Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q3715177 Português
Texto CG2A1


    Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disso” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic. Claro que, para chegar ao papel e à esferográfica, tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc. Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita. Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.

    As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas, as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.

    E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para um texto e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro. Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis, e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia, mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo”.

   E não consigo me lembrar de qual era a ideia de que a frase me faria lembrar. Algo sobre os perigos da autoanálise muito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que, se a ideia não é lembrada, é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.


Luís Fernando Verissimo. Memória e anotações. In: Estadão, 22/9/2011. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações).  
No texto CG2A1, o vocábulo “insólita” (quinto período do primeiro parágrafo) está empregado no sentido de  
Alternativas
Q3715176 Português
Texto CG2A1


    Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disso” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic. Claro que, para chegar ao papel e à esferográfica, tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc. Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita. Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.

    As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas, as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.

    E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para um texto e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isso, porque sempre me esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que, se tivesse o bloco de notas à mão, a ideia viria no chuveiro. Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis, e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia, mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo”.

   E não consigo me lembrar de qual era a ideia de que a frase me faria lembrar. Algo sobre os perigos da autoanálise muito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que, se a ideia não é lembrada, é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.


Luís Fernando Verissimo. Memória e anotações. In: Estadão, 22/9/2011. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações).  
Conclui-se do texto CG2A1 que o fato que levou o autor a escrevê-lo foi 
Alternativas
Q3711945 Português

Analise as proposições a seguir conforme os referenciais de Emília Ferreiro e Magda Soares sobre a construção do sistema de escrita e o desenvolvimento da consciência linguística. 



I. A escrita “BLA” para “BOLA” representa uma hipótese em transição, em que a criança busca correspondência sonora parcial entre fala e grafia; a intervenção pedagógica deve favorecer o avanço conceitual sobre a estrutura sonora e gráfica das palavras.



II. A grafia “CAZA” para “CASA” indica domínio ortográfico consolidado e requer apenas reforço de memorização do padrão “ZA”, dispensando reflexão sobre as convenções da língua escrita.



III. A forma “MENINUZINHU” para “meninuzinho” revela percepção da estrutura morfológica da palavra, sendo pertinente a exploração de relações entre som, grafia e significado para aprofundar a consciência sobre formação de palavras.



IV. A grafia “AMIGOSSE” para “AMIGOS” indica necessidade de correção prioritária por meio de treino ortográfico sistemático, sem ênfase nas discussões morfológicas, com o objetivo de assegurar precisão no mapeamento entre grafemas e fonemas.



Está CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3710310 Português
Assinale a alternativa em que a concordância verbal e nominal está inteiramente correta, conforme a norma-padrão da língua portuguesa:
Alternativas
Q3710309 Português
Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto, de acordo com a norma padrão da língua portuguesa:
Alternativas
Q3710308 Português
Assinale a alternativa em que as palavras destacadas foram empregadas corretamente de acordo com seus significados e grafias:
Alternativas
Q3710307 Português
Assinale a alternativa que está inteiramente correta quanto à ortografia das palavras segundo a norma culta da língua portuguesa:
Alternativas
Q3710306 Português
Nos versos: "Quantas chances desperdicei, quanto o que eu mais queria era provar para todo o mundo que eu não precisava provar nada para ninguém", de Renato Russo, observe a construção e o sentido dos elementos linguísticos. Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3710305 Português
Qual das alternativas a seguir corresponde corretamente ao sentimento expressado por Renato Russo na frase: "Quantas chances desperdicei, quanto o que eu mais queria era provar para todo o mundo que eu não precisava provar nada para ninguém"?
Alternativas
Q3710304 Português

Texto:





(Gilberto Gil - https://www.culturagenial.com/musica-draogilberto-gil/)

Na canção Drão, de Gilberto Gil, o trecho “Nossa caminhadura / Dura caminhada” apresenta um recurso estilístico que amplia o sentido poético da experiência do casal. Com base nesse trecho, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3710303 Português

Texto:





(Gilberto Gil - https://www.culturagenial.com/musica-draogilberto-gil/)

Na canção Drão, Gilberto Gil utiliza a palavra "monolito" na seguinte passagem:


