Questões de Concurso
Sobre português para psicólogo
Foram encontradas 13.232 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Vai passar
Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
BUARQUE, Chico. Vai passar. In: Letras. Disponível em:
https://www.letras.mus.br/chico-buarque/45184/.
Acesso em: 30 ago. 2023. [Fragmento]
Observe a palavra destacada no texto e sua classificação morfológica.
Assinale a alternativa em que a palavra destacada pertence à mesma classe gramatical daquela em destaque no texto.
Disponível em: https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/calor-acima-de-40c-no-rio-inspira-memes-e-brincadeiras-nas-redes-sociais.ghtml. Acesso em: 30 ago. 2023.
Na primeira frase do texto, a posição do pronome oblíquo átono é justificada
O grande encontro dos desaparecidos
“Sem destino: 102,2 mil desapareceram em 6 meses.”
Cotidiano, 10 jul. 1999.
Uma vez ao ano os desaparecidos se reúnem. Sempre em data diferente e em local diferente: às margens de um grande rio, no meio da floresta, no alto de uma montanha. Ninguém falta. Por certos mecanismos de comunicação, do qual só os desaparecidos têm conhecimento, a notícia chega a todos e a cada um deles.
No dia aprazado lá estão.
[...]
O encontro é, sobretudo, de trabalho. Para isso, os desaparecidos são divididos em comissões temáticas, que têm como objetivo responder a perguntas cruciais: é lícito desaparecer quando há uma crise na família? O desemprego é uma boa razão para o desaparecimento? Deve uma possível reaparição ser precedida de exigências ao grupo, à comunidade, ao país?
As discussões são intensas e acaloradas. Mas há também tempo para amenidades, para amável convívio, em que os desaparecidos intercambiam experiências e relatam episódios diversos, pitorescos ou não.
SCLIAR, Moacyr. O grande encontro dos desaparecidos. In: Conto Brasileiro. Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/o-grande-encontro-dos-desaparecidos-cronica-de-moacyr-scliar/. Acesso em: 23 out. 2023. [Adaptado]
A crônica narrativa é um gênero textual cujo tema geralmente é inspirado em fatos cotidianos. No texto apresentado, essa inspiração pode ser observada
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões 5 e 6.
O aumento drástico de fenômenos meteorológicos erráticos e devastadores em todo o mundo nos últimos meses, como incêndios florestais, furacões, secas e ondas de calor ligadas ao aquecimento global, apontam para a necessidade de abordarmos essa questão imediatamente.
Minha proposta? Destruir o Sol.
Alguns dizem que as leis de ecocídio, que responsabilizam diretamente líderes de empresas quando estas causam enormes danos ambientais e são adotadas por cada vez mais países, são a resposta. Essas pessoas não compreendem para o que grandes mentes como eu [...] têm trabalhado há anos: se, como dizem os cientistas, o aumento da temperatura média global em 1,5 ºC significará que atingimos um ponto irreversível, a única resposta é combater os flagrantes ataques do meio ambiente à humanidade na mesma moeda, com a destruição capitalista e estratégica (além de altamente lucrativa) do planeta antes que ele destrua a nós, humanos!
Mas já que estamos aqui, o que são essas leis de ecocídio e como elas podem contribuir para melhorar a situação? Em 2021, um grupo de juristas internacionais definiu ecocídio como “atos ilegais ou injustificados cometidos sob ciência de que há uma probabilidade substancial de que estes causem danos graves e generalizados ou duradouros ao meio ambiente”.
WISWELL, David. Minha proposta para a crise climática é destruir o Sol. Folha de S.Paulo. Colunas, 10 set. 2023. Disponível em: https://vww1.folha .uol.com.br/colunas/david-wiswell/2023/09/minha-proposta-para-a-crise-climatica-e-destruir-o-sol.shtml. Acesso em: 10 set. 2023. [Fragmento]
Releia este trecho.
“Se, como dizem os cientistas, o aumento da temperatura média global em 1,5 ºC significará que atingimos um ponto irreversível, a única resposta é combater os flagrantes ataques do meio ambiente à humanidade na mesma moeda.”
Considerando o expresso no trecho, pode-se inferir que
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões 5 e 6.
O aumento drástico de fenômenos meteorológicos erráticos e devastadores em todo o mundo nos últimos meses, como incêndios florestais, furacões, secas e ondas de calor ligadas ao aquecimento global, apontam para a necessidade de abordarmos essa questão imediatamente.
Minha proposta? Destruir o Sol.
Alguns dizem que as leis de ecocídio, que responsabilizam diretamente líderes de empresas quando estas causam enormes danos ambientais e são adotadas por cada vez mais países, são a resposta. Essas pessoas não compreendem para o que grandes mentes como eu [...] têm trabalhado há anos: se, como dizem os cientistas, o aumento da temperatura média global em 1,5 ºC significará que atingimos um ponto irreversível, a única resposta é combater os flagrantes ataques do meio ambiente à humanidade na mesma moeda, com a destruição capitalista e estratégica (além de altamente lucrativa) do planeta antes que ele destrua a nós, humanos!
Mas já que estamos aqui, o que são essas leis de ecocídio e como elas podem contribuir para melhorar a situação? Em 2021, um grupo de juristas internacionais definiu ecocídio como “atos ilegais ou injustificados cometidos sob ciência de que há uma probabilidade substancial de que estes causem danos graves e generalizados ou duradouros ao meio ambiente”.
