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Q3419594 Português
PÁSCOA, SUBSTANTIVO FEMININO. As lendas e reviravoltas que fizeram da lebre um coelho.


Às vezes as ideias nos tomam a mente sem aviso — aconteceu comigo na última semana, em meio à compra dos ovos de Páscoa da família. No afã de prolongar a magia da data para as crianças, ia escrevendo no cartão dos chocolates "de: Coelho/para: ..." e, de repente, hesitei. E se fosse coelha?

As pessoas costumam se perguntar sobre o porquê do coelhinho da Páscoa. Não é mesmo evidente o elo entre a festa religiosa celebrada no próximo domingo e um mamífero espalhando ovos por aí — de chocolate, ainda por cima.

Em geral, elas se dão por satisfeitas com a explicação de que o ovo é um símbolo de vida e por isso se liga à ressurreição de Cristo, enquanto o coelho nos lembra a origem pagã da festa, a celebração da primavera no Hemisfério Norte. Entre março e abril, quando a vida se revigora, nascem as crias desse animal, conhecido pela fertilidade.

Para mim, a coisa se complica justo nesse ponto. Por que o coelho da festa é macho e as únicas coelhas lembradas (por motivos nada sagrados) são as da revista Playboy? Não seria o caso de dar o mérito e o lugar de honra à coelha?

Pois bem, fui pesquisar e, no início da tradição europeia, havia mesmo uma coelha. A bem da verdade, uma lebre fêmea (maior e mais orelhuda que sua prima, embora tão fértil quanto ela).

A lebre era sagrada para certos povos antes de Cristo. Júlio César chegou a observar que, nos territórios da atual Grã--Bretanha, ela não servia de alimento, devido a esse significado religioso. Na Grécia Antiga, era associada a Afrodite, a deusa do amor. Mais adiante, no século XIX, Jacob, um dos irmãos Grimm famosos pelos contos de fadas, escreveu sobre uma divindade feminina alemã ligada à fertilidade e à abundância (e outro alemão da mesma época a relacionou à lebre).

Diversas figuras femininas de fecundidade eram festejadas na Europa, nos meses promissores depois do frio, quando as lebres saltavam pelos campos com a filharada. Em algum momento, talvez para explicar às crianças como os ovos de Páscoa tinham ido parar nos jardins das casas, os animais começaram a fazer parte da festa, responsáveis pela distribuição. Daí para virar coelho, foi um pulo.

De uma deusa para outra, a lebre vira coelho, coelho não é coelha, se fosse também não botaria ovo, e o ovo nem de galinha é. Uma miscelânea bem plausível de contestação. Mas, rigores históricos e biológicos à parte, são as mulheres, divinas ou não, as que geram a vida. Por onde se olhe, uma fêmea, fosse de lebre ou de coelho, encaixaria melhor na lenda.

Veja se não estou certa. Os mais conservadores diriam ser papel feminino nutrir a família com afeto, cuidar do preparo dos chocolates e agradar às crianças com os doces. Já outros poderiam afirmar que hoje não faz sentido o distribuidor de presentes ser um homem (ou coelho, no caso). Afinal, há décadas a mulher não depende dele como provedor — aliás, segundo o IBGE, no Brasil são elas as chefes da maior parte das famílias.

Ainda assim, e a despeito de a equidade de gênero ser uma das bandeiras mais levantadas e debatidas atualmente, permanece comum nas decorações e ilustrações pascais o alegre coelho branco, geralmente vestindo roupas masculinas.

De minha parte, fecho este texto com uma constatação singela, mas essa, sim, incontestável. Em bom português, Páscoa é um substantivo feminino.

(Lucília Diniz,Veja 29 de março de 2024)
Assinale a alternativa que contém um operador argumentativo de oposição.
Alternativas
Q3419593 Português
PÁSCOA, SUBSTANTIVO FEMININO. As lendas e reviravoltas que fizeram da lebre um coelho.


