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Por ideologias estatais entendemos as diferentes maneiras pelas quais os objetivos políticos subordinam as políticas culturais. Quando examinamos as políticas de identidade e patrimônio ou de regulação e intervenção econômica, essas diferenças não existem ou não são muito marcadas. Quando tratamos de políticas de difusão e produção cultural predominam as ideologias do liberalismo e as diferentes modalidade da socialdemocracia.
No Ceará, a criação da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho – ORCEC –, em 1996, representou um importante avanço na implantação de políticas públicas na área de música de concerto no estado. Considerando as ideologias dominantes acima referidas, analise as seguintes afirmações:
I. As políticas vinculadas à perspectiva liberal baseiam-se majoritariamente na concessão de isenção tributária, por meio da qual doadores privados não apenas deduzem os seus impostos como definem o destino do financiamento, exercendo um poder discricionário sobre o que será subsidiado: Exemplo: Lei Jereissati.
II. As políticas culturais vinculadas à ideologia política socialdemocrata seguem a perspectiva da garantia de direitos por meio da criação de programas e ações estatais, apresentando-se classicamente por meio da ação direta do Estado nas decisões acerca do direcionamento das políticas a serem tomadas por burocratas e gestores vinculados aos órgãos públicos. Exemplo: Secretaria da Cultura.
III. As decisões concernentes ao destino do
financiamento nesse tipo de ideologia política
socialdemocrata cabem a um conselho ou
comissão de especialistas, em um modelo de
gestão conhecido como administração à
distância (arm’s length), havendo variações
quanto ao grau de intervenção do Estado na
indicação dos mesmos. Exemplo: Editais
públicos.
Os pensamentos de Mário de Andrade e Gilberto Freyre foram determinantes na elaboração da música Armorial que, na década de 1970, buscou construir um universo imagético com base em manifestações rurais nordestinas. A apologia da música armorial à mestiçagem cultural ibérica, pelas alegadas contribuições de mouros, judeus e cristãos e por seu vínculo ancestral com a cultura sertaneja nordestina, determinou que os compositores hibridizassem matrizes nordestinas, ibéricas, indígenas e negras.
AMARAL, C. Premissas estéticas e ideológicas da música armorial. Rio de Janeiro, 2013. Adaptado.
Analise as proposições a seguir, a respeito do fragmento do texto de Carlos Amaral.
I. Na década de 1990, o movimento Manguebeat emergiu em reação aos que apenas usavam a cultura popular sem desenvolvê-la, usando suas formas sem retribuir de algum modo através de políticas culturais limitadas e sem ousadia.
II. Recriar uma arte musical erudita a partir do
romanceiro popular nordestino trazia um
contrassenso natural que era tomar a música
do movimento Armorial por música folclórica,
quando a primeira se baseia na segunda.
Relacione corretamente os itens da Coluna I às suas respectivas atribuições, numerando a Coluna II de acordo com a Coluna I.
Coluna I
1. Lauro Maia
2. Trio Nagô
3. Orquestra Henrique Jorge
4. Luiz Assunção
Coluna II
( ) Orlando Leite, Nabor Pires e Mozart Brandão
( ) “Trem de Ferro” regravada por João Gilberto (1961)
( ) Samba “Adeus praia de Iracema”
( ) Evaldo Gouveia, Mário Alves e Epaminondas de Souza
A sequência correta, de cima para baixo, é:
O texto de José Paiva, acima adaptado, refere-se ao trabalho de um
No que diz respeito às artes, ainda persiste a ideia de que uma avaliação não pode ser objetiva quando se trata de áreas que envolvem a criatividade: no caso da música, por exemplo, o que deve ser avaliado nem sempre tem uma resposta muito clara e simples.
Considerando os critérios para avaliação nas três formas de envolvimento musical: apreciação, execução e composição, escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir:
( ) A “Teoria Espiral de Desenvolvimento Musical” de Swanwick e Tillman constituise como um referencial valioso para o processo de ensino-aprendizagem em música e uma mais valia para avaliação da performance instrumental.
( ) Uma avaliação livre da performance musical, sem os referenciais teóricos produzidos pelo modelo T.E.C.L.A., atribui grande valorização à dimensão do Valor e uma valorização reduzida da dimensão da Expressão.
( ) Parâmetros como respeito pelo texto musical, escolha de andamento, estabilidade rítmica e uso de dinâmicas situam-se no modo Pessoal do estágio Forma (Swanwick) e permitem avaliar a capacidade para tocar com sentido expressivo e bom gosto musical.
( ) A avaliação em música pode atender
apenas a critérios específicos do processo
de ensino/aprendizagem, (como “o
cumprimento dos objetivos”, “o
reconhecimento do nível do aluno”, “o
desempenho do professor”) ou a
elementos de atitude/disciplina (“estimular
o aluno”, “conferir seriedade à disciplina”,
“cobrar disciplina e estudo” ).
