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Q1333621 Matemática
Em uma ponta de estoque uma calça jeans foi vendida com 35% de desconto pelo preço de R$ 162,50. Qual o valor da peça sem o desconto?
Alternativas
Q1333620 Matemática Financeira
Um trabalhador fez um empréstimo de R$ 2.000,00 com juros simples de 2% ao mês. Sabendo que irá pagar em 10 parcelas fixas, qual o valor da parcela que ele deverá pagar?
Alternativas
Q1333619 Matemática
Na divisão de um polinômio P(x),  por x4 − 20, o quociente obtido foi x − 12 e o resto da divisão foi 9x3 + 32x − 250 . Assinale a alternativa que apresenta o polinômio P(x).
Alternativas
Q1333618 Matemática
Considere a função f(x) = 3x . Assinale a alternativa correta referente ao gráfico de f(x).
Alternativas
Q1333617 Matemática
Em uma promoção de uma loja de departamentos, um cliente comprou 4 camisetas, 5 calças e 3 pares de tênis. De quantas formas diferentes ele poderá se vestir usando as roupas e calçados novos que comprou?
Alternativas
Q1333615 Matemática

Na soma das matrizes A = Imagem associada para resolução da questãoe B = Imagem associada para resolução da questão, obtemos a matriz A + B = Imagem associada para resolução da questão.

Portanto é possível afirmar que o produto a.b é igual à

Alternativas
Q1333613 Português
Assinale a alternativa que apresenta um pronome possessivo.
Alternativas
Q1333612 Português
Quantas letras e quantos fonemas tem o vocábulo CHOQUE?
Alternativas
Q1333611 Português
Assinale a alternativa que não apresenta um ditongo.
Alternativas
Q1333610 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma paroxítona.
Alternativas
Q1333609 Português
Assinale a alternativa que apresenta um verbo no infinitivo.
Alternativas
Q1333608 Português
Meu pai
Quando crianças, vemos os pais como fortes, invencíveis. É
um choque perceber que são frágeis  
Por Walcyr Carrasco
13/08/2013 - 07h30 - Atualizado 27/10/2016 13h07  


