Questões de Concurso Sobre português nível médio

Foram encontradas 92.172 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4317330 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

O texto apresenta predominância de linguagem científica e informativa, marcada pela objetividade e pela busca de precisão na transmissão das informações. Na literatura, por outro lado, a linguagem pode assumir caráter predominantemente conotativo, explorando sentidos figurados e múltiplas possibilidades de interpretação. Considerando essa diferença, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4317328 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Ao longo do texto, as aspas (simples ou duplas) são utilizadas em diferentes situações, como nos trechos:

I. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”;
II. “Intervalo Post Mortem”
III. ‘microinvestigadores’

Considerando o emprego das aspas nesses contextos, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4317327 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Observe os períodos retirados do texto:

I. “O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil.”

II. “As moscas depositam ovos no cadáver.”

III. “Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas...”

Considerando as vozes verbais empregadas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4317326 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Considere o período: “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e essas etapas têm duração específica.” A respeito da organização sintática do trecho, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4317325 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

No trecho: “Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência.” A expressão “microinvestigadores” constitui uma comparação porque 
Alternativas
Q4317324 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Observe o período: “Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver...”. Conside rando a estrutura sintática do trecho, assinale a alternativa que identifica corretamente o termo que exerce a função de objeto direto do verbo “coletar”. 
Alternativas
Q4317323 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

No trecho: “A entomologia forense (entomo – inseto; logia – estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais...” predomina a função metalinguística da linguagem porque o texto 
Alternativas
Q4317322 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Considerando sua organização, finalidade comunicativa e características predominantes, o texto é classificado como 
Alternativas
Q4317321 Português

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

A partir das informações apresentadas no texto, é possível inferir que a utilização da entomologia forense nas investigações criminais 
Alternativas
Q4317289 Português
Leia o texto e complete as lacunas:


Conheça benefícios e saiba _________ a leitura é importante


A leitura é uma habilidade social, uma ponte de acesso ao mundo e às outras pessoas. Para a neurociência, é uma das habilidades mais incríveis que a humanidade já desenvolveu. Principalmente _________ a leitura é capaz de transformar nosso cérebro. [...] Afinal, precisamos ser apresentados a um conjunto de códigos para, finalmente, aprendermos essa habilidade. Assim, a leitura é importante __________?

Um importante __________ é o fato de a leitura promover novas descobertas, posicionamentos e discussões, possibilitando o desenvolvimento de empatia e sensibilidade sobre o outro. E também __________ a leitura possibilita ao estudante uma jornada de desenvolvimento mais autônoma em que poderá encontrar muito mais facilidade para falar, perguntar, opinar e formular perguntas, bem como encontrar caminhos para respondê-las.


(Disponível em: https://www.arvore.com.br/blog/por-que-leitura-e-importante. Acesso em: 01 ago. 2026. Adaptado.)
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente as lacunas no texto:
Alternativas
Q4317082 Português
Considerando os tipos de sujeito, assinalar a alternativa que apresenta uma oração sem sujeito. 
Alternativas
Q4317081 Português
Quanto à grafia das palavras com ou sem hífen, assinalar a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4317080 Português
Considerando as regras de acentuação, assinalar a alternativa em que todas as palavras foram acentuadas pelo mesmo motivo de “ciúme”. 
Alternativas
Q4315980 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A pontuação organiza as relações sintáticas entre os constituintes da oração e do período, podendo também produzir efeitos de ritmo e destaque. Nesse contexto, considere as propostas de inserção, supressão ou substituição de sinais de pontuação em trechos do texto e assinale a alternativa em que a alteração preserva a correção gramatical e as relações sintáticas do período, de acordo com a norma-padrão. 
Alternativas
Q4315979 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Os pronomes relativos exercem papel fundamental na coesão textual, retomando um termo antecedente e desempenhando função sintática na oração subordinada que introduzem. Considerando os trechos destacados do texto, à luz da norma- -padrão, assinale a alternativa cuja análise está integralmente correta.
Alternativas
Q4315978 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A autora recorre a diferentes tempos e modos verbais para articular fatos presentes, lembranças, hipóteses e projeções ao longo do texto. Considerando a correlação entre as formas verbais empregadas e os efeitos de sentido que produzem em seus respectivos contextos, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4315977 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considerando os trechos destacados do texto, à luz das regras de concordância verbal da norma-padrão da língua portuguesa, assinale a única alternativa cuja análise está correta.
Alternativas
Q4315976 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No trecho do 8º§: “Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.”, a locução conjuntiva “desde que” introduz uma oração que estabelece uma relação lógico-semântica com a oração anterior. Considerando o funcionamento desse conector no contexto textual, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4315975 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 4º§, a autora menciona “uma toalha puidinha”. Considerando o sentido contextual do adjetivo destacado e sua contribuição para a construção da argumentação do texto, assinale a alternativa em que a substituição proposta e a respectiva justificativa preservam mais adequadamente o efeito de sentido produzido no texto.
Alternativas
Q4315974 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 11º§, a autora emprega uma sequência de perguntas retóricas, como em “Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada?”. Considerando a função desse recurso na progressão argumentativa do texto, essas perguntas contribuem para reforçar a tese de que:
Alternativas
Respostas
481: E
482: C
483: B
484: C
485: D
486: C
487: C
488: A
489: E
490: B
491: D
492: B
493: B
494: C
495: D
496: D
497: C
498: D
499: C
500: C