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Você está mais próximo de cair num esquema de pirâmide do que imagina
Flávia Boggio
O roteiro é sempre o mesmo. Você recebe o convite de um amigo para um jantar. No encontro, mal tem comida, mas uma proposta de investimento com altíssimos rendimentos. Você só precisa dar uma taxa de entrada. Parece irresistível, mas fuja. É um esquema de pirâmide.
Esquema de pirâmide é um modelo de negócios que garante o lucro dos "investidores" com o recrutamento de novos "investidores". Chega uma hora em que não há mais recrutados e a galera da base fica chupando o dedo.
Se você acha que nunca caiu em um, engano o seu. Hoje em dia, praticamente tudo é um gigantesco esquema de pirâmide.
Se um amigo te pergunta se você tem fritadeira elétrica, cuidado, é o esquema de pirâmide da air fryer. A ideia era só ter um frango saudável empanado. De repente, você está comprando fritadeiras para a mãe, o irmão, para o escritório e convencendo outras 50 pessoas a comprarem uma. Todo o lucro vai para a companhia de energia elétrica.
Seu médico te indicou exercícios? Atenção. Você vai cair no esquema de pirâmide da academia. Em pouco tempo, estará comprando marmita fitness, whey protein, creatina, lookinho de academia e espalhando a palavra da vida, fitness.
As redes sociais são um enorme esquema de pirâmide. Os usuários postam fotos felizes para outras pessoas que também postam fotos felizes. No fundo, todos estão tristes e o Mark Zuckerberg mais rico.
Adotar um gato: você adota um, pega outro para o primeiro não ficar sozinho e adota outro para não ter briga. Aí adota outro para não ser número ímpar e adota outro porque não acredita em superstição. Em pouco tempo, estão te chamando de "velho dos gatos" e você adota mais três só de raiva.
Podcast também é esquema de pirâmide. O podcaster grava um para outras pessoas, que também querem gravar um podcast para outras pessoas. No fim, não há ouvidos suficientes para ouvir tantos podcasts lançados.
É assim como a própria vida, na qual você trabalha com a promessa de ter dinheiro, mas seu dinheiro vai para quem tem mais dinheiro e, por isso, você tem que trabalhar mais e continua pobre e infeliz.
O pouco dinheiro que resta é gasto com psicólogo, que também tem que fazer psicólogo para lidar com seus pacientes, em outro enorme esquema de pirâmide.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/flavia-boggio/2023/09/voce-esta-mais-proximo-de-cair-num-esquema-de-piramide-do-queimagina.shtml Acesso em: 17 set. 2023.
A divisão silábica está correta, EXCETO em:
Assinalar a alternativa em que ambas as palavras apresentam a separação silábica CORRETA:
Quanto ao número de sílabas, as palavras são classificadas em monossilabas (1 sílaba), dissilabas (2 sílabas), trissílabas (3 sílabas) ou polissílabas (4 ou mais sílabas). Analise as palavras de cada alternativa quanto ao número de sílabas e assinale a alternativa INCORRETA.
Leia o texto e responda às questões de 31 a 36.
Nova tendência
Poucas coisas me chamam tanto a atenção aqui nos Estados Unidos quanto o consumo colaborativo. A prática foi considerada, na semana passada, uma das 10 tendências mais importantes do futuro pela revista "Time".
Em poucas palavras, o consumo colaborativo é composto por um mercado mundial de trocas e aluguel de tudo o que se possa imaginar: carros, máquina de lavar, quartos em casa.
Isso é estimulado por algumas razões: a crise deixou as pessoas com menos dinheiro no bolso, as novas tecnologias permitem que se façam mais trocas entre pessoas desconhecidas e, por fim, existe a preocupação com o ambiente (menos consumo, menos pressão ambiental).
Gosto muito da ideia. Vai contra essa obsessão histérica do consumo. A grande guru desse movimento chama-se Rachel Botsman, formada aqui em Harvard, que mostra, em detalhes, como o consumo colaborativo está virando um negócio bilionário e em escala planetária. Ela é autora do livro “O que é meu é seu”, que está virando leitura obrigatória para quem discute os caminhos do consumo e os impactos das novas tecnologias.
