Questões de Concurso Comentadas para ibam

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Q3725391 Matemática
A circunferência que passa pelos pontos (0, 0), (4,0) e (0, -2) tem raio igual a:
Alternativas
Q3725390 Matemática
O raio do círculo inscrito em um triângulo retângulo cuja hipotenusa mede 20 cm é igual a 4 cm. A área desse triângulo, em cm², vale:  
Alternativas
Q3725388 Matemática
A soma de quatro números em progressão aritmética é igual a 72. Se o quarto termo da progressão é igual a 3/2 do segundo termo, a soma dos três primeiros termos corresponde a:  
Alternativas
Q3725386 Matemática
Considere o triângulo retângulo cujos catetos medem 6 cm e 8 cm. A medida da bissetriz, do maior ângulo agudo desse triângulo, em cm, é:  
Alternativas
Q3725382 Matemática
A média harmônica das raízes da equação x³ + 2x² + x + m = 0 é igual a 6. O número real m é igual a:
Alternativas
Q3725381 Matemática
Uma lista contém cinco números distintos. Somando-se a cada um deles a mediana desses cinco números, obtém-se os números 12, 14, 18, 19 e 23. A média aritmética dos cinco números da lista inicial é igual a: 
Alternativas
Q3725380 Matemática
Um polígono regular tem 100 diagonais que passam pelo seu centro. Logo, a diferença, em graus, entre a medida de um ângulo interno e de um ângulo externo do polígono é:
Alternativas
Q3725379 Matemática
Considere o paralelepípedo retângulo ABCDEFGH representado na figura a seguir e P e Q como pontos pertencentes, respectivamente, às arestas EH e FG de modo que o segmento PQ seja paralelo à aresta HG.
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Dados:
med(AB) = 3 cm med(EH) = 6 cm med(CG) = (x + 2) cm med(EP) = x cm
Se o volume do sólido ABFEPQ corresponde a 20% do volume do paralelepípedo, então a área total desse paralelepípedo, em cm², é:  
Alternativas
Q3725378 Matemática
Se S é a soma de todos os divisores positivos de 105 que não são primos e P é a soma de todos os divisores positivos de 105 que são primos, a diferença S – P é igual a: 
Alternativas
Q3725355 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
Critérios mórficos, sintáticos e semânticos devem ser considerados na classificação gramatical das palavras.
A palavra “como”, por exemplo, usada quatro vezes no último parágrafo, assume valor adverbial em: 
Alternativas
Q3725354 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
No último parágrafo, o autor critica dois tipos de declarações ouvidas de professores, que evidenciam desconhecimento sobre a língua, seu objeto de especialização.
Campos de estudos que se confrontam com tais declarações são, respectivamente:  
Alternativas
Q3725353 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
Assim como no exemplo das adversativas, também é comum a ausência de enfoque nos valores argumentativos dos tipos de sujeito. O sujeito indeterminado, por exemplo, muitas vezes representa o apagamento de uma informação importante.
No texto, pode-se considerar que isso ocorre em:
Alternativas
Q3725352 Linguística

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

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Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas. (2º parágrafo)
Na frase, enfatiza-se a articulação entre elementos constitutivos da linguagem, que podem ser denominados:
Alternativas
Q3725351 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
No 2º parágrafo, o autor cita dois períodos compostos por coordenação com mesma organização sintática, mas com distintos valores argumentativos.
No caso, os valores argumentativos se expressam em diferentes ênfases dadas aos seguintes tópicos:  
Alternativas
Q3725350 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

Adaptado de revistaconfluencia.org.br.
A adversidade é um tipo de oposição, que comumente se expressa em orações coordenadas adversativas.
Outro tipo de oposição, expressa por um tipo de oração subordinada adverbial, está exemplificada em:  
Alternativas
Q3725349 Português

Texto 2: A Linguística e o Ensino da Língua Portuguesa no Brasil: Uma Visão Crítica

 

O ensino da Língua Portuguesa, é praticamente um consenso no meio educacional brasileiro, apresenta-se, em geral, insatisfatório, improdutivo, não propiciando a formação de leitores e produtores textuais proficientes, afinal, o seu objetivo central. Que interesse, que estímulo pode ter, então, tal ensino para professores e alunos? A não ser para professores que se rejubilem, se sintam realizados, só porque suas turmas estão classificando com acerto, por exemplo, as orações coordenadas, numa prática, não obstante, frequentemente mecânica. A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa.

Trata-se, evidentemente, de uma análise que, se bem que seja útil como meio de comprovação, mostra-se insuficiente, redutora, muitas vezes, na apreensão do sentido da oração na frase em que ocorre. Procedendo deste modo, teríamos análises idênticas para a oração coordenada em frases como “Ele agrediu o vizinho, mas foi por justa causa” e “Foi por justa causa, mas ele agrediu o vizinho”, quando, na verdade, a estruturação semântica das duas é oposta, porque os pontos de vista argumentativos são opostos. Em uma análise gramatical plena, deve-se apreender sempre o intento, o sentir do falante, de maneira a distinguir acepções textuais ou sentidos diversos, como no caso do “mas”, em enunciados com as mesmas unidades linguísticas.

