Questões de Concurso
Sobre história
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I. O monopólio nuclear dos Estados Unidos, vigente entre 1945 e 1949, assegurou superioridade militar, mas revelou eficácia política limitada, uma vez que não foi capaz de reverter a consolidação da influência soviética na Europa Oriental.
II. A bomba atômica afirmou-se primordialmente como instrumento de dissuasão estratégica, sobretudo a partir da lógica de equilíbrio de poder emergente, em detrimento de seu emprego direto em conflitos armados.
III. A União Soviética, ao priorizar a reconstrução econômica no pós-guerra, retardou deliberadamente o desenvolvimento de seu programa nuclear, alcançando apenas tardiamente a capacidade de testagem atômica ao final da década de 1940.
Está correto o que se afirma em
Serão estabelecidos dois Estados independentes, um árabe e um judeu, enquanto a cidade de Jerusalém será constituída como um corpo separado (corpus separatum), sob um regime internacional especial administrado pelas Nações Unidas.
Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, 1947, adaptado.
Com base na Resolução 181 da Organização das Nações Unidas (1947), que tratou da partilha da Palestina, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A Resolução previa a criação de dois Estados independentes, com a manutenção de mecanismos de cooperação econômica entre eles, especialmente em áreas de infraestrutura e circulação de recursos.
( ) A cidade de Jerusalém seria incorporada ao Estado árabe, sob administração compartilhada entre as lideranças locais judaicas e árabes.
( ) A implementação da partilha previa a permanência do mandato britânico na Palestina, com poderes ampliados para garantir a transição política entre os dois Estados.
As afirmativas são, respectivamente,
Adaptado de Diário da Assembléia Nacional da Constituinte 31/08/1946. p. 4517
Com base no trecho, é correto afirmar que a Campanha da Borracha decorreu
Com base nesse contexto, é correto afirmar que esse tratado foi relevante para o início da Segunda Guerra Mundial porque
Em 1940, Francisco Franco ordenou a construção de um complexo arquitetônico composto por um centro de estudos, uma basílica e um monastério na Espanha. Celebrava-se um ano de sua vitória na Guerra Civil. A construção do complexo foi realizada principalmente por prisioneiros políticos republicanos, submetidos a duras condições de trabalho. Com a aproximação da conclusão das obras, houve uma ressignificação das finalidades do monumento: de símbolo da vitória e homenagem aos franquistas mortos na Guerra Civil, passou a ser de “todos os caídos”, o que demonstra uma aspiração à reconciliação, fundamentada na ideia de que os dois lados tiveram perdas. Sem a autorização das famílias, os corpos de diversas vítimas do regime foram levados para o complexo, representando uma humilhação serem depositados no monumento de seus inimigos, como troféus de guerra. O complexo pode ser compreendido como monumento, lugar de memória e ponto de partida para problematizar a forma como os regimes democráticos gerenciaram as memórias sobre seus passados traumáticos, na tensão entre a memória e o esquecimento.
Adaptado de BAUER, Caroline. “A eternidade do franquismo: lembranças e esquecimentos na Espanha pós-Franco”, Café História, 23 jun. 2019.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a gestão da memória histórica pelo governo de Franco associada ao monumento descrito.
No Ceará, apesar das obras em açudes e rodovias que absorveu um número considerável de infelizes, muitos outros sobraram, constituindo um problema sério a resolver. Diante do número de pessoas a socorrer e da grande área em que se achavam espalhados, decidiu-se concentrá-las em acampamentos chamados “campos de concentração”.
Adaptado de Relatório do Departamento Nacional de Saúde Pública, 1936, p. 133.
Assinale a opção que apresenta corretamente os objetivos da criação dos “campos de concentração” durante a seca de 1932, no contexto do Governo Provisório.
A constituição de uma história de gênero e o lugar atribuído à história das mulheres têm gerado controvérsias e debates. Campos distintos, mas complementares? Substituição da história das mulheres pela história de gênero? História de gênero como forma de neutralização do desafio fundador da história das mulheres?
PINTO, Teresa e Teresa Alvarez. Introdução. História, História das mulheres, História do Gênero. Produção e transmissão do conhecimento histórico. ex æquo, nº 30, 2014, p. 14.
Com base no trecho, é correto afirmar que a história de gênero, em contraste com a das mulheres,
Observe a imagem a seguir.

Fonte: https://libarchives.unl.edu/project/ww1-posters/
A imagem é uma propaganda da United States Food Administration que circulou durante a Primeira Guerra Mundial. O cartaz recomenda que a população dos Estados Unidos: “Coma mais produtos de milho, aveia e centeio — peixe e aves — frutas, vegetais e batatas — alimentos assados, cozidos e grelhados. Coma menos trigo, carne, açúcar e gorduras para economizar para o exército e para os nossos aliados”.
