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Q4258440 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença. 

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais.

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes "às" atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Considerando o uso do acento indicativo de crase e a estrutura do período, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I.No trecho, o acento indicativo de crase em "às atuais" existe, pois ocorre a fusão da preposição "a", solicitada pelo termo "semelhantes", com o artigo definido "as" que precede o substantivo "experiências" subentendido.
PORQUE
II.Em construções comparativas com o adjetivo "semelhante", o termo subsequente solicita a preposição "a", e o artigo definido "as" é facultativo antes do pronome demonstrativo "atuais", razão pela qual a crase pode ser facultativa no contexto.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258438 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença. 

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais.

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner "estabelece" uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual.

Considerando a regência do verbo "estabelece", assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258436 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença. 

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais.

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Analise se as afirmativas a seguir, quanto à classificação das orações subordinadas presentes no texto, são falsas (F) ou verdadeiras (V).

(__)No primeiro período do texto, a oração "que os jebuseus eram um povo antigo" classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta.
(__)No trecho "que ocupou Jerusalém e não podia ser expulso", a oração "que ocupou Jerusalém" classifica-se como subordinada adverbial temporal.
(__)No trecho "A metáfora aconselha quem sofre de acídia", a oração "quem sofre de acídia" classifica-se como subordinada adjetiva restritiva.
(__)No trecho "a aprender a conviver com esses sentimentos", a sequência introduzida pelo infinitivo funciona como complemento verbal de "aconselha", exprimindo a ação aconselhada ao destinatário.

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258432 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria medieval tem a nos ensinar


O estresse e o esgotamento mental não são problemas exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, continua surpreendentemente atual.

Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos: cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa mental, descrita como uma confusão da mente sem explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.

Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor que esses problemas sejam consequência das pressões do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida espiritual.

Será que relatos como esse podem ajudar a compreender o mal-estar contemporâneo e apontar caminhos para enfrentá-lo?

Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones, Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente medieval, que apresenta as formas como os chamados padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a angústia espiritual.

A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi recorrente ao longo da história, constatação que pode confortar quem atravessa um período de profunda angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer também aos manuscritos medievais.

Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio da minha vida".

Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para explicar, aceitou o cargo de professor titular de História na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas pernas.

Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia fazer nada.

Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os autores medievais passaram por experiências semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as crises humanas sempre foram parecidos.

Jones explica que os sete pecados capitais não aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório Magno, que os considerava uma ferramenta para compreender os problemas da mente.

Esse esquema de organização dos pensamentos incluía soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir. Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela um vazio emocional mais profundo.

Conhecida na época como acídia, a condição abrangia uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar apenas indiferença. 

Jones conta que se identificou especialmente com um texto do século treze, conhecido como MS 306 e preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a sensação de paralisia que ele experimentou durante o inverno na Sibéria.

Jones não é o único historiador a identificar paralelos entre os males medievais e os da vida contemporânea.

No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre os sintomas estão a busca de conforto na comida e o recurso a distrações sem propósito, em vez da dedicação a atividades significativas.

Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as estratégias inadequadas usadas para recuperar as energias agravam o problema. Nesse sentido, os indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que realmente importa por meio de atividades improdutivas.

Mas quais eram as soluções?

O autor do manuscrito MS 306 responde com uma referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível subjugá-los, mas não exterminá-los.

Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que ocupou Jerusalém e não podia ser completamente expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de lutar constantemente contra eles.

Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o burnout e outros problemas emocionais.

Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval, do século doze, um dos fundadores da Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo comparou uma boa vida a correr em um terreno acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando ou caindo. Todos passam por momentos em que se sentem completamente sem rumo.

Para Jones, há grande conforto em reconhecer que ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a companhia daqueles que vieram antes de nós.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado. 
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas ideias soam como clichês. "Ainda assim", observa que elas lembram abordagens contemporâneas.

Sobre a relação estabelecida no termo destacado, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258431 Fonoaudiologia
A caracterização das dificuldades de linguagem na infância exige distinguir os quadros transitórios das condições persistentes e considerar o seu impacto funcional, evitando a equiparação indevida entre atraso e transtorno. A respeito desse tema, avalie as assertivas.

