Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q3782815 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.


Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a frase do texto foi reescrita em conformidade com a norma-padrão de regência e de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3782814 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.


Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Considere as seguintes frases do 3º parágrafo:
•  “Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados?”
•  “Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão...”
Considerando o sentido com que foram empregadas no texto, as palavras em destaque têm como sinônimos, correta e respectivamente,
Alternativas
Q3782813 Português

Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.


Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Em “Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível...” (6º parágrafo), o autor utiliza uma metáfora para expressar a ideia de que
Alternativas
Q3782812 Português

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Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Com base na leitura do texto, é correto afirmar que o autor procura
Alternativas
Q3782811 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada pode ser substituída pela expressão apresentada, sem prejuízo da norma-padrão de emprego dos pronomes.
Alternativas
Q3782810 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Ode à vida


    No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na  época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.


    A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes  que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.


    A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro  sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há  também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”


    Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.


(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)

Considere as frases a seguir:
•  “Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos…” (3º parágrafo)
•  “‘Eu não quis escrever um livro sobre minha mãe, mas um livro a partir dela…’” (3º parágrafo)
É correto afirmar que as expressões destacadas expressam, correta e respectivamente, relações de sentido de
Alternativas
Q3782809 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Ode à vida


    No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na  época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.


    A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes  que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.


    A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro  sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há  também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”


    Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.


(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a palavra destacada foi empregada em sentido próprio.
Alternativas
Q3782808 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Ode à vida


    No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na  época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.


    A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes  que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.


    A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro  sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há  também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”


    Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.


(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)

Com base no texto, é correto afirmar que a obra de Lídia Jorge se distingue por um modo de representação literária que
Alternativas
Q3782807 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Ode à vida


    No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na  época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.


    A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes  que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.


    A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro  sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há  também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”


    Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.


(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)

A partir das informações presentes no texto, é correto afirmar que o romance Misericórdia surgiu
Alternativas
Q3782806 Português

Leia a tira a seguir para responder à questão abaixo:


                


(André Dahmer. Disponível em: https://memorialdademocracia.com.br/card/linguagens-da-cultura-na-internet)

Considere as frases a seguir:
•  “E quanto podemos cobrar pelo uso do balanço?” (1o quadro)
•  “Então mande derrubar.” (3o quadro)
Os trechos destacados podem ser substituídos, em conformidade com a norma-padrão de colocação pronominal, respectivamente, por:
Alternativas
Q3782805 Português

Leia a tira a seguir para responder à questão abaixo:


                


(André Dahmer. Disponível em: https://memorialdademocracia.com.br/card/linguagens-da-cultura-na-internet)

A partir da leitura da tira, é correto afirmar que nela se faz uma crítica à
Alternativas
Q3782726 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Era uma caixa de madeira


Era uma caixa de madeira rústica, construída pelo meu avô, com dobradiças improvisadas e uma tampa presa por um prego torto. Para mim, era uma obra-prima, talvez pela idade ou pelo brilho do verniz que guardava tudo aquilo que eu desejava para a minha vida. Dentro dela havia divisões simples, também envernizadas, que pareciam esconder pequenas aventuras.

Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial. Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô. A caixa era, para mim, um universo inteiro.

Sempre que ele chegava em casa, colocava a caixa ao alcance dos meus olhos, anunciando horas de descobertas, cheiros de mato e pés molhados de rio. Mas um dia meu avô deixou de aparecer. Foi levado para Porto Alegre e, quando voltou, já não trazia sua caixa. Lembro-me da última vez em que o vi, imóvel, dentro de outra caixa, grande, envernizada, com o mesmo cheiro de mato que o acompanhava.

O Chevette ficou parado, coberto de poeira, até que um dia abri o porta-malas escondido. Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas. Observei cada detalhe, sem tocar em nada, porque tudo ali ainda era dele. Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse, eu também construiria uma caixa igual para guardar minha própria vida.