    Eu amei meu pai. Embora ele tenha partido há muitos anos, ainda sinto saudades. Meu pai foi embora antes que eu vivesse o sucesso como escritor. Gostaria que ele estivesse aqui, para compartilhar momentos tão bons da minha vida. É estranho quando a gente perde alguém. De repente, sem mais nem menos, quando estou no trânsito dirigindo, tenho vontade de falar com ele. A emoção nos engana e por uma fração de segundos esquecemos que não dá mais para ver, visitar, conversar. 
    Meu pai foi importante na minha carreira. Já contei muitas vezes, mas não canso de repetir. Foi ele quem me deu a primeira máquina de escrever, quando eu tinha 13 anos. Impressionante, não? Falar em máquina de escrever num mundo onde imperam os computadores. Até hoje me comovo com aquele gesto. João – esse era seu nome – era telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana. Muita gente hoje não sabe muito bem o que é um telegrafista, neste tempo de e-mails. Era um trabalho técnico, transmitir de uma cidade para outra, por meio de um código de sinais sonoros – o Morse –, as saídas e as chegadas das locomotivas. Ganhava pouco e se virava com bicos, para educar os três filhos, no interior de São Paulo. Quando resolvi ser escritor, aos 11 ou 12 anos, depois de me apaixonar pelos livros de Monteiro Lobato, ninguém sabia muito bem que profissão seria essa. Diziam que os escritores morriam de fome. Mesmo assim, um dia meu pai apareceu com a máquina de escrever. Ainda lembro seus passos na escada do sobrado em que morávamos, dizendo: 
    – Trouxe uma coisa para você. 
    Em seguida, ele me botou no antigo curso de datilografia. Sim, na época havia escolas onde as pessoas aprendiam a escrever usando todos os dedos. No raciocínio de papai, se essa história de ser escritor não desse certo, eu pelo menos poderia trabalhar num escritório. Ou prestar um concurso público. Na época, o sonho de todo pai com orçamento sofrido era ver o filho no Banco do Brasil, em emprego vitalício. 
    O tempo passou. Viemos para São Paulo, onde a vida se tornou mais difícil ainda. Meu irmão mais velho começou a trabalhar cedo, eu também. Papai tentou vários negócios paralelos. Finalmente conseguiu se levantar com um pequeno estacionamento. Do tipo que hoje provavelmente a prefeitura impediria de existir, tantas são as exigências atuais. Ele tinha consciência de que não nos deixaria fortuna, então lutou pela nossa educação. Seu plano deu certo. Meu irmão Airton estudou química e tornou-se vice-presidente de uma grande empresa. O mais novo, Ney, começou a aprender flauta aos 6 anos de idade. Hoje é músico premiado, professor da Unicamp e, para minha glória, secretário da Cultura de Campinas. Tive aulas de inglês desde os 12 anos, mais tarde consegui um desconto na Aliança Francesa. Sempre com o apoio de meu pai, que nunca saía para comer fora, viajar. Tudo era para nós, os filhos. Minto: desde que me conheço por gente, até os 15 anos, papai me levava ao cinema todas as noites. Ainda me lembro, era tão pequeno que minha mãe me ajudava a ler as legendas. Vi de tudo: chanchada brasileira, filmes B americanos, musicais, Fellini e até Bergman. Os filmes, em Marília, onde vivíamos, ficavam só um ou dois dias em cartaz. 
O que era exibido, nós víamos. Também acho que isso contribuiu muito para a formação de meu universo ficcional, para me dar referências de humor e drama.  
    Muitas vezes rejeitei meu pai. Adolescente, achava que ele não compreendia minhas dificuldades, meus sonhos. Discutíamos. Saí algumas vezes batendo a porta. 
    Quando crianças, nos acostumamos a enxergar os pais como seres fortes, invencíveis. É um choque descobrir, na adolescência, que são frágeis. Demorei a aceitar que meu pai era um homem com todas as dificuldades que uma pessoa normal tem. Sempre fica uma lacuna quando a gente perde alguém. A vontade de ter feito alguma coisa, o sentimento de que eu poderia ter sido um filho melhor. Quando tinha 30 anos, minha avó paterna teve problemas mentais. Ficou totalmente descontrolada. A única solução foi enviá-la a uma casa de repouso. Meu irmão mais velho e minha mãe a levaram. Meu pai subiu as escadas chorando. Subi atrás e o abracei. Suas lágrimas molharam minha camisa. Nesse momento íntimo, intenso, eu cresci. Entendi: meu pai era simplesmente um ser humano. Ele tinha me amparado sempre. Agora, eu é que o amparava. Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.  

Disponível em https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-
carrasco/noticia/2013/08/meu-bpaib.html 
Ainda no quarto parágrafo, o vocábulo ENTÃO pode ser substituído por qual conjunção, sem que o sentido da oração seja alterado.
Alternativas
Q1333607 Português
Meu pai
Quando crianças, vemos os pais como fortes, invencíveis. É
um choque perceber que são frágeis  
Por Walcyr Carrasco
13/08/2013 - 07h30 - Atualizado 27/10/2016 13h07  


