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Q3958918 Português

Leia o texto e responda à questão


                                          


Disponível em: https://www.cienciaeclima.eco.br/2017/11/25-tiras-de-jornal-sobre-o-aquecimento.html


A tirinha tem como principal finalidade:
Alternativas
Q3958917 Português

Texto 01 


Leia o texto e responda à questão


        O segundo dia da Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém (PA), começou nesta sexta-feira (7) com a tradicional “foto de família”, que reuniu mais de 40 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o centro da imagem, ladeado por líderes de países parceiros na Conferência do Clima da ONU, que será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro.         

        A foto simboliza o início da fase política da conferência. O encontro, organizado pela Presidência brasileira, reúne representantes de cerca de 140 países e busca dar “direção política” aos debates que ocorrerão na COP30.

        Após o registro oficial, Lula seguiu a agenda de reuniões bilaterais com líderes europeus e africanos. O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática, e manifestou a expectativa de concluir ainda neste ano o Acordo Mercosul-União Europeia. 


Adaptado (Barros, Paulo. https://www.infomoney.com.br/politica/lideres-mundiais-posam-para-foto-de-familia-na-cop30-em-belem/) 

Com base no texto, é possível inferir que:
Alternativas
Q3958916 Português

Texto 01 


Leia o texto e responda à questão


        O segundo dia da Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém (PA), começou nesta sexta-feira (7) com a tradicional “foto de família”, que reuniu mais de 40 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o centro da imagem, ladeado por líderes de países parceiros na Conferência do Clima da ONU, que será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro.         

        A foto simboliza o início da fase política da conferência. O encontro, organizado pela Presidência brasileira, reúne representantes de cerca de 140 países e busca dar “direção política” aos debates que ocorrerão na COP30.

        Após o registro oficial, Lula seguiu a agenda de reuniões bilaterais com líderes europeus e africanos. O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática, e manifestou a expectativa de concluir ainda neste ano o Acordo Mercosul-União Europeia. 


Adaptado (Barros, Paulo. https://www.infomoney.com.br/politica/lideres-mundiais-posam-para-foto-de-familia-na-cop30-em-belem/) 

O trecho “O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática” é um exemplo de:
Alternativas
Q3958915 Português

Texto 01 


Leia o texto e responda à questão


        O segundo dia da Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém (PA), começou nesta sexta-feira (7) com a tradicional “foto de família”, que reuniu mais de 40 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o centro da imagem, ladeado por líderes de países parceiros na Conferência do Clima da ONU, que será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro.         

        A foto simboliza o início da fase política da conferência. O encontro, organizado pela Presidência brasileira, reúne representantes de cerca de 140 países e busca dar “direção política” aos debates que ocorrerão na COP30.

        Após o registro oficial, Lula seguiu a agenda de reuniões bilaterais com líderes europeus e africanos. O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática, e manifestou a expectativa de concluir ainda neste ano o Acordo Mercosul-União Europeia. 


Adaptado (Barros, Paulo. https://www.infomoney.com.br/politica/lideres-mundiais-posam-para-foto-de-familia-na-cop30-em-belem/) 

O pronome “ela” em “será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro” refere-se a:
Alternativas
Q3958914 Português

Texto 01 


Leia o texto e responda à questão


        O segundo dia da Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém (PA), começou nesta sexta-feira (7) com a tradicional “foto de família”, que reuniu mais de 40 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o centro da imagem, ladeado por líderes de países parceiros na Conferência do Clima da ONU, que será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro.         

        A foto simboliza o início da fase política da conferência. O encontro, organizado pela Presidência brasileira, reúne representantes de cerca de 140 países e busca dar “direção política” aos debates que ocorrerão na COP30.

        Após o registro oficial, Lula seguiu a agenda de reuniões bilaterais com líderes europeus e africanos. O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática, e manifestou a expectativa de concluir ainda neste ano o Acordo Mercosul-União Europeia. 


Adaptado (Barros, Paulo. https://www.infomoney.com.br/politica/lideres-mundiais-posam-para-foto-de-familia-na-cop30-em-belem/) 

A sequência de informações no texto estabelece uma progressão coerente que vai:
Alternativas
Q3958913 Português

Texto 01 


Leia o texto e responda à questão


        O segundo dia da Cúpula de Líderes da pré-COP30, em Belém (PA), começou nesta sexta-feira (7) com a tradicional “foto de família”, que reuniu mais de 40 chefes de Estado e de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o centro da imagem, ladeado por líderes de países parceiros na Conferência do Clima da ONU, que será realizada oficialmente entre 10 e 21 de novembro.         

        A foto simboliza o início da fase política da conferência. O encontro, organizado pela Presidência brasileira, reúne representantes de cerca de 140 países e busca dar “direção política” aos debates que ocorrerão na COP30.

        Após o registro oficial, Lula seguiu a agenda de reuniões bilaterais com líderes europeus e africanos. O presidente também reafirmou, em conversa com Emmanuel Macron, a prioridade do combate ao desmatamento e à crise climática, e manifestou a expectativa de concluir ainda neste ano o Acordo Mercosul-União Europeia. 


