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Q1699008 Português
Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. – 12ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. – (Mineiramente Drummond; Crônica)
As sentenças a seguir dizem respeito ao processo da leitura e da escrita, sendo que uma deles está INCORRETA. Aponte-a:
Alternativas
Q1699007 Português
Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. – 12ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. – (Mineiramente Drummond; Crônica)
As declarações abaixo aludem aos aspectos linguísticos e sociolinguísticos da alfabetização, sendo que apenas uma delas está CORRETA. Marque-a:
Alternativas
Q1699006 Português
Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. – 12ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. – (Mineiramente Drummond; Crônica)
Assinale a opção que melhor exprime a opinião do narrador em relação ao acontecimento central focalizado pelo texto:
Alternativas
Q1699005 Português
Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. – 12ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. – (Mineiramente Drummond; Crônica)
A respeito da expressão inscrita no canal de comunicação, na ótica do narrador, é CORRETO afirmar o seguinte:
Alternativas
Q1699003 Português
Declaração de amor em outdoor
(Carlos Drummond de Andrade)


       Gostei, sim, da ideia daquele publicitário de São Paulo, que concebeu e instalou na rua um outdoor de 24 metros quadrados, contendo uma declaração de amor à sua mulher. Todo mundo, ao passar por lá, ficou sabendo que Bob continua amando Cly, depois de dez anos de casados, e que não abre.
        Julgou-se a princípio que a declaração constituía peça de campanha publicitária, para lançamento de algum produto novo. Nada disso. Era anúncio, realmente, mas de produto antiquíssimo, que não se submete às leis do mercado, não é objeto de incentivos fiscais, não depende de instruções do BNDE, não tem títulos apregoados na Bolsa de Valores e, quer chova, troveja ou faça dia claro, está sempre à disposição de quem quer curti-lo: o amor.
    O namorado Bob quis fazer uma surpresa à sua mulher, no aniversário de casamento, e acabou surpreendendo toda a população que viu o outdoor ou dele tomou conhecimento pela televisão e pelos jornais. Como? Bob não está colocando nenhum barbeador novo, nenhum cigarro sem nicotina mas com sabor de céu, nenhum objeto absolutamente indispensável ao viver moderno da humanidade? Bob não é candidato a deputado? Não pretende vender alguma coisa a seus semelhantes, que se habituaram à conexão cartaz-comércio, e gasta aquele despropósito de espaço para fazer agradinho à sua excelentíssima?
    Então é porque o amor continua existindo de fato, e é gostoso não apenas senti-lo mas também proclamá-lo. Somos forçados a reconhecer que o amor entre duas pessoas continua existindo e até prosperando, pois alguém sentiu necessidade de exprimi-lo, de público, usando o veículo que atinja mais diretamente a direção dos passantes: o painel. Bob poderia ter gravado em cassete a sua expansão lírica e fazê-la ouvir de manhã, quando Cly acordasse; podia gravar uma plaquinha de ouro a título de broche, com a declaração inscrita, e colocá-la junto à xícara de Cly, na hora do café; podia exprimir o número único de um jornal que estampasse apenas juras e pipilos de amor, depositando-o à cabeceira de Cly ou encaminhando-o pelo correio; podia...
    Bob podia fazer mil coisas particulares, deliciosamente íntimas, para conhecimento e uso exclusivo de Cly. Se preferiu tornar público o seu sentimento, foi, em primeiro lugar, devido à sua formação profissional. Se fosse aviador, soltaria no ar uma fumaça com a frase declaratória; homem do mar, pintaria no costado da embarcação os dizeres amorosos; e assim por diante. Sendo publicitário, adotou o processo adequado à transmissão da mensagem: o outdoor.
    Em segundo lugar (ou em primeiro, passando o motivo acima para segundo?), porque sentiu que seu amor a Cly, sendo um caso típico e tradicional de um sentimento que vem desde o começo do mundo e que por isso mesmo corre perigo de parecer banal ou ultrapassado, quando não é mesmo negado por indivíduos que se dispõem a reformar a estrutura da vida, reduzindo-a a um feixe de obrigações e ambições, geradores de conflitos e guerras, em que o dinheiro e o poder assumem a liderança do mundo (puxa, mas este período está mais comprido do que a Belém-Brasília), sentindo isso, Bob achou de bom preceito opor a tantos sinais de desumanização o seu sinal de 24 metros quadrados de ternura. Ternura de homem por mulher, garantia de continuação da espécie, que aqui e ali busca autodestruir-se. Não é lindo?
    Amorosos de gosto mais refinado talvez achassem preferível que os dizeres do outdoor fossem outros. A gíria é efêmera e o amor que dura há dez anos já viu passar muitas e muitas expressões populares. Se, em vez de “Estou contigo e não abro”, o marido feliz copiasse um verso de amor de um dos grandes poetas da língua, ou o inventasse (pois amor põe engenho e arte em quem o sente), o outdoor se tornaria obra digna de tombamento pelo IPHAN, resistindo ao tempo como um dos monumentos do coração, que merecem ser preservados. Bob não pensou nisso, quis a mensagem direta aos transeuntes de hoje, na linguagem do dia. Ainda assim, fez uma bonita coisa. Prova de que o amor continua, em meio a toda sorte de absurdos, violências e marotices políticas e outras, e que nenhum índice de inflação, nenhum terremoto, nenhuma sinistra maquinação é capaz de cassá-lo em face da Terra.

