos medicamentos manipulados. Entre os equipamentos utilizados na farmácia de manipulação, encontram-se: balanças analíticas, pHmetros, capelas de fluxo laminar (para produtos estéreis) e termômetros/higrômetros (para controle ambiental).
De acordo com as Boas Práticas de Manipulação (BPM) — RDC 67/2007 (ou legislação equivalente para equipamentos/controle), assinale qual das ações a seguir é obrigatória e fundamental para assegurar a integridade, precisão e confiabilidade dos medicamentos manipulados.
Alternativas
Q3824530 Saúde Pública
A Conferência Nacional de Saúde é o principal espaço democrático para a construção de políticas públicas de saúde no Brasil. Assinale a alternativa correta, de acordo com a periodicidade da Conferência:
Alternativas
Q3824529 Saúde Pública
São os princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde – SUS: 
Alternativas
Q3824528 Saúde Pública
Política instituída em 2023, para organizar e ampliar o acesso a serviços de média e alta complexidade (consultas, exames, cirurgias, urgência, etc.), com foco na integração com a Atenção Primária à Saúde (APS) para superar a fragmentação, reduzir filas e garantir cuidado coordenado, regionalizado e de qualidade, definindo diretrizes e eixos para todos os serviços especializados. Estamos falando da:
Alternativas
Q3824527 Saúde Pública
O período de 1986 a 1988 foi importante para a integração da saúde na agenda política da redemocratização brasileira, culminando na criação do Sistema Único de Saúde (SUS) na Constituição Federal de 1988. Um marco fundamental do período foi a realização da:
Alternativas
Q3824512 Enfermagem
A Resolução 736/24, que determina a implementação do Processo de Enfermagem (PE) em todo contexto socioambiental no qual ocorram cuidados prestados por enfermeiros, técnicos e auxiliares, atualiza a Resolução 358/2009, afim de adequar novas perspectivas da profissão. De acordo com a nova atualização, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3824511 Saúde Pública
Foi detectado em alguns bairros de João Pessoa, um aumento progressivo de casos de uma doença transmissível. A Vigilância Epidemiológica tem papel importante em articular ações a fim de conter a disseminação. Esse conjunto de ações caracteriza principalmente a função de:
Alternativas
Q3824510 Enfermagem
O gestor de um município orientou que o cuidado ao idoso seja organizado considerando a capacidade funcional, e não apenas a presença de doenças. De acordo com a Política Nacional da Pessoa Idosa (PNSI), essa orientação está correta porque:
Alternativas
Q3824509 Enfermagem
Wanda de Aguiar Horta é uma das figuras mais influentes e respeitadas da Enfermagem brasileira e dedicou sua vida a transformar o cuidado em saúde em um campo científico. Sua teoria revolucionou a prática de enfermagem no Brasil ao estabelecer:
Alternativas
Q3824508 Enfermagem
Paciente de 45 anos, vítima de agressão, apresenta abertura ocular ao chamado verbal, resposta verbal confusa e localiza a dor ao estímulo doloroso. A pontuação desse paciente na escala de Glasgow é:
Alternativas
Q3824507 Enfermagem
Um paciente, vítima de trauma, apresenta confusão mental, hipotensão com PA 70×40 mmHg, taquicardia, extremidades frias e enchimento capilar lento. Assinale a alternativa que representa qual deve ser a conduta inicial no Suporte Avançado de Vida (SAV).
Alternativas
Q3824506 Enfermagem
Os atributos da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) são os pilares que guiam a Atenção Primária à Saúde (APS). Assinale qual deles pressupõe a continuidade da relação de cuidado, com construção de vínculo e responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e consistente.
Alternativas
Q3824505 Saúde Pública
Em um município da Paraíba, a atual gestora, articulada à educação e assistência social, realizou o dia D, que envolveu campanhas sobre vacinação, atendimento e orientações às pessoas com doenças crônicas, reabilitação de pessoas que sofreram AVC. Indique em qual princípio do SUS se fundamenta essa organização de serviços em saúde. 
Alternativas
Respostas
321: A
322: B
323: E
324: C
325: A
326: D
327: D
328: C
329: D
330: E
331: D
332: B
333: B
334: C
335: B
336: D
337: A
338: C
339: C
340: D