Às vezes as ideias nos tomam a mente sem aviso — aconteceu comigo na última semana, em meio à compra dos ovos de Páscoa da família. No afã de prolongar a magia da data para as crianças, ia escrevendo no cartão dos chocolates "de: Coelho/para: ..." e, de repente, hesitei. E se fosse coelha?

As pessoas costumam se perguntar sobre o porquê do coelhinho da Páscoa. Não é mesmo evidente o elo entre a festa religiosa celebrada no próximo domingo e um mamífero espalhando ovos por aí — de chocolate, ainda por cima.

Em geral, elas se dão por satisfeitas com a explicação de que o ovo é um símbolo de vida e por isso se liga à ressurreição de Cristo, enquanto o coelho nos lembra a origem pagã da festa, a celebração da primavera no Hemisfério Norte. Entre março e abril, quando a vida se revigora, nascem as crias desse animal, conhecido pela fertilidade.

Para mim, a coisa se complica justo nesse ponto. Por que o coelho da festa é macho e as únicas coelhas lembradas (por motivos nada sagrados) são as da revista Playboy? Não seria o caso de dar o mérito e o lugar de honra à coelha?

Pois bem, fui pesquisar e, no início da tradição europeia, havia mesmo uma coelha. A bem da verdade, uma lebre fêmea (maior e mais orelhuda que sua prima, embora tão fértil quanto ela).

A lebre era sagrada para certos povos antes de Cristo. Júlio César chegou a observar que, nos territórios da atual Grã--Bretanha, ela não servia de alimento, devido a esse significado religioso. Na Grécia Antiga, era associada a Afrodite, a deusa do amor. Mais adiante, no século XIX, Jacob, um dos irmãos Grimm famosos pelos contos de fadas, escreveu sobre uma divindade feminina alemã ligada à fertilidade e à abundância (e outro alemão da mesma época a relacionou à lebre).

Diversas figuras femininas de fecundidade eram festejadas na Europa, nos meses promissores depois do frio, quando as lebres saltavam pelos campos com a filharada. Em algum momento, talvez para explicar às crianças como os ovos de Páscoa tinham ido parar nos jardins das casas, os animais começaram a fazer parte da festa, responsáveis pela distribuição. Daí para virar coelho, foi um pulo.

De uma deusa para outra, a lebre vira coelho, coelho não é coelha, se fosse também não botaria ovo, e o ovo nem de galinha é. Uma miscelânea bem plausível de contestação. Mas, rigores históricos e biológicos à parte, são as mulheres, divinas ou não, as que geram a vida. Por onde se olhe, uma fêmea, fosse de lebre ou de coelho, encaixaria melhor na lenda.

Veja se não estou certa. Os mais conservadores diriam ser papel feminino nutrir a família com afeto, cuidar do preparo dos chocolates e agradar às crianças com os doces. Já outros poderiam afirmar que hoje não faz sentido o distribuidor de presentes ser um homem (ou coelho, no caso). Afinal, há décadas a mulher não depende dele como provedor — aliás, segundo o IBGE, no Brasil são elas as chefes da maior parte das famílias.

Ainda assim, e a despeito de a equidade de gênero ser uma das bandeiras mais levantadas e debatidas atualmente, permanece comum nas decorações e ilustrações pascais o alegre coelho branco, geralmente vestindo roupas masculinas.

De minha parte, fecho este texto com uma constatação singela, mas essa, sim, incontestável. Em bom português, Páscoa é um substantivo feminino.