Andrade, Carlos Drummond de. As palavras que ninguém diz / Carlos Drummond de Andrade; seleção Luzia de Maria. – 12ª Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2008. 126 p. – (Mineiramente Drummond; Crônica)
Assinale a opção CORRETA, de acordo com o texto:
Alternativas
Q1699002 Pedagogia
De acordo com os marcos legais sobre a educação inclusiva, o documento elaborado na Conferência Mundial sobre Educação Especial, em 1994, trata dos Princípios, Política e Prática em Educação Especial. Este documento é conhecido como:
Alternativas
Q1699001 Pedagogia
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, em seu Art. 4º, estabelece que: O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:

Atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com ____________, transtornos globais do desenvolvimento e ___________ ou ____________, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede ______________.

Preencha adequadamente as lacunas acima com as respectivas palavras:
Alternativas
Q1699000 Pedagogia
São princípios da educação inclusiva, EXCETO:
Alternativas
Q1698998 Pedagogia
Para Perrenoud (2000), o professor deve adotar algumas competências necessárias para ensinar. Com isso, ele elenca competências que devem ser desenvolvidas pelos professores ao longo de sua carreira, quais sejam:

I. Organizar e dirigir situações de aprendizagem.
II. Conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação.
III. Participar da administração escolar.
IV. Administrar a própria formação.

Estão corretas:
Alternativas
Q1698997 Pedagogia
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, a alfabetização e o letramento devem ser assegurados:
Alternativas
Q1698996 Pedagogia
Analise as afirmativas a seguir sobre letramento:

I. Letramento é o desenvolvimento do uso competente da leitura e escrita nas práticas sociais.
II. Uma pessoa letrada sabe usar a leitura e a escrita de acordo com as demandas sociais.
III. As atividades envolvidas no letramento auxiliam na organização de discursos, interpretação e compreensão de textos, reflexão.
IV. Letramento é o processo de ensino e aprendizagem de um sistema linguístico e da forma como usá-lo para se comunicar com a sociedade.

Estão corretos apenas os itens:
Alternativas
Q1698995 Pedagogia
O que NÃO é correto afirmar sobre o letramento:
Alternativas
Q1698994 Pedagogia
De acordo com a pesquisa de Emília Ferreiro podemos identificar os níveis de evolução da escrita como:
Alternativas
Q1698993 Pedagogia
“A alfabetização não é um estado a qual se chega, mas um processo cujo início é na maioria dos casos anterior a escola e que não termina ao finalizar a escola primária” (FERREIRO 1999, p.47).

