Questões de Concurso Para ibam

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Q4297461 Pedagogia
Em uma determinada escola, a equipe pedagógica deseja iniciar o atendimento educacional especializado de um estudante recém-matriculado. Antes de elaborar qualquer plano individualizado, a etapa metodológica que deve necessariamente ocorrer é:
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Q4297460 Pedagogia
O atendimento educacional especializado (AEE), conforme a legislação vigente, caracteriza-se por ser:
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Q4297459 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Em uma escola, um estudante com deficiência física é constantemente colocado para assistir às aulas de educação física “de fora”, sentado no banco, enquanto os colegas praticam as atividades. Sob a perspectiva da educação inclusiva, essa conduta:
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Q4297456 Pedagogia
Um profissional de apoio escolar percebe que um estudante autista se comunica predominantemente por gestos e pictogramas, e não pela fala. Em uma atividade de roda de conversa, a postura mais adequada do profissional é:
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Q4297455 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Entre as atribuições do profissional de apoio ao estudante com deficiência inclui-se o exercício de atividades relacionadas à:
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Q4297454 Pedagogia
Constitui atribuição do profissional de apoio ao estudante com deficiência:
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Q4297453 Legislação dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro
De acordo com a Lei Orgânica do Município, não representa uma competência própria dos auxiliares diretos do Prefeito:
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Q4297451 História e Geografia de Estados e Municípios
O Teatro Municipal de Saquarema, que conta com capacidade para cerca de 160 pessoas e programação cultural variada, homenageia, com seu nome, o seguinte ator brasileiro:
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Q4297450 História e Geografia de Estados e Municípios
A população de Saquarema estimada pelo IBGE para 2025 é de:
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Q4297448 Sociologia

“Para reeducar as relações étnico-raciais, no Brasil, é necessário fazer emergir as dores e medos que têm sido gerados. É preciso entender que o sucesso de uns tem o preço da marginalização e da desigualdade impostas a outros."

Esse trecho, presente nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, fundamenta-se na compreensão de que:

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Q4297447 Pedagogia

“[...] desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, essa é a finalidade:

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Q4297445 Pedagogia
Em conformidade com o artigo 32 da Lei Complementar nº 220, de 31 de outubro de 2025, que institui o Sistema Nacional de Educação, os padrões mínimos de qualidade da educação básica a serem pactuados entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios compreendem:
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Q4297444 Pedagogia
Um dos objetivos gerais do Plano Nacional de Educação (Lei nº 15.388, de 14 de abril de 2026) consiste em universalizar o atendimento escolar à população de:
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Q4297443 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

Ainda no 6º parágrafo, há referência a um confronto entre os referentes da primeira e da terceira pessoas do discurso.

No contexto, a origem desse confronto decorre de um processo de:

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Q4297442 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

No 6º parágrafo, o autor se refere a um hábito adquirido.

Com base nesse hábito, o conteúdo dos parágrafos anteriores pode ser caracterizado, no que diz respeito ao autor, como uma forma de:

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Q4297441 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. (5º parágrafo)

Nesta frase, as palavras “agora” e “aqui” são classificadas gramaticalmente como:

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Q4297440 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos. (3º parágrafo)

Na frase acima, em relação ao verbo “observar”, as orações iniciadas por “como” expressam sentido de:

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Q4297438 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. (4º parágrafo)

No 4º parágrafo, o autor estabelece uma aproximação entre vida e literatura.

Essa aproximação ocorre por meio do seguinte recurso:

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Q4297437 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025

o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas. (2º parágrafo)

O fragmento acima expressa sentido semelhante a outro, presente no 5º parágrafo e transcrito em:

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Q4297436 Português

Texto: SOBRE OS ENGOLIDOS PELAS TELAS, CONDENADOS À INEXISTÊNCIA

A cena foi simples e ainda assim distópica, inesquecível. Estava parado no sinal vermelho, por acaso sem buscar distração, olhar perdido no vazio, ou mais precisamente nos carros opostos a mim. O sinal verde se abriu e ninguém se moveu. O primeiro motorista, dominado por seu celular, não percebeu que era hora de partir. Em outros tempos teria ouvido um buzinaço hostil, mas agora imperou o silêncio. Atrás dele havia outro motorista perdido no celular, e atrás desse mais outro, e atrás desse mais outro, até um insondável limite. Uma fila de sujeitos de todo indiferentes ao momento de seguir, sem pressa para chegar a lugar nenhum, talvez sem saber aonde ir.

