Questões de Concurso
Comentadas para vunesp
Foram encontradas 107.832 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
É contínua e reiterada a reflexão sobre aspectos fundamentais e secundários da sociedade nacional. As controvérsias entre grupos, classes, movimentos sociais, partidos políticos e correntes de opinião pública, compreendendo intelectuais, artistas e líderes, mantêm sempre em aberto os dilemas do presente, das relações entre o passado e o presente, das possibilidades do futuro. Nas conjunturas críticas, no entanto, quando ocorrem rupturas estruturais mais ou menos amplas ou mesmo revoluções, a nação ó levada a pensar-se de novo, de modo mais abrangente, original ou recorrente.
(Ianni, 1994. Adaptado)
Para Octavio Ianni, os diferentes modos pelos quais a nação pensa a respeito de si mesma depois de rupturas estruturais têm um elemento em comum:
A visão da sociedade ideal para os positivistas ortodoxos era comunitária e incorporadora. Em menor escala, o modelo liberal poderia também incluir exigências de ampliação da participação popular. O extravasamento das visões de república para o mundo extraelite, ou as tentativas de operar tal extravasamento, diante da nula participação popular na proclamação, não poderia ser feito por meio do discurso, inacessível a um público com baixo nível de educação formal.
(Carvalho, 2017. Adaptado)
Segundo José Murilo de Carvalho, o mencionado extravasamento das visões de república ocorreu
Na obra intitulada Vida para o consumo, Zigmunt Bauman (2022) apresenta e problematiza a “síndrome cultural consumista”, que ele considera um desvio seminal que congrega diferentes impulsos, intuições, propensões e modos de vida, sendo drasticamente distinta da síndrome cultural que a precedeu, qual seja, a “síndrome cultural produtivista”.
Para Bauman (2022), a “síndrome cultural consumista” caracteriza-se por
Hoje em dia, deficit de poder e recursos afligem a maioria dos Estados-nação que luta para desempenhar a contento a tarefa da comodificação – deficit causados pela exposição do capital nativo à competição cada vez mais intensa resultante da globalização dos mercados de capitais, trabalho e mercadorias, e pela difusão planetária das modernas formas de produção e comércio, assim como dos deficit provocados pelos custos, em rápido crescimento, do “Estado de bem-estar social”, esse instrumento supremo e talvez indispensável da comodificação do trabalho.
A comodificação a que se refere Bauman (2022) no excerto é um fenômeno contemporâneo que permite
Uma vez que finquem seus pés numa escola ou numa comunidade, seja ela física ou eletrônica, os sites de “rede social” se espalham à velocidade de uma “infecção virulenta ao extremo”. Com muita rapidez, deixaram de ser apenas uma opção entre muitas para se tornarem o endereço padrão de um número crescente de jovens, homens e mulheres. Obviamente, os inventores e promotores das redes eletrônicas tocaram uma corda sensível – ou num nervo exposto e tenso que há muito esperava o tipo certo de estímulo. Eles podem ter motivos para se vangloriar de terem satisfeito uma necessidade real, generalizada e urgente.
(Bauman, 2022. Adaptado)
Qual seria, segundo Bauman, a necessidade suprida pelas redes sociais digitais?
O sistema de metabolismo social do capital nasceu como resultado da divisão social que operou a subordinação estrutural do trabalho ao capital. Não sendo consequência de nenhuma determinação ontológica inalterável, esse sistema de metabolismo social é o resultado de um processo historicamente constituído. Os seres sociais tornaram-se mediados entre si e combinados dentro de uma totalidade social estruturada, mediante um sistema de produção e intercâmbio estabelecido. Um sistema de mediações de segunda ordem sobredeterminou suas mediações primárias básicas, suas mediações de primeira ordem.
(Antunes, 2009)
Segundo Ricardo Antunes, é característica das mediações de primeira ordem dos seres humanos:
Particularmente nas últimas décadas, a sociedade contemporânea vem presenciando profundas transformações, tanto nas formas de materialidade quanto na esfera da subjetividade, dadas as complexas relações entre essas formas de ser e existir da sociabilidade humana. A crise experimentada pelo capital, bem como suas respostas, das quais o neoliberalismo e a reestruturação produtiva da era da acumulação flexível são expressão, têm acarretado, entre tantas consequências, profundas mutações no interior do mundo do trabalho.
(Antunes, 2009)
A mutação a que se refere Ricardo Antunes no excerto é
Depois de descrever a sociologia da autoridade carismática na obra Ensaios de Sociologia, Max Weber argumenta que: “É destino do carisma, sempre que chega às instituições permanentes de uma comunidade, dar lugar aos poderes da tradição ou da socialização racional. Esse desaparecimento do carisma indica, geralmente, a decrescente importância da ação individual” (1982).
Qual é, segundo Weber, a força que diminui a importância da ação individual mais irresistível?
Como aponta Max Weber em seus Ensaios de Sociologia, a burocracia moderna envolve modos específicos de funcionamento. Para ele: “Os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma supervisão dos postos inferiores pelos superiores” (1982).
Segundo Weber (1982), tal ordenamento permite, em especial,
Em geral, entendemos por “poder” a possibilidade de que um homem, ou um grupo de homens, realize sua vontade própria em uma ação comunitária até mesmo contra a resistência de outros que participam da ação.
(Weber, 1982)
Considerando sua caracterização de “poder”, qual seria a relação, segundo Max Weber, entre o poder político e os fatores econômicos?
