Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q3440364 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Considerando o excerto “Perdia-o, porém, quando saía porta afora.” (5º§), assinale, a seguir, o valor semântico atribuído ao vocábulo em destaque, tendo em vista o contexto no qual está inserido. 
Alternativas
Q3440363 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Assinale, a seguir, a correlação estabelecida entre o título do texto de Marina Colasanti – “Uma vida ao lado” – com o conteúdo textual apresentado.
Alternativas
Q3440362 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Tendo em vista o emprego da expressão destacada, assinale a alternativa em que a sua substituição provoca alteração do sentido evidenciado originalmente no texto.
Alternativas
Q3440361 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Em Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos.” (4º§), a locução adverbial destacada denota: 
Alternativas
Q3440360 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Marina Colasanti converge no conto “Uma vida ao lado” ideias de diferentes categorias para formar o texto. Relativo a tais ideias, é possível inferir que o tema central do texto é: 
Alternativas
Q3440359 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Considerando suas características textuais e semânticas, sobre o texto de Marina Colasanti, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q3440358 Português
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Sobre a relação do narrador com o vizinho, é possível inferir que: 
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Q3439931 Português

        Em um texto assinado pelo correspondente do The Ney York Times, o jornal afirma que o presidente americano, Donald Trump, vem tentando atrair a América Latina para a sua esfera de influência, algo que lembra a Doutrina Monroe (a política externa dos EUA no século XIX que alertava a Europa para não interferir politicamente na América Latina). O New York Times destacou uma fala do vice‑ministro das Relações Exteriores da China, Miao Deyu: “O que as pessoas da América Latina e do Caribe querem é independência e autodeterminação, e não a chamada ‘nova Doutrina Monroe’”. A segunda visita do presidente brasileiro à China estreita relações, mas acontece em meio a um cenário de tensão internacional entre as duas maiores economias do mundo e que tem respingado no Brasil.


Internet: <www.bbc.com> (com adaptações).



No cenário atual, a ideia central do texto refere‑se às relações

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Q3439912 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Em “a biomédica teve uma piora e morreu”, ocorrem dois verbos que, quanto à predicação, se diferenciam porque
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Q3439911 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

No trecho “sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, que é parte da fala de uma pessoa que aparece mencionada no texto, ocorre um desvio típico da oralidade, o qual, segundo a gramática normativa, seria corrigido com a
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Q3439910 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Na passagem “Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar”, o uso de “por que” está
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Q3439909 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Na oração “e oficializaram a união em abril de 2022”, o vocábulo “união” refere‑se a
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Q3439908 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Em parte da declaração presente no texto, mais especificamente no trecho “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal.”, o termo “exemplos” pode parecer sintaticamente desconexo. No entanto, é possível apontar que ele tem a função sintática de
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Q3439907 Português

Texto para a questão.


Após aparecer em vídeo fazendo procedimento invasivo, dentista do AC tem clínica interditada pela Vigilância Sanitária


    Após a divulgação de um vídeo no qual aparece fazendo um procedimento invasivo, o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada pela Vigilância Sanitária Estadual nessa quarta‑feira (19). A informação foi confirmada ao g1 pelo próprio odontólogo.

    A Vigilância Sanitária não quis se pronunciar sobre a ação. O g1 também tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem. Já o dentista afirmou que irá se pronunciar posteriormente.

    Maia também é ex‑prefeito do município de Senador Guiomard, no interior do Acre, e atua na Clínica de Atendimento Médico e Odontológico (Camoa), e viralizou nas redes sociais no dia 13 deste mês fazendo um procedimento que ele não tem autorização para fazer, na região da cintura de uma paciente que aparece deitada em uma cadeira de dentista e sem roupa adequada para intervenções desse tipo.     

    Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos, garantindo a segurança dos pacientes. Ainda alertou que “tais procedimentos devem ser realizados em ambiente adequado”.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

Em “Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos”, a passagem “Com a repercussão das imagens” determina uma ideia de
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Q3439906 Português

Texto para a questão.


