Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q3552416 Português
Quanto à acentuação, a palavra “inóspito” classifica-se como:
Alternativas
Q3552415 Português
Verifica-se o emprego correto de locução com verbo abundante em:
Alternativas
Q3552414 Português
Há erro de concordância verbal em:
Alternativas
Q3552413 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
Analise a locução “em face de” que ocorre no excerto “E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento”. Considerando sua função, a locução que poderia substitui-la, sem prejuízo de valor, é:
Alternativas
Q3552412 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
O verbo “ouvir”, em “Pobre de quem se ouve!”, é:
Alternativas
Q3552411 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
Em “Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba”, a palavra “outra” é empregada como:
Alternativas
Q3552410 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
A palavra “só”, que ocorre em “O prazer físico de andar e estar só”, é empregada com o mesmo significado apenas em:
Alternativas
Q3552409 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
Os pronomes “si”, “nos” e “seu”, que ocorrem no texto, podem corresponder apenas e respectivamente às pessoas gramaticais: 
Alternativas
Q3552408 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
Analise o seguinte excerto quanto às palavras em destaque:

“Esforço-me por ignorá-los [...] Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção.”
Em relação ao valor que exprimem, essas conjunções são classificadas, respectivamente, como: 
Alternativas
Q3552407 Português
Domingo


      O domingo que, há muitos anos, vinha sendo o meu dia sem graça, fez-me redescobrir o seu bom ar e convenceu-me de sua alegria, como na meninice. Vou a pé por uma rua de Ipanema, vou andando sozinho, sentindo a tarde fresca e me interessando pelas pessoas que encontro. O prazer físico de andar e estar só. O conforto de estar vestindo uma camisa muito maior que eu, só a camisa, sobre uma calça grande também e desvincada. A maravilha de não precisar falar.
       Passa uma mulher bonita, alta, com um pelo de arame pela corrente. Mais adiante, uma outra espera alguém que a levará para uma mesa de biriba, ou que seja para uma cartada mais séria. Depois, um jovem casal de mãos dadas, rindo alto, segurando-se um no outro, para não cair da gargalhada. Um senhor com uma máquina fotográfica, à bandoleira. Aquele antigo ar dos domingos voltando da infância facilitava-me a intimidade que cada homem deve manter consigo mesmo. As crianças são íntimas de si mesmas. Depois, quando vão engrossando a voz e criando buço, começam a fazer-se cerimônia. Às vezes, entre os 30 e os 40 anos, perderam tanto os pontos de referência que a noção dos pés e das mãos é vaga e sem posse. A própria voz é um acontecimento estranho e transfigurado. Passa-se a não dizer, e sim a ouvir as próprias palavras. Pobre de quem se ouve!
         Entro num barzinho de fregueses muito moços. São pares de namorados e a pessoa mais velha deve ter 18 anos. Esforço-me por ignorá-los, mergulhando no livro que trouxe e bebendo a cerveja que pedi. Eles, porém, me ignoram com a maior facilidade. A vitrola toca uma canção minha, em solo do piano. Seria péssimo se eles reconhecessem o autor e ficassem diferentes por minha causa. Mas não achavam nada demais a vizinhança de um homem que fez uma canção. Entanto, eu acho ainda que é uma grande coisa um homem ter feito uma canção. E ouvi-la, em público, entre os que não a fizeram! Senti-la de todos e sabê-la sua. 
          Que bom não ter agora com quem falar. Foi sempre a palavra que enganou todas as coisas. Enquanto estou calado, podem fazer de mim todas as suposições erradas e absurdas. Mas não fui eu que menti ou enganei. Há pessoas que nos obrigam a mentir. São as que nos pedem aqui e ali um julgamento que lhes seja agradável. Alguém seguro de si não nos pede jamais uma opinião sobre o seu feito. Espera, ou pouco se importa com a ideia que estamos formando a seu respeito. Os homens que não se confiam perguntam-nos constantemente: “Você não acha que agi muito bem? Você, em meu lugar, não faria exatamente a mesma coisa?”. E nunca duas pessoas reagem exatamente da mesma maneira em face do mesmo acontecimento. Porque não existem duas pessoas rigorosamente iguais. Na melhor das hipóteses, um teria a gravata de outra cor.

         Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!

        Entra uma moça clara, da idade das outras, e senta à mesa em frente à minha. Jovem. Linda. E eu, não.


MARIA, A. Domingo. In: TAUIL, G. (Org.) Vento vadio: as crônicas de Antônio Maria. Todavia, 2021, p. 167-168. Disponível em<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13379/domingo>.  
Ao dizer “Que bom ser domingo outra vez, depois de 30 anos!”, o narrador do texto:
Alternativas
Q3552177 Português
Segundo o Manual de Redação da Presidência da República, o texto tem coesão e coerência quando “se verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns aos outros” (p. 19). Considerando o disposto no citado Manual, assinale a alternativa que corresponde ao mecanismo de coesão e coerência utilizado para se fazer referência ao termo

“O inverno” no seguinte excerto. “O inverno deste ano será marcado por frequência e intensidade maiores das massas de ar frio de origem polar em comparação com o outono. A estação também traz o aumento da força e da duração dos ventos sul”

Internet: https://g1.globo.com. 
Alternativas
Q3552176 Português

Q1_10.png (360×606)


Internet: https://www.revistabula.com (com adaptações). 

Acerca das relações de concordância verbal estabelecidas no texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3552175 Português

Q1_10.png (360×606)


Internet: https://www.revistabula.com (com adaptações). 

Assinale a alternativa em que a expressão “por que” está empregada corretamente e com a mesma função sintática e o mesmo sentido em que aparece no seguinte trecho do texto: “o dom secreto de nos lembrar por que os bons são tão raros” (linhas 33 e 34).
Alternativas
Q3552174 Português

Q1_10.png (360×606)


Internet: https://www.revistabula.com (com adaptações). 

Na oração “que você ri” (linha 30), o vocábulo “que” está empregado como 
Alternativas
Respostas
11741: B
11742: B
11743: C
11744: A
11745: B
11746: C
11747: C
11748: C
11749: D
11750: B
11751: A
11752: E
11753: D
11754: E
11755: A
11756: B
11757: C
11758: B
11759: A
11760: C