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Em reunião para discutir dificuldades de aprendizagem e sugerir medidas didáticopedagógicas a serem adotadas, um professor emitiu a seguinte opinião sobre o baixo desempenho da sua turma.
Eu me recuso a dar aula para a turma de administração ano que vem. Me coloca na mecânica, na elétrica, até na informática, mas no curso de administração, não. Já era um curso que atraía um público mais simples. Mas antes, pelo menos, tinha uma seleçãozinha que fazia o nível melhorar. Agora, depois desse negócio de cotas, as notas foram só ladeira abaixo. Esses alunos que vêm de escola pública não têm base nenhuma. Têm muito menos aptidão para a aprendizagem que nossos outros alunos. Nunca ouviram falar de Machado de Assis, não sabem nem fazer uma conta de multiplicar. Eles não têm o costume de ler em casa, chegam sem a capacidade de organizar um raciocínio simples e colocar no papel. Na hora dos debates, só abrem a boca pra falar coisas vazias. Não têm repertório de vida nenhum. Tudo que eles sabem, estão ouvindo falar aqui, pela primeira vez. Mas também eu não culpo só eles. Olha a condição do bairro de onde eles vêm, sem estrutura nenhuma. A família, então, nem se fala. Nem sabe o que é o instituto. Muitas vezes, os pais são agressivos e não têm interesse nenhum pela vida acadêmica dos filhos, não dão valor a isso aqui. Isso quando têm pais, porque muitos deles moram só com mãe ou com um tio ou avó. Totalmente desestruturado. Pra pessoa estar motivada a aprender, precisa de uma atmosfera familiar afetuosa e positiva, e isso a maioria não tem. Quando não tem um ambiente hostil, tem que trabalhar no período da tarde ou da noite pra ajudar nas despesas da casa. É um contexto que desencoraja o desenvolvimento intelectual. Como um estudante que vem de um ambiente que não tem apoio nenhum vai ter sucesso nessa escola? Estranho seria se ele passasse em tudo.
No livro “A produção do fracasso escolar” (2000), a autora Maria Helena Souza Patto apresenta as raízes históricas das concepções sobre o fracasso escolar. A interpretação equivocada elaborada pelo professor acerca do baixo rendimento da turma revela uma aderência mais pronunciada à(s)
I. As redes de ensino e as escolas deverão elaborar estratégias para tratar do tema do sofrimento psíquico e da saúde mental dos estudantes da educação básica, informando-lhes sobre os riscos, os sinais e a prevenção do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes, incluídos o uso imoderado dos aparelhos eletrônicos portáteis pessoais, inclusive telefones celulares, e o acesso a conteúdos impróprios.
II. As redes de ensino e as escolas deverão oferecer treinamentos periódicos para a detecção, a prevenção e a abordagem de sinais sugestivos de sofrimento psíquico e mental e de efeitos danosos do uso imoderado das telas e dos dispositivos eletrônicos portáteis pessoais, inclusive aparelhos celulares.
III. Os estabelecimentos de ensino disponibilizarão espaços de escuta e de acolhimento para receberem estudantes ou funcionários que estejam em sofrimento psíquico e mental decorrentes principalmente do uso imoderado de telas e de nomofobia.
Está(ão) CORRETA(S):
Lucas, estudante do segundo ano do curso integrado em Segurança do Trabalho, procurou a(o) psicóloga(o) da escola para relatar que estava sendo vítima de bullying por parte de alguns rapazes da sua turma. Segundo Lucas, ele sempre foi um menino diferente dos demais. Gostava de fazer teatro, de cantar nas apresentações da escola e preferia conversar com as meninas no recreio. Sua voz suave e seus gestos delicados chamavam atenção e logo se tornaram motivo de zombaria. Os colegas o chamavam de “viadinho”, “mocinha”, “baitôla” e outros apelidos que ele fingia não ouvir, mas que o machucavam profundamente. No primeiro ano, ele fez um esforço para tentar se adaptar à dinâmica da nova escola: mudou o corte de cabelo, as roupas e adereços que usava, o jeito de andar, de falar, até de rir, na esperança de que o deixassem em paz. Mas quanto mais tentava se esconder, mais pareciam percebê-lo. Com o agravamento da situação, passou a vivenciar a escola como um espaço de sofrimento. A vaga ideia de ter que voltar para o espaço escolar todos os dias era um enorme tormento. O recreio, segundo descreveu, transformou-se em um momento de tensão e as aulas de Educação Física, em experiências marcadas por constrangimento e ansiedade. Começou a usar a ponta de uma tesoura para cortar a pele do seu braço, em busca de alívio da culpa e da tensão. Pensava muitas coisas, entre elas, a interrupção do próprio sofrimento de maneira definitiva. Durante o atendimento, expressou de forma explícita o desejo de cessar as agressões sofridas, relacionando-as à sua orientação sexual. Solicitou auxílio profissional afirmando: “Eu vim aqui pedir sua ajuda. Eu quero que eles me deixem em paz. Acho que só vou conseguir se eu deixar de ser gay. Sozinho eu não consegui. Você me ajuda?”