Após aparecer em vídeo fazendo procedimento invasivo, dentista do AC tem clínica interditada pela Vigilância Sanitária


    Após a divulgação de um vídeo no qual aparece fazendo um procedimento invasivo, o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada pela Vigilância Sanitária Estadual nessa quarta‑feira (19). A informação foi confirmada ao g1 pelo próprio odontólogo.

    A Vigilância Sanitária não quis se pronunciar sobre a ação. O g1 também tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem. Já o dentista afirmou que irá se pronunciar posteriormente.

    Maia também é ex‑prefeito do município de Senador Guiomard, no interior do Acre, e atua na Clínica de Atendimento Médico e Odontológico (Camoa), e viralizou nas redes sociais no dia 13 deste mês fazendo um procedimento que ele não tem autorização para fazer, na região da cintura de uma paciente que aparece deitada em uma cadeira de dentista e sem roupa adequada para intervenções desse tipo.     

    Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos, garantindo a segurança dos pacientes. Ainda alertou que “tais procedimentos devem ser realizados em ambiente adequado”.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

A palavra “viralizou” é forma do verbo “viralizar”, que pode ser considerado um
Alternativas
Q3439905 Português

Texto para a questão.


Após aparecer em vídeo fazendo procedimento invasivo, dentista do AC tem clínica interditada pela Vigilância Sanitária


    Após a divulgação de um vídeo no qual aparece fazendo um procedimento invasivo, o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada pela Vigilância Sanitária Estadual nessa quarta‑feira (19). A informação foi confirmada ao g1 pelo próprio odontólogo.

    A Vigilância Sanitária não quis se pronunciar sobre a ação. O g1 também tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem. Já o dentista afirmou que irá se pronunciar posteriormente.

    Maia também é ex‑prefeito do município de Senador Guiomard, no interior do Acre, e atua na Clínica de Atendimento Médico e Odontológico (Camoa), e viralizou nas redes sociais no dia 13 deste mês fazendo um procedimento que ele não tem autorização para fazer, na região da cintura de uma paciente que aparece deitada em uma cadeira de dentista e sem roupa adequada para intervenções desse tipo.     

    Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos, garantindo a segurança dos pacientes. Ainda alertou que “tais procedimentos devem ser realizados em ambiente adequado”.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

No trecho “mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem”, o termo “até a última atualização desta reportagem” expressa circunstância de
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Q3439904 Português

Texto para a questão.


Após aparecer em vídeo fazendo procedimento invasivo, dentista do AC tem clínica interditada pela Vigilância Sanitária


    Após a divulgação de um vídeo no qual aparece fazendo um procedimento invasivo, o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada pela Vigilância Sanitária Estadual nessa quarta‑feira (19). A informação foi confirmada ao g1 pelo próprio odontólogo.

    A Vigilância Sanitária não quis se pronunciar sobre a ação. O g1 também tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem. Já o dentista afirmou que irá se pronunciar posteriormente.

    Maia também é ex‑prefeito do município de Senador Guiomard, no interior do Acre, e atua na Clínica de Atendimento Médico e Odontológico (Camoa), e viralizou nas redes sociais no dia 13 deste mês fazendo um procedimento que ele não tem autorização para fazer, na região da cintura de uma paciente que aparece deitada em uma cadeira de dentista e sem roupa adequada para intervenções desse tipo.     

    Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos, garantindo a segurança dos pacientes. Ainda alertou que “tais procedimentos devem ser realizados em ambiente adequado”.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

O vocábulo “odontólogo”, que aparece no final do primeiro parágrafo do texto, é sinônimo de outra palavra que aparece no texto, a qual é
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Q3439903 Português

Texto para a questão.


Após aparecer em vídeo fazendo procedimento invasivo, dentista do AC tem clínica interditada pela Vigilância Sanitária


    Após a divulgação de um vídeo no qual aparece fazendo um procedimento invasivo, o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada pela Vigilância Sanitária Estadual nessa quarta‑feira (19). A informação foi confirmada ao g1 pelo próprio odontólogo.

    A Vigilância Sanitária não quis se pronunciar sobre a ação. O g1 também tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), mas não conseguiu retorno até a última atualização desta reportagem. Já o dentista afirmou que irá se pronunciar posteriormente.

