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Sobre crase em português
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“Toda experiência de amor traz, encolhida no seu ventre, à espera, a possibilidade de sofrer.”
Julgue o seguinte item, relativo à classificação do texto anterior, às suas ideias e aos seus aspectos linguísticos.
A inserção do acento indicativo de crase "a", em "chegaram a adquirir" (último período do texto), manteria a correção gramatical do texto.
________ consequência da violência sofrida por Maria da Penha, o Brasil atribuiu a criação de legislação específica.
As instituições produziram discursos adequados ________ luta contra a violência de gênero.
O feminicídio exige prioridade política real______ todas proteções possíveis das vítimas.
A Lei Maria da Penha trouxe avanços imprescindíveis ______ esta nação.
Atendendo à norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Texto para responder à questão.
Para que a existência valha a pena
Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.
Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”.
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador.
Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. Sem ter programado, a gente para pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas.
Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.
Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.
Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
(LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.)
Analise as afirmações abaixo sobre o uso do acento grave(crase) na frase e assinale a alternativa correta:
Considere as seguintes propostas de alteração do trecho acima e assinale a alternativa que mantém a correção gramatical e a norma culta:
Considerando a regência verbal e nominal, marque com V, as afirmativas verdadeiras, e com F, as falsas:
(__)O verbo 'dedicar' atua como bitransitivo, exigindo preposição 'a' antes do objeto indireto.
(__)O verbo 'dedicar' atua apenas como transitivo indireto, exigindo complemento preposicionado, o que justifica o uso da crase, uma vez que 'investigação' admite o artigo definido feminino 'a'.
(__)O verbo 'desenvolver' está no infinitivo atuando como intransitivo e com seu sujeito posposto.
(__)A forma 'associada' exige complemento preposicionado, todavia, o vocábulo 'estudos', por se apresentar no plural, não admite o uso da crase. Caso estivesse no singular, o emprego da crase seria obrigatório.
A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
I.Ocorre crase na indicação de horas exatas, como em "A palestra começará às nove horas", salvo se a hora vier precedida de preposições como "para", "desde" ou "até".
II.É facultativo o emprego do acento da crase antes de nomes próprios de mulheres e antes de pronomes possessivos femininos com substantivo expresso.
III.O uso da crase é obrigatório antes de nomes de cidades, independentemente de aceitarem ou não o artigo feminino, visando garantir a fluidez rítmica do período.
Está CORRETO o que se afirma em:
“O sino da igreja bateu exatamente _______.”
Assinale a alternativa em que os elementos preenchem corretamente os espaços em branco acima, na mesma ordem.
"Hoje o Ministério da Educação já conta com mais de 500 mil professores cadastrados e outros 350 mil aguardando a aprovação da Carteira Nacional Docente. Parcerias como essa reforçam a importância de possuir essa identificação, que amplia o acesso dos professores a benefícios — afirmou."
Considerando a regência verbal e nominal no trecho, analise as afirmativas a seguir:
I.O verbo 'contar' atua como transitivo indireto nesse contexto, o que justifica o emprego da preposição 'com' na introdução de seu objeto indireto.
II.Em 'amplia o acesso dos professores a benefícios', a preposição 'a' é exigida pelo substantivo 'acesso', sendo correta sua manutenção antes de 'benefícios'.
III.Se o vocábulo 'benefícios' for substituído pela palavra feminina 'vantagens', ocorrerá crase obrigatória no 'a', resultando na forma 'acesso dos professores à vantagens'.
IV.No contexto apresentado, o verbo 'reforçar' apresenta transitividade direta, pois seu complemento é introduzido sem o uso de preposição.
É correto o que se afirma em:
A crase que inicia o período indica que o trecho realçado se trata de um:
( ) É a fusão de vogais idênticas, marcada pelo acento grave (`).
( ) Não há crase antes de nomes masculinos, em geral.
( ) Se for nome próprio masculino e ocultar as expressões “à moda de” ou “ao estilo de”, haverá crase obrigatória.
( ) Não usamos crase com as palavras casa, terra e distância (adjuntos adverbiais) sem determinante.