A Lei nº 15.231, de 6 de outubro de 2025, alterou a LDB (Lei 9394/96) a fim de incumbir aos sistemas de ensino notificar ao Conselho Tutelar do município as ocorrências e os dados relativos a casos de violência que envolvam seus alunos, especialmente automutilações, tentativas de suicídio e suicídios consumados.
Sobre a atuação da(o) psicóloga(o) nesse contexto e com base no material bibliográfico sugerido, analise as asserções a seguir e assinale V para VERDADEIRO e F para FALSO.
( ) A partir dos anos 1980, a homossexualidade e a bissexualidade passaram a ser consideradas transtornos mentais por documentos como o DSM e o CID porque pessoas com tais orientações tendem a apresentar mais sofrimento mental (mais sintomas ansiosos, depressivos, ideias e atos suicidas, etc.).
( ) A homofobia internalizada se refere a processos nos quais valores, mensagens e ideologias socioculturais e políticas negativas (de rejeição e ódio aos homossexuais e suas identidades, sentimentos e práticas) são internalizados (muitas vezes inconscientemente) pelos próprios homossexuais, que, com isso, constroem uma autoimagem negativa, o que resulta em sentimentos de culpa, vergonha, baixa autoestima e outras vivências negativas voltadas para si mesmos.
( ) É dever da(o) psicóloga(o) respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade de pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional. Portanto, em hipótese alguma, o profissional poderá decidir pela quebra de sigilo.
( ) Ainda hoje, membros da população LGBTTQIAP+ estão expostos a maiores taxas de ideações e tentativas suicidas. Não é o fato de serem LGBTTQIAP+ que aumenta a probabilidade de suicídios, mas sim a LGBTTQIAP+fobia a que são expostos cotidianamente.
( ) A(O) psicóloga(o) deve acolher o sofrimento e as angústias experienciadas por esses sujeitos, compreendendo que o sentimento de “inadequação” e/ou “desconforto” por experienciar uma orientação sexual não heterossexual decorre dos efeitos das lógicas cisheteronormativas que produzem preconceitos, discriminações e valorações negativas sobre as homossexualidades e bissexualidades.
A sequência CORRETA é:
1. Dandara é acompanhada pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis de uma universidade federal, ela geralmente é atendida pela assistente social e pela pedagoga, além dos atendimentos pontuais com a psicóloga. Dandara solicita à equipe, por meio da psicóloga, um documento que comprove que ela está sendo acompanhada e como esse acompanhamento tem sido realizado.
2. Ana está em psicoterapia, possui diagnóstico de Transtorno do Pânico devidamente avaliado no contexto clínico e solicita um documento que comprove esse diagnóstico. O setor em que ela trabalha solicitou o documento para justificar as faltas que ela teve na última semana em função das crises experimentadas.
3. Guilherme é estudante universitário, sofreu desligamento por baixa frequência no último semestre. Ele está em acompanhamento psicológico há bastante tempo, e suas atuais demandas psicológicas estão impactando sua vida acadêmica. Segundo Guilherme, o coordenador do curso pediu que ele enviasse um documento que descrevesse seu acompanhamento psicológico para ser anexado ao processo de religamento.
4. Pedro precisou faltar a reunião de orientação do projeto de pesquisa que participa para estar em um atendimento com a psicóloga do Setor de Orientação ao Estudante. Segundo ele, precisa de um documento para justificar sua ausência na reunião.
5. O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão de uma universidade federal recebeu uma solicitação judicial que questionava, sob a perspectiva psicológica, as condições que impediriam uma pessoa transexual autista de cursar medicina.
( ) Declaração
( ) Atestado Psicológico
( ) Relatório Psicológico
( ) Parecer Psicológico
( ) Relatório Multiprofissional
Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
I. O diagnóstico de um transtorno psiquiátrico é quase sempre baseado preponderantemente nos dados clínicos, e a semiotécnica armada não substitui o essencial do diagnóstico psicopatológico: uma história clínica bem colhida e um exame do estado mental minucioso, ambos interpretados com habilidade.
II. O diagnóstico psicopatológico, com exceção dos quadros psico-orgânicos, de modo geral, baseia-se principalmente no perfil de sinais e sintomas apresentados pelo paciente na história do transtorno, desde que surgiu até o momento atual da avaliação.
III. De modo geral, não existem sinais ou sintomas psicopatológicos específicos de determinado transtorno mental. Isso quer dizer que, de fato, não há sintomas patognomônicos em psicopatologia.
