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Tuiupé e o maracá mágico
Quem gostar de ouvir história levante bem alto a mão, pois vou contar uma linda preste bastante atenção!
A nossa história inicia num tempo muito distante. Bem no meio da floresta vivia essa habitante.
Tuiupé era seu nome, cunhãtaí bem sapeca. Tomava banho de rio e era levada da breca.
Os povos originários viviam em segurança. Aquele era um tempo bom, de paz, amor e bonança.
O pai da nossa menina era o pajé Saracura, que com amor protegia cada viva criatura.
Juntos recolhiam plantas, flores, frutos e raízes para preparar remédios, estavam sempre felizes.
A avó de Tuiupé se chamava Yacunã, sabia tudo de ervas, era uma sábia anciã.
Com sua mãe Tuiupé cedo aprendeu a cantar, trançar palha, fazer cestos, usar rede pra pescar.
TABAJARA, Auritha; TÔRRES, Paola. Tuiupé e o maracá mágico. Ilustração de Tai. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2024. p. 5-6.
O Texto III constitui a apresentação da personagem Tuiupé do livro Tuiupé e o maracá mágico.
A fim de promover uma reflexão crítica em estudantes de 3o e 4o anos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre a história, é adequado explicitar que a construção estética positiva de Tuiupé e sua família ocorre no texto por meio do uso de
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.
No Texto I, Paulo Freire tece uma sutil crítica à ideia de “escolarização”: “Primeiro, a ‘leitura’ do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da ‘palavramundo’.” (parágrafo 2)
De acordo com o pressuposto defendido pelo educador, que atividade de leitura literária seria adequada ao conceito de “palavramundo” nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental?
Texto I
A importância do ato de ler
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.
Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.
A educação, como prática social, jamais ocorre em um vácuo de neutralidade. Toda proposta de ensino carrega consigo, implícita ou explicitamente, um projeto de sociedade e um projeto de ser humano que se deseja formar. Sendo assim, no Brasil, a partir do final da década de 1960 e durante a década de 1970, a política educacional foi fortemente marcada pela concepção tecnicista de educação.
Dentre os principais aspectos que justificavam a hegemonia dessa concepção no planejamento do ensino brasileira daquela época, destaca-se a(o)
Considere o diálogo a seguir.
Antonio: [...] No ensino esqueceram-se das perguntas, tanto o professor como o aluno esqueceram-nas, e no meu entender todo conhecimento começa pela pergunta. [...]
Paulo: [...] Creio que a repressão à pergunta é uma dimensão apenas da repressão maior – a repressão ao ser inteiro, à sua expressividade em suas relações no mundo e com o mundo
FREIRE, Paulo; FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta. 8. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2017. p.67-68. Adaptado.
Nesse contexto, Paulo Freire e Antonio Faundez defendem que, nos processos de ensinar e de educar, os educadores devem
Uma aluna do 2o ano do Ensino Fundamental chegou à escola com um “boneco de alpiste” feito em casa com sua família. As crianças ficaram curiosas e perguntaram: “Será que o ‘cabelo’ dele vai crescer?”. Percebendo o interesse dos alunos, a professora sugeriu que a turma registrasse, dia a dia, as observações do crescimento do alpiste em um quadro de acompanhamento coletivo.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), essa proposta se relaciona, principalmente, à seguinte habilidade específica do Ensino Fundamental de Língua Portuguesa:
Considere a situação a seguir.
A professora do 3º ano ia começar a contar uma história, quando uma criança falou:
— Olha, professora, a lagartixa aqui na parede!
Os alunos ficaram eufóricos e correram para observar de perto a lagartixa.
Percebendo o interesse das crianças, a professora guardou o livro e foi orientando a conversa. Os alunos compartilharam suas dúvidas e seus conhecimentos sobre lagartixas e fizeram muitas perguntas sobre esse animal. A professora foi registrando as curiosidades que surgiram no quadro. A partir daí, teve início um projeto de trabalho sobre animais, gerando muitas descobertas, troca de experiências e ampliação do conhecimento.
A situação apresentada caracteriza uma prática pedagógica que se organiza a partir da concepção de currículo como
O choro é um dos mais originais estilos da nossa música, principalmente instrumental, cuja origem remonta o século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira.
Entre seus artistas representantes, o compositor e flautista, que é considerado o pai desse gênero, tendo entre suas composições “Flor Amorosa”, foi
Uma das alternativas para a Educação Musical Inclusiva é o Ensino Colaborativo, que envolve o trabalho em sala de aula entre o professor Regente e o professor de Educação Especial e é baseado na abordagem social da deficiência, ou seja, pressupõe que a escola deve ser transformada para atender os estudantes, e não o contrário.