Adaptado (Barros, Paulo. https://www.infomoney.com.br/politica/lideres-mundiais-posam-para-foto-de-familia-na-cop30-em-belem/) 

A principal intenção comunicativa do texto é:
Alternativas
Q3957642 Português
O cenário político brasileiro recente tem sido marcado por debates sobre governabilidade, aprovação do governo e desafios econômicos, especialmente em períodos próximos a disputas eleitorais.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3957627 Português
Observe a flexão dos substantivos compostos no plural e marque a alternativa correta:
Alternativas
Q3957626 Português
Analise o vocábulo “cambada” e marque a alternativa que apresenta a expressão da qual ele é um coletivo:
Alternativas
Q3957625 Português
Observe as palavras abaixo e marque a alternativa que apresenta, apenas, vocábulos com dígrafos consonantais:
Alternativas
Q3957624 Português
Analise as palavras abaixo e marque a alternativa cujas palavras são acentuadas pela mesma regra:
Alternativas
Q3957622 Português
Analise as palavras abaixo e marque a alternativa que apresenta ocorrência de encontro vocálico, formando ditongo:
Alternativas
Q3957621 Português
Analise as palavras abaixo e marque a alternativa que apresenta ocorrência de encontro consonantal: 
Alternativas
Q3957620 Português
Analise as alternativas abaixo e marque aquela que apresenta, apenas, palavras polissílabas:
Alternativas
Q3957619 Português
CHORO DO POETA ATUAL

Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarravam umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Uma nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego,
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.

(MENDES, Murilo. O visionário. Petrópolis, Vozes, 1972).
No verso “Deliram dentro de mim”, o vocábulo ‘deliram’ pode ser substituído sem prejuízo de sentido por:
Alternativas
Q3957618 Português
CHORO DO POETA ATUAL

Deram-me um corpo, só um!
Para suportar calado
Tantas almas desunidas
Que esbarravam umas nas outras,
De tantas idades diversas;
Uma nasceu muito antes
De eu aparecer no mundo,
Outra nasceu com este corpo,
Outra está nascendo agora,
Há outras, nem sei direito,
São minhas filhas naturais,
Deliram dentro de mim,
Querem mudar de lugar,
Cada uma quer uma coisa,
Nunca mais tenho sossego,
Ó Deus, se existis, juntai
Minhas almas desencontradas.

(MENDES, Murilo. O visionário. Petrópolis, Vozes, 1972).
Considere a leitura do poema, referente às suas ideias e analise as afirmações a seguir:
I. Há uma oposição entre o primeiro verso e os demais.
II. As almas angustiam porque cada uma quer uma coisa e o corpo é único.
III. De acordo com o apelo que o poeta faz a Deus, ele deseja alcançar a unidade.
IV. O poeta deixa explícito, no poema, que nunca terá paz.
Marque a alternativa correta:
Alternativas
Q3957372 Português
A última crônica

    A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

    Ao fundo do botequim um casal acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma criancinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- -se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

    A criancinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca- -Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A criancinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler – Crônicas. Vol. 5. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.) 
Assinale a alternativa em que ocorre crase pelo mesmo motivo que em “[...] se instalou também à mesa: [...]” (2º§).
Alternativas
Q3957371 Português
A última crônica

    A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

    Ao fundo do botequim um casal acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma criancinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- -se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

    A criancinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca- -Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A criancinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler – Crônicas. Vol. 5. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.) 
Dentre os trechos a seguir, assinale aquele em que o termo destacado é conjunção e em que o período é corretamente classificado quanto à sua estrutura sintática.
Alternativas
Q3957370 Português
A última crônica

    A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

    Ao fundo do botequim um casal acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma criancinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- -se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

    A criancinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca- -Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A criancinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler – Crônicas. Vol. 5. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.) 
No trecho “Visava ao circunstancial, ao episódico” (1º§), a estrutura sintática resulta da regência do verbo “visar”. Nesse sentido, assinale a alternativa que indica corretamente a regência do verbo e a função sintática dos termos destacados.
Alternativas
Q3957369 Português
A última crônica

    A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

    Ao fundo do botequim um casal acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma criancinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando- -se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

    A criancinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca- -Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A criancinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

(SABINO, Fernando. A última crônica. In: Para gostar de ler – Crônicas. Vol. 5. São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.) 
Em relação ao trecho “Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, […]” (1º§), analise as afirmativas a seguir.
I. A palavra “convivência” é acentuada por se tratar de paroxítona terminada em ditongo.
II. A palavra “conteúdo” é acentuada pelo fato de o “u” ser tônico e formar hiato com a vogal anterior.
III. A palavra “diária” é acentuada pelo fato de o “a” ser tônico e formar hiato com a vogal anterior.
Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Respostas
4761: B
4762: A
4763: B
4764: C
4765: A
4766: D
4767: B
4768: B
4769: A
4770: B
4771: A
4772: A
4773: C
4774: D
4775: A
4776: D
4777: B
4778: D
4779: B
4780: C