Texto Adaptado

ROSSONI, Emir. Era uma caixa de madeira. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D?Oliveira: conto, crônica e poesia − Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/baixar-arquivo/conteudo/D15 -1884.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
Leia com atenção os trechos abaixo retirados do texto "Era uma caixa de madeira" e observe os verbos destacados. Em seguida, assinale a alternativa correta quanto ao tempo e modo em que esses verbos estão empregados.

I."Era uma caixa de madeira rústica..."
II."Sempre que ele chegava em casa..."
III."Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse ..."
IV."Colocava a caixa ao alcance dos meus olhos..."

Assinale a alternativa que apresenta corretamente o tempo e o modo de cada um desses verbos destacados (era, chegava, fechei, colocava).
Alternativas
Q3782725 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Era uma caixa de madeira


Era uma caixa de madeira rústica, construída pelo meu avô, com dobradiças improvisadas e uma tampa presa por um prego torto. Para mim, era uma obra-prima, talvez pela idade ou pelo brilho do verniz que guardava tudo aquilo que eu desejava para a minha vida. Dentro dela havia divisões simples, também envernizadas, que pareciam esconder pequenas aventuras.

Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial. Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô. A caixa era, para mim, um universo inteiro.

Sempre que ele chegava em casa, colocava a caixa ao alcance dos meus olhos, anunciando horas de descobertas, cheiros de mato e pés molhados de rio. Mas um dia meu avô deixou de aparecer. Foi levado para Porto Alegre e, quando voltou, já não trazia sua caixa. Lembro-me da última vez em que o vi, imóvel, dentro de outra caixa, grande, envernizada, com o mesmo cheiro de mato que o acompanhava.

O Chevette ficou parado, coberto de poeira, até que um dia abri o porta-malas escondido. Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas. Observei cada detalhe, sem tocar em nada, porque tudo ali ainda era dele. Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse, eu também construiria uma caixa igual para guardar minha própria vida.


Texto Adaptado

ROSSONI, Emir. Era uma caixa de madeira. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D?Oliveira: conto, crônica e poesia − Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/baixar-arquivo/conteudo/D15 -1884.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
No período "Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial.", é correto afirmar que:
Alternativas
Q3782724 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Era uma caixa de madeira


Era uma caixa de madeira rústica, construída pelo meu avô, com dobradiças improvisadas e uma tampa presa por um prego torto. Para mim, era uma obra-prima, talvez pela idade ou pelo brilho do verniz que guardava tudo aquilo que eu desejava para a minha vida. Dentro dela havia divisões simples, também envernizadas, que pareciam esconder pequenas aventuras.

Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial. Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô. A caixa era, para mim, um universo inteiro.

Sempre que ele chegava em casa, colocava a caixa ao alcance dos meus olhos, anunciando horas de descobertas, cheiros de mato e pés molhados de rio. Mas um dia meu avô deixou de aparecer. Foi levado para Porto Alegre e, quando voltou, já não trazia sua caixa. Lembro-me da última vez em que o vi, imóvel, dentro de outra caixa, grande, envernizada, com o mesmo cheiro de mato que o acompanhava.

O Chevette ficou parado, coberto de poeira, até que um dia abri o porta-malas escondido. Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas. Observei cada detalhe, sem tocar em nada, porque tudo ali ainda era dele. Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse, eu também construiria uma caixa igual para guardar minha própria vida.


Texto Adaptado

ROSSONI, Emir. Era uma caixa de madeira. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D?Oliveira: conto, crônica e poesia − Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/baixar-arquivo/conteudo/D15 -1884.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
No trecho "Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas.", os sinais de pontuação cumprem funções distintas no processo de construção do sentido. A esse respeito, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3782723 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Era uma caixa de madeira


Era uma caixa de madeira rústica, construída pelo meu avô, com dobradiças improvisadas e uma tampa presa por um prego torto. Para mim, era uma obra-prima, talvez pela idade ou pelo brilho do verniz que guardava tudo aquilo que eu desejava para a minha vida. Dentro dela havia divisões simples, também envernizadas, que pareciam esconder pequenas aventuras.

Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial. Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô. A caixa era, para mim, um universo inteiro.

Sempre que ele chegava em casa, colocava a caixa ao alcance dos meus olhos, anunciando horas de descobertas, cheiros de mato e pés molhados de rio. Mas um dia meu avô deixou de aparecer. Foi levado para Porto Alegre e, quando voltou, já não trazia sua caixa. Lembro-me da última vez em que o vi, imóvel, dentro de outra caixa, grande, envernizada, com o mesmo cheiro de mato que o acompanhava.

O Chevette ficou parado, coberto de poeira, até que um dia abri o porta-malas escondido. Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas. Observei cada detalhe, sem tocar em nada, porque tudo ali ainda era dele. Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse, eu também construiria uma caixa igual para guardar minha própria vida.


Texto Adaptado

ROSSONI, Emir. Era uma caixa de madeira. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D?Oliveira: conto, crônica e poesia − Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/baixar-arquivo/conteudo/D15 -1884.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
Com base no texto "Era uma caixa de madeira", assinale a alternativa que melhor expressa o modo como o texto constrói seu sentido, considerando a estrutura da narrativa e o valor simbólico do objeto descrito.
Alternativas
Q3782722 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Era uma caixa de madeira


Era uma caixa de madeira rústica, construída pelo meu avô, com dobradiças improvisadas e uma tampa presa por um prego torto. Para mim, era uma obra-prima, talvez pela idade ou pelo brilho do verniz que guardava tudo aquilo que eu desejava para a minha vida. Dentro dela havia divisões simples, também envernizadas, que pareciam esconder pequenas aventuras.

Os compartimentos guardavam anzóis de vários tipos, chumbadas, linhas de náilon e até uma linha de cobre que eu nem sabia identificar, mas considerava especial. Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô. A caixa era, para mim, um universo inteiro.

Sempre que ele chegava em casa, colocava a caixa ao alcance dos meus olhos, anunciando horas de descobertas, cheiros de mato e pés molhados de rio. Mas um dia meu avô deixou de aparecer. Foi levado para Porto Alegre e, quando voltou, já não trazia sua caixa. Lembro-me da última vez em que o vi, imóvel, dentro de outra caixa, grande, envernizada, com o mesmo cheiro de mato que o acompanhava.

O Chevette ficou parado, coberto de poeira, até que um dia abri o porta-malas escondido. Lá estava ela: a caixa de madeira, intacta, com suas dobradiças de borracha e suas aventuras silenciosas. Observei cada detalhe, sem tocar em nada, porque tudo ali ainda era dele. Fechei o porta-malas certo de que, quando crescesse, eu também construiria uma caixa igual para guardar minha própria vida.


Texto Adaptado

ROSSONI, Emir. Era uma caixa de madeira. In: RECHIA, Rosângela Beatriz (Org.). Concurso Literário Felippe D?Oliveira: conto, crônica e poesia − Premiados 2017 e 2018. Santa Maria: Imprensa Universitária/UFSM, 2018. Disponível em: https://www.santamaria.rs.gov.br/arquivos/baixar-arquivo/conteudo/D15 -1884.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
Com base no trecho "Naquelas peças eu via um arsenal capaz de resolver qualquer problema de pescaria, sobretudo quando manejado pelas mãos hábeis do meu avô", é correto afirmar:
Alternativas
Q3782336 Português

Debaixo da casca


    Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar? 


    Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido. 


    Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter. 


    Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue. 


    Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita. 



Autor: Pedro Guerra (adaptado). 


No segmento “Assumidamente humanos”, a palavra “assumidamente” é empregada para modificar o sentido do termo seguinte. Do ponto de vista morfossintático, trata-se de: 
Alternativas
Q3782335 Português

Debaixo da casca


    Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar? 


    Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido. 


    Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter. 


    Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue. 


    Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita. 



Autor: Pedro Guerra (adaptado). 


No trecho “detalhes únicos que nos formam como indivíduos”, a palavra “únicos” está corretamente flexionada porque concorda, em gênero e número, com: 
Alternativas
Q3782334 Português

Debaixo da casca


    Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar? 


    Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido. 


    Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter. 


    Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue. 


    Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita. 



Autor: Pedro Guerra (adaptado). 


Na oração “Reconhecer-se como um humano que erra pode se tornar porta de entrada”, os termos “que erra” exercem a função sintática de: 
Alternativas
Q3782333 Português

Debaixo da casca


    Olhar-se no espelho pode ser uma aventura muito mais radical do que um passeio de montanha-russa. Digo isso com intenção, quando encaramos de verdade o nosso reflexo e percebemos muito além da superfície, muito além da casca. A infinidade de mundos paralelos e detalhes únicos que nos formam como indivíduos nem sempre é observada, e talvez seja por isso que preferimos permanecer no raso, onde dá pé. Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem, mais ainda quando o mergulho vem acompanhado de questionamentos. Um deles: o que ainda mora em mim e já não deveria mais morar? 


    Abrigamos quase 40 trilhões de bactérias no corpo e cerca de 30 trilhões de células. Junto a isso, dezenas (ou centenas, quiçá milhares) de erros e deslizes e momentos que não nos orgulhamos. Aqui se esconde mais um motivo pelo qual o espelho só serve para avaliar a armadura na maioria das vezes: reconhecer-se como ser humano errante dói, principalmente quando sabemos que já passamos por cima de tal erro. Contudo, enterrar o que já aconteceu não ignora o fato de ter acontecido. 


    Assumidamente humanos, vez que outra espelhamos (!) no outro justamente o que nos falta ou o que nos apavora. É a tal da projeção que a psicologia tanto fala. São sentimentos, desejos ou falhas que nos competem, mas que acabam servindo melhor ao outro quando o nosso mecanismo de defesa é ativado. Afinal, é muito mais fácil sentir raiva do outro do que pena de si mesmo, não é? Esse autorreconhecimento para muito além da casca envolve tornar consciente a própria vulnerabilidade e um apanhado de responsabilidades que nem sempre gostaríamos de ter. 


    Ao admitirmos falhas e deslizes, nosso ego é abatido, mas essa é uma ferida que não precisa necessariamente ser apenas dor. Reconhecer-se como um humano que erra (e que ainda vai errar muito) pode se tornar porta de entrada para um encontro mais honesto consigo mesmo. Entre o desconforto e a aceitação, passa a existir um espaço e uma vontade para abraçar a si próprio, acolhendo-se como alguém que visualiza suas imperfeições e mesmo assim segue. 


    Somos complexos, somos múltiplos, somos tudo aquilo que ainda não descobrimos ser. E tal qual conhecer uma nova pessoa que acaba de entrar em nossa vida, acostumar-se com o reconhecer-se rotineiramente é tarefa individual imprescindível. Nem sempre gostaremos de algumas versões nossas de imediato, mas ainda bem que temos o espelho como suporte para penetrar a casca. Seja na dor ou na felicidade de ser quem se é, o urgente é conhecer quem nos habita. 



Autor: Pedro Guerra (adaptado). 


No trecho “Mergulhar em seu próprio reflexo é um ato de coragem”, a palavra “seu” estabelece relação com um termo anterior do texto e classifica-se, gramaticalmente, como: 
Alternativas
Respostas
8721: C
8722: A
8723: E
8724: B
8725: C
8726: E
8727: A
8728: B
8729: D
8730: A
8731: D
8732: D
8733: E
8734: C
8735: B
8736: A
8737: A
8738: B
8739: C
8740: B