    Maia também é ex‑prefeito do município de Senador Guiomard, no interior do Acre, e atua na Clínica de Atendimento Médico e Odontológico (Camoa), e viralizou nas redes sociais no dia 13 deste mês fazendo um procedimento que ele não tem autorização para fazer, na região da cintura de uma paciente que aparece deitada em uma cadeira de dentista e sem roupa adequada para intervenções desse tipo.     

    Com a repercussão das imagens, o Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM‑AC) reforçou que a Lei do Ato Médico determina que procedimentos estéticos invasivos são de execução exclusiva dos médicos, garantindo a segurança dos pacientes. Ainda alertou que “tais procedimentos devem ser realizados em ambiente adequado”.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

No período “o dentista André Maia teve a clínica da qual é proprietário interditada”, aparece a oração subordinada “da qual é proprietário”. Nessa oração, o termo “da qual” exerce função sintática de adjunto adnominal, pois 
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Q3438757 Português
Casas amáveis


       Vocês me dirão que as casas antigas têm ratos, goteiras, portas e janelas empenadas, trincos que não correm, encanamentos que não funcionam. Mas não acontece o mesmo com tantos apartamentos novinhos em folha?
        Agora, o que nenhum arranha-céu poderá ter, e as casas antigas tinham, é esse ar humano, esse modo comunicativo, essa expressão de gentileza que enchiam de mensagens amáveis as ruas de outrora.
      Havia o feitio da casa: os chalés, com aquelas rendas de madeira pelo telhado, pelas varandas, eram uma festa, uma alegria, um vestido de noiva, uma árvore de Natal.
       As casas de platibanda expunham todos os seus disparates felizes: jarros e compoteiras lá no alto, moças recostadas em brasões, pássaros de asas abertas, painéis com datas e monogramas em relevos de ouro. Tudo isso queria dizer alguma coisa: as fachadas esforçavam-se por falar. E ouvia-se a sua linguagem com enternecimento. Mas, hoje, quem se detém a olhar para rosas esculpidas, acentos, estrelas, cupidos, esfinges, cariátides? Eram recordações mediterrâneas, orientais: mitologia, paganismo, saudade. (Que quer dizer saudade? E para que e o que recordar?)
         Os jardins tinham suas deusas, seus anões; possuíam mesmo bosques, onde morariam ecos e oráculos; e pequenas cascatas, pequenas grutas com um pouco d'água para os peixinhos. Possuíam canteiros de flores obscuras – violetas, amores- -perfeitos – para serem vistas só de perto, carinhosamente, uma por uma, de cor em cor. (Hoje, estes ventos grandiosos apagam tudo.)
       E, lá dentro, as casas tinham corredores crepusculares, porões úmidos, habitados por certos fantasmas domésticos, que de vez em quando se faziam lembrar, com seus pálidos sopros, seus transparentes calcanhares, suas algemas de escravidão.
         As famílias abrigavam cortejos de mortos.
        E havia as claraboias. Luz como aquela? Nem a do luar! – uma suavidade de cinza e marfim, a maciez da seda, o fulgor da opala. As casas eram o retrato de seus proprietários. Sabia-se logo de suas virtudes e defeitos. Retratos expostos ao público: nem sempre simpáticos, mas geralmente fiéis.
     Agora, os andaimes sobem, para os arranha-céus vitoriosos, frios e monótonos, tão seguros de sua utilidade que não podem suspeitar da sua ausência de gentileza.
      Qualquer dia, também desaparecerão essas últimas casas coloridas que exibem a todos os passantes suas ingênuas alegrias íntimas – flores de papel, abajures encarnados, colchas de franjas – e sujas risonhas proprietárias têm sempre um Y no nome, Yara, Nancy, Jeny... Ah! Não veremos mais essas palavras, em diagonal, por cima das janelas, de cortininhas arregaçadas, com um gatinho dormindo no peitoril.
       Afinal, tudo serão arranha-céus. (Ninguém mais quer ser como é: todos querem ser como os outros são.)
         E eis que as ruas ficarão profundamente tristes, sem a graça, o encanto, a surpresa das casas que vão sendo derrubadas. Casas suntuosas ou modestas, mas expressivas, comunicantes. Casas amáveis.