Gilberto Dimenstein
www.uol. com.br - 04/04/2015
Sabe-se que todas as palavras proparoxitonas da língua portuguesa devem ser acentuadas. Assinale a alternativa em que as duas palavras retiradas do texto são acentuadas por serem proparoxitonas.
Leia o texto e responda às questões de 31 a 36.
Nova tendência
Poucas coisas me chamam tanto a atenção aqui nos Estados Unidos quanto o consumo colaborativo. A prática foi considerada, na semana passada, uma das 10 tendências mais importantes do futuro pela revista "Time".
Em poucas palavras, o consumo colaborativo é composto por um mercado mundial de trocas e aluguel de tudo o que se possa imaginar: carros, máquina de lavar, quartos em casa.
Isso é estimulado por algumas razões: a crise deixou as pessoas com menos dinheiro no bolso, as novas tecnologias permitem que se façam mais trocas entre pessoas desconhecidas e, por fim, existe a preocupação com o ambiente (menos consumo, menos pressão ambiental).
Gosto muito da ideia. Vai contra essa obsessão histérica do consumo. A grande guru desse movimento chama-se Rachel Botsman, formada aqui em Harvard, que mostra, em detalhes, como o consumo colaborativo está virando um negócio bilionário e em escala planetária. Ela é autora do livro “O que é meu é seu”, que está virando leitura obrigatória para quem discute os caminhos do consumo e os impactos das novas tecnologias.
Gilberto Dimenstein
www.uol. com.br - 04/04/2015
Observe as palavras destacadas neste período: “a crise deixou as pessoas com menos dinheiro no bolso”. Assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam separação CORRETA de sílabas.
Sexismo linguístico
Antes de entender o movimento por uma linguagem neutra ou inclusiva, é preciso argumentar por que a linguagem do dia-a-dia não pode ser chamada de inclusiva. Segundo a professora Raquel Freitag, existe uma concepção de que a língua é sexista. “Uma língua não existe senão em uma sociedade. Se a sociedade é sexista, como o é a nossa, a língua apenas reflete esse sexismo”, explica. Nesse sentido também discursa Guilherme Ribeiro Colaço Mäder em seu artigo “Masculino genérico e sexismo gramatical”.
No português, assim como na grande maioria das línguas do mundo, o masculino é considerado o gênero não marcado, aquele utilizado como genérico para se referir a um grupo de várias identidades. Em oposição, o gênero feminino é considerado marcado, ou seja, só remete a pessoas que se identificam com o pronome feminino. Porém, como é avaliado no artigo, a própria convenção do masculino genérico é um reflexo do machismo na sociedade e, por isso, caracteriza um “falso” neutro.
Apesar disso, é comum o uso do feminino genérico em determinadas situações, principalmente de maneira pejorativa. Enquanto “médicos”, no masculino, é usado genericamente, “enfermeiras”, no feminino, tem sentido genérico. Isso também acontece com as palavras “executivo” e “secretária”, por exemplo. O comum, nessas situações, é que profissões consideradas mais importantes são referidas no masculino, enquanto outras, desvalorizadas, são expressas no feminino, reforçando estereótipos.
Na manchete do artigo publicado na Istoé, Enfermeiras e médicos, os ‘heróis’ da batalha contra o novo coronavírus, apesar do masculino ser usado como genérico para as palavras “médicos” e “heróis”, o termo feminino “enfermeiras” foge à regra e também é utilizado como genérico.
(Autora: Sarah Rabelo. Disponível em https://blogfca.pucminas.br/colab/linguagemneutra/)
Em qual alternativa temos exclusivamente palavras oxítonas?
