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Q3989396 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
No texto O Jardim e o Quintal, pode-se identificar como foco principal da narrativa:
Alternativas
Q3989395 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
Observe o trecho do texto:
“Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor.”
Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, a frase apresentada está adequada quanto às regras de:
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Q3989394 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
Observe o trecho:

“O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si.”

Nesse período, a expressão em destaque exerce a função de: 
Alternativas
Q3989393 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
No trecho: “O jardim e o quintal, os dois irmãos, desde o berço separados pela casa, tomaram seus rumos pra lados trocados.”, o autor utiliza uma figura de linguagem que: 
Alternativas
Q3989392 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
No trecho: “O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.”, observa-se o uso de uma linguagem que revela: 
Alternativas
Q3989391 Português
Texto II


O Jardim e o Quintal
Por Roberto Menezes


Naquela rua de casas, havia uma casa, igual a todas as outras casas. Nela havia um portão, não tinha muro alto, lá não ladrava um cão. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem arquitetou sua edificação. Aquela casa estava lá fazia tempo, não se sabia quando ou quem, quanto tempo morou ali. Nela havia muitos cômodos. Janela não tinha grade. Lá não havia medo do ladrão. Como em toda casa que se preze, havia uma varanda e um alpendre, ela pro jardim, ele pro quintal. E é destes dois que vamos falar. Não da casa em si. Acasa existiu, sim, e sua existência definiu a existência deles: do jardim e do quintal.
O jardim e o quintal tinham tamanho igual, feitos com mesmo zelo, pelos mesmos pedreiros. Esses senhores brutos não haviam plantado nada: nenhuma árvore, nem pé de fruta, nem pé de flor. O vendedor entregara a casa assim: friamente linda, sem vida. Avida que veio morar, essa sim!, trouxe a semente. E em apenas meses, foi o que precisou pra que o broto vingasse na terra preta.
E o vegetal se espalhou. No jardim, deu margarida. No quintal, deu tomateira. No inverno ou no verão, tinha sempre alguém deixando tudo verde: menina usava regador; pai, a água da mangueira; são pedro só ligava a torneira. Também se empestaram os bichos: aranha, escorpião, besouro, joaninha. Viviam cada um em seu lugar. Aninguém mal faziam.
O jardim tinha cor diversa, quando a rosa, a margarida e a petúnia davam ar de suas pétalas. E, quase sempre quando dava, a vizinhança inteira esticava o pescoço pra sentir o bom odor que vinha dali.
Mesmo morador do mesmo endereço, o quintal, por sua vez, desde o começo, sempre teve a sobriedade como sua única nobreza. Sempre teve a sombriedade como sua única ardileza.
E naturalmente, como é de costume quando se trata de tudo relativo à santa natureza, os dois irmãos, o jardim e o quintal, desde o berço separados pela casa tomaram seus rumos pra lados trocados.
O jardim, estrela, nunca se perdeu do olhar cuidadoso de quem tratava, de quem o podava, de quem fazia questão de sempre mudar de jarro, de colocar seixos coloridos ao redor de cada florescimento. Olhares cuidadosos que o deixavam assim como uma menina moça quase antes da hora de debutar.
Pra lá todos iam. De manhã, de tarde e de noite. Um bem bom estar lá fazia.
O quintal, esquecido quase sempre, virou chão enervurado das raízes das árvores com troncos empanturrados e galhos que se emaranhavam entre si. Nele jogavam da pia bacias de água suja. Nele jogavam coisinhas não mais úteis: cadeiras velhas, guardachuvas velhos, brinquedos velhos; no novo cemitério das coisas velhas e esquecidas.
Prali já ninguém ia. Quando alguém ia, via o que via e não arriscava ir mais além.
O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.
E por anos, essa era a lei: cada um com sua sina, cada qual em seu lugar. Até que quem morava na casa se foi. E não chegaram outros pra continuar a função da casa de fazer o quintal e o jardim, orgulho e vergonha, pois não havia ninguém ali pra julgar.
E, sem ninguém ali, não demorou muito pra que um ramo da rosa atrevido esticasse a cabeça pra dentro da casa. E não demorou muito pra que a raiz do abacateiro se adentrasse na cozinha. E não demorou muito pra que uma erva brotasse na borda da janela. E não demorou muito pra que o lado de lá se encontrasse com o de cá.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de flor nasceu entre os raios do pneu da bicicleta do quintal.
Sem lei, sem polícia e sem juiz. Logo um pé de pau nasceu com ajuda dos raios do sol que antes só abrilhantavam as camélias.
A casa virou estrada aberta, um caminho de pedra rachada, por onde os irmãos vez por outra se visitavam. E até hoje se visitam, aos sábados, feriados ou quando dá na telha.
Hoje bichos correm soltos. O fungo e a flor bebem na mesma mesa. E, mesmo que não haja quem veja, o jardim e o quintal, hoje sim, formam um belo casal.
A casa, naquela rua de casas, há uma casa, uma casa que não é igual a todas as outras casas.


