Questões de Concurso Para vunesp

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Q4402470 Saúde Pública

Um estudo epidemiológico utilizou sistemas de georreferenciamento para identificar bairros com menores coberturas vacinais e relacioná-los espacialmente aos endereços de casos confirmados de sarampo. A análise permitiu identificar a aglomerados de transmissão e demonstrar que a disseminação do vírus, bem como a ocorrência de internações hospitalares, foi mais intensa em áreas periféricas e bairros com piores indicadores socioeconômicos e menor cobertura vacinal. As análises foram realizadas utilizando indicadores agregados por bairro, sem identificação individual dos participantes


Com base nessa descrição, é possível afirmar que o estudo epidemiológico realizado era do tipo

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Q4402469 Saúde Pública
Para o enfrentamento do sarampo, o Ministério da Saúde reforçou a importância de manter a vacinação em dia. Essa ação representa, nos níveis de prevenção de Leavell & Clark, uma medida de prevenção:
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Q4402468 Saúde Pública

O vírus da Chikungunya provocou sete surtos no Brasil em 10 anos, resultando em quase 254 mil infecções confirmadas em laboratório e 1,2 milhão de casos suspeitos, além de cerca de mil mortes. (Floresti, F, 2023. Revista Pesquisa Fapesp).


As situações caracterizadas como surto, como no caso da Chikungunya, justificam-se porque

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Q4402467 Saúde Pública
Segundo a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a diretriz que destaca a capacidade da Atenção Básica de utilizar e articular diferentes tecnologias de cuidado individual e coletivo para dar resposta à grande maioria dos problemas de saúde da população é denominada:
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Q4402466 Direito Sanitário
De acordo com a Constituição Federal, compete ao Sistema Único de Saúde fiscalizar e inspecionar
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Q4402465 Direito Sanitário
Considerando a RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), que compreende a seleção e a padronização de medicamentos indicados para atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do SUS, assinale a alternativa correta.
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Q4402464 Direito Sanitário

O Decreto nº 7.508/2011 regulamentou a organização do SUS e estabeleceu, entre outros aspectos, as Redes de Atenção à Saúde e as Portas de Entrada às ações e aos serviços de saúde.


É considerado Porta de Entrada do SUS, um serviço de: 

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Q4402463 Direito Sanitário
De acordo com a Lei Federal nº 8.142/1990, a participação da comunidade na gestão do SUS ocorre, em cada esfera de governo, por meio de duas instâncias colegiadas, denominadas:
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Q4402462 Saúde Pública
Sobre o processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS), assinale a alternativa correta.
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Q4402461 Saúde Pública
No contexto do SUS, uma contribuição estratégica da telessaúde para a organização do cuidado consiste em
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Q4402460 Direito Sanitário
Segundo a Lei Federal nº 8.080/1990, o dever do Estado de garantir a saúde compreende
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Q4402459 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Assinale a alternativa em que a regência verbal e a concordância nominal estão em conformidade com a norma-padrão.
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Q4402458 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Ao que consta, não pretendem mais dar _____ língua francesa espaço no currículo escolar. Isso me traz _____ memória uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu observasse _____ ela que era pouco, ela retrucou, dizendo _____ mim que não valeria a pena conhecer alemães que não soubessem francês.


De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com: 

Alternativas
Q4402457 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Considere as passagens:


•  … uma amiga minha que foi para a Alemanha… (1º parágrafo)

•  Como eu lhe observasse que era pouco… (1º parágrafo)

•  Toda obra, para universalizar-se… (3º parágrafo)

•  … chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação. (7º parágrafo)


Os termos destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de: 

Alternativas
Q4402456 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Com a frase “… o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.”, entende-se, corretamente, que os Estados Unidos
Alternativas
Q4402455 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

No que diz respeito à cultura, o autor defende que a França
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Q4402454 Português

Leia o texto para responder à questão.


Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância verbal.
Alternativas
Q4402453 Português

Leia o texto para responder à questão.


Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Na passagem “… não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias.” (4º parágrafo), a preposição destacada será substituída por “a”, caso o adjetivo “capaz” seja substituído por: 
Alternativas
Q4402452 Português

Leia o texto para responder à questão.


Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Sem prejuízo ao sentido original e em conformidade com a norma-padrão de pontuação, a passagem “Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o ‘mapa’ para caminhar…” (2º parágrafo) admite a seguinte reescrita:
Alternativas
Q4402451 Português

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Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Considere as passagens:


• Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea… (2º parágrafo)

• Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas… (3º parágrafo)

• No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior… (4º parágrafo)

•  … promoveria maior equidade social… (6º parágrafo)


Em conformidade com o sentido do texto e com a norma-padrão, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:

Alternativas
Respostas
161: D
162: B
163: A
164: C
165: E
166: B
167: C
168: D
169: C
170: E
171: B
172: E
173: A
174: D
175: C
176: D
177: A
178: E
179: B
180: C