Sexismo linguístico
Antes de entender o movimento por uma linguagem neutra ou inclusiva, é preciso argumentar por que a linguagem do dia-a-dia não pode ser chamada de inclusiva. Segundo a professora Raquel Freitag, existe uma concepção de que a língua é sexista. “Uma língua não existe senão em uma sociedade. Se a sociedade é sexista, como o é a nossa, a língua apenas reflete esse sexismo”, explica. Nesse sentido também discursa Guilherme Ribeiro Colaço Mäder em seu artigo “Masculino genérico e sexismo gramatical”.
No português, assim como na grande maioria das línguas do mundo, o masculino é considerado o gênero não marcado, aquele utilizado como genérico para se referir a um grupo de várias identidades. Em oposição, o gênero feminino é considerado marcado, ou seja, só remete a pessoas que se identificam com o pronome feminino. Porém, como é avaliado no artigo, a própria convenção do masculino genérico é um reflexo do machismo na sociedade e, por isso, caracteriza um “falso” neutro.
Apesar disso, é comum o uso do feminino genérico em determinadas situações, principalmente de maneira pejorativa. Enquanto “médicos”, no masculino, é usado genericamente, “enfermeiras”, no feminino, tem sentido genérico. Isso também acontece com as palavras “executivo” e “secretária”, por exemplo. O comum, nessas situações, é que profissões consideradas mais importantes são referidas no masculino, enquanto outras, desvalorizadas, são expressas no feminino, reforçando estereótipos.
Na manchete do artigo publicado na Istoé, Enfermeiras e médicos, os ‘heróis’ da batalha contra o novo coronavírus, apesar do masculino ser usado como genérico para as palavras “médicos” e “heróis”, o termo feminino “enfermeiras” foge à regra e também é utilizado como genérico.
(Autora: Sarah Rabelo. Disponível em https://blogfca.pucminas.br/colab/linguagemneutra/)
Marque a alternativa que NÃO possui um exemplo de dígrafo.
Sexismo linguístico
Antes de entender o movimento por uma linguagem neutra ou inclusiva, é preciso argumentar por que a linguagem do dia-a-dia não pode ser chamada de inclusiva. Segundo a professora Raquel Freitag, existe uma concepção de que a língua é sexista. “Uma língua não existe senão em uma sociedade. Se a sociedade é sexista, como o é a nossa, a língua apenas reflete esse sexismo”, explica. Nesse sentido também discursa Guilherme Ribeiro Colaço Mäder em seu artigo “Masculino genérico e sexismo gramatical”.
No português, assim como na grande maioria das línguas do mundo, o masculino é considerado o gênero não marcado, aquele utilizado como genérico para se referir a um grupo de várias identidades. Em oposição, o gênero feminino é considerado marcado, ou seja, só remete a pessoas que se identificam com o pronome feminino. Porém, como é avaliado no artigo, a própria convenção do masculino genérico é um reflexo do machismo na sociedade e, por isso, caracteriza um “falso” neutro.
Apesar disso, é comum o uso do feminino genérico em determinadas situações, principalmente de maneira pejorativa. Enquanto “médicos”, no masculino, é usado genericamente, “enfermeiras”, no feminino, tem sentido genérico. Isso também acontece com as palavras “executivo” e “secretária”, por exemplo. O comum, nessas situações, é que profissões consideradas mais importantes são referidas no masculino, enquanto outras, desvalorizadas, são expressas no feminino, reforçando estereótipos.
Na manchete do artigo publicado na Istoé, Enfermeiras e médicos, os ‘heróis’ da batalha contra o novo coronavírus, apesar do masculino ser usado como genérico para as palavras “médicos” e “heróis”, o termo feminino “enfermeiras” foge à regra e também é utilizado como genérico.
(Autora: Sarah Rabelo. Disponível em https://blogfca.pucminas.br/colab/linguagemneutra/)
Assinale a alternativa que não possui palavras com pronúncia variável:
Sexismo linguístico
Antes de entender o movimento por uma linguagem neutra ou inclusiva, é preciso argumentar por que a linguagem do dia-a-dia não pode ser chamada de inclusiva. Segundo a professora Raquel Freitag, existe uma concepção de que a língua é sexista. “Uma língua não existe senão em uma sociedade. Se a sociedade é sexista, como o é a nossa, a língua apenas reflete esse sexismo”, explica. Nesse sentido também discursa Guilherme Ribeiro Colaço Mäder em seu artigo “Masculino genérico e sexismo gramatical”.