As diferentes correntes estéticas da música contemporânea compartilham traços gerais ao mesmo tempo em que podem ser diferenciadas segundo três acepções: continuidade da modernidade, retorno à tradição e superação do modernismo.
Relacione corretamente as acepções aos respectivos resultados, numerando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte indicação:
1. Continuidade da Modernidade
2. Retorno à Tradição
3. Superação do Modernismo
4. Traços Gerais
( ) Não são apenas as culturas tradicionais que interessam a esta linhagem, mas também outros aspectos da cultura contemporânea, inclusive a cultura pop e os meios de comunicação de massa. Esses músicos acreditam estar produzindo uma fissura na modernidade ao se abrirem para toda e qualquer espécie de produção cultural, sem hierarquizá-las.
( ) Os músicos que se alinham a esta tendência fazem crítica à concepção unidirecional da História e creem na possibilidade de sobreposição das diversas produções musicais do passado e do presente, o que significa que esses músicos estão dispostos a retomar experiências anteriores, de qualquer época ou lugar, ou evocar essas experiências a partir de novos pontos de vista.
( ) Esses compositores, que se alinham aos valores da pós-vanguarda, podem ser identificados entre aqueles que empregam processos derivados da música atonal e serial, que organizam suas estruturas sonoras com base em referências matemáticas (com o emprego de algoritmos ou com base em estruturas estocásticas, entre outras) e que desenvolveram suas investigações a partir da música espectral.
( ) Essa geração de compositores compartilha
procedimentos comuns, como o
multiculturalismo (justaposição e
sobreposição de processos musicais oriundos
de diferentes fontes) e poli estilismo (citação,
alusão, colagem) em prol de novas
funcionalidades do fazer musical e
multidirecionalidade na produção e na
recepção musicais.
Dentre as diversas ações de difusão, podem-se citar apresentações de orquestras, bandas, corais, apresentações solo e de conjuntos camerísticos em teatros e espaços abertos, propícios à circulação. Muitas vezes tais concertos são reunidos em projetos com recortes curatoriais específicos, sejam históricos, biográficos, estéticos ou segundo o tipo de formação — quartetos de cordas, quintetos de metais, duos de canto e piano, etc.
Relacione, corretamente, os tipos de recorte curatorial com as respectivas ações de difusão, numerando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte indicação:
1. Difusão com proposta curatorial de cunho didático
2. Difusão com curadoria voltada para o público infantil
3. Difusão com recortes curatoriais diversos
4. Difusão com curadoria calcada na pesquisa estética e experimental
( ) Em 1992 o Sesc (SP) recebeu, como parte das ações do Centro Experimental de Música – CEM –, o educador musical canadense Murray Schaffer, idealizador da proposta inovadora de uma paisagem sonora, para falar de seu livro O Ouvido Pensante, hoje bibliografia obrigatória em qualquer licenciatura em música do País.
( ) Com cerca de 1000 m2 , sua área é ocupada por uma instalação lúdico-pedagógica chamada Orquestra Mágica. Trata-se de um parque lúdico formado por instrumentos musicais gigantes e funcionais, todos afinados em escala pentatônica, possibilitando criações polifônicas em execuções simultâneas, mesmo quando não intencionais.
( ) Pequenas montagens e bate-papos,
apresentações condensadas de A Flauta
Mágica, Carmen, As Bodas de Fígaro,
projetos dedicados a apresentações
isoladas de árias do repertório operístico,
além dos projetos como Pocket Ópera, do
Sesc Ipiranga, o Dicionário de Ópera, do
Sesc Araraquara, Ópera e Outros Cantos,
do Sesc Ribeirão Preto e Conhecendo
Ópera, do Sesc Vila Mariana.
O Grupo Cactus conjunto de vanguarda da bossa nova em nossa terra, gravará ainda este mês na Orgacine, um compacto. A nova componente é a estudante Olga Paiva, que toca muito bem piano, principalmente música clássica, mas agora aderiu àquele grupo musical-folclorista, de tanto talento e cultura.
CASTRO, W. No tom da canção cearense. Universidade Estadual do Ceará, 2007, modificado pelo autor
O artigo acima faz menção a um importante e arrojado grupo de artistas criado em 1966, um ano após a promoção do I Festival de Música Popular Cearense. Além de Olga Paiva, integravam o grupo
Criado em meados dos anos 80, é o grupo de câmara em atividade mais antigo do Ceará. Seu nome homenageia o grande autor seiscentista cuja obra teórica é a principal fonte de estudos da música barroca. Ao final dos anos 90, o
O termo “barroco” é aplicado à música entre 1600 e 1750. Cunhado em meados do século XVIII pelos críticos pós-barrocos, o termo, amplamente adotado pela crítica de arte como sinônimo de mau gosto e anormalidade, foi emprestado da expressão portuguesa “pérola barroca” para pérolas irregulares ou deformadas. Aparece relacionado à música pela primeira vez em 1734, em uma revisão crítica da estreia de Hyppolite et Aricie de Rameau, severamente criticado por sua falta de coerência melódica e dissonâncias ininterruptas. O termo foi reabilitado de suas conotações burlescas, no final do século XIX, pelo crítico suíço de arte Heinrich Wölfllin.
