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Q1693271 Português
Quanto às relações de significado entre as palavras, coloque (C) correto ou (I) incorreto e assinale a alternativa devida.
( ) Sinonímia: palavra de som e grafia diferentes, mas de significados semelhantes.
( ) Antonímia: palavra de significados opostos.
( ) Homonímia: palavra de som e/ou grafia iguais, mas de significados diferentes.
( ) Polissemia: palavra de som e grafia bem parecidos e de significados diferentes.
( ) Paronímia: é uma mesma palavra que passa a ter significados diferentes de acordo com a evolução da língua.
Alternativas
Q1693269 Português
Sobre a língua e suas variedades, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta.
( ) Linguagem: qualquer código (sistema de sinais convencionais) por meio do qual os seres humanos podem realizar atos de comunicação. Pode ser verbal (palavras faladas, escritas) ou não verbal (sinais de trânsito, desenho, foto, filme, música).
( ) Língua, ou idioma: forma particular de linguagem utilizada por um determinado povo para se comunicar por meio da palavra falada, ou escrita. Exemplo: Língua Portuguesa, Língua Inglesa.
( ) Uma língua oferece a seus usuários diferentes formas de realização, isto é, diferentes “jeitos de falar e escrever”, e segundo a linguística, não existe uma forma melhor (mais certa), ou pior (mais errada) de empregar uma língua.
( ) A variedade padrão (ou língua culta formal) é apenas uma entre as muitas formas de usar a língua. A escolha da norma-padrão como “modelo a ser seguido” é arbitrária e convencional; baseia-se em critérios ideológicos (sociais, culturais, políticos e econômicos).
( ) Não existe uma “língua única”, que coincida com a variedade padrão. A língua é, na verdade, um conjunto de diferentes variedades linguísticas, associadas às diferentes realidades sociais, econômicas, culturais, regionais, etc, dos falantes que utilizam essas variedades.
Alternativas
Q1693266 Português
Sobre encontros vocálicos, dígrafo, número de sílabas e tonicidade, marque (C) correto ou (I) incorreto e assinale a alternativa verdadeira.
( ) Hiato: é o encontro de dois fonemas vocálicos na mesma sílaba.
( ) Ditongo: é o encontro de dois fonemas vocálicos, cada um em uma sílaba.
( ) Tritongo: é o encontro de três fonemas vocálicos na mesma sílaba.
( ) Dígrafo: conjunto de duas letras que representa um único fonema.
( ) Classificação das palavras, quanto ao número de sílabas: monossílaba (seis), dissílaba (andei), trissílaba (esperto), polissílaba (esperteza).
( ) Classificação da palavra, quanto à silaba tônica: oxítona (urubu), paroxítona (cafezinho), proparoxítona (catastrófico).
Alternativas
Q1693265 Português

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Em “Passei pra deixar um carinho” temos:

Alternativas
Q1693264 Português
Olhos nos olhos. (Chico Buarque).

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram

Bem mais e melhor que você.
Quando talvez precisar de mim
Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz.
Quanto ao processo de formação das palavras, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta.
( ) Derivação é o processo pelo qual palavras novas são criadas a partir de outras já existentes na língua. As palavras novas são denominadas derivadas e as que lhes dão origem, primitivas.
( ) Derivação prefixal ou por prefixação: ocorre com acréscimo de prefixo à palavra primitiva.
( ) Derivação sufixal ou por sufixação: ocorre com acréscimo de sufixo à palavra primitiva.
( ) Derivação prefixal e sufixal: ocorre com acréscimo de prefixo e sufixo.
( ) Derivação parassintética: ocorre com redução da palavra primitiva, pela retirada de sua parte final.
Alternativas
Q1691749 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No trecho “Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.”, as orações se classificam como:
Alternativas
Q1691748 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

Na frase “Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos.”, as palavras destacadas passaram, respectivamente, pelo seguinte processo de formação:
Alternativas
Q1691747 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No trecho “Ela propôs uma trégua ao marido. Se ele propuser também a paz, então tudo se ajeitará.” Indique a opção em que houve ERRO na flexão da forma verbal destacada.
Alternativas
Q1691746 Português

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Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No período “Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”?, a oração grifada tem o mesmo valor semântico-sintático que o da oração que aparece na opção:
Alternativas
Q1691745 Português

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Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

