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À primeira vista é difícil perceber nas receitas qual é a parte mágica (que mais respeitosamente deveremos chamar de axé, poder), e quais as virtudes testáveis experimentalmente dessas plantas. Devemos ter em mente que, na língua iorubá, frequentemente existe uma relação direta entre os nomes das plantas e suas qualidades, e seria importante saber se receberam tais nomes devido às suas virtudes ou se devido a seus nomes determinadas características foram a elas atribuídas, como um tipo de jogo de palavras (ou, mais respeitosamente, p/o). Essas encantações-jogos de palavras têm uma grande importância nestas civilizações. Sendo pronunciadas em orações solenes, podem ser consideradas como definições e com frequência são as bases sobre as quais o raciocínio é construído. Servem também como conclusão e prova final nas histórias transmitidas de geração a geração pelos babalaôs, e expressam ao mesmo tempo o ponto de vista da cultura iorubá e o senso comum de seu povo.
VERGER, Pierre. Ewé o uso das plantas na sociedade Iorubá. São Paulo, Companhia das Letras, 1995, p. 24. [Adaptado].
Tal sistema de designação da língua iorubá demonstra qual característica daquela civilização?
Leia o texto a seguir.
Berimbau
Quem é homem de bem, não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
E assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Capoeira que é bom, não cai
E se um dia ele cai, cai bem!
Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza, camará
MORAES, V. Berimbau. Disponível em:https://www.letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49258/ . Acesso em: 31 mai. 2024. [Adaptado].
“Berimbau” foi gravada em 1963, em um disco de Vinícius
de Moraes com Odete Lara. A canção tem uma introdução
marcada pelo compasso do berimbau, estrutura que se
mantém até o refrão. O sucesso da canção fez com que não
fosse gravada junto dos demais afro-sambas de Vinícius e
Baden Powell. Qual característica da Afro-ética a música
representa?
Nesse horizonte, não se está mais seguro do que quer dizer a palavra homem. Existe uma história do conceito de homem e é preciso se interrogar sobre essa história: de onde vem o conceito de homem, como o homem ele mesmo pensa o que é o próprio do homem? Por exemplo, quando tradicionalmente se opõe o homem ao animal, se afirma que o próprio do homem é a linguagem, a cultura, a história, a sociedade, a liberdade etc. Podem-se colocar questões sobre a validade de todas essas definições do "próprio" e do homem e, portanto, sobre a validade do conceito de homem tal como geralmente é utilizado. Colocar questões sobre esse conceito de homem é nada ter de seguro a esse respeito. Mas isso não quer dizer ser contra o homem. Frequentemente se acusa a desconstrução de, ao colocar questões sobre a história do conceito de homem, ser inumana, desumana, contra o humanismo. Nada tenho contra o humanismo, mas me reservo o direito de interrogar quanto à história, à genealogia e à figura do homem, quanto ao conceito do próprio do homem.
DERRIDA, J. A solidariedade dos seres vivos. Entrevista por Evando Nascimento, publicada no suplemento Mais! Folha de São Paulo, em 27.5.2001.
De que modo tais reflexões produzem óbice ao etnocentrismo?
Leia o texto a seguir.
Do que valem as roupas caras, se não tem atitude?
Do que vale a negritude, se não pô-la em prática?
A principal tática, herança de nossa mãe África!
A única coisa que não puderam roubar!
Se soubessem o valor que a nossa raça tem,
Tingiam a palma da mão pra ser escura também!
Mas nosso júri é racional, não falha!
Não somos fã de canalha!
Quero nos devolver o valor, que a outra raça tirou.
Esse é meu ponto de vista. Não sou racista, morou?
Escravizaram sua mente e muitos da nossa gente.
Mas você, infelizmente,
Sequer demonstra interesse em se libertar.
Essa é a questão: autovalorização.
Esse é o título da nossa revolução.
O verdadeiro negro tem que ser capaz
De remar contra a maré, contra qualquer sacrifício.
RACIONAIS MC’s. Juri Racional. Disponível em < https://www.letras.mus.br/racionais-mcs/63440/>. Acessado em 31 de maio de 2024. [Adaptado].
De que forma a denúncia do texto contribuiu para
desmantelar as heranças da escravidão no Brasil?
De qualquer modo, deve-se atribuir a tais sentimentos ou idéias de obrigações de paternidade da parte de alguns patriarcas, considerável influência na interpretação das condições de raça e classe que desde os começos da colonização do Brasil vêm se verificando no nosso País e resultando em constantes transferências de indivíduos de côr, da classe a que pareciam condenados pela condição da raça materna e, até certo ponto, dêles - a condição de dominados - menos para a condição de dominadores que para a de marginais ou intermediários entre dominadores ou dominados. As transferências de indivíduos e até de grupos inteiros, por esse e por outros meios, de um para outro plano social, é que, acentuando-se, tornaram-se, desde fins do século XVIII, mas, principalmente, durante o século XIX, um dos estímulos mais fortes ao desenvolvimento de formas chamas individuais e, ao mesmo tempo, étnica.
FREYRE, Gilberto. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano – vol 2. 7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985, p. 356. [Adaptado].
O texto relativiza a outra interpretação da história brasileira que
Leia o texto a seguir.
Mas o que vejo? É um sonho!... A barbaria
Erguer-se neste século, à luz do dia.
Sem pejo se ostentar.
E a escravidão – nojento crocodilo
Da onda turva expulso lá do Nilo –
Vir aqui se abrigar!...