    Eu amei meu pai. Embora ele tenha partido há muitos anos, ainda sinto saudades. Meu pai foi embora antes que eu vivesse o sucesso como escritor. Gostaria que ele estivesse aqui, para compartilhar momentos tão bons da minha vida. É estranho quando a gente perde alguém. De repente, sem mais nem menos, quando estou no trânsito dirigindo, tenho vontade de falar com ele. A emoção nos engana e por uma fração de segundos esquecemos que não dá mais para ver, visitar, conversar. 
    Meu pai foi importante na minha carreira. Já contei muitas vezes, mas não canso de repetir. Foi ele quem me deu a primeira máquina de escrever, quando eu tinha 13 anos. Impressionante, não? Falar em máquina de escrever num mundo onde imperam os computadores. Até hoje me comovo com aquele gesto. João – esse era seu nome – era telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana. Muita gente hoje não sabe muito bem o que é um telegrafista, neste tempo de e-mails. Era um trabalho técnico, transmitir de uma cidade para outra, por meio de um código de sinais sonoros – o Morse –, as saídas e as chegadas das locomotivas. Ganhava pouco e se virava com bicos, para educar os três filhos, no interior de São Paulo. Quando resolvi ser escritor, aos 11 ou 12 anos, depois de me apaixonar pelos livros de Monteiro Lobato, ninguém sabia muito bem que profissão seria essa. Diziam que os escritores morriam de fome. Mesmo assim, um dia meu pai apareceu com a máquina de escrever. Ainda lembro seus passos na escada do sobrado em que morávamos, dizendo: 
    – Trouxe uma coisa para você. 
    Em seguida, ele me botou no antigo curso de datilografia. Sim, na época havia escolas onde as pessoas aprendiam a escrever usando todos os dedos. No raciocínio de papai, se essa história de ser escritor não desse certo, eu pelo menos poderia trabalhar num escritório. Ou prestar um concurso público. Na época, o sonho de todo pai com orçamento sofrido era ver o filho no Banco do Brasil, em emprego vitalício. 
    O tempo passou. Viemos para São Paulo, onde a vida se tornou mais difícil ainda. Meu irmão mais velho começou a trabalhar cedo, eu também. Papai tentou vários negócios paralelos. Finalmente conseguiu se levantar com um pequeno estacionamento. Do tipo que hoje provavelmente a prefeitura impediria de existir, tantas são as exigências atuais. Ele tinha consciência de que não nos deixaria fortuna, então lutou pela nossa educação. Seu plano deu certo. Meu irmão Airton estudou química e tornou-se vice-presidente de uma grande empresa. O mais novo, Ney, começou a aprender flauta aos 6 anos de idade. Hoje é músico premiado, professor da Unicamp e, para minha glória, secretário da Cultura de Campinas. Tive aulas de inglês desde os 12 anos, mais tarde consegui um desconto na Aliança Francesa. Sempre com o apoio de meu pai, que nunca saía para comer fora, viajar. Tudo era para nós, os filhos. Minto: desde que me conheço por gente, até os 15 anos, papai me levava ao cinema todas as noites. Ainda me lembro, era tão pequeno que minha mãe me ajudava a ler as legendas. Vi de tudo: chanchada brasileira, filmes B americanos, musicais, Fellini e até Bergman. Os filmes, em Marília, onde vivíamos, ficavam só um ou dois dias em cartaz. 
O que era exibido, nós víamos. Também acho que isso contribuiu muito para a formação de meu universo ficcional, para me dar referências de humor e drama.  
    Muitas vezes rejeitei meu pai. Adolescente, achava que ele não compreendia minhas dificuldades, meus sonhos. Discutíamos. Saí algumas vezes batendo a porta. 
    Quando crianças, nos acostumamos a enxergar os pais como seres fortes, invencíveis. É um choque descobrir, na adolescência, que são frágeis. Demorei a aceitar que meu pai era um homem com todas as dificuldades que uma pessoa normal tem. Sempre fica uma lacuna quando a gente perde alguém. A vontade de ter feito alguma coisa, o sentimento de que eu poderia ter sido um filho melhor. Quando tinha 30 anos, minha avó paterna teve problemas mentais. Ficou totalmente descontrolada. A única solução foi enviá-la a uma casa de repouso. Meu irmão mais velho e minha mãe a levaram. Meu pai subiu as escadas chorando. Subi atrás e o abracei. Suas lágrimas molharam minha camisa. Nesse momento íntimo, intenso, eu cresci. Entendi: meu pai era simplesmente um ser humano. Ele tinha me amparado sempre. Agora, eu é que o amparava. Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.  