Fonte: https://www.literaturabr.com/2020/03/31/o-jardim-e-o-quintal/. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 
De acordo com o trecho: “O jardim era o orgulho pra mostrar às visitas. O quintal, os residentes dali tentavam esconder. O jardim se fazia presente em todas as fotografias. O quintal, deusulivre, vige maria, se isso acontecia.”, pode-se afirmar que a diferença entre o jardim e o quintal está relacionada à/ao:
Alternativas
Q3989390 Português

Texto I


 




Fonte: https://www.instagram.com/instirinhass?igsh=MWJydXloOGJ4aTVyeQ==. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 

O Texto 1 utiliza expressões que adquirem sentidos diferentes conforme o contexto em que aparecem. Nesse caso, o termo “carinho” está empregado com valor:
Alternativas
Q3989389 Português

Texto I


 




Fonte: https://www.instagram.com/instirinhass?igsh=MWJydXloOGJ4aTVyeQ==. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 

No Texto I, um dos meninos diz que Lucas está “atrasado” por entregar flores depois do Dia da Mulher. Outro menino, porém, responde: “Pra mostrar nosso carinho não tem dia! ‘Atrasado’é quem não sabe disso!”.
A partir dessa leitura, analise as assertivas abaixo.
I- No primeiro quadrinho, “atrasado” significa ter perdido o tempo adequado para realizar uma ação. II- No segundo quadrinho, “atrasado” ganha o sentido de retrógrado. III- O termo “atrasado” é usado apenas de forma literal, sem mudança de significado ao longo do texto. IV- O jogo de sentidos da palavra “atrasado” compromete a crítica e o humor presentes na tirinha. V- O texto explora a polissemia do termo “atrasado”, atribuindo-lhe diferentes sentidos conforme o contexto.

Com base na leitura da tirinha, estão CORRETAS apenas as afirmativas:
Alternativas
Q3989388 Português

Texto I


 




Fonte: https://www.instagram.com/instirinhass?igsh=MWJydXloOGJ4aTVyeQ==. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 

O humor presente na tirinha está relacionado:
Alternativas
Q3989387 Português

Texto I


 




Fonte: https://www.instagram.com/instirinhass?igsh=MWJydXloOGJ4aTVyeQ==. Acesso em 12 de dezembro de 2025. 

A fala final dos personagens expressa uma mensagem que valoriza:
Alternativas
Q3988426 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE um pronome relativo no trecho. 
Alternativas
Q3988425 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que apresenta em destaque um verbo transitivo indireto no trecho.
Alternativas
Q3988424 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma locução conjuntiva no trecho.
Alternativas
Q3988423 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa CORRETA quanto à classificação da palavra destacada no seguinte trecho: “Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos”.
Alternativas
Q3988422 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que substitui, sem prejuízo de sentido, a palavra destacada no trecho a seguir: “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”.
Alternativas
Q3988421 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Sobre a relação entre diagnóstico e identidade pessoal no texto, é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3988420 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que reflete a posição do texto sobre o papel da inteligência social e institucional no manejo do TDAH. 
Alternativas
Q3988419 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a relação estabelecida no texto entre gênero e diagnóstico de TDAH.
Alternativas
Q3988418 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Considerando o conjunto do texto, assinale a alternativa que explica o aumento recente nos diagnósticos de TDAH em adultos. 
Alternativas
Q3988417 Português
TEXTO