Nesta perspectiva, assinale a alternativa que NÃO corresponde ao processo de alfabetização:
Alternativas
Q1698992 Pedagogia
Para Libâneo (2013), os princípios básicos do ensino fundamentam teoricamente a orientação do trabalho docente. Estes princípios também indicam e orientam a atividade do professor rumo aos objetivos gerais e específicos. Estes princípios básicos de ensino são:

I. Ter caráter comum e sistemático.
II. Ser compreensível e possível de ser assimilado.
III. Assegurar a relação conhecimento-prática. Assentar-se na unidade ensino-aprendizagem.
IV. Garantir a solidez dos conhecimentos; Levantar vínculos para o trabalho coletivo.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q1698991 Pedagogia
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, identifique abaixo as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F):

(__) A tendência predominante na abordagem de conteúdos na pré-escola se assenta no binômio transmissão-incorporação-atitude, considerando a incorporação de conteúdos pelo aluno como a finalidade essencial do ensino.

(__) Os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem uma mudança de enfoque em relação aos conteúdos curriculares: ao invés de um ensino em que o conteúdo seja visto como fim em si mesmo, o que se propõe é um ensino em que o conteúdo seja visto como meio para que os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzir e usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos.

(__) O projeto educacional expresso nos Parâmetros Curriculares Nacionais demanda uma reflexão sobre a seleção de conteúdos, como também exige uma ressignificação, em que a noção de conteúdo escolar se amplia para além de fatos e conceitos, passando a incluir procedimentos, valores, normas e atitudes.

(__) Ao tomar como objeto de aprendizagem escolar conteúdos de diferentes naturezas, reafirma-se a responsabilidade da escola com a formação ampla do aluno e a necessidade de intervenções conscientes e planejadas nessa direção.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta:
Alternativas
Q1698990 Pedagogia
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais, os objetivos propostos concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da escolaridade. Assim, os objetivos se definem em:
Alternativas
Q1698989 Pedagogia
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, as problemáticas sociais são integradas na proposta educacional como:
Alternativas
Q1698988 Pedagogia
Quanto aos objetivos de ensino, conteúdos e métodos, analise as afirmativas abaixo:

I. Objetivos: Explicitam propósitos pedagógicos intencionais e planejados de instrução e educação dos alunos, para participação na vida social.

II. Conteúdos: Constituem a base informativa concreta para alcançar os objetivos e determinar os métodos.

III. Métodos: formam a totalidade dos passos, formas didáticas e meios organizativos do ensino que viabilizam a assimilação dos conteúdos, e assim, o alcance dos objetivos.

IV. Objetivos: Eles explicam objetivos de ensino sem que haja necessidade de um planejamento intencional para orientar os alunos na educação e na participação na vida social.

Quais assertivas estão corretas?
Alternativas
Q1698987 Pedagogia
Os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico (LIBANÊO, 2013, p. 167). Neste sentido, marque V para verdadeiro e F para falso:

(__) O método de ensino expressa a relação conteúdo-método, no sentido de que tem como base um conteúdo determinado.
(__) Os métodos dependem dos objetivos que se formulam tendo em vista o conhecimento e a transformação da realidade.
(__) Antes de se constituírem em passos, medidas e procedimentos, os métodos de ensino se fundamentam em um método de reflexão e ação sobre a realidade educacional.
(__) Os métodos de ensino são determinados por uma concepção sociopolítica e pedagógica do processo educativo.

A sequência correta é:
Alternativas
Respostas
4801: A
4802: A
4803: D
4804: A
4805: B
4806: A
4807: C
4808: D
4809: B
4810: E
4811: C
4812: D
4813: A
4814: B
4815: E
4816: C
4817: A
4818: D
4819: B
4820: E