No português, assim como na grande maioria das línguas do mundo, o masculino é considerado o gênero não marcado, aquele utilizado como genérico para se referir a um grupo de várias identidades. Em oposição, o gênero feminino é considerado marcado, ou seja, só remete a pessoas que se identificam com o pronome feminino. Porém, como é avaliado no artigo, a própria convenção do masculino genérico é um reflexo do machismo na sociedade e, por isso, caracteriza um “falso” neutro.
Apesar disso, é comum o uso do feminino genérico em determinadas situações, principalmente de maneira pejorativa. Enquanto “médicos”, no masculino, é usado genericamente, “enfermeiras”, no feminino, tem sentido genérico. Isso também acontece com as palavras “executivo” e “secretária”, por exemplo. O comum, nessas situações, é que profissões consideradas mais importantes são referidas no masculino, enquanto outras, desvalorizadas, são expressas no feminino, reforçando estereótipos.
Na manchete do artigo publicado na Istoé, Enfermeiras e médicos, os ‘heróis’ da batalha contra o novo coronavírus, apesar do masculino ser usado como genérico para as palavras “médicos” e “heróis”, o termo feminino “enfermeiras” foge à regra e também é utilizado como genérico.
(Autora: Sarah Rabelo. Disponível em https://blogfca.pucminas.br/colab/linguagemneutra/)
As palavras BISAVÔ, SUBESCREVER e TUNGSTÊNIO estão corretamente separadas na alternativa:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Os atrativos da formação técnica profissionalizante
Por Sônia Christo Aleixo Brito e Talisson de Sousa Lopes
.
1 ............O ensino é fundamental para a formação de um bom profissional. É através dos estudos que
2 o aluno obtém conhecimento e prática para enfrentar os desafios da carreira. São várias opções
3 de ensino para quem quer seguir uma profissão: cursos de graduação, técnicos e tecnólogos são
4 algumas delas. Com um período menor do que um curso superior, porém apresentando um
5 conteúdo e prática voltados diretamente para o mercado de trabalho, os cursos técnicos
6 ganharam espaço entre os alunos que buscam uma carreira profissional, mas não querem
7 esperar tanto tempo para começar a trabalhar. Há muito tempo, o ensino superior não é o único
8 caminho para o desenvolvimento de uma nova carreira. Hoje, os cursos técnicos qualificam os
9 estudantes em diversas habilidades técnicas, acadêmicas e de empregabilidade.
10 Independentemente de o estudante desejar seguir para uma faculdade ou para um emprego,
11 esse tipo de educação o ajudará na preparação para o futuro, um futuro em que o mercado de
12 trabalho estará cada vez mais exigente, competitivo e mutável. A certificação técnica é um
13 grande chamariz para qualquer currículo. Os cursos técnicos têm duração média de um ano
14 meio, o que garante um acesso mais rápido a um diploma em diversas áreas que apresentam
15 carência de profissionais. A educação técnica também pode ser realizada durante o ensino médio
16 ou logo após a sua conclusão. Com isso, quem busca um curso técnico demonstra que se
17 preocupa com a sua carreira, estando disposto a gastar tempo, dinheiro e esforço para maximizar
18 os seus conhecimentos, habilidades e competências.