IV. O diagnóstico psicopatológico repousa sobre a totalidade dos dados clínicos, momentâneos e evolutivos. É essa totalidade clínica que, detectada, avaliada e interpretada com conhecimento (teórico e científico) e habilidade (clínica e intuitiva), conduz ao diagnóstico psicopatológico, de modo geral, baseado em mecanismos etiológicos.
V. O diagnóstico psicopatológico é, em inúmeros casos, apenas possível com a observação do curso do transtorno. Uma das funções do diagnóstico em medicina é prever e prognosticar a evolução e o desfecho da doença. Porém, às vezes, isso se inverte no contexto da psicopatologia. Não é incomum que o prognóstico obrigue o clínico a reformular seu diagnóstico inicial.
A partir das afirmativas apresentadas, é CORRETO dizer que
Considerando a definição de psicopatologia e a ordenação de seus fenômenos, assinale a afirmativa INCORRETA:
A promoção da saúde mental na escola envolve ações que ultrapassam o encaminhamento para tratamento clínico externo. Acerca das estratégias de prevenção e promoção de saúde mental, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
(__)A criação de espaços de escuta coletiva para professores é uma intervenção técnica que auxilia na prevenção do esgotamento profissional (Burnout).
(__)A saúde mental na escola deve ser tratada exclusivamente como ausência de transtornos mentais diagnosticáveis pelo CID-11 ou DSM-5.
(__)Ações de apoio emocional devem focar na articulação entre escola, família e rede de proteção (saúde e assistência social).
(__)O psicólogo deve realizar psicoterapia individual de longa duração dentro do ambiente escolar para tratar traumas familiares graves de alunos.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
A escola é uma instituição atravessada por dinâmicas de poder, subjetividade e normas sociais. A análise institucional na escola permite ao psicólogo intervir nos processos que produzem alienação ou protagonismo. Assim, analise as afirmativas a seguir:
I.A distinção entre o instituído (normas fixas) e o instituinte (forças de mudança) é central para compreender a dinâmica organizacional escolar.
II.A intervenção institucional deve focar na adaptação disciplinar dos indivíduos desviantes, preservando as hierarquias tradicionais de poder.
III.Os 'grupos-sujeito' são aqueles que conseguem refletir sobre sua própria prática e produzir novas formas de organização interna.
IV.A escola deve ser vista como um aparelho puramente técnico de transmissão de informações, desprovido de funções de controle social.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:
O fenômeno do bullying caracteriza-se por comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente em uma relação de poder desigual. Assim, analise as afirmativas a seguir.
I.O bullying envolve três protagonistas principais: o agressor, a vítima e os espectadores (testemunhas).
II.A intervenção psicológica eficaz deve focar exclusivamente na punição disciplinar do agressor para erradicar o comportamento na escola.
III.O cyberbullying é uma extensão do bullying para o ambiente virtual, permitindo que as agressões alcancem uma audiência ampliada e permanente.
IV.A promoção de práticas restaurativas e de empatia no currículo escolar é uma estratégia de prevenção primária reconhecida tecnicamente.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS:
Jean Piaget formulou a Epistemologia Genética, descrevendo estágios de desenvolvimento cognitivo marcados por processos de assimilação e acomodação. Acerca das características técnicas desses estágios na infância e adolescência, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
(__)No estágio sensoriomotor, a criança desenvolve a noção de permanência do objeto, compreendendo que as coisas continuam a existir mesmo fora do seu campo visual.
(__)O estágio pré-operatório é caracterizado pelo pensamento egocêntrico e pela dificuldade em realizar operações mentais reversíveis.
(__)No estágio operatório concreto, o indivíduo adquire a capacidade de raciocínio hipotético-dedutivo puro, lidando com conceitos abstratos sem suporte material.
(__)A equilibração majorante é o processo que permite a passagem de um estágio de menor conhecimento para um de maior complexidade estrutural.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
O Projeto Político Pedagógico (PPP) é o documento que norteia a identidade e as ações da escola. O psicólogo educacional, como parte da equipe multiprofissional, desempenha papel técnico fundamental em sua elaboração e execução. Assim, analise as afirmativas a seguir.
I.O PPP deve ser construído de forma democrática e participativa, envolvendo todos os segmentos da comunidade escolar.
II.A função do psicólogo educacional no PPP restringe-se à elaboração de laudos individuais para os alunos que apresentam baixo rendimento acadêmico.
III.O psicólogo educacional contribui no PPP ao auxiliar na identificação das demandas psicossociais da comunidade e na proposição de ações de promoção de saúde.
IV.O PPP é um documento estático que, uma vez homologado, não deve sofrer alterações por parte da equipe técnica para manter a padronização do ensino.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS: