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Q3421388 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O DIREITO DE NÃO AMAR


Se o homem destrói aquilo que mais ama como afirmava Oscar Wilde, a vontade de destruição se aguça demais quando aquilo está amando um outro. O egoísmo, sem dúvida o traço mais poderoso de qualquer sexo, transborda então intenso e borbulhante como água em pia entupida, artérias e canos congestionados na explosão aguda: "nem comigo nem com ninguém!" Deste raciocínio para o tiro, veneno ou faca, vai um fio.


A segunda porta foi a que escolheu aquele meu colega de Academia quando descobriu que a pior das vinganças é não matar mas deixar o objeto amado viver, viver à vontade, "pois que ela viva!" − decidiu ele na sua fúria vingativa.


Amou-a perdidamente. Acho que nunca vi ninguém amar tanto assim, talvez com a mesma intensidade com que amava o primo, disse isso mesmo numa hora de impaciência, estou apaixonada por outro, quer ter a bondade de desaparecer da minha frente? Mas o meu colega (vinte anos?) acreditava na luta e como ele lutou, meu Deus, como ele lutou! Tentou conquista-la com presentes, era rico. Depois, com intermináveis poemas de amor, era poeta. Na fase final, no auge da cólera − era violento − começou com as ameaças. Ela guardou os presentes, rasgou os poemas, fez a queixa a um tio que era delegado da seção de homicídios e foi cair nos braços do primo sem o recurso das rimas e dos diamantes mas que conseguia fazê-la palpitar mais branca e perfumada do que a açucena do campo.


Meu colega dava murros nas paredes, nos móveis. Puxava os cabelos, "ela não tem o direito de me fazer isso!". Com a débil voz da razão, tentei dizer-lhe que ela bem que tinha esse direito de amar ou não amar, vê se entende essa coisa tão simples! Mas ele era só ilogicidade e desordem: "Vou lá, dou-lhe um tiro no peito e me mato em seguida!" - jurou. Mas a tantos repetiu esse juramento que fiquei mais tranquilizada, com a presença de que a energia canalizada para o ato acabaria se exaurindo nas palavras.


O que aconteceu. Uma noite me procurou todo penteado, todo contido, com um sorrisinho no canto da boca, sorriso meio sinistro, mas lúcido: "Achei uma solução melhor", foi logo dizendo. "Vou ficar quieto, que se case com esse tipo, ótimo que se casem depressa porque é nesse casamento que está minha vingança. No casamento e no tempo. Se nenhum casamento dá certo, por que o deles vai dar? Vai ser infeliz à beça! Pobre, com um filho debiloide, já andei investigando tudo, ele tem retardados na família, ih! O quando ela vai se arrepender, por que não me casei com o outro? Vai ficar gorda, tem propensão para engordar e eu estarei jovem e lépido porque sou esportista e rico, vou me conservar, mas ela, velha, obesa, ô delícia!".


Há ainda uma terceira porta, saída de emergência para os desiludidos do amor, não, nada de matar o objeto da paixão ou esperar com o pensamento negro de ódio que ela vire uma megera jogando moscas na sopa do marido hemiplégico, mas renunciar. Simplesmente renunciar com o coração limpo de mágoa ou rancor, tão limpo que em meio do maior abandono (difícil, hem!) ainda tenha forças para se voltar na direção da amada como um girassol na despedida do crepúsculo. E desejar que ao menos ela seja feliz.


(Lygia Fagundes Telles)
As expressões "aquilo", no 1° parágrafo, e "objeto amado", no 2° parágrafo, confirmam:
Alternativas
Q3421377 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O DIREITO DE NÃO AMAR


Se o homem destrói aquilo que mais ama como afirmava Oscar Wilde, a vontade de destruição se aguça demais quando aquilo está amando um outro. O egoísmo, sem dúvida o traço mais poderoso de qualquer sexo, transborda então intenso e borbulhante como água em pia entupida, artérias e canos congestionados na explosão aguda: "nem comigo nem com ninguém!" Deste raciocínio para o tiro, veneno ou faca, vai um fio.


A segunda porta foi a que escolheu aquele meu colega de Academia quando descobriu que a pior das vinganças é não matar mas deixar o objeto amado viver, viver à vontade, "pois que ela viva!" − decidiu ele na sua fúria vingativa.


Amou-a perdidamente. Acho que nunca vi ninguém amar tanto assim, talvez com a mesma intensidade com que amava o primo, disse isso mesmo numa hora de impaciência, estou apaixonada por outro, quer ter a bondade de desaparecer da minha frente? Mas o meu colega (vinte anos?) acreditava na luta e como ele lutou, meu Deus, como ele lutou! Tentou conquista-la com presentes, era rico. Depois, com intermináveis poemas de amor, era poeta. Na fase final, no auge da cólera − era violento − começou com as ameaças. Ela guardou os presentes, rasgou os poemas, fez a queixa a um tio que era delegado da seção de homicídios e foi cair nos braços do primo sem o recurso das rimas e dos diamantes mas que conseguia fazê-la palpitar mais branca e perfumada do que a açucena do campo.


