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Q4019267 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida.
Considerando as regras de pontuação da norma padrão, assinale a alternativa CORRETA quanto ao emprego dos sinais de pontuação no período.
Alternativas
Q4019266 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
A neurociência "explica" por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador.
Em relação à regência verbal do verbo destacado no período, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4019265 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
Estudos indicam que "o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social".
Em relação à análise sintática da oração destacada, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4019264 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
O texto apresenta uma reflexão sobre as reações humanas diante de opiniões divergentes, relacionando aspectos do funcionamento cerebral, processos cognitivos e comportamentos observados em situações de discordância.

De acordo com o texto-base, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019263 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
A amígdala está relacionada "às respostas" "a ameaças", enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar.
Em relação ao emprego do acento indicativo de crase nos trechos destacados, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4019262 Medicina
A deficiência de tiamina (Vitamina B1) é uma condição crítica que pode levar a síndromes neurológicas e cardiovasculares graves, especialmente em populações com desnutrição ou etilismo. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O Beribéri úmido manifesta-se por insuficiência cardíaca de alto débito, edema generalizado e vasodilatação periférica decorrente da carência de tiamina.
(__)A Encefalopatia de Wernicke caracteriza-se pela tríade clínica de ataxia, confusão mental e oftalmoplegia (nistagmo ou paralisia do sexto par).
(__)A administração de glicose hipertônica deve preceder a reposição de tiamina em pacientes etilistas desnutridos para evitar a ocorrência de acidose lática muscular imediata.
(__)A Síndrome de Korsakoff é a fase crônica da deficiência de tiamina, marcada por amnésia anterógrada severa e confabulação compensatória.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4019261 Medicina
A monitorização terapêutica de fármacos com baixo índice terapêutico é fundamental para evitar a toxicidade, especialmente em pacientes com variações na função de órgãos excretores ou interações medicamentosas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A fenitoína apresenta cinética de eliminação de ordem zero em concentrações terapêuticas elevadas, o que significa que pequenas mudanças na dose podem causar aumentos desproporcionais nos níveis séricos.
(__)O uso concomitante de inibidores da enzima conversora de angiotensina e espironolactona exige vigilância frequente dos níveis de potássio sérico devido ao risco de hipercalemia por sinergismo farmacodinâmico.
(__)A administração de carvão ativado é o método de escolha para a descontaminação gastrointestinal em casos de intoxicação aguda por lítio ou ferro, apresentando alta capacidade de adsorção para metais.
(__)O tempo de meia-vida contexto-dependente é o parâmetro mais fidedigno para prever o despertar após infusão contínua de fármacos lipofílicos, superando a utilidade da meia-vida de eliminação plasmática.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4019260 Medicina
A síndrome da apneia obstrutiva do sono é uma condição frequentemente subdiagnosticada, associada a risco cardiovascular elevado e prejuízo na qualidade de vida do paciente adulto. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019259 Medicina
A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária que resulta na produção de hemoglobina S, levando a fenômenos de vaso-oclusão e hemólise crônica. Analise as afirmativas a seguir:
I.A crise álgica vaso-oclusiva é a manifestação aguda mais frequente, sendo desencadeada por fatores como desidratação, infecções, frio ou hipóxia tecidual.
II.O sequestro esplênico é uma emergência hematológica grave caracterizada pela queda abrupta da hemoglobina associada a esplenomegalia súbita e risco de choque hipovolêmico.
III.O uso de hidroxiureia é indicado para reduzir a frequência de crises álgicas e síndrome torácica aguda, agindo primordialmente através do aumento dos níveis de hemoglobina fetal.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019258 Medicina
A colangite biliar primária é uma doença autoimune crônica que resulta na destruição progressiva dos pequenos ductos biliares interlobulares, levando à cirrose biliar. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019257 Medicina
A neurocisticercose é a infecção parasitária mais comum do sistema nervoso central no mundo, sendo uma causa importante de epilepsia adquirida em áreas endêmicas. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A infecção ocorre pela ingestão acidental de ovos de Taenia solium eliminados nas fezes de humanos portadores da teníase intestinal.
(__)A presença de cistos calcificados à tomografia de crânio indica que o parasita está morto e que o risco de crises convulsivas é inexistente, dispensando o uso de anticonvulsivantes.
(__)O tratamento com albendazol ou praziquantel pode induzir uma resposta inflamatória exacerbada ao redor dos cistos viáveis, exigindo o uso concomitante de corticosteroides.
(__)O sinal do 'escólex' visualizado como um ponto hiperdense no interior de uma lesão cística é um achado patognomônico de neurocisticercose.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4019256 Medicina
O lúpus eritematoso sistêmico é o protótipo da doença autoimune multissistêmica, caracterizado pela produção de múltiplos autoanticorpos e envolvimento de diversos órgãos. Analise as afirmativas a seguir:
I.O anticorpo antinuclear (FAN) apresenta alta sensibilidade para o diagnóstico de lúpus, embora possua baixa especificidade, podendo ser positivo em indivíduos saudáveis ou outras colagenoses.