Oh! Deus! não ouves dentre a imensa orquestra
Que a natureza virgem manda em festa
Soberba, senhoril,
Um grito que soluça aflito, vivo,
O retinir dos ferros do cativo,
Um som discorde e vil?
ALVES, Castro. Obra Completa. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar S. A, 1997, p. 216. [Adaptado].
O que nesse poema incomodava a elite brasileira do século
XIX?
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A individualidade assim descrita nada tem em comum com as diversas concepções do individualismo e, sobretudo, com aquele que denominarei “individualismo de direita, à americana”, que é tão-somente uma tentativa disfarçada de coagir e vencer o indivíduo em sua singularidade. Esse pretenso individualismo, que sugere fórmulas como “livre empresa”, arrivismo e sociedade liberal, é o laisser-faire econômico e social: a exploração das massas pelas classes dominantes com a ajuda da velhacaria legal; a degradação espiritual e o doutrinamento sistemático do espírito servil, processo conhecido sob o nome de “educação”. Essa forma de “individualismo” corrompido e viciado, verdadeira camisa de força da individualidade, reduz a vida a uma corrida degradante aos bens materiais, ao prestígio social; sua sabedoria suprema exprime-se numa frase: “Cada um por si e maldito seja o último”.
GOLDMAN, Emma. O indivíduo, a sociedade e o Estado, e outros ensaios. São Paulo: Editora Hedra, 2007, p. 32. [Adaptado].
Qual conceito sintetizaria a descrição do parágrafo?
Alguns escritores confundiram sociedade e governo de tal forma que restou entre essas duas partes pouca ou nenhuma diferença. Contudo, elas não apenas são diferentes como também possuem origens diversas. A sociedade é produto das nossas necessidades, e o governo, da nossa maldade; a sociedade promove a nossa felicidade de modo positivo, unindo nossas afeições, e o governo faz isso de modo negativo, cerceando os nossos excessos. Uma encoraja a agregação, o outro cria distinções. Uma é padroeira, o outro é punidor.
PAINE, Thomas. O bom senso. São Paulo, Faro Editorial. 2022, p. 11. [Adaptado].
Embora nascido na Inglaterra, Thomas Paine (1737-1809) foi um dos intelectuais mais importantes para a Independência dos Estados Unidos. Inclusive, sua participação resultou na honraria de ser considerado um dos Founding Fathers of the United States (Pais Fundadores dos Estados Unidos). O texto demonstra sua aproximação com qual teoria política?
Na Bolívia, logo após o problema criado pelas medidas do governo Melgarejo, relativas à apropriação de terrenos e propriedades indígenas, o governo do presidente Frias (1874- 1876) em consonância com a Assembleia Nacional promulgou a lei de “exvinculación”. A lei de exvinculación teve um efeito devastador para os índios. De um lado quebrava-se a histórica vinculação dos mesmos com a terra da comunidade e, por outro, se acelerava o processo de expropriações em favor do Estado, que uma vez consolidadas passavam a ser leiloadas. Isto intensificou o surgimento de grandes latifúndios no altiplano e vales. A lei reconhecia a propriedade soberana e pessoal dos índios sobre sua terra, mas a desvinculava da comunidade, por isso o termo “ex-vinculação”, porque fraturava a base de uma relação secular do índio com a terra. A “sayaña” dentro do “ayllu” formava uma unidade de propriedade comunitária indivisível. A lei foi na contramão da essência comunal e representou, sobretudo, uma visão ideológica e modernizadora que não respeitava e ou não entendia a realidade histórica e cultural dos povos indígenas.
HASSLOCHER-MORENO, Alejandro Marcel. Bolívia e a questão indígena: da escravidão à cidadania plena. Revista Campo da História, v. 7, n. 1, 2022, p. 344. [Adaptado].
Qual conceito foi a base pelo próprio governo para a formulação desta disposição legal?
A dinâmica recente da economia sergipana gerou/gera relevantes mudanças espaciais e sociais (produção, circulação, empregos, renda, consumo etc.). Todavia, o estado possui um setor portuário obsoleto, ou seja, com reduzida modernização, eficiência e competitividade.
JUNIOR, Nelson Fernandes Felipe. O setor portuário de Sergipe: redes, fluxos e participação do capital privado. Revista de Geografia (Recife). V. 35, No. 5, 2018. Disponível em:https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistageografia/article/download/229392/309 . Acesso em: 18 jun. 2024.
O setor portuário é vital para o desenvolvimento econômico, social e ambiental de um Estado. São gargalos do setor portuário em Sergipe
O campo petrolífero de Carmópolis apresenta o maior número de poços produtores do país. A área de mineração do município, composta por 1.105 poços de exploração de petróleo e gás, representa 2,31 % da área municipal e apresenta qualidade muito baixa. Tais poços constituem-se em manchas que fragmentam negativamente a paisagem do município e causam danos irreversíveis ao meio ambiente.
SOBRAL, Ivana Silva. SILVA, Gicélia Mendes da. Cartografia das implicações ambientais da produção De petróleo onshore no município de Carmópolis, Sergipe, Brasil. 2015. Disponível em:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5280103.pdf . Acesso em: 18 jun. 2024. [Adaptado].
Encontram-se associados a esse tipo de atividade econômica a
Os municípios de Coqueiros, Pirambu, Pacatuba e Brejo Grande, localizados no litoral norte de Sergipe, vem sofrendo significativos impactos ambientais, decorrentes principalmente de processos de ordenamento e reordenamentos territorial do solo litorâneo.
VILAR e VIEIRA, 2014.
Tais impactos acabam por gerar conflitos territoriais, estes relacionam-se com a