    Nos tempos de escola, Mara não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular”, afirmou Mara.
    Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a se formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui”.
    O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
    Mara, enfim, entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar”. Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta. 
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.
    Mas novos dados publicados pela revista especializada Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, a taxa de novos diagnósticos de TDAH em adultos segurados pelo sistema público aumentou de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas – quase o triplo da chamada incidência, ou seja, o número de novos diagnósticos em um determinado período.
    A tendência não é um fenômeno exclusivamente alemão. Internacionalmente, os números também estão em alta. Nos EUA, por exemplo, o número de adultos diagnosticados com TDAH mais que dobrou nas últimas duas décadas. “Pode-se dizer de forma bem objetiva que o TDAH na idade adulta tem sido diagnosticado com muito mais frequência nos últimos dez anos”, afirma Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do departamento de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário de Freiburg, na Alemanha. “Provavelmente porque muitos adultos com TDAH não haviam recebido um diagnóstico até então”, afirma Matthies.
    Por muito tempo, o TDAH foi considerado principalmente um transtorno da infância e da adolescência – aquela imagem clássica da criança inquieta que não consegue ficar parada nem se concentrar.
    Hoje já se sabe que o transtorno é até 80% de causa genética e está presente desde o nascimento. O fato de muitos adultos serem diagnosticados tardiamente também se deve a diferenças específicas de gênero. Enquanto os meninos costumam apresentar mais hiperatividade e impulsividade, as meninas apresentam sintomas menos perceptíveis, como desatenção e comportamento sonhador. “Esses sintomas são mais difíceis de identificar e muitas vezes confundidos com depressão”, explica Matthies.
    Isso também se reflete na análise atual: mulheres jovens são diagnosticadas com bem mais frequência, enquanto na vida adulta suas taxas de diagnóstico se tornam comparáveis às dos homens. Além disso, os sintomas podem mudar. A hiperatividade muitas vezes se transforma posteriormente em inquietação interna, e os problemas de atenção persistem.
    O diagnóstico de TDAH em adultos é complexo, apoiando-se sobretudo em entrevistas detalhadas, questionários e uma reconstrução da história de vida do paciente. Ele envolve também um ponto fundamental: verificar se os sintomas já estavam presentes antes dos 12 anos e continuam causando limitações atualmente.
    “Isso não é fácil em retrospectiva”, diz Matthies. “Quem realmente se lembra exatamente de como era aos oito anos?” Por isso, documentos antigos, como boletins escolares, podem ajudar. Além disso, é necessário descartar outras causas, já que diversas condições psicológicas também são acompanhadas por dificuldades de concentração.
    Os autores do estudo citam vários motivos para a alta dos diagnósticos. Entre eles, está uma maior conscientização da sociedade sobre o tema. Além disso, houve mudanças no sistema de classificação usado para estabelecer critérios para diversos transtornos. Os pesquisadores também apontaram o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental como um fator determinante, com mais pessoas buscando ajuda para problemas de saúde mental nos últimos anos.
    Portanto, o aumento no número de novos diagnósticos não significa automaticamente que o TDAH esteja se tornando mais comum. Ele reflete, sobretudo, melhorias nos métodos de diagnóstico. Matthies ressalta que qualquer explicação sobre os motivos ainda é especulativa. Ainda serão necessários mais estudos e pesquisas nos próximos anos para esclarecer as causas. A expectativa é que os números se estabilizem a longo prazo – de forma semelhante aos dados disponíveis sobre TDAH em crianças.
    As redes sociais também contribuem para tornar o TDAH mais visível — muitas vezes de forma simplificada. Isso também provavelmente contribui para que mais pessoas busquem um diagnóstico. Para Matthies, ainda que o efeito positivo seja inegável, é necessário ter cautela. “Acho bom que informações e relatos pessoais sejam compartilhados, que haja esclarecimento e redução do estigma. Mas também há muito conteúdo impreciso e exagerado”, alerta.
    Para muitos, o diagnóstico é um ponto de virada – um alívio, pois explica por que algumas estratégias não funcionam e indica quais podem ajudar. No caso de Mara, a terapia comportamental e a medicação foram cruciais: “É como se o nível de dificuldade da minha vida tivesse diminuído”, afirma Mara.
    Ao mesmo tempo, ela aprendeu a adotar seus próprios métodos de trabalho, incluindo o hiperfoco, ou seja, fases de intensa concentração – uma característica típica do TDAH. “Consigo escrever um artigo acadêmico em uma semana. Só porque os outros não fazem assim, não significa que esteja errado”, diz Mara.
    Mara reconhece que o TDAH também lhe confere pontos fortes, como entusiasmo e capacidade de fazer conexões. “Não gostaria de perder isso”, diz ela. Os pontos negativos, como a dificuldade de se concentrar até mesmo em coisas que gosta, são o preço que ela tem que pagar, lamenta.
    “Há pessoas que tiram muito proveito do seu TDAH – para elas, é um recurso enorme”, diz Swantje Matthies. “Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que muitas pessoas têm dificuldades com tarefas do dia a dia e precisam de apoio.” Isso porque o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
    O TDAH continua sendo um desafio – não só para quem convive com ele, mas para toda a sociedade. Para Swantje Matthies, em muitas áreas ainda falta preparo para lidar com pessoas com TDAH. “Para muitas pessoas com problemas de saúde mental, seria bom encontrar nichos onde pudessem usar seus pontos fortes e onde suas qualidades únicas fossem valorizadas.” Ao mesmo tempo, porém, ela reconhece que isso pode ser difícil, já que muitos empregos exigem conformidade.
    Mara acredita que todos se beneficiariam de uma sociedade mais inclusiva para pessoas com TDAH. “Não ficar sentado em um grande escritório aberto, mas em ambientes menos estimulantes, e ter a opção de horários de trabalho mais flexíveis”, diz ela. “Isso ajuda muita gente, não só quem tem TDAH.”, diz Mara.


Fonte: FUCHS, Hannah. TDAH em adultos: o que explica a alta
de casos? Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/tdah-emadultos-o-que-explica-a-alta-de-casos-pelo-mundo/a75334200>. Último acesso em 28 de fevereiro de 2026. (Texto
adaptado).
Assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE o papel do relato pessoal de Mara na organização argumentativa do texto. 
Alternativas
Respostas
2901: E
2902: D
2903: A
2904: C
2905: A
2906: A
2907: B
2908: C
2909: C
2910: E
2911: A
2912: C
2913: A
2914: C
2915: D
2916: D
2917: A
2918: B
2919: C
2920: B