Meu colega dava murros nas paredes, nos móveis. Puxava os cabelos, "ela não tem o direito de me fazer isso!". Com a débil voz da razão, tentei dizer-lhe que ela bem que tinha esse direito de amar ou não amar, vê se entende essa coisa tão simples! Mas ele era só ilogicidade e desordem: "Vou lá, dou-lhe um tiro no peito e me mato em seguida!" - jurou. Mas a tantos repetiu esse juramento que fiquei mais tranquilizada, com a presença de que a energia canalizada para o ato acabaria se exaurindo nas palavras.


O que aconteceu. Uma noite me procurou todo penteado, todo contido, com um sorrisinho no canto da boca, sorriso meio sinistro, mas lúcido: "Achei uma solução melhor", foi logo dizendo. "Vou ficar quieto, que se case com esse tipo, ótimo que se casem depressa porque é nesse casamento que está minha vingança. No casamento e no tempo. Se nenhum casamento dá certo, por que o deles vai dar? Vai ser infeliz à beça! Pobre, com um filho debiloide, já andei investigando tudo, ele tem retardados na família, ih! O quando ela vai se arrepender, por que não me casei com o outro? Vai ficar gorda, tem propensão para engordar e eu estarei jovem e lépido porque sou esportista e rico, vou me conservar, mas ela, velha, obesa, ô delícia!".


Há ainda uma terceira porta, saída de emergência para os desiludidos do amor, não, nada de matar o objeto da paixão ou esperar com o pensamento negro de ódio que ela vire uma megera jogando moscas na sopa do marido hemiplégico, mas renunciar. Simplesmente renunciar com o coração limpo de mágoa ou rancor, tão limpo que em meio do maior abandono (difícil, hem!) ainda tenha forças para se voltar na direção da amada como um girassol na despedida do crepúsculo. E desejar que ao menos ela seja feliz.


(Lygia Fagundes Telles)
Marque a alternativa correta quanto ao emprego da regência.
Alternativas
Q3420516 Sociologia
Sobre os autores clássicos da sociologia, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420515 Sociologia
Marque a alternativa que não condiz com a abordagem sociológica. 
Alternativas
Q3420514 Sociologia
O Brasil passou por um processo de redemocratização na década de 1980, após mais de duas décadas sob uma ditadura. Sobre o processo de transição política do Brasil no referido período, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420513 Sociologia
Sobre a sociologia contemporânea, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420512 Sociologia
Max Weber dedicou parte de seus estudos à investigação dos métodos adequados para a sociologia. Sobre a postura de Weber, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420511 Sociologia
A cidadania no Brasil contemporâneo é um tema recorrente na sociologia. Considerando, as análises sobre o assunto, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420510 Sociologia
Sobre a sociologia jurídica no Brasil, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420509 Sociologia
Considerando os desafios sobre o desenho e implementação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência urbana no Brasil, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420508 Sociologia
De acordo com Max Weber, em "A ética protestante e o espírito do capitalismo", um conjunto principal de representantes históricos do protestantismo ascético está relacionado com a emergência do capitalismo. Marque a alternativa que indica uma seita não abordada por Weber em seu estudo.
Alternativas
Q3420507 Sociologia
Sobre a sociologia de Max Weber, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420506 Sociologia
Max Weber elaborou uma análise sociológica sobre a emergência do capitalismo. Sobre sua teoria, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420505 Sociologia
Sobre a contribuição da sociologia para a compreensão do fenômeno jurídico moderno, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420504 Sociologia
O conceito de fato social é uma das mais importantes contribuições de Durkheim para a sociologia. Sobre o conceito desenvolvido por Durkheim, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420503 Sociologia
Sobre o método comparativo na sociologia, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420502 Sociologia
Marque a alternativa que não condiz com os preceitos metodológicos defendidos por Émile Durkheim.
Alternativas
Q3420501 Sociologia
Sobre as análises sociológicas clássicas acerca do mundo contemporâneo, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420500 Sociologia
A contemporaneidade apresenta desafios ao fazer sociológico e enfrenta temas peculiares. Tendo as discussões contemporâneas no âmbito da sociologia em mente, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q3420499 Sociologia
De acordo com a compreensão de Max Weber sobre o moderno ocidente, marque a alternativa correta:
Alternativas
Respostas
481: A
482: C
483: A
484: C
485: B
486: B
487: C
488: A
489: A
490: B
491: D
492: A
493: A
494: B
495: A
496: D
497: C
498: A
499: D
500: A