“O verdadeiro amor é vão, estende-se infinito Imenso monolito, nossa arquitetura”


Com base no contexto em que a palavra monolito é usada, assinale a alternativa CORRETA quanto ao seu significado simbólico na canção:

Alternativas
Q3710302 Português

Texto:





(Gilberto Gil - https://www.culturagenial.com/musica-draogilberto-gil/)

Na expressão "n’algum lugar", retirada da canção Drão, observa-se um fenômeno linguístico comum na língua portuguesa, especialmente em contextos formais e literários. Esse fenômeno consiste em:
Alternativas
Q3710301 Português

Texto:





(Gilberto Gil - https://www.culturagenial.com/musica-draogilberto-gil/)

A canção “Drão”, de Gilberto Gil, carrega forte carga simbólica e poética ao tratar do amor, da dor e da separação. A partir da leitura da letra, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3709487 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quem são os povos quilombolas?


Os povos quilombolas são descendentes de pessoas negras escravizadas que resistiram à escravidão no Brasil. Durante os séculos de escravidão no país, muitos fugiram das fazendas de café e das plantações de cana-de-açúcar e formaram comunidades conhecidas como quilombos, geralmente em áreas de difícil acesso, como as matas.


O termo "quilombo" vem da língua banto e significa "povoação". Essas comunidades funcionavam com base na coletividade com desenvolvimento social, econômico e político. Com o tempo, mesmo após a destruição de muitos quilombos, as comunidades sobreviventes se fortaleceram e passaram a preservar suas tradições e identidades.


Atualmente, segundo o Decreto n.º 4.887/2023, uma comunidade quilombola é um grupo étnico-racial que se autodeclara como tal, ou seja, que se reconhece como descendente de quilombo e mantém práticas culturais, sociais e religiosas próprias. O reconhecimento leva em conta critérios étnico-raciais e culturais, respeitando o direito à autodeclaração, algo fundamental para a valorização da diversidade e da identidade quilombola no país.


Os quilombolas são agricultores, guardiãs de sementes, marisqueiras e pescadores, apanhadores de flores, de coco-babaçu, de açaí, de buriti e outras práticas com base no cultivo.


Um dos quilombos mais conhecidos da história do Brasil é o Quilombo dos Palmares, fundado no século XVI na região da Serra da Barriga, localizada em Alagoas. [...] Durante quase cem anos, Palmares resistiu aos ataques de tropas portuguesas, holandesas e bandeirantes paulistas, sendo destruído em 1695. [...] Os ataques aos quilombos aconteciam porque os negros escravizados fugiam das fazendas, em busca de liberdade e para escapar de violências que sofriam. Muitos quilombolas foram mortos por resistirem à recaptura e suas moradias destruídas. Essa destruição também tinha o objetivo de impedir que os fugitivos cultivassem a terra, inclusive a cana-de-açúcar. Para os senhores de engenho, atacar o Quilombo dos Palmares significava não apenas recuperar a mão de obra escravizada, mas também garantir que o plantio de cana ficasse restrito às suas próprias fazendas. [...]


Atualmente, os quilombos continuam sendo espaços de preservação cultural e resistência. Nessas comunidades, os quilombolas mantêm costumes, religiões, formas de plantio, culinária e conhecimentos tradicionais passados de geração em geração.


[...]


Quilombolas e o meio ambiente


Os povos quilombolas vivem em regiões com grande riqueza natural e podem exercer papel importante na proteção desses espaços. Ao proteger florestas, rios e manguezais, essas comunidades ajudam a evitar a degradação ambiental e garantem a manutenção do equilíbrio da natureza. [...] Eles também se organizam, muitas vezes, para enfrentar ameaças como a pesca predatória, o despejo de resíduos e o avanço de empreendimentos que colocam em risco o meio ambiente. 


Os quilombolas combinam conhecimento ancestral com a ação coletiva para defender seus territórios. Um exemplo é o Quilombo Kalunga, localizado na Chapada dos Veadeiros (Goiás). Em 2023, moradores atuaram como brigadistas na prevenção de incêndios florestais. O conhecimento tradicional dos kalungas sobre o manejo do fogo, somada às técnicas de pesquisadores do Cerrado que atuam junto ao quilombo, contribuíram para reduzir os incêndios e facilitar o trabalho dos agricultores locais. [...] 