Disponível em https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-
carrasco/noticia/2013/08/meu-bpaib.html 
No quarto parágrafo, o pronome SE retoma qual nome anteriormente mencionado?
Alternativas
Q1333606 Português
Meu pai
Quando crianças, vemos os pais como fortes, invencíveis. É
um choque perceber que são frágeis  
Por Walcyr Carrasco
13/08/2013 - 07h30 - Atualizado 27/10/2016 13h07  


    Eu amei meu pai. Embora ele tenha partido há muitos anos, ainda sinto saudades. Meu pai foi embora antes que eu vivesse o sucesso como escritor. Gostaria que ele estivesse aqui, para compartilhar momentos tão bons da minha vida. É estranho quando a gente perde alguém. De repente, sem mais nem menos, quando estou no trânsito dirigindo, tenho vontade de falar com ele. A emoção nos engana e por uma fração de segundos esquecemos que não dá mais para ver, visitar, conversar. 
    Meu pai foi importante na minha carreira. Já contei muitas vezes, mas não canso de repetir. Foi ele quem me deu a primeira máquina de escrever, quando eu tinha 13 anos. Impressionante, não? Falar em máquina de escrever num mundo onde imperam os computadores. Até hoje me comovo com aquele gesto. João – esse era seu nome – era telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana. Muita gente hoje não sabe muito bem o que é um telegrafista, neste tempo de e-mails. Era um trabalho técnico, transmitir de uma cidade para outra, por meio de um código de sinais sonoros – o Morse –, as saídas e as chegadas das locomotivas. Ganhava pouco e se virava com bicos, para educar os três filhos, no interior de São Paulo. Quando resolvi ser escritor, aos 11 ou 12 anos, depois de me apaixonar pelos livros de Monteiro Lobato, ninguém sabia muito bem que profissão seria essa. Diziam que os escritores morriam de fome. Mesmo assim, um dia meu pai apareceu com a máquina de escrever. Ainda lembro seus passos na escada do sobrado em que morávamos, dizendo: 
    – Trouxe uma coisa para você. 
    Em seguida, ele me botou no antigo curso de datilografia. Sim, na época havia escolas onde as pessoas aprendiam a escrever usando todos os dedos. No raciocínio de papai, se essa história de ser escritor não desse certo, eu pelo menos poderia trabalhar num escritório. Ou prestar um concurso público. Na época, o sonho de todo pai com orçamento sofrido era ver o filho no Banco do Brasil, em emprego vitalício. 
    O tempo passou. Viemos para São Paulo, onde a vida se tornou mais difícil ainda. Meu irmão mais velho começou a trabalhar cedo, eu também. Papai tentou vários negócios paralelos. Finalmente conseguiu se levantar com um pequeno estacionamento. Do tipo que hoje provavelmente a prefeitura impediria de existir, tantas são as exigências atuais. Ele tinha consciência de que não nos deixaria fortuna, então lutou pela nossa educação. Seu plano deu certo. Meu irmão Airton estudou química e tornou-se vice-presidente de uma grande empresa. O mais novo, Ney, começou a aprender flauta aos 6 anos de idade. Hoje é músico premiado, professor da Unicamp e, para minha glória, secretário da Cultura de Campinas. Tive aulas de inglês desde os 12 anos, mais tarde consegui um desconto na Aliança Francesa. Sempre com o apoio de meu pai, que nunca saía para comer fora, viajar. Tudo era para nós, os filhos. Minto: desde que me conheço por gente, até os 15 anos, papai me levava ao cinema todas as noites. Ainda me lembro, era tão pequeno que minha mãe me ajudava a ler as legendas. Vi de tudo: chanchada brasileira, filmes B americanos, musicais, Fellini e até Bergman. Os filmes, em Marília, onde vivíamos, ficavam só um ou dois dias em cartaz. 
O que era exibido, nós víamos. Também acho que isso contribuiu muito para a formação de meu universo ficcional, para me dar referências de humor e drama.  
    Muitas vezes rejeitei meu pai. Adolescente, achava que ele não compreendia minhas dificuldades, meus sonhos. Discutíamos. Saí algumas vezes batendo a porta. 
    Quando crianças, nos acostumamos a enxergar os pais como seres fortes, invencíveis. É um choque descobrir, na adolescência, que são frágeis. Demorei a aceitar que meu pai era um homem com todas as dificuldades que uma pessoa normal tem. Sempre fica uma lacuna quando a gente perde alguém. A vontade de ter feito alguma coisa, o sentimento de que eu poderia ter sido um filho melhor. Quando tinha 30 anos, minha avó paterna teve problemas mentais. Ficou totalmente descontrolada. A única solução foi enviá-la a uma casa de repouso. Meu irmão mais velho e minha mãe a levaram. Meu pai subiu as escadas chorando. Subi atrás e o abracei. Suas lágrimas molharam minha camisa. Nesse momento íntimo, intenso, eu cresci. Entendi: meu pai era simplesmente um ser humano. Ele tinha me amparado sempre. Agora, eu é que o amparava. Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.  