(MEIRELES, Cecília. Casas amáveis. Jornal “O Estado de São Paulo”. Escolha o seu sonho. 1ª edição. Ed. Record.)
Em Mas não acontece o mesmo com tantos apartamentos novinhos em folha?” (1º§), “mas” introduz uma ideia de: 
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Q3438756 Português
Casas amáveis


       Vocês me dirão que as casas antigas têm ratos, goteiras, portas e janelas empenadas, trincos que não correm, encanamentos que não funcionam. Mas não acontece o mesmo com tantos apartamentos novinhos em folha?
        Agora, o que nenhum arranha-céu poderá ter, e as casas antigas tinham, é esse ar humano, esse modo comunicativo, essa expressão de gentileza que enchiam de mensagens amáveis as ruas de outrora.
      Havia o feitio da casa: os chalés, com aquelas rendas de madeira pelo telhado, pelas varandas, eram uma festa, uma alegria, um vestido de noiva, uma árvore de Natal.
       As casas de platibanda expunham todos os seus disparates felizes: jarros e compoteiras lá no alto, moças recostadas em brasões, pássaros de asas abertas, painéis com datas e monogramas em relevos de ouro. Tudo isso queria dizer alguma coisa: as fachadas esforçavam-se por falar. E ouvia-se a sua linguagem com enternecimento. Mas, hoje, quem se detém a olhar para rosas esculpidas, acentos, estrelas, cupidos, esfinges, cariátides? Eram recordações mediterrâneas, orientais: mitologia, paganismo, saudade. (Que quer dizer saudade? E para que e o que recordar?)
         Os jardins tinham suas deusas, seus anões; possuíam mesmo bosques, onde morariam ecos e oráculos; e pequenas cascatas, pequenas grutas com um pouco d'água para os peixinhos. Possuíam canteiros de flores obscuras – violetas, amores- -perfeitos – para serem vistas só de perto, carinhosamente, uma por uma, de cor em cor. (Hoje, estes ventos grandiosos apagam tudo.)
       E, lá dentro, as casas tinham corredores crepusculares, porões úmidos, habitados por certos fantasmas domésticos, que de vez em quando se faziam lembrar, com seus pálidos sopros, seus transparentes calcanhares, suas algemas de escravidão.
         As famílias abrigavam cortejos de mortos.
        E havia as claraboias. Luz como aquela? Nem a do luar! – uma suavidade de cinza e marfim, a maciez da seda, o fulgor da opala. As casas eram o retrato de seus proprietários. Sabia-se logo de suas virtudes e defeitos. Retratos expostos ao público: nem sempre simpáticos, mas geralmente fiéis.
     Agora, os andaimes sobem, para os arranha-céus vitoriosos, frios e monótonos, tão seguros de sua utilidade que não podem suspeitar da sua ausência de gentileza.
      Qualquer dia, também desaparecerão essas últimas casas coloridas que exibem a todos os passantes suas ingênuas alegrias íntimas – flores de papel, abajures encarnados, colchas de franjas – e sujas risonhas proprietárias têm sempre um Y no nome, Yara, Nancy, Jeny... Ah! Não veremos mais essas palavras, em diagonal, por cima das janelas, de cortininhas arregaçadas, com um gatinho dormindo no peitoril.
       Afinal, tudo serão arranha-céus. (Ninguém mais quer ser como é: todos querem ser como os outros são.)
         E eis que as ruas ficarão profundamente tristes, sem a graça, o encanto, a surpresa das casas que vão sendo derrubadas. Casas suntuosas ou modestas, mas expressivas, comunicantes. Casas amáveis.


(MEIRELES, Cecília. Casas amáveis. Jornal “O Estado de São Paulo”. Escolha o seu sonho. 1ª edição. Ed. Record.)
Em “Agora, os andaimes sobem, para os arranha-céus vitoriosos, frios e monótonos, [...]” (9º§), a palavra que apresenta o sentido oposto de “vitoriosos” é:
Alternativas
Respostas
12721: B
12722: D
12723: B
12724: C
12725: A
12726: D
12727: C
12728: C
12729: B
12730: C
12731: E
12732: A
12733: D
12734: E
12735: C
12736: B
12737: D
12738: A
12739: B
12740: B