A imagem me pareceu mais reveladora do que outras típicas da nossa época, como os casais em restaurantes que mal se falam e mal se veem, ou os passageiros de ônibus, aviões, trens, sentados lado a lado e totalmente alheios, cada um consumido por sua tela resplandecente. O caso que eu testemunhava era mais chocante pela paralisia: aquelas pessoas estavam detidas no tempo, suspensas numa hora qualquer de seus dias, num ponto qualquer do mundo, absortas numa futilidade qualquer, ausentes de si mesmas. Já não precisavam de nada, estavam saciadas: o testemunho de um mundo fantasmático era suficiente para a continuidade de suas vidas.

Todos o sabemos, todos o dizemos de inúmeras maneiras, nem sei por que me repito. Me sinto, como tantos, refém de uma existência que privilegia mais a emoção fácil, efêmera, vazia, do que qualquer tipo real de experiência. Um mundo que nos convoca à contemplação passiva, hipnótica, e assim nos afasta de toda ação, de todo encontro, de toda vivência efetiva. Um mundo em que o ato, quando enfim se dá, se restringe ao comentário breve e banal, uma ação inativa. Nos tornamos quase todos não mais que espectadores, a observar o caos do mundo como se fosse teatro ou pantomima, como se não nos dissesse respeito, como se não fosse feito do trançado dos nossos próprios caminhos.

“Se eu chegarei a ser o herói da minha própria vida, ou se esse posto será ocupado por qualquer outra pessoa, é o que estas páginas devem mostrar”. Eis a antológica primeira frase do romance David Copperfield, de Charles Dickens. O romance tem sido há séculos o gênero que nos traz tal veredicto, afirmando se chegamos ou não a ser os heróis dos nossos próprios dias, mesmo que sejamos heróis pouco heroicos, comuns, falhos, às vezes até indignos. Agora, a julgar por essa entrega absoluta do nosso tempo e da nossa atenção, o caso é que já não somos, já não temos a menor chance de ser os heróis das nossas vidas. Só o que fazemos é assistir às vidas dos outros, se é que os outros de fato vivem.

É uma questão de presença no espaço, em algum agora, algum aqui. Isso que se tornou a nossa vida prescinde da nossa presença, por isso não temos mais pressa em chegar a algum lugar, porque nós mesmos nos fizemos prescindíveis. E, no entanto, talvez para nos defendermos dessa consciência incômoda, preferimos sentir o contrário, um desejo forte de não faltar ao mundo virtual, que se traduz em ansiedade. Daí nosso terror de deixar escapar um acontecimento essencial, uma notícia, uma palavra avulsa de quem quer que seja, o terror de não a ouvir no exato instante em que é proferida. Daí a ilusão contraditória de que nossa presença ali seria necessária, mesmo que tão passiva e tão espectral, a ilusão de que o nosso mundo precisa do nosso olhar para existir.

Agora escrevo afastado do celular. Há algumas semanas adquiri esse hábito, preciso deixar o aparelho a alguns metros de distância para não correr o risco de ser absorvido, de me perder por seus labirintos e demorar a encontrar a saída. É uma tática ingênua, até ridícula, mas eficaz. Onde ele não está, finalmente eu estou, com meu corpo e meu pensamento, mais preservados até do que seria de se esperar, depois de tanta turvação estúpida. Se ele não está, eu ainda estou aqui, eu existo.

JULIÁN FUKS
Adaptado de uol.com.br, 29/11/2025
No 2º parágrafo, os dois-pontos são empregados duas vezes. Em ambos os casos, introduzem segmento com valor de:
Alternativas
Respostas
101: B
102: C
103: A
104: C
105: D
106: D
107: B
108: A
109: C
110: C
111: B
112: A
113: D
114: A
115: C
116: D
117: A
118: B
119: B
120: B