Disponível em https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-
carrasco/noticia/2013/08/meu-bpaib.html 
No terceiro parágrafo, há uma oração sublinhada, analise-a e assinale a alternativa que a classifique corretamente.
Alternativas
Q1333605 Português
Meu pai
Quando crianças, vemos os pais como fortes, invencíveis. É
um choque perceber que são frágeis  
Por Walcyr Carrasco
13/08/2013 - 07h30 - Atualizado 27/10/2016 13h07  


    Eu amei meu pai. Embora ele tenha partido há muitos anos, ainda sinto saudades. Meu pai foi embora antes que eu vivesse o sucesso como escritor. Gostaria que ele estivesse aqui, para compartilhar momentos tão bons da minha vida. É estranho quando a gente perde alguém. De repente, sem mais nem menos, quando estou no trânsito dirigindo, tenho vontade de falar com ele. A emoção nos engana e por uma fração de segundos esquecemos que não dá mais para ver, visitar, conversar. 
    Meu pai foi importante na minha carreira. Já contei muitas vezes, mas não canso de repetir. Foi ele quem me deu a primeira máquina de escrever, quando eu tinha 13 anos. Impressionante, não? Falar em máquina de escrever num mundo onde imperam os computadores. Até hoje me comovo com aquele gesto. João – esse era seu nome – era telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana. Muita gente hoje não sabe muito bem o que é um telegrafista, neste tempo de e-mails. Era um trabalho técnico, transmitir de uma cidade para outra, por meio de um código de sinais sonoros – o Morse –, as saídas e as chegadas das locomotivas. Ganhava pouco e se virava com bicos, para educar os três filhos, no interior de São Paulo. Quando resolvi ser escritor, aos 11 ou 12 anos, depois de me apaixonar pelos livros de Monteiro Lobato, ninguém sabia muito bem que profissão seria essa. Diziam que os escritores morriam de fome. Mesmo assim, um dia meu pai apareceu com a máquina de escrever. Ainda lembro seus passos na escada do sobrado em que morávamos, dizendo: 
    – Trouxe uma coisa para você. 
    Em seguida, ele me botou no antigo curso de datilografia. Sim, na época havia escolas onde as pessoas aprendiam a escrever usando todos os dedos. No raciocínio de papai, se essa história de ser escritor não desse certo, eu pelo menos poderia trabalhar num escritório. Ou prestar um concurso público. Na época, o sonho de todo pai com orçamento sofrido era ver o filho no Banco do Brasil, em emprego vitalício. 
    O tempo passou. Viemos para São Paulo, onde a vida se tornou mais difícil ainda. Meu irmão mais velho começou a trabalhar cedo, eu também. Papai tentou vários negócios paralelos. Finalmente conseguiu se levantar com um pequeno estacionamento. Do tipo que hoje provavelmente a prefeitura impediria de existir, tantas são as exigências atuais. Ele tinha consciência de que não nos deixaria fortuna, então lutou pela nossa educação. Seu plano deu certo. Meu irmão Airton estudou química e tornou-se vice-presidente de uma grande empresa. O mais novo, Ney, começou a aprender flauta aos 6 anos de idade. Hoje é músico premiado, professor da Unicamp e, para minha glória, secretário da Cultura de Campinas. Tive aulas de inglês desde os 12 anos, mais tarde consegui um desconto na Aliança Francesa. Sempre com o apoio de meu pai, que nunca saía para comer fora, viajar. Tudo era para nós, os filhos. Minto: desde que me conheço por gente, até os 15 anos, papai me levava ao cinema todas as noites. Ainda me lembro, era tão pequeno que minha mãe me ajudava a ler as legendas. Vi de tudo: chanchada brasileira, filmes B americanos, musicais, Fellini e até Bergman. Os filmes, em Marília, onde vivíamos, ficavam só um ou dois dias em cartaz. 
O que era exibido, nós víamos. Também acho que isso contribuiu muito para a formação de meu universo ficcional, para me dar referências de humor e drama.  
    Muitas vezes rejeitei meu pai. Adolescente, achava que ele não compreendia minhas dificuldades, meus sonhos. Discutíamos. Saí algumas vezes batendo a porta. 
    Quando crianças, nos acostumamos a enxergar os pais como seres fortes, invencíveis. É um choque descobrir, na adolescência, que são frágeis. Demorei a aceitar que meu pai era um homem com todas as dificuldades que uma pessoa normal tem. Sempre fica uma lacuna quando a gente perde alguém. A vontade de ter feito alguma coisa, o sentimento de que eu poderia ter sido um filho melhor. Quando tinha 30 anos, minha avó paterna teve problemas mentais. Ficou totalmente descontrolada. A única solução foi enviá-la a uma casa de repouso. Meu irmão mais velho e minha mãe a levaram. Meu pai subiu as escadas chorando. Subi atrás e o abracei. Suas lágrimas molharam minha camisa. Nesse momento íntimo, intenso, eu cresci. Entendi: meu pai era simplesmente um ser humano. Ele tinha me amparado sempre. Agora, eu é que o amparava. Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.  