A frase “Apesar dos esforços médicos, muitas pessoas bateram as botas depois de testarem positivo para a Covid-19.” apresenta a seguinte figura de linguagem:
Alternativas
Q1691744 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


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Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

No período “Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas.”, a expressão grifada tem o seguinte valor semântico:
Alternativas
Q1691743 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

Em “Ele se voltou pedindo desculpas.”, o verbo destacado apresenta-se na mesma voz do verbo da opção:
Alternativas
Q1691742 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

Observe as frases abaixo.
1. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. 2. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone. 3. Mas reconheço que me sinto controlada.
Os termos destacados nas frases pertencem, respectivamente, à seguinte classe gramatical:
Alternativas
Q1691741 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

O despertar da personagem para a realidade da pandemia se observa no:
Alternativas
Q1691740 Português

Leia o texto abaixo e responda ao que se pede.


De volta pra casa


Nos aeroportos, o cenário já me parecera realidade paralela de ficção científica. Estaria eu personagem de um filme ou de um livro? Todo mundo de máscara, alguns de luvas. Pessoas quietas, silenciosas, tentando manter espaço entre si. Cenário fantasmagórico. Estranhamento total.

Primeiro, paraliso-me concentrando apenas em estar ali, me dou uns momentos para sentir que estou em casa. Do ângulo em que me encontro observo a sala e a cozinha. Há algumas horas atrás saíra do hotel com o motorista da empresa, para o aeroporto. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão.

Segundo, observo mala, mochila e bolsa na porta, levo para a área de serviço, esvazio e coloco quase tudo na máquina de lavar. Passo álcool em gel, água sanitária. Papéis, computador, na bancada de pedra na cozinha; descalço os tênis também na área. Limpo as solas. Estão lá até hoje, abertas, higienizadas e não tenho coragem de guardá-las. Idem os tênis. Não toquei mais, até parece trauma.

Terceiro, olho a geladeira, o freezer, bem abastecido. Na véspera, meu filho cozinhara, levara mantimentos e me dissera ao telefone: “quando chegares, tu não sais mais!” Frango ao catupiry, carne assada ao molho, arroz, lentilha, lasanha, vários potes. Frutas, legumes, ovos, leite, massa, mel. Produtos de limpeza. Filho de ouro! Começo a me conscientizar sobre o que poderia significar uma quarentena. E vou descansar, que o primeiro voo saíra às 3 da manhã e estou insone.

Começo a trabalhar online, o que já costumo fazer. Revisões e orientações, álcool em gel, lavar as mãos com sabão, relato do trabalho que realizara em março, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Telefonemas e mensagens de Whatzapp. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão, noticiários na TV, séries e filmes na Netflix, sarau literário por google meet, como é bom rever o grupo! Mais disciplinado do que nunca por conta do encontro virtual, ninguém fala ao mesmo tempo. Que vírus danado!

Que mexida na ordem, que caos instalado! No 4º dia senti tontura, caminho meio torta pela casa, chequei se seria sintoma do corona, mas não. Qualquer arranhadinho na garganta lá ia eu para o termômetro. E vá gargarejo com água morna e sal. Litros de chá e água. Como tenho rinite alérgica e tosse de refluxo, às vezes pensava, “será o corona”? E dê-lhe desinfecção, álcool, água sanitária, desinfetante. E não deixar louça suja, meu pior pesadelo: o tempo de cozinha, de máquina de lavar, de limpar a casa, de lavar gêneros alimentícios. Essa higienização diária vai me deixar maluca!

Inicia uma reconstrução do dia a dia, novo cotidiano, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Enclausurada, sem liberdade de ir e vir, em contrapartida outras liberdades a serem exercidas. Não me abato. Mas reconheço que me sinto controlada, sem saber que novo mecanismo é esse. Gosto de estar em casa sozinha. Sempre tenho mil coisas para fazer: pensar, imaginar, arrumar, organizar, ler. Porém esse jeito compulsório e com esse vírus lá fora ameaçando, não é nada confortável.

O cara da fruteira se despediu após me entregar as sacolas no portão do edifício, e depois do ritual do pagamento com a maquininha envolta em papel filme (será que adianta?), ia saindo com meu cartão enfiado na máquina. Gritei, ei, meu cartão! Ele se voltou pedindo desculpas. Todo o mundo atrapalhado, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Uso máscara e luvas quando desço pra colocar o lixo e buscar a correspondência e o jornal. O novo mundo com Corona vírus. Álcool em gel, lavar as mãos com sabão. A vida em suspenso. A rua antes tão disputada para estacionamento, agora vazia, desfigurada.