Nesse contexto, constata-se que o Ensino Colaborativo propõe que
A Resolução CNE/CEB no 2/2016 define as Diretrizes Nacionais para a operacionalização do ensino de Música na Educação Básica, orientando sua implementação em conformidade com a Lei no 11.769/2008, sendo um marco para a inclusão da música como componente curricular obrigatório em todas as etapas e modalidades da educação básica no Brasil.
À luz da Resolução CNE/CEB no 2/2026, compete às escolas
A classificação mais recente e abrangente dos instrumentos musicais é o sistema Sachs-Hornbostel, que agrupa instrumentos em Idiofones, Membranofones, Cordofones, Aerofones e Eletrofones.
Considerando-se esse sistema, o piano, o acordeão, o tamborim, o violão e a clava são, respectivamente,
Em uma aula experimental, um professor solicita que os alunos produzam sons com um mesmo instrumento, mantendo constante a frequência da nota executada, mas variando a força aplicada na produção sonora. Em seguida, propõe a comparação entre dois instrumentos distintos executando a mesma nota, com igual intensidade e duração.
Considerando-se os objetivos pedagógicos da atividade, quais são os parâmetros do som destacados, respectivamente, em cada uma das situações descritas?
No ensino de Música ao longo do século XX, diferentes educadores formularam metodologias que influenciaram profundamente a Educação Musical em diversos contextos escolares, inclusive no Brasil.
Dentre eles, está Hans-Joachim Koellreutter, que apresenta como princípio central de sua proposta pedagógico- -musical uma
A abordagem do gênero sertanejo pode contribuir para a compreensão crítica de processos sociais, estéticos e mercadológicos da música popular brasileira. Ao analisar a atuação feminina no sertanejo, um professor do ensino médio discorre sobre as transformações históricas, disputas simbólicas e reconfigurações de papéis de gênero no interior desse gênero musical.
Considerando-se uma abordagem pedagógica crítica e contextualizada do sertanejo na Educação Musical, acerca da atuação feminina no sertanejo, verifica-se que a(o)
No âmbito da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino de Música, do segundo segmento do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, está inserido no componente Arte e orienta-se por princípios que articulam experiências estéticas, processos de criação, fruição, reflexão e contextualização cultural.
À luz das diretrizes da BNCC para o ensino de Música nesses níveis de escolarização, verifica-se que a(o)
Ao comparar obras de compositoras como Chiquinha Gonzaga, Dolores Duran, Joyce Moreno e Rita Lee, o docente busca problematizar a presença feminina na MPB e suas relações com contextos sociais e culturais.
Considerando-se essa proposta pedagógica, qual é o papel das mulheres compositoras na MPB?
Durante uma atividade pedagógica, um professor propõe a análise de um grupo de música popular formado por bateria, contrabaixo elétrico, guitarra, teclado e voz. Ao discutir a organização sonora do conjunto, o docente solicita que os alunos identifiquem a característica estrutural que melhor define esse tipo de formação instrumental e vocal, no contexto da música popular urbana contemporânea.
Considerando-se os fundamentos teóricos sobre conjuntos musicais instrumentais da música popular, esse grupo de música é fomado a partir da seguinte característica estrutural:
Na Educação Musical Básica, a prática de conjunto musical constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento de competências musicais, sociais e cognitivas. Em turmas do ensino médio, o professor precisa planejar situações de ensaio e performance coletiva que articulem escuta, execução, interação e reflexão crítica.
À luz dos fundamentos pedagógico-musicais da prática de conjunto no contexto escolar, constata-se que a(o)
Durante uma aula de Educação Musical, os alunos executam e comparam duas sequências melódicas construídas com as mesmas notas naturais (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si), ambas iniciando e finalizando em notas diferentes. Os estudantes percebem que, embora as alturas utilizadas sejam idênticas, as melodias apresentam sensações distintas de centralidade e caráter sonoro.
Considerando-se os princípios teóricos musicais e sua relação com os modos gregos, verifica-se que
Classificando-se as produções de obras vinculadas ao Clube da Esquina, identifica-se a presença simultânea de elementos associados à MPB, ao rock, ao jazz e à música erudita, o que problematiza sua inserção em categorias tradicionais de gênero musical.
À luz dos fundamentos teóricos sobre gêneros musicais e hibridismo, constata-se que