Disponível em https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-
carrasco/noticia/2013/08/meu-bpaib.html 
O texto começa com a seguinte oração: “Eu amei meu pai”, o modo verbal utilizado indica que
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Q1333604 Português
Meu pai
Quando crianças, vemos os pais como fortes, invencíveis. É
um choque perceber que são frágeis  
Por Walcyr Carrasco
13/08/2013 - 07h30 - Atualizado 27/10/2016 13h07  


    Eu amei meu pai. Embora ele tenha partido há muitos anos, ainda sinto saudades. Meu pai foi embora antes que eu vivesse o sucesso como escritor. Gostaria que ele estivesse aqui, para compartilhar momentos tão bons da minha vida. É estranho quando a gente perde alguém. De repente, sem mais nem menos, quando estou no trânsito dirigindo, tenho vontade de falar com ele. A emoção nos engana e por uma fração de segundos esquecemos que não dá mais para ver, visitar, conversar. 
    Meu pai foi importante na minha carreira. Já contei muitas vezes, mas não canso de repetir. Foi ele quem me deu a primeira máquina de escrever, quando eu tinha 13 anos. Impressionante, não? Falar em máquina de escrever num mundo onde imperam os computadores. Até hoje me comovo com aquele gesto. João – esse era seu nome – era telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana. Muita gente hoje não sabe muito bem o que é um telegrafista, neste tempo de e-mails. Era um trabalho técnico, transmitir de uma cidade para outra, por meio de um código de sinais sonoros – o Morse –, as saídas e as chegadas das locomotivas. Ganhava pouco e se virava com bicos, para educar os três filhos, no interior de São Paulo. Quando resolvi ser escritor, aos 11 ou 12 anos, depois de me apaixonar pelos livros de Monteiro Lobato, ninguém sabia muito bem que profissão seria essa. Diziam que os escritores morriam de fome. Mesmo assim, um dia meu pai apareceu com a máquina de escrever. Ainda lembro seus passos na escada do sobrado em que morávamos, dizendo: 
    – Trouxe uma coisa para você. 
    Em seguida, ele me botou no antigo curso de datilografia. Sim, na época havia escolas onde as pessoas aprendiam a escrever usando todos os dedos. No raciocínio de papai, se essa história de ser escritor não desse certo, eu pelo menos poderia trabalhar num escritório. Ou prestar um concurso público. Na época, o sonho de todo pai com orçamento sofrido era ver o filho no Banco do Brasil, em emprego vitalício. 
    O tempo passou. Viemos para São Paulo, onde a vida se tornou mais difícil ainda. Meu irmão mais velho começou a trabalhar cedo, eu também. Papai tentou vários negócios paralelos. Finalmente conseguiu se levantar com um pequeno estacionamento. Do tipo que hoje provavelmente a prefeitura impediria de existir, tantas são as exigências atuais. Ele tinha consciência de que não nos deixaria fortuna, então lutou pela nossa educação. Seu plano deu certo. Meu irmão Airton estudou química e tornou-se vice-presidente de uma grande empresa. O mais novo, Ney, começou a aprender flauta aos 6 anos de idade. Hoje é músico premiado, professor da Unicamp e, para minha glória, secretário da Cultura de Campinas. Tive aulas de inglês desde os 12 anos, mais tarde consegui um desconto na Aliança Francesa. Sempre com o apoio de meu pai, que nunca saía para comer fora, viajar. Tudo era para nós, os filhos. Minto: desde que me conheço por gente, até os 15 anos, papai me levava ao cinema todas as noites. Ainda me lembro, era tão pequeno que minha mãe me ajudava a ler as legendas. Vi de tudo: chanchada brasileira, filmes B americanos, musicais, Fellini e até Bergman. Os filmes, em Marília, onde vivíamos, ficavam só um ou dois dias em cartaz. 