Finalmente os 14 dias!! para ter certeza de que não retornei da viagem infectada. Mas não consigo me sentir aliviada. “O mundo, como o conhecemos, não existe mais”, ouço na TV. Frase forte. Meu sistema imunológico fraco.

Aglomerações, não uso de máscara, quebra do isolamento social. O ser humano se mostra mais onipotente, ignorante e alienado como nunca. Mecanismo maciço de negação. Mais do que medo! Um viruzinho que nem vivo é, uma proteína revestida, um microrganismo invisível, tão letal e perigoso, colocando o mundo de joelhos. Às vezes ainda perpassa uma sensação de irrealidade. Pandemia.

Zanzo pela casa durante o dia, passando por diversos estados de espírito: indignada, perplexa, compassiva, alarmada, vulnerável, repugnada, assustada, raivosa, envergonhada, fragilizada, impotente, raramente tranquila, álcool em gel, lavar as mãos com sabão. Respira a terra, gorjeiam as águas, limpa-se o ar. E morrem as pessoas.

Minhas mãos nunca estiveram tão cheirosas nas 24 horas do dia. Mesmo cortando cebola, elas rescendem a perfume. Mordo a cenoura crua, cansada de lavar panelas. Meus dentes hão de aguentar.


Berenice S. Lamas (Texto adaptado) 

O texto lido pertence ao seguinte tipo textual:
Alternativas
Q1689215 Português
Sobre funções da linguagem, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta:
( ) Emissor: quem fala, escreve, desenha, faz os gestos, etc.
( ) Receptor: quem ouve, lê, interpreta os gestos, etc.
( ) Mensagem: o conteúdo daquilo que o receptor comunica.
( ) Código: sistema utilizado pelo emissor para compor a mensagem. (Ex: língua oral / escrita, língua de sinais, pintura, placas de trânsito).
( ) Canal: meio, ou veículo pelo qual a mensagem é transmitida. (Ex: ar, papel, telefone, TV, internet)
Alternativas
Q1689214 Português
Relacione as colunas sobre significação, ou forma entre as palavras e assinale a alternativa correta.
COLUNA I. A- Sinônimos. B- Antônimos. C- Homônimos. D- Parônimos. E- Polissemia.
COLUNA II. (1) Emergir (subir, aparecer na superfície) – imergir (afundar). (2) Nos feriados, as estradas ficam congestionadas. Nos feriados, as rodovias ficam congestionadas. (3) Cobre (metal) – cobre (verbo). (4) Ela mora longe da escola, mas perto da casa dos avós. (5) O Brasil precisa ser respeitado também em outros campos; não só no futebol.
Alternativas
Q1689213 Português
Sobre os tipos de linguagem, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta:
( ) Em sentido amplo, pode-se entender por linguagem, qualquer processo de comunicação.
( ) A mímica, usada pelos surdos-mudos e pelos estrangeiros que não sabem a língua de um país, é um tipo de linguagem.
( ) O semáforo, o sistema de sinais com que se dão avisos aos navios e aviões que se aproximam das costas, ou dos aeroportos, também é um tipo de linguagem.
( ) A transmissão de mensagens por meio de bandeiras, ou espelhos ao sol, empregada por marujos, escoteiros, não é um processo de comunicação.
( ) Para a linguística, só apresenta interesse o tipo de linguagem que se exterioriza pela palavra humana, fruto de uma atividade mental superior e criadora.
Alternativas
Q1689212 Português
Analise o quadrinho para responder às próximas duas questões.



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Ainda no quadrinho, a palavra por quê está grafada, separadamente, e acentuada corretamente:
Alternativas
Q1689211 Português
Analise o quadrinho para responder às próximas duas questões.



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Na resposta de José Carlos, as palavras bebê, adolescente e adulto, têm a função de:
Alternativas
Respostas
8561: B
8562: D
8563: D
8564: B
8565: C
8566: A
8567: E
8568: C
8569: D
8570: A
8571: A
8572: E
8573: C
8574: D
8575: B
8576: B
8577: C
8578: A
8579: D
8580: B