Com base na imagem, assinale a opção que apresenta corretamente o papel dessa propaganda durante a Primeira Guerra Mundial.
Observe a imagem a seguir.

Novo Paraiso terrestre. Revista O malho, Rio de Janeiro, ano 1907, edição 248.
A imagem retrata um casal de imigrantes na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, diante de um homem representado como uma figura divina, que diz: “Crescei e multiplicai-vos!”. Os imigrantes respondem: “Pelas cinzas de Adão e Eva, juramos que não faremos outra coisa.”
Com base na imagem, assinale a opção que identifica corretamente a política de imigração implementada no Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX.
I. A Constituição de 1946 restabeleceu princípios democráticos, como a separação dos Poderes, o pluripartidarismo e a ampliação das liberdades civis, marcando o fim do Estado Novo.
II. Durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, o alinhamento do Brasil aos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria refletiuse, entre outras medidas, na cassação do registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
III. A adoção do parlamentarismo entre 1961 e 1963 resultou de uma reforma prevista originalmente pela Constituição de 1946 e foi implementada para consolidar um novo modelo permanente de organização do Estado brasileiro.
Está correto o que se afirma em
Eu diria que o historiador está em condições muito melhores do que o participante do presente, pela simples razão de que dispõe de um horizonte ampliado. Se o leitor pensa que o passado é uma paisagem, a história é a maneira como a representamos, e é justamente esse ato de representação que nos eleva acima do familiar para permitir-nos ter experiências substitutivas daquilo que não podemos experimentar diretamente: uma visão mais ampla.
Adaptado de GADDIS, John Lewis. El paisaje de la historia: cómo los historiadores representan el pasado. Anagrama, 2004, pp. 21-22.
Considerando a reflexão de John Lewis Gaddis, é correto afirmar que a representação do passado como paisagem
I. A preparação da guerra, especialmente em grande escala, leva os governantes, inevitavelmente, a extrair recursos da população. Com isso, cria-se uma estrutura de arrecadação, abastecimento e administração que precisa se manter e que muitas vezes cresce mais rápido do que os próprios exércitos e marinhas que sustenta. Os interesses e o poder dessa estrutura acabam limitando de forma significativa o tipo e a intensidade da guerra.
Adaptado de TILLY, Charles. Coerción, capital y los Estados europeos, 990-1990. Madrid: Alianza Editorial, 1992, p. 46.
II. É necessário revisar a ideia de que o desenvolvimento militar na Idade Moderna foi um processo conduzido principalmente pelo Estado, ligado à centralização e ao controle burocrático. Ao analisar as condições relacionadas à prática de fazer guerra por meio de contratantes privados a partir do século XVI, conclui-se que essa forma de organização não foi uma exceção nem resultado de governantes fracos ou irresponsáveis. Pelo contrário, tratava-se de uma solução lógica para mobilizar recursos, considerando as limitações dos governos da Idade Moderna e sua dependência dos recursos e da cooperação das elites.
Adaptado de PARROT, David. “Military Revolution or Military Devolution?” Stud. his., H.ª mod., 35, 2013, p. 33.
Considerando os fragmentos, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação dos autores sobre o desenvolvimento militar na Época Moderna.
I. O costume de alforriar escravos que apresentassem seu valor era largamente praticado, mas à revelia do Estado; não que o Estado se opusesse, mas porque não lhe era permitido sancioná-lo em lei, pela oposição daqueles mesmos que praticavam essa regra costumeira. Esse direito não existia em lei até 1871. É verdade que, antes dessa data, existiam circunstâncias excepcionais em que o Estado intervinha concedendo alforrias, mas, de qualquer forma, indenizavam-se os senhores, e cabia a estes a concessão da carta de alforria.
Adaptado de CUNHA, Manuela da. Antropologia do Brasil. Mito, história, etnicidade. São Paulo: Brasiliense, 1987, pp.124-125.
II. O tribunal, seja atuando de acordo com o costume, seja agindo segundo as normas de direito ou a consciência de seus membros, manteve uma posição que realmente interferiu nos destinos de senhores e escravos que a ele recorriam. Ações de liberdade, seus procedimentos e seus resultados, não eram uma prática anormal no Estado imperial brasileiro, mesmo que o acesso de escravos ao sistema judiciário tenha sido tão restrito.
Adaptado de GRINBERG, Keila. Liberata. a lei da ambiguidade - as ações de liberdade da corte de apelação do Rio de Janeiro no século XIX. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisa Social, 2010, p. 25.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação dos autores sobre a conquista da liberdade por pessoas escravizadas no Brasil imperial.