I.O Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem caracteriza-se por dificuldades persistentes na aquisição e no uso da linguagem, sem causa biomédica evidente que o explique.
II.O diagnóstico do Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem considera o impacto funcional das dificuldades na comunicação cotidiana e no desempenho acadêmico.
III.O atraso simples de linguagem e o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem são condições idênticas, com mesma evolução e prognóstico ao longo do tempo.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4258430 Fonoaudiologia
As teorias que explicam a aquisição da linguagem divergem quanto ao peso atribuído ao ambiente, às estruturas inatas, à cognição e à interação social, de modo que a atribuição equivocada de um mecanismo a determinada corrente compromete a compreensão do processo. Considerando essas perspectivas teóricas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4258429 Fonoaudiologia
O amadurecimento das funções do sistema estomatognático acompanha o desenvolvimento neuromotor e a transição alimentar, de modo que padrões próprios de fases iniciais, quando persistem, passam a configurar alterações funcionais. Nesse contexto, assinale a alternativa tecnicamente correta. 
Alternativas
Q4258428 Fonoaudiologia
A classificação das disfonias considera a presença e a origem das lesões laríngeas, distinguindo os quadros decorrentes do comportamento vocal daqueles de causa estrutural ou neurológica primária. Considere as afirmativas a seguir.

(__)A disfonia funcional decorre do uso inadequado da voz, sem lesão estrutural associada às pregas vocais no início do quadro clínico.
(__)O nódulo vocal é classificado como disfonia orgânica, por independer do comportamento vocal na sua origem e na sua evolução clínica.
(__)A disfonia organofuncional resulta de lesões secundárias ao comportamento vocal inadequado, como os nódulos e os pólipos das pregas vocais.
(__)A disfonia orgânica decorre do mau uso vocal repetido, sem alteração anatômica ou neurológica que a justifique no exame laríngeo.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258427 Fonoaudiologia
Os transtornos da linguagem escrita distinguem-se conforme comprometam a leitura, a ortografia ou o traçado, exigindo do avaliador a correta atribuição de cada manifestação ao seu substrato funcional. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta a assertiva tecnicamente correta. 
Alternativas
Q4258426 Fonoaudiologia
A consciência fonológica compreende habilidades metalinguísticas de níveis distintos, cuja ordem de desenvolvimento e relação com a alfabetização orientam as práticas de estimulação e a interpretação dos indicadores de risco. Considere as afirmativas a seguir.

(__)A consciência fonológica é a habilidade metalinguística de refletir sobre os segmentos sonoros da fala e manipulá-los de modo intencional.
(__)A consciência fonêmica precede e independe do desenvolvimento da consciência silábica ao longo do processo de alfabetização da criança.
(__)As habilidades de rima e de aliteração situam-se no nível intrassilábico e antecedem, em geral, a consciência dos fonemas na criança.
(__)A consciência fonológica constitui mera consequência do domínio da leitura, sem função preditiva sobre o sucesso alcançado na alfabetização.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
Alternativas
Q4258425 Fonoaudiologia
A reabilitação neurofuncional fundamenta-se na capacidade do sistema nervoso de reorganizar-se em resposta à experiência, o que estabelece princípios sobre intensidade, especificidade e participação do paciente no processo terapêutico. Considere as afirmativas a seguir.

(__)A neuroplasticidade cessa ao término do período crítico do desenvolvimento infantil, o que torna ineficaz a reabilitação neurológica no adulto.
(__)A reabilitação neurofuncional apoia-se na neuroplasticidade, favorecida pela prática intensiva, específica e repetitiva das funções-alvo do tratamento.
(__)A especificidade da tarefa e a relevância funcional para o paciente potencializam os ganhos obtidos no processo de reabilitação neurológica.
(__)A recuperação funcional após a lesão neurológica independe do tempo de início da intervenção e da participação ativa do paciente no tratamento.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258424 Fonoaudiologia
O desempenho linguístico articula-se a componentes cognitivos como a memória operacional e as funções executivas, sustentando a aprendizagem escolar por meio de uma interface funcional entre esses domínios. A respeito dessas relações, avalie as assertivas.

I.A memória operacional fonológica sustenta a retenção temporária de informações verbais, participando da aquisição de vocabulário e da compreensão.
II.As funções executivas, como a atenção e o controle inibitório, articulam-se ao desempenho de linguagem e à aprendizagem escolar da criança.
III.A linguagem e a cognição constituem domínios independentes, cujo desenvolvimento ocorre sem interface funcional entre um e outro processo.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4258423 Fonoaudiologia
A abordagem dos transtornos dos sons da fala distingue a falha na produção motora do som daquela que compromete a organização dos contrastes da língua, distinção que orienta o diagnóstico e a conduta terapêutica. Diante dessa distinção, identifique a alternativa correta.
Alternativas
Q4258422 Fonoaudiologia
A classificação das perdas auditivas apoia-se na topografia do comprometimento do sistema auditivo, e a prevenção estrutura-se em ações de identificação precoce que antecedem a confirmação diagnóstica. A respeito desse tema, avalie as assertivas.