II.O anticorpo anti-DNA nativo e o anti-Sm são marcadores de elevada especificidade para o lúpus eritematoso sistêmico, sendo que o anti-DNA frequentemente correlaciona-se com atividade renal.
III.A nefrite lúpica classe IV (proliferativa difusa) é a forma histológica mais comum e agressiva, manifestando-se frequentemente com síndrome nefrítica e perda rápida da função renal.

Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4019255 Medicina
A avaliação do pulso venoso jugular permite inferir eventos pressóricos e volumétricos nas câmaras direitas, sendo a análise das ondas e colapsos essencial para o diagnóstico diferencial hemodinâmico. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019254 Medicina
A deficiência de vitamina B12 (cobalamina) pode causar danos neurológicos irreversíveis e alterações hematológicas graves, sendo a anemia perniciosa uma causa importante. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019253 Medicina
A osteomalácia caracteriza-se pela mineralização deficiente da matriz orgânica óssea em adultos, resultando em ossos frágeis e dolorosos, frequentemente por distúrbios da Vitamina D. Analise as afirmativas a seguir:
I.Os achados laboratoriais típicos na osteomalácia carencial incluem hipocalcemia, hipofosfatemia e níveis elevados de fosfatase alcalina e paratormônio.
II.As zonas de Looser, ou pseudofraturas, são achados radiográficos característicos que se apresentam como linhas radiotransparentes perpendiculares ao córtex ósseo.
III.O tratamento da osteomalácia induzida pelo uso crônico de anticonvulsivantes dispensa a suplementação de cálcio, baseando-se exclusivamente na restrição de luz solar.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019252 Medicina
A estenose aórtica é a valvopatia mais prevalente em idosos, apresentando um longo período de latência até o surgimento de sintomas que marcam uma alteração drástica no prognóstico. Analise as afirmativas a seguir:
I.A tríade clássica de sintomas da estenose aórtica grave, composta por angina, síncope e dispneia por insuficiência cardíaca, indica uma sobrevida média inferior a cinco anos se não houver intervenção.
II.O desdobramento paradoxal da segunda bulha cardíaca pode ser observado na estenose aórtica importante, ocorrendo devido ao retardo no fechamento da valva aórtica que passa a suceder o fechamento pulmonar.
III.A presença de um pulso arterial do tipo 'celer et altus' (pulso em martelo d'água) é o achado físico característico que confirma o diagnóstico de estenose aórtica calcificada senil com baixo fluxo.
Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4019251 Medicina
A doença celíaca é uma enteropatia imuno-mediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos, apresentando manifestações variadas. Analise as afirmativas a seguir:
I.O anticorpo antitransglutaminase tecidual da classe Imunoglobulina A é o teste sorológico de escolha para o rastreio inicial devido à sua elevada sensibilidade e especificidade.
II.O diagnóstico definitivo de doença celíaca em adultos exige a realização de biópsias do duodeno, que revelam atrofia vilositária e hiperplasia de criptas conforme a classificação de Marsh. 
III.A dermatite herpetiforme é uma manifestação cutânea patognomônica da sensibilidade ao glúten, caracterizada por vesículas pruriginosas simétricas em superfícies extensoras.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019250 Medicina
A insuficiência cardíaca descompensada pode apresentar-se sob diferentes perfis hemodinâmicos que orientam a terapia imediata na emergência. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O perfil 'B' (quente e úmido) é a apresentação mais comum, caracterizada por sinais de congestão sistêmica ou pulmonar com perfusão periférica preservada.
(__)O uso de inotrópicos positivos, como a dobutamina, é indicado para todos os pacientes com insuficiência cardíaca crônica estável para garantir a manutenção da fração de ejeção.
(__)O perfil 'C' (frio e úmido) representa a forma mais grave de descompensação, exigindo frequentemente o uso de inotrópicos e ajuste cuidadoso da volemia e vasodilatadores.
(__)A dosagem de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP) possui elevado valor preditivo negativo para afastar a origem cardíaca da dispneia aguda no pronto-socorro.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4019249 Medicina
A Escala de Coma de Glasgow foi recentemente atualizada para incluir a avaliação da reatividade pupilar, resultando no escore Glasgow-P. Analise as afirmativas a seguir:
I.O escore Glasgow-P é calculado subtraindo-se o número de pupilas não reagentes (zero, um ou dois) da soma total obtida na avaliação tradicional de abertura ocular, resposta verbal e motora.
II.Na avaliação da resposta motora, a 'decorticação' (flexão anormal) pontua três pontos, enquanto a 'descerebração' (extensão anormal) pontua dois pontos na escala.
III.A cefaleia em salvas caracteriza-se por episódios de dor unilateral lancinante, de curta duração, associada a sintomas autonômicos ipsilaterais como ptose, miose e lacrimejamento.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019248 Medicina
O aleitamento materno oferece benefícios imunológicos e nutricionais inigualáveis, sendo a composição do leite humano adaptada às necessidades do lactente em crescimento. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
541: D
542: B
543: C
544: D
545: A
546: B
547: C
548: C
549: C
550: A
551: A
552: D
553: D
554: D
555: B
556: D
557: D
558: C
559: B
560: C