19 O investimento em educação profissional é imprescindível para o aumento da competitividade
20 do país, para a retomada do crescimento da economia num ritmo mais vigoroso e para a criação
21 de melhores oportunidades de emprego. A qualificação técnica adequada se torna ainda mais
22 importante no momento em que uma série de adaptações são exigidas das empresas e dos
23 trabalhadores. O ensino técnico permite que os estudantes sejam protagonistas de seu futuro,
24 com a escolha do caminho que mais atenda às suas necessidades. Com a recente reforma do
25 ensino médio, iniciou-se um longo processo para alinhar o sistema educacional às melhores
26 experiências internacionais, com a flexibilização e a diversificação do currículo regular. Nações
27 desenvolvidas perceberam essa necessidade há muito tempo e partiram na frente, investindo
28 pesadamente em educação profissional. Os países da União Europeia têm, em média, 50,4% dos
29 estudantes do ensino médio também matriculados em cursos profissionalizantes. Na Áustria,
30 esse coeficiente é de 69,8%; na Finlândia, de 70,4%. No Brasil, o indicador é de apenas 11,1%,
31 proporção que dificulta a inserção dos brasileiros no mercado de trabalho.
32 A formação técnica tem claros efeitos na renda. Um curso profissionalizante pode ser o
33 primeiro passo de um plano de carreira que não exclua a obtenção de um diploma universitário.
34 Para alguns jovens, a inserção rápida no mercado de trabalho é o passaporte para a conquista
35 da cidadania e a continuação dos estudos. A educação profissional no Brasil é uma das principais
36 apostas para melhoria da competitividade da indústria brasileira.
37 Diante dos desafios que temos pela frente, urge preparar jovens e adultos para um mercado
38 em profunda mutação tecnológica e de cultura organizacional. A educação profissional deve ser
39 vista como fator de desenvolvimento e fortalecida como um investimento do país no futuro. Os
40 cursos técnicos podem transformar a vida de um jovem. Com eles, o aluno pode conquistar seu
41 espaço e abrir várias portas no mercado de trabalho. As escolas técnicas oferecem uma grande
42 variedade de cursos técnicos para quem sonha ingressar no mercado com rapidez e qualidade.
43 Um dos grandes benefícios que o curso técnico pode trazer é o aluno aprender a profissão, já
44 que o conteúdo será voltado para a área profissional e suas principais funções. Com essas
45 qualificações, ele ganha experiência e tem mais facilidade de entrar no mercado de trabalho.
(Disponível em: chromeextension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2021/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa em que a palavra extraída do texto contém uma semivogal.
Assinalar a alternativa que NÃO apresenta um dígrafo:
Manuelzão e Miguilim
João Guimarães Rosa
(...)
Campo Geral
Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-doFrango-d'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutúm, tinha dito: ― "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..." Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado. E foi descobriu, por si, que, umedecendo as ventas com um tico de cuspe, aquela aflição um pouco aliviava. Daí, pedia ao tio Terêz que molhasse para ele o lenço; e tio Terêz, quando davam com um riacho, um minadouro ou um poço de grota, sem se apear do cavalo abaixava o copo de chifre, na ponta de uma correntinha, e subia um punhado d'água. Mas quase sempre eram secos os caminhos, nas chapadas, então tio Terêz tinha uma cabacinha que vinha cheia, essa dava para quatro sedes; uma cabacinha entrelaçada com cipós, que era tão formosa. — "É para beber, Miguilim..." — tio Terêz dizia, caçoando. Mas Miguilim ria também e preferia não beber a sua parte, deixava-a para empapar o lenço e refrescar o nariz, na hora do arrocho. Gostava do tio Terêz, irmão de seu pai.
(...)
João Guimarães Rosa MANUELZÃO E MIGUILIM (Corpo de baile) Editora Nova Fronteira, 11ª edição, 2001 Capa: Victor Burton Ilustrações: Poty ISBN 978- 85-209-1177-8 Digitalização: SCS
Fonte: https://elivros.love/livro/baixar-livro-manuelzao-e-miguilim-joao-guimaraes-rosa-em-epub-pdf-mobi-ou-ler-online
Levando em conta os aspectos gramaticais e linguísticos presentes no texto Manuelzão e Miguilim (fragmento), assinale a única alternativa incorreta.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente separadas em sílabas.
I. noi -te / ma-lha / se-nhor
II. U-ru-guai / le-i-te / p-neu
III. sa-í-da / e-di-fí-cio / es-bar-rar
IV. ma-de-i-ra / sa-ú-de / as-sa-do
Quantas sílabas existem na palavra “castelo”?