Quando aplicado à música, o termo “barroco”
identifica traços fundamentais como
Coluna I
1. Primitivismo 2. Expressionismo 3. Impressionismo 4. Romantismo
Coluna II
( ) Emancipação das dissonâncias, atonalismo livre, emprego de estruturas complexas como espelhos, palíndromos e pontilhismo.
( ) Paralelismo de acordes, emprego não funcional de acordes, sonoridades baseadas em modos.
( ) Grandes forças orquestrais, cromatismo expandido, instabilidade tonal e emprego de programas extramusicais.
( ) Nacionalismo folclorista, fragmentação melódica, técnicas heterofônicas e texturas sobrepostas em camadas.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A desagregação da polifonia e o surgimento de um novo gênero musical revela-nos um processo inteiramente novo de mundanização e laicização da música. O clima novo cultural elegeu uma nova prerrogativa: a esfera da psique humana, dos sentimentos e das emoções. Suscitar emoções ou estimular os “afetos” eram novas exigências. Do embate feroz entre aqueles que defendiam a primazia da poesia sobre a música, aqui chamados de modernos, em confronto com os opositores que faziam prevalecer as razões da música sobre as razões da palavra, aqui chamados de antigos, nasceu um novo gênero musical e novas formas musicais.
Assinale com V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir sobre o período, o gênero musical e as formas musicais às quais se faz alusão no texto acima.
( ) No decurso da baixa Renascença, o melodrama depôs a complicada textura polifônica vocal de sua posição proeminente no cenário musical – respaldada, então, pelas tradições medievais –, e reivindicou à monodia acompanhada o papel principal dentro do universo expressivo florescente.
( ) Em absoluta sintonia com as preocupações do homem do século XVIII em busca da percepção de si próprio e do mundo ao seu redor, a monodia buscou, na simplicidade, a única e verdadeira forma de expressar as paixões e os afetos da alma.
( ) No lastro de uma nova estética musical humanista, vimos surgir, no início do século XVII, a invenção de novas formas e de novas configurações musicais, dentre elas a ópera, a forma sonata e o gênero sinfônico.
( ) As mudanças de gosto e estilo faziam-se
sentir em todas as artes no período Pré-Clássico.
Esses estilos eram chamados de
estilo galante francês, estilo sensível ou
Empfindsamkeit alemão, e o estilo
protorromântico Sturm und Drang no final
da década de 1760.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
Escreva V ou F conforme sejam verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações.
( ) Santo Agostinho foi o primeiro filósofo a sintetizar o pensamento clássico e revive-lo em conformidade com o novo contexto cristão. Desde os primórdios do cristianismo, a música – ao mesmo tempo em que se reconhecia profundamente em débito com as concepções pitagóricas e platônicas e sua intrínseca relação como o mundo pagão –, oscilava entre duas atitudes incompatíveis: de um lado era entendida como fonte de corrupção, de outro, de ascese espiritual.
( ) Sabemos que a doutrina pitagórica foi muito além do aspecto matemático, ensejava fortes aspectos moralista, metafísico e político-pedagógico. Segundo os pitagóricos, a música, sendo ela capaz de imitar a virtude, era capaz de erradicar o vício e purificar a alma – exercendo, assim, uma função catártica – e restabelecer a harmonia da alma. A dimensão ética e pedagógica da música foi um terreno fecundo para a filosofia antiga e manteve-se fortemente presente durante o primeiro milênio da Era Cristã.
( ) Apenas ao final do primeiro milênio surge uma nova atitude no pensamento musical. Os escritos sobre música deixavam de ser abstratos e ocupavam-se, cada vez mais, de assuntos concretos. O ensino da música concreta demandava novas exigências educacionais, na medida em que se via surgir uma nova tomada de consciência das diferenças de estilos musicais entre a tradição gregoriana e a práxis polifônica. Pouco a pouco vemos a antiga visão teológico-cosmológica da música ceder espaço para uma vertente que levará ao surgimento da estética musical.
( ) Schopenhauer partilha da visão da
inefabilidade da música, tema recorrente
que sempre retorna com mais vigor. Só
podemos falar da música por metáforas,
visto que ela se constitui como uma
linguagem absoluta e intraduzível. Daí
somente ela, enquanto linguagem inefável,
ser capaz de significar as dimensões
inefáveis do mundo. Para ele, a música é a
fonte suprema do conhecimento, revelando
o sentido a priori das coisas, antes mesmo
delas serem significadas pela linguagem
comum. O conteúdo de verdade da música
está no fato de ela não ser representação
e sim expressão.