Diante dos efeitos das mudanças climáticas, a preservação dos territórios quilombolas se torna ainda mais urgente. [...] No Brasil, por exemplo, a mudança climática afeta a produção de alimentos e a disponibilidade de água, o que atinge diretamente comunidades tradicionais que dependem da agricultura e dos recursos naturais. [...] Para essas comunidades, isso significa enfrentar dificuldades no acesso à água potável, riscos à segurança alimentar e à continuidade de práticas culturais ligadas à terra e à natureza.


(Disponível em: https://www.politize.com.br/quilombolas/#quilombolas-e-o-meio-ambient e. Acesso em 29 set. 2025. Adaptado.)
O processo de formação de palavras é muito importante para a dinâmica de uma língua. Essa formação pode acontecer de variadas maneiras. Associe a segunda coluna com primeira, relacionando os tipos de formação de palavras com seus respectivos exemplos, os quais foram retirados do texto:

Primeira coluna: tipos
1.Derivação por prefixação
2.Derivação por sufixação
3.Derivação parassintética
4.Composição por justaposição
5.Composição por aglutinação

Segunda coluna: exemplos
(__)étnico-racial.
(__)coletividade.
(__)recuperar.
(__)sobreviventes.
(__)agricultura.

Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:

Alternativas
Q3706935 Português
Na leitura de diferentes gêneros textuais, a identificação das figuras de linguagem permite compreender efeitos expressivos e argumentativos. Relacione os recursos apresentados na Coluna A com seus respectivos efeitos na Coluna B, considerando seu emprego em textos literários e publicitários.

Coluna A

1. Metonímia.
2. Antítese.
3. Eufemismo.
4. Paranomásia.

Coluna B

( ) Suavização de uma ideia desagradável.
( ) Aproximação de termos semanticamente opostos.
( ) Substituição por contiguidade de sentido.
( ) Jogo sonoro com palavras semelhantes.

A sequência correta da coluna B é:
Alternativas
Q3706934 Português
Ao analisar textos argumentativos, os conectivos são elementos decisivos para compreender as relações sintático-semânticas que estruturam o raciocínio. Julgue as sentenças abaixo como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F).

I. O conectivo “portanto” introduz ideia de conclusão lógica.
II. O conectivo “embora” estabelece uma relação de causa entre duas proposições.
III. O conectivo “logo” pode indicar consequência de uma premissa anterior.
IV. O conectivo “contudo” expressa uma relação de oposição ou contraste.

Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q3706933 Português
Em uma reunião pedagógica, o coordenador afirmou: “Se os alunos colaborassem mais, o projeto já teria avançado”. A escolha do modo verbal nessa frase não é aleatória, mas expressa uma situação específica.

Com base no valor semântico do verbo no subjuntivo, o que está sendo comunicado?
Alternativas
Q3706932 Português
Em textos acadêmicos e administrativos, a precisão na concordância e na regência é fundamental para assegurar clareza e credibilidade.

Analise as frases a seguir e assinale a alternativa que NÃO está em conformidade com a norma culta.
Alternativas
Q3706931 Português
Em uma aula, o professor destacou a frase “Aos estudantes preocupados, a professora ofereceu uma explicação detalhada do tema”. Ele pediu que os alunos refletissem sobre o papel desempenhado pela expressão inicial contida na frase, considerando a noção de que cada termo deve ser classificado de acordo com sua contribuição semântica e sua relação com o núcleo verbal.

Qual é a função sintática dessa expressão?
Alternativas
Q3706930 Português
Um professor distribuiu aos alunos um texto com 10 páginas de repetições do mesmo parágrafo. Após a leitura, os alunos reclamaram que o material era pouco proveitoso e de baixa qualidade textual.

Nesse caso, foram comprometidos os princípios de:
Alternativas
Respostas
10141: D
10142: B
10143: A
10144: E
10145: B
10146: A
10147: E
10148: E
10149: A
10150: D
10151: C
10152: D
10153: C
10154: X
10155: A
10156: A
10157: B
10158: C
10159: B
10160: B