I.A perda auditiva condutiva resulta de comprometimento da orelha externa ou média, com preservação das estruturas cocleares e do nervo auditivo.
II.A perda auditiva neurossensorial decorre de lesão das células ciliadas cocleares ou da via auditiva, sendo em geral de caráter irreversível.
III.A triagem auditiva neonatal destina-se ao tratamento definitivo da perda auditiva ainda na maternidade, dispensando o diagnóstico audiológico posterior.

Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4258421 Fonoaudiologia
A construção do sistema de sons da fala percorre etapas em que simplificações típicas cedem lugar às formas-alvo, distinguindo-se a produção física dos sons da sua organização funcional na língua. A respeito desse processo, avalie as assertivas.

I.Os processos fonológicos são simplificações sistemáticas da fala infantil que tendem a desaparecer com a maturação do sistema fonológico.
II.A aquisição fonológica completa-se ao nascimento, restando ao desenvolvimento posterior o refinamento articulatório dos sons já dominados pela criança.
III.A distinção entre fonética e fonologia separa a produção física dos sons da organização funcional desses sons no sistema linguístico.

Está correto o que se afirma em: 
Alternativas
Q4258420 Fonoaudiologia
As disfagias diferenciam-se conforme decorram de comprometimento do controle neuromuscular ou de alterações estruturais do trato, distinção que orienta a investigação diagnóstica e a identificação de sinais de risco como a penetração e a aspiração. Nesse contexto, assinale a alternativa que descreve corretamente o conceito.
Alternativas
Q4258419 Fonoaudiologia
A apraxia de fala relaciona-se ao comando motor da articulação e não à força dos músculos fonoarticulatórios, o que a diferencia de outros quadros neurológicos da fala quanto às características dos erros. Considere as afirmativas a seguir.

(__)A apraxia de fala decorre de fraqueza ou paralisia da musculatura orofacial, com prejuízo direto da força dos articuladores durante a produção.
(__)A apraxia de fala compromete o planejamento e a programação dos movimentos articulatórios, na ausência de déficit muscular significativo.
(__)A apraxia de fala caracteriza-se por inconsistência dos erros e por tentativas de autocorreção durante a busca dos alvos articulatórios.
(__)Na apraxia de fala, a produção dos sons é tão mais preservada quanto maior a complexidade e o comprimento da palavra-alvo pretendida.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q4258418 Fonoaudiologia
As disartrias resultam de comprometimento neuromotor das vias e da musculatura da fala, apresentando padrões distintos conforme a topografia da lesão, o que as diferencia dos quadros de falha no planejamento motor. A respeito dessas condições, avalie as assertivas.

I.A disartria origina-se de falha no planejamento motor da fala, preservando a integridade das vias motoras e da musculatura fonoarticulatória.
II.A disartria hipocinética, associada à doença de Parkinson, manifesta-se por redução da intensidade vocal, monotonia e imprecisão articulatória.
III.A disartria atáxica, relacionada a lesões cerebelares, caracteriza-se por fala escandida e por alterações da prosódia e da coordenação.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4258417 Fonoaudiologia
A comunicação suplementar e alternativa organiza recursos e estratégias destinados a ampliar ou substituir a fala, distinguindo modalidades com e sem apoio e afastando concepções equivocadas sobre o seu público e os seus efeitos. Diante desses fundamentos, identifique a alternativa tecnicamente correta.
Alternativas
Q4258416 Fonoaudiologia
A avaliação miofuncional orofacial investiga postura, tônus, mobilidade e função das estruturas do sistema estomatognático, relacionando hábitos e padrões respiratórios às repercussões sobre o crescimento e a oclusão. Considere as afirmativas a seguir.

(__)A respiração oral não repercute sobre o crescimento craniofacial, por constituir padrão adaptativo sem efeito sobre a musculatura orofacial da criança.
(__)Os hábitos orais deletérios, como a sucção de dedo, podem interferir no posicionamento dentário e no equilíbrio da musculatura orofacial.
(__)A deglutição atípica caracteriza-se pela vedação labial passiva e pelo apoio da língua no palato durante a fase oral da deglutição.
(__)A avaliação miofuncional orofacial analisa a postura, a mobilidade, o tônus e a função das estruturas do sistema estomatognático.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
Alternativas
Respostas
481: A
482: A
483: A
484: D
485: C
486: C
487: A
488: B
489: A
490: A
491: A
492: C
493: B
494: A
495: C
496: C
497: B
498: C
499: C
500: D