Convive-se, desta maneira, com um ensino que, em geral, não cultua a prática reflexiva da língua, o seu domínio, em suas variedades e em seus modos diversos de dizer, que não motiva, assim, o gosto pelo seu estudo, pela leitura compreensiva de seus textos e pela produção constante destes, compartimentado em aulas de redação, aulas de exercícios de gramática normativa, ou descritiva, e aulas de leitura, que parece longe, cada vez mais, de contribuir, por exemplo, para o florescer do sentimento poético dos estudantes, tão fundamental na formação de uma cidadania integral.

Lamentável tal situação, quando se tem a compreensão de a linguagem ser imprescindível para a definição do homem. Possuidor da palavra é que o homem torna-se senhor do mundo da natureza e do mundo dos espíritos, como enfatiza o instigante linguista italiano Antonino Pagliaro, ou, como assevera Coseriu, a linguagem é o primeiro fenômeno da liberdade do homem (...). O homem vive em um mundo linguístico que ele mesmo criou como ser histórico. Pode-se ter objeto mais fascinante de estudo?

Ao fazer, já ao final do curso de graduação, indagações aos alunos sobre aspectos básicos do fenômeno linguístico, tinha, frequentemente, surpresas desagradáveis (por exemplo, a gíria ser identificada como linguagem desleixada, ou com a fala de quem não tem bom domínio da língua). Como é profundamente constrangedor, já ressaltei em outro texto, ouvir um professor de português opinar sobre assuntos linguísticos correntes como se leigo fosse, através, por exemplo, de julgamentos como “o português é uma língua complexa e de aquisição difícil”.

CARLOS EDUARDO FALCÃO UCHÔA

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A simples presença de um “mas”, numa frase, conduziria o aluno ao emprego do termo gramatical correspondente: oração coordenada adversativa. (1º parágrafo)
O texto de Carlos Uchôa expressa uma crítica a certa prática pedagógica recorrente no ensino de Língua Portuguesa na educação básica. A frase citada apresenta, em relação a tal prática, ideia de: 
Alternativas
Q3725348 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.
A palavra “sim”, comumente empregada como advérbio de afirmação, pode ter valor argumentativo de reiteração de uma ideia anteriormente exposta. Considerando a progressão textual, esse uso do “sim” é observado em:
Alternativas
Q3725347 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.
Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. (6º parágrafo)
Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente. (7º parágrafo)
O implícito é uma informação que pode ser depreendida do texto, ainda que não esteja efetivamente enunciada.
A existência de uma “esperança” implícita, como propõe Gustavo Bernardo, pode ser corroborada pela seguinte expressão presente no miniconto:
Alternativas
Q3725346 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.
Ao apresentar e comentar as questões do vestibular da Uerj, o autor exemplifica certa concepção de leitura, que pode ser descrita como: 
Alternativas
Q3725345 Português

Texto 1: Quem Tem Medo da Metonímia?

 

E da metáfora? E da ironia? Na metonímia, na metáfora e na ironia, transporta-se, como diria Aristóteles, para uma coisa o nome de outra coisa. Essa é a definição aristotélica de metáfora, mas serve bem tanto à metonímia quanto à ironia. Nos três casos, dizemos uma coisa querendo dizer outra.

Por quê? Porque a metáfora é a mãe (uma metáfora) não apenas de todas as figuras de linguagem, mas também de toda a linguagem. As palavras com que designamos as coisas e as pessoas não são nem as coisas nem as pessoas: as palavras estão no lugar das coisas e das pessoas. Logo, as palavras já são metáforas.

A metonímia, foco deste artigo, também substitui um sentido por outro, mas mantendo uma relação de proximidade entre eles. Na metonímia, um termo substitui outro não porque enxergamos semelhança entre os elementos que ambos os termos designam, quando nos expressaríamos através de uma metáfora, mas sim vislumbrando uma relação de contiguidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui.

Alguns gramáticos dizem que a função principal da linguagem figurada é a de provocar uma surpresa no leitor, fazendo com que ele preste atenção não somente no que o autor diz, mas também em como construiu o texto. Essa observação é interessante, porque mostra que as figuras de linguagem não são apenas enfeites ou ornamentos, mas também despertadores (mais uma metáfora) da consciência dos leitores. A função despertadora das metonímias fica nítida quando percebemos que elas não se restringem a palavras e frases: muitos gestos são igualmente metonímicos. Na cultura árabe, por exemplo, o gesto de mostrar a sola do sapato para outra pessoa implica insulto gravíssimo. A associação metonímica se dá com a sola do sapato, a parte do calçado que encosta na sujeira contida no chão. Por isso, na cultura muçulmana, os sapatos são proibidos de serem utilizados nas mesquitas.

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. A compreensão da metonímia é, na verdade, da ordem da sociologia e da filosofia: ela nos ajuda a fazer perguntas e a estabelecer relações que não são claras a priori. Por esta razão, ao invés de listar exemplos soltos de metonímia, recordo três questões do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj que abordam a metonímia.