Para que o Estado exista, os dominados devem obedecer à autoridade alegada pelos detentores do poder. Quando e por que os homens obedecem? Sobre que justificação íntima e sobre quais meios exteriores repousam esse domínio?
(Weber, 1982. Adaptado)
Max Weber aponta que, dentre as justificações básicas de tal domínio, encontra-se
Se uma república for pequena, ela será destruída por uma força estrangeira; se for grande, será destruída por um vício interior. Este duplo inconveniente infecta igualmente as democracias e as aristocracias, sejam elas boas ou más. O mal está na própria coisa; não há nenhuma forma que a possa remediar. Assim, parecia muito provável que os homens fossem afinal obrigados a viver sob o governo de um só, se não tivessem imaginado uma forma de constituição que possui todas as vantagens internas do governo republicano e a força externa da monarquia.
(Montesquieu, 2000. Adaptado)
Segundo Montesquieu, a forma de governo que possui as vantagens da república e da monarquia, sem reproduzir suas desvantagens, é a
O luxo é sempre proporcional à desigualdade das fortunas. Se, num Estado, as riquezas são igualmente divididas, não haverá luxo, pois o luxo está baseado nas comodidades que obtemos com o trabalho dos outros. O luxo também é proporcional ao tamanho das cidades, e principalmente da capital; de forma que ele está na razão composta das riquezas do Estado, da desigualdade das fortunas dos particulares e do número de homens que se reúnem em certos lugares. Quanto maior o número de homens reunidos, mais vãos eles se tornam e sentem nascer dentro de si a vontade de se singularizar por meio de pequenas coisas.
(Montesquieu)
Considerando os apontamentos de Montesquieu, o luxo
As leis da educação são as primeiras que recebemos. E, como elas nos preparam para sermos cidadãos, cada família particular deve ser governada no mesmo plano da grande família que compreende todas. Se o povo em geral tem um princípio, as partes que o compõem, isto é, as famílias, também o terão. As leis da educação serão, portanto, diferentes nas monarquias, nas repúblicas e no despotismo.
Para Montesquieu, as leis da educação em estados despóticos deverão cultivar
Quando, em uma república, o povo em conjunto possui o poder soberano, trata-se de uma Democracia. Quando o poder soberano está nas mãos de uma parte do povo, chama-se uma Aristocracia. O povo, na democracia, é, sob certos aspectos, o monarca; sob outros, é súdito.
Segundo o autor, o poder soberano do povo está condicionado
Uma das primeiras qualidades que o “olhar sociológico” supõe é uma capacidade de descrição e de narração daquilo que é possível observar diretamente (paisagens, lugares, ambientações, objetos, personagens, maneiras de falar ou de fazer), quando estamos armados de nossos sentidos e de nossas categorias de percepção do mundo social. A descrição e a narração de cenas observadas são, portanto, a ocasião de aprender a nomear as coisas, a discriminar as situações, a designar gestos, mímicas ou atitudes. É também a ocasião de mostrar que os comportamentos individuais não se compreendem de maneira isolada, mas sempre “em relação a”, “em reação frente a”, “em interação com”, outros elementos do contexto (outros indivíduos, objetos, palavras ou gestos).
(Lahire, 2014. Adaptado)
Segundo Bernard Lahire, o “olhar sociológico” permite ao professor/pesquisador descrever adequadamente a realidade observada a partir de sua
Ao discutir a possibilidade de o ensino de Sociologia ser introduzido desde o ensino fundamental, Bernard Lahire levanta a seguinte pergunta: “Pelo seu conteúdo e sua forma, essas ciências sociais não seriam intrinsecamente voltadas a intervir apenas ao nível de uma formação superior?
(2014. Adaptado)
Segundo o autor, a resposta a essa interrogação é a de que
Contra as injunções multiformes de produção de um “saber útil”, os cientistas sempre lutaram pela “curiosidade gratuita” ou a “pesquisa da verdade” nela mesma e por ela mesma. Ao mesmo tempo, não se pode deixar de pensar que atrás de fortes reações frente à exigência de ser “útil” e de “servir”, se esconde uma defesa de uma outra forma de utilidade.
(Lahire, 2014. Adaptado)
Essa outra forma de utilidade refere-se a
Para que e para quem serve a Sociologia? A Sociologia deve necessariamente “servir” a algo ou a alguém? E se ela tiver utilidade, qualquer que seja ela, qual deve ser sua natureza: (i) política (formar o pesquisador-expert, pesquisador conselheiro do príncipe, pesquisador dando armas de lutas aos dominados de toda natureza); (ii) terapêutica (analisar como diminuir os sofrimentos individuais pela compreensão do mundo social e de seus determinismos); (iii) cognitivo-científica (produzir o conhecimento mais verdadeiro possível)? Eis uma série de questões que giram em torno da utilidade e da inutilidade efetivas ou desejadas da Sociologia, com as quais os pesquisadores são sempre e inevitavelmente confrontados.
(Lahire, 2014. Adaptado)
As questões levantadas pelo autor
Não é vocação nem tarefa da sociologia impor escolhas de valores. Além disso, mesmo que quisesse, a sociologia não tem esse poder. A vocação da sociologia é tornar a escolha de valores viável e plausível, assim como colocá-la ao alcance do indivíduo que tem sobre si a obrigação de encontrar soluções adequadas para problemas existenciais socialmente produzidos.
(Bauman, 2015. Adaptado)
Segundo Zigmunt Bauman, cabe efetivamente à Sociologia