No século XVII, não havia mais de 500 homens de origem europeia na província do Espírito Santo, mas, contavam-se nela quatro reduções de índios, formadas pelos Jesuítas, as de Reritygba, hoje Benevente, Guarapary, São João, Reis Mago. Estes estabelecimentos serviam de modelo à civilização dos Guaranis, do Paraguai, tão comentada pelos mais célebres escritores.
Adaptado de SAINT-HILAIRE, A. de. Segunda Viagem ao Interior do Brasil: Espírito Santo. São Paulo: Comp. Editora Nacional, 1936, p. 17.
Considerando o trecho e o contexto da colonização do Espírito Santo no século XVII, é correto afirmar que o processo de aldeamento no Espírito Santo colonial foi favorecido pela
Embora durante o período hispânico só tenham ocorrido três reuniões de Cortes no reino (1581, 1583 e 1619), estas, dotadas de grande poder simbólico de evocação de um pacto primordial dos povos com o rei, foram importantes agentes de coesão, ao legitimarem o poder do novo monarca, ao serem palco do juramento de fidelidade dos estados ao monarca e seu descendente (uma inovação de D. Filipe I), ao restabelecerem a harmonia social quebrada pela crise sucessória.
Adaptado de Jean-Frédéric Schaub, Portugal na Monarquia Hispânica (1580-1640). Lisboa, Livros Horizonte, 2001, p. 149.
Com base no trecho e na interpretação historiográfica do período da União Ibérica, assinale a afirmativa correta.
Se dizemos que tem o poder absoluto quem não está sujeito às leis, não se encontrará no mundo nenhum príncipe soberano, já que todos os príncipes da terra estão sujeitos às leis de Deus e da natureza, e a certas leis humanas comuns a todos os povos. É necessário que quem seja soberano não esteja de nenhum modo submetido ao império de outro e possa dar lei aos súditos e anular ou emendar as leis inúteis; isto não pode ser feito por quem esteja sujeito às leis de outra pessoa. Por isso se diz que o príncipe está isento da autoridade das leis. O próprio termo latino “ley” implica o mandato de quem tem a soberania.
Adaptado de BODIN, J. Los seis libros de la república. Madrid: Editorial Tecnos, 1997, pp.52-3.
Com base no trecho e nos fundamentos do absolutismo moderno, assinale a opção correta.
Os mongóis não entravam na categoria de quase humanos, de monstros que a cartografia medieval distribuía pelos confins da Ásia, nem se encaixavam nas categorias conhecidas pelos europeus, baseadas na divisão bíblica do gênero humano. Assim, foram classificados de diferentes formas: como flagelos de Deus, como um castigo pelos pecados, como demônios ou bestas. Segundo relatos às vezes contraditórios, seus costumes eram brutais, ladravam como cães e tinham o rosto plano como os macacos. Comiam carne crua e bebiam sangue, isso era verdade, visto que os habitantes da estepe, que não tinham vegetais ao seu alcance, deviam ingerir sangue fresco para obter a dose de aminoácidos para a saúde. Foram acusados inclusive de canibalismo. Mas essa acusação era falsa. Fontes chinesas, tibetanas, mongóis, armênias e georgianas também evidenciam a repulsa em relação aos mongóis, mas não lhes atribuem esse comportamento em particular. Tais acusações não são fruto da observação, mas das leituras, das elucubrações e do medo.
Adaptado de FERNÁNDEZ-ARMESTO, Felipe. Os conquistadores do horizonte: uma história global da exploração. Barcelona: Ariel, 2012.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir acerca das representações europeias sobre os mongóis no período medieval.
I. As classificações dos mongóis feitas pelos europeus revelaram os limites do repertório mental e narrativo disponível para descrever práticas distintas das conhecidas, configurando um desafio conceitual.
II. As descrições europeias dos mongóis foram influenciadas por referenciais religiosos e imaginários, que os associavam a punições divinas e a figuras monstruosas, evidenciando a mediação cultural na construção dessas imagens.
III. A representação europeia dos mongóis como incivilizados, associada ao canibalismo, baseou-se em observações diretas e foi reforçada por fontes extra europeias, legitimando sua escravização pelos europeus.
Está correto o que se afirma em
Tal é o segredo da pedagogia homérica: o exemplo heroico. Homero foi o educador da Grécia: oferece constantemente ao espírito de seu discípulo modelos idealizados de virtude heroica e põe em evidência a realidade dessa recompensa suprema que é a glória.
Adaptado de MARROU, Henri-Irénée. Historia de la educación en la Antigüedad. Madrid: Akal, 1985, p. 31.
Assinale a opção que apresenta corretamente o papel das epopeias homéricas na educação e formação ética na Grécia Antiga.