No Exame de Qualificação 2020, no qual o livro Hora de alimentar serpentes, da escritora ítalo-brasileira Marina Colasanti, era a leitura indicada, uma das questões partia do pequeno conto da autora intitulado “Para começar”: Desejou ter a beleza de uma árvore frondosa tatuada nas costas, copa espraiada sobre os ombros. Temendo, porém, o longo sofrimento imposto pelas agulhas, mandou tatuar na base da coluna, bem na base, a mínima semente. Sobre esse pequeno conto, se perguntava: “Na narrativa, o desejo inicial e a decisão final do personagem podem ser relacionados por meio da seguinte figura de linguagem: (A) metonímia (B) hipérbole (C) antítese (D) ironia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “A metonímia é a figura de linguagem que toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, numa relação de contiguidade. É esta relação metonímica que se estabelece na narrativa: o desejo inicial do personagem era tatuar a árvore, mas sua decisão final foi a de tatuar uma semente. Dessa forma, a árvore representa o todo do qual a semente é uma parte.” Os candidatos deveriam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do texto e do contexto, e sim na própria narrativa. O personagem, com medo da dor no processo de tatuagem de uma árvore frondosa nas costas, prefere tatuar na base da coluna uma pequena semente, ou seja, a semente da árvore que ele desejava tatuada nas suas costas. Fica implícita, na narrativa, a esperança de que a tatuagem da árvore cresça sozinha, sem agulhas, a partir da tatuagem da semente.

No Exame Único 2023, no qual o romance Niketche: uma história de poligamia, da escritora moçambicana Paulina Chiziane, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “As mulheres de Tony pertencem a diferentes grupos étnicos. Rami é ronga; Ju é changana; Lu é sena; Saly é maconde; Mauá é macua. Em relação a essa diversidade, na representação cultural de Moçambique, cada uma dessas mulheres pode ser compreendida pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) metonímia (D) eufemismo”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Em Niketche, todo o conflito se desenvolve em torno de Tony e suas cinco mulheres, que vêm de diferentes partes de Moçambique, país fortemente marcado pela pluralidade étnica. Pode-se dizer que Moçambique é apresentado, portanto, por essas cinco personagens, que formam uma espécie de mosaico? Sim, cada uma delas representa uma etnia, e as particularidades culturais e geográficas desses grupos são debatidas, ao longo da narrativa, por meio da ação das próprias personagens.” Novamente, os candidatos precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que pudesse ser retirada do romance, mas sim na função das personagens na própria narrativa.

Por fim, no Exame de Qualificação 2025, no qual o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, era a leitura indicada, uma das questões perguntava: “Em Quincas Borba, os personagens se movimentam no contexto de emergência do capitalismo no Brasil. Em relação a esse contexto, o protagonista Rubião pode ser melhor identificado pela seguinte figura de linguagem: (A) antítese (B) hipérbole (C) eufemismo (D) metonímia”.

O comentário da banca examinadora, a respeito dessa questão, foi o seguinte: “(...) Machado de Assis mostra, desde o primeiro parágrafo da narrativa, que seus personagens se movem no contexto do surgimento do capitalismo no Brasil. Como a metonímia é a figura de linguagem em que a parte pode representar o todo, Rubião, o personagem principal, é ele mesmo uma metonímia desse capitalismo emergente, a saber, o indivíduo que representa todos os capitalistas e todo o capitalismo. Com seu fascínio pela ostentação e seu afã de enriquecer a qualquer custo e o mais rápido possível, Rubião encarna não apenas as benesses do capitalismo, como também a possibilidade de ascensão social de um indivíduo comum, mas também, e principalmente, as mazelas desse mesmo capitalismo – como, por exemplo, a possibilidade de queda desse mesmo indivíduo.

(...)”

Esta questão se mostra semelhante àquela que vimos a respeito do romance de Paulina Chiziane. Nela, os candidatos também precisariam reparar que a relação metonímica não se estabelece em uma frase qualquer que possa ser retirada do romance, mas sim na função dos personagens na própria narrativa. Comprova-se, dessa maneira, que a compreensão da metonímia é, sim, de ordem mais ampla, abrangendo da ética – isto é, a reflexão sobre valores morais – à metafísica – isto é, à reflexão sobre a essência das coisas e das pessoas.

 

GUSTAVO BERNARDO

Adaptado de revista.vestibular.uerj.br.

Com base no fragmento a seguir, responda à questão.

 

A querida leitora e o querido leitor talvez esperem que eu passe a listar vários exemplos soltos de metonímia. Entretanto, é o que estou tentando não fazer, porque não compreendemos a metonímia e as demais figuras de linguagem, bem como qualquer conteúdo programático, apenas decorando listas de frases soltas e descontextualizadas. (5º parágrafo)


Tal prática pedagógica, criticada pelo autor, tende a privilegiar uma concepção de ensino de língua que se caracteriza sobretudo por: 

Alternativas
Respostas
2081: A
2082: A
2083: B
2084: D
2085: B
2086: A
2087: A
2088: C
2089: B
2090: B
2091: A
2092: C
2093: A
2094: A
2095: B
2096: D
2097: D
2098: A
2099: A
2100: C