O que era exibido, nós víamos. Também acho que isso contribuiu muito para a formação de meu universo ficcional, para me dar referências de humor e drama.  
    Muitas vezes rejeitei meu pai. Adolescente, achava que ele não compreendia minhas dificuldades, meus sonhos. Discutíamos. Saí algumas vezes batendo a porta. 
    Quando crianças, nos acostumamos a enxergar os pais como seres fortes, invencíveis. É um choque descobrir, na adolescência, que são frágeis. Demorei a aceitar que meu pai era um homem com todas as dificuldades que uma pessoa normal tem. Sempre fica uma lacuna quando a gente perde alguém. A vontade de ter feito alguma coisa, o sentimento de que eu poderia ter sido um filho melhor. Quando tinha 30 anos, minha avó paterna teve problemas mentais. Ficou totalmente descontrolada. A única solução foi enviá-la a uma casa de repouso. Meu irmão mais velho e minha mãe a levaram. Meu pai subiu as escadas chorando. Subi atrás e o abracei. Suas lágrimas molharam minha camisa. Nesse momento íntimo, intenso, eu cresci. Entendi: meu pai era simplesmente um ser humano. Ele tinha me amparado sempre. Agora, eu é que o amparava. Foi só quando pude sentir as dores de meu pai é que aprendi a ser um filho.  

Disponível em https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-
carrasco/noticia/2013/08/meu-bpaib.html 
A crônica de Walcyr Carrasco aponta que
Alternativas
Q1329930 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
Sobre a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - dos recursos, analise as assertivas e assinale a alternativa correta.
I. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. II. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão poderá recorrer. III. A renúncia ao direito de recorrer depende da aceitação da outra parte. IV. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. V. Cada parte interporá o recurso com o mesmo prazo e com observância das exigências legais. VI. Os recursos impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso.
Alternativas
Q1329929 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
Sobre a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 – da Denunciação da LIDE, analise as assertivas e assinale a alternativa correta.
I. É admissível a denunciação da lide, promovida somente pelo réu. II. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor, ou na contestação, se o denunciante for réu. III. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da denunciação da lide. IV. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu. V. O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.
Alternativas
Q1329928 Direito Tributário
Analise as assertivas e assinale a alternativa correta.
I. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. II. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. III. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. IV. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. V. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Alternativas
Respostas
12841: B
12842: B
12843: A
12844: A
12845: D
12846: E
12847: C
12848: E
12849: E
12850: D
12851: A
12852: A
12853: D
12854: A
12855: E
12856: A
12857: B
12858: A
12859: E
12860: E