A correta separação silábica da palavra “tristeza” é:
Quantas consoantes tem a palavra “apaixonaram”?
Quantas vogais tem a palavra “entretanto”?
Leia o texto para responder às questões de 1 a 10.
O tocante agradecimento de Faustão à família de seu
doador do coração
Quatro dias depois de passar por seu aguardado transplante de coração, o apresentador Faustão deu as caras no perfil do Instagram “Família Fausto Silva” — criado para promover a causa da doação de órgãos — para agradecer publicamente aos parentes de Fábio Cordeiro, jogador de futebol morto aos 35 anos, dono do membro transplantado. Se dirigindo diretamente ao pai do doador, ele afirma que sua “grandiosidade incrível” e “generosidade absurda” são o motivo de estar vivo agora e afirma ser “eternamente grato a José Pereira da Silva, um homem simples. ”
Ainda falando para a família de Fábio, Faustão completou: “Fico emocionado porque ele me deu a chance de viver de novo. Quero agradecer ao Érisson, irmão do Fábio, e à Jaqueline, a viúva. Tenho que agradecer às pessoas das mais humildes, que, na hora que precisei, me deram um coração novo”. Fora dos tubos, o apresentador se diz já “completamente recuperado” e nega qualquer dor, reforçando: “Para que todo mundo tenha a certeza do que é a espera por um transplante, de 200 e poucos, 60 esperaram menos de um mês. Eu dei sorte também nessa fila”. Ele também promete que, logo, ainda agradecerá seus benfeitores pessoalmente, repetindo sua gratidão eterna.
Internado desde 5 de agosto, Faustão enfrentava um quadro de insuficiência cardíaca, passando por diálise e medicamentos voltados ao bombeamento do coração — esses fatores, junto a seus 73 anos de idade, o colocaram em posição prioritária na fila de transplantes do SUS. Sobre a eficácia da operação, ele ainda disse: “Não acreditava que isso fosse acontecer. Para mim foi uma tremenda surpresa. Vou agradecer sempre a José Pereira da Silva — a única coisa que prometo é honrar a memória do seu filho fazendo só coisas boas”.
https://veja.abril.com.br, 31.08. 2023
“Tenho que agradecer às pessoas das mais humildes, que, na hora que precisei, me deram um coração novo”.
Sobre as palavras destacadas, é CORRETO afirmar que em:
Ninguém mais elege o “pra sempre” como meta
Por Martha Medeiros
- Nunca imaginei que um dia subiria ao palco do Theatro São Pedro, mas aconteceu – é
- a literatura cumprindo a promessa de me levar aonde nunca estive. Mesmo não sendo atriz,
- “contracenei” com o psicanalista Christian Dunker durante a gravação comemorativa dos 20 anos
- do programa Café Filosófico, onde debatemos, diante de numerosa plateia, um tema que a todos
- interessa: o amor.
- Durante a nossa troca de reflexões, condenei ___ antiga cultura dos contos de fada, que
- apresentava o amor como salvação da vida de son...as princesas. Uma vez despertadas por um
- beijo, elas se acomodavam a um enigmático “pra sempre” que antecipava o ponto final de suas
- histórias, como se, a partir dali, nada de mais interessante pudesse acontecer. Este romantismo
- nunca foi aliado do amor: colocou na cabeça das mulheres que, se elas não cumprissem a missão
- de formar um par, de pouco valeriam.
- Hoje, personagens guerreiras e ativistas substituíram as princesas como modelos de
- heroínas, e ninguém mais elege o “pra sempre” como meta – o que tem que durar é o entusiasmo
- em realizar os próprios desejos, que mudam com o tempo. Não é o fim do amor, e sim um
- recomeço menos idealizado. O amor sem o dramalhão incluído. O amor como recompensa por
- diminuirmos a ansiedade e buscarmos autoconhecimento e autoestima, que é o que faz o amor
- se aproximar. Sem rufar de tambores.