(Lucília Diniz,Veja 29 de março de 2024)
A autora emprega um modalizador discursivo para ratificar seu ponto de vista em: 
Alternativas
Q3419561 Psicologia
Considerando a psicoterapia breve operacionalizada, analise as afirmativas seguintes e marque a alternativa que corresponde a intervenção voltada a algo que o paciente não aceita, evita ou minimiza.
Alternativas
Q3419560 Psicologia
Pela intersetorialidade é possível articular saberes e experiências no planejamento, realização e avaliação de ações. Diante desta possibilidade, assinale a resposta correta:
Alternativas
Q3419559 Psicologia
Os transtornos relacionados a substâncias, com frequência ocasionam prejuízos importantes na saúde mental de uma pessoa, proporcionando efeitos negativos em sua vida pessoal, social e profissional. Considerando a efetividade da terapia cognitivo comportamental no tratamento do alcoolismo, assinale a alternativa incorreta:
Alternativas
Q3419558 Psicologia
Comportamentos repetitivos e estereotipados, tais como balançar o corpo, sacudir as mãos, girar objetos, correr para frente e para trás, bater em objetos, cheirar e lamber superfícies, alinhar objetos, movendo os dedos ao longo de superfícies com texturas, são denominados:
Alternativas
Q3419557 Psicologia
No que se refere aos transtornos do neurodesenvolvimento, não é correto afirmar que:
Alternativas
Q3419556 Psicologia
Com relação ao Teste SON-R 6-40, marque a alternativa correta. 
Alternativas
Q3419555 Psicologia
Durante a entrevista lúdica diagnóstica, o psicólogo pode utilizar diferentes tipos de intervenções, como clarificações, assinalamentos e interpretações. No que se refere as interpretações, assinale a resposta correta:
Alternativas
Q3419554 Psicologia
São etapas da terapia do Psicodrama, com exceção de: 
Alternativas
Q3419553 Psicologia
O H-T-P é um teste de grafismo utilizado em avaliações psicológicas para avaliar:
Alternativas
Q3419552 Psicologia
A Sra Lina chega para a consulta com sua filha Bia de 7 anos de idade. Segundo relato materno, a criança demorou a falar e mesmo hoje, apesar de ser muito extrovertida, tem dificuldade para unir as palavras formando frases, o que tem atrapalhado suas relações com os colegas e no seu processo de alfabetização. Marque a indicação clínica adequada para o caso segundo as normas do DSM-V-TR.
Alternativas
Q3419551 Psicologia
Marque a alternativa que corresponde aos mecanismos de defesa em que ocorre um retorno a um nível de desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples ou infantil:
Alternativas
Q3419550 Psicologia
Para viver satisfatoriamente a adolescência, o (a) jovem deve cumprir aquilo que Erickson chama de tarefas do desenvolvimento. Diante desta perspectiva, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3419549 Psicologia
São traços de personalidade patológicos encontrados no Transtorno da Personalidade Antissocial, com exceção a:
Alternativas
Q3419548 Psicologia
Nos últimos três meses, os pais de Júlia, 08 anos, estudante do 3º ano do ensino fundamental, escola particular, em processo de alfabetização, foram chamados pela escola para informar que a criança não consegue acompanhar a turma e mostra-se muito imatura para a sua idade. Em processo de avaliação psicológica, constatou-se QIT (WISC IV) = 95. Considerando o resultado apresentado, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q3419547 Psicologia
No que se refere ao papel da terapia cognitiva comportamental (TCC), no tratamento do estresse, ansiedade e depressão, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Q3419546 Psicologia
Com relação aos Transtornos de Ansiedade, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3419545 Psicologia
Como se chama o Sistema desenvolvido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) com o objetivo de avaliar a qualidade técnico-científica de instrumentos psicológicos para uso profissional, a partir da verificação objetiva de um conjunto de requisitos técnicos e divulgar informações sobre os testes psicológicos à comunidade e às(aos) psicólogas(os)? 
Alternativas
Q3419544 Psicologia
No que se refere a psicologia analítica efetuada por Carl Gustav Jung, marque a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
501: C
502: C
503: A
504: C
505: C
506: D
507: D
508: A
509: A
510: A
511: D
512: A
513: B
514: D
515: A
516: B
517: D
518: A
519: D
520: B