- A meu ver, a melhor frase da noite não foi minha nem de Dunker, mas a do publicitário e
- poeta Marcelo Pires, que durante uma pergunta dirigida a nós sobre a razão deste sentimento
- ser tão superlativo, conjecturou: “___ vezes, parece que o amor atrapalha o amar”. Exato. Se
- nossa solidão tivesse o mesmo prestígio que namoros e casamentos, não cederíamos ___
- cobrança de “ter que” amar alguém, as relações seriam mais espontâneas.
- Se o amor romântico descesse do pedestal em que foi colocado e circulasse no meio da
- multidão, não seria tão divinizado. O amor ainda é visto como coisa de Deus e o sexo como coisa
- do Diabo. Só que é do sexo o encargo de manter a continuidade da espécie, então o amor tornou-
- se um álibi providencial para que o processo pareça sublime, em vez de ob...eno. O amor como
- elevação dos hábitos mundanos.
- Bonito, mas prefiro o amor rés do chão, mais maduro e livre. A simples alegria de estar
- junto, a dispensa do grude, a paciência com as diferenças do outro, planos imediatos em vez de
- aposta na eternidade, o apoio necessário, a amizade erótica prevalecendo sobre os desatinos.
- Algum sofrimento surge, mas os momentos difíceis não precisam ser glorificados como sacrifícios
- inerentes ao amor. Zero tolerância para a violência, bom humor, mesa farta e, se for
- impre...indível alguma coisa grandiosa que inspire um poema épico, que seja o rótulo do vinho.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa na qual há uma palavra com um hiato acentuado.
Viver é um grito
Por Adriana Antunes
01 Pare, observe, escute. Todos os dias pedaços de nós chegam ao fim. Pedaços que, de certa
02 forma, já não são mais nossos. Mudamos. Reparo e, às vezes, os vejo cru...arem a rua e
03 passarem para o outro lado da calçada. Pedaços de mim que partem. O tempo junta e separa
04 pessoas. Junta e separa amores. O tempo é uma espécie de morte. Cada morte chega com um
05 gosto diferente. Há as que causam alegria, alívio. Há as que doem demais. Há as que abrem
06 espaço para outra vida. Há as que aprisionam por um tempo. Algumas têm aquele gosto que
07 resta na boca depois do sono. Outras têm gosto das quatro da tarde com mistura de chá e pão.
08 Já morremos tantas vezes nesta vida. Não sei por que temos tanto medo de falar sobre isso.
09 Viver e morrer é tão assertivo quanto trombarmos, vez por outra, em nossas pequenas mortes
10 cotidianas. O fim de um livro bom, o encontro desmarcado, o telefone não atendido, a louça suja
11 sobre a pia, um velho cartão-postal de um amor já partido, as cartas da juventude, uma foto
12 esquecida e reencontrada, cheia de marcas de outro tempo, nossas pequenas mortes. A cada
13 um desses encontros, ensaiamos uma pequena coreografia de um adeus. É um assombro, a
14 constatação da finitude. Depois, sabemos que a vida continua. Esse reviver é como acordar, abrir
15 a janela e ver o dia lá fora.
16 Viver é um grito. Aquilo que rasga ao meio a apatia dos dias que se sucedem. Repare, tem
17 dias em que há um mundo no fundo da ....ícara. Um mundo que se contrai para dar nascimento
18 à alegria. Uma delicada porcelana que recobre os fatos e nos faz sonhar outra vez.
19 Na dor da morte ficamos com eles. O detalhe do sorriso, do olho que se fecha ao falar, do
20 timbre do oi, do perfume da camisa, das mãos que gesticulam. A imagem nunca vem inteira. É
21 a cor do cabelo, o contorno dos lábios, os botões do casaco. E com o passar do tempo, vai se
22 apagando.
23 Repare: um dia a coisa toda muda, queiramos ou não. Se encerra. Atravessa a rua, passa
24 para o outro lado da calçada. Ficamos machucados, nos recolhemos. Um pedaço da trama
25 começa a desfiar. A vida segue mesmo assim.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Qual das palavras abaixo é oxítona, ou seja, tem a última sílaba tônica?