WISWELL, David. Minha proposta para a crise climática é destruir o Sol. Folha de S.Paulo. Colunas, 10 set. 2023. Disponível em: https://vww1.folha .uol.com.br/colunas/david-wiswell/2023/09/minha-proposta-para-a-crise-climatica-e-destruir-o-sol.shtml. Acesso em: 10 set. 2023. [Fragmento]
A estratégia de ironia usada pelo autor no texto tem por objetivo
Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
ESPANCA, Florbela. Eu. Livro de mágoas. Disponível em:
https:/Avww.ebiografia.com/florbela espanca/.
Acesso em: 30 ago. 2028. [Fragmento]
Tendo em vista a mensagem do poema, o termo em destaque poderia ser substituído, sem perda de sentido, por
Disponível em: https://www.simec.com.br/?area=ver_
noticia&id=9467&titulo=setembro-verde-mes-da-inclusao-social. Acesso em: 30 ago. 2028.
Os elementos comunicativos nesse cartaz permitem inferir que o objetivo final da campanha é
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2.
Não ao racismo à brasileira: é preciso concretizar o que diz a Constituição
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão e perpetua o racismo em atos de violência contra negros. Tristes e profundas marcas dos 358 anos de trabalho escravo ainda não foram apagadas nos 135 anos contados a partir da assinatura da Lei Áurea. Os casos no nosso país ligados a crimes de racismo não geram a mesma repercussão que nos Estados Unidos — como se viu em 2020 nos protestos pelo assassinato de George Floyd, em Minneapolis.
[...]
Não obstante a Constituição de 1988 expressar que um dos objetivos fundamentais da nossa República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, a sociedade brasileira, em pleno século XXI, ainda se depara com — e, literalmente, se separa por — preconceitos motivados por questões raciais.
FRIEDE, Reis. Não ao racismo à brasileira: é preciso concretizar o que diz a Constituição. Gazeta do povo. Opinião, 28 jul. 2023. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/ opiniao/artigos/nao-racismo-concretizar-constituicao/. Acesso em: 30 ago. 2028. [Adaptado]
Releia este trecho.
“Não obstante a Constituição de 1988 expressar que um dos objetivos fundamentais da nossa República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” [...].”
A expressão destacada é classificada, no contexto apresentado, como
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2.
Não ao racismo à brasileira: é preciso concretizar o que diz a Constituição
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão e perpetua o racismo em atos de violência contra negros. Tristes e profundas marcas dos 358 anos de trabalho escravo ainda não foram apagadas nos 135 anos contados a partir da assinatura da Lei Áurea. Os casos no nosso país ligados a crimes de racismo não geram a mesma repercussão que nos Estados Unidos — como se viu em 2020 nos protestos pelo assassinato de George Floyd, em Minneapolis.
[...]
Não obstante a Constituição de 1988 expressar que um dos objetivos fundamentais da nossa República é “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, a sociedade brasileira, em pleno século XXI, ainda se depara com — e, literalmente, se separa por — preconceitos motivados por questões raciais.
FRIEDE, Reis. Não ao racismo à brasileira: é preciso concretizar o que diz a Constituição. Gazeta do povo. Opinião, 28 jul. 2023. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/ opiniao/artigos/nao-racismo-concretizar-constituicao/. Acesso em: 30 ago. 2028. [Adaptado]
Considerando-se o exposto nesse artigo de opinião, a expressão “racismo à brasileira”, presente no título, relaciona-se à ideia de que
Assinale a alternativa em que todas as palavras são compostas.
Analise a frase abaixo:
A dois dias, agentes da polícia cívil e militar cumprem mandatos de prisão, que inclui 33 nomes de envolvidos no tráfego de drogas.
A reescritura da frase na norma padrão de língua portuguesas é:
Assinale a frase que está de acordo com as normas da língua padrão.
Texto 1
A região do Oeste catarinense abrigava uma densa região vegetal, que até então era considerada uma floresta original, sendo composto pela Floresta Ombrófila Mista (FOM) e pela Floresta Estacional Decidual (FED), tinha como destaque o pinheiro e a erva-mate. E, esta que foi responsável pela permanência no território de muitos grupos humanos e que impulsionou a economia estadual da época. Contudo, com a construção da ferrovia São Paulo-Rio Grande e outras vias, como a construção de estradas, a fixação dos migrantes nas terras para realizar a agricultura, e a utilização de balsas para o deslocamento da madeira, acelerou o processo de desmatamento em grande escala, como enfatizam os autores Silva, Brandt e Moretto (2017, p. 196): “A Mata Atlântica passou a ser vista pelo viés econômico e, com isso, aceleraram-se as derrubadas, colocando a floresta em ameaça de extinção. Foi dessa forma que o Oeste do estado perdeu grande parte da floresta de araucária”. Isto por que as riquezas naturais na visão da elite da época não poderiam mais ficar sem o devido aproveitamento econômico. O impacto ambiental neste período alterou significativamente e drasticamente o meio-ambiente devido ao desmatamento.
Disponível em: < https://1library.org/article/floresta-agricultura-coloniza%C3%A7%C3%A3o-do-oeste-de-santa-catarina.yjkvwgpq>. Acesso em: 17 de outubro 2023. Fragmento adaptado.
Analise a frase retirada do texto 1.
“Contudo, com a construção da ferrovia São Paulo-Rio Grande e outras vias, como a construção de estradas, a fixação dos migrantes nas terras para realizar a agricultura, e a utilização de balsas para o deslocamento da madeira, acelerou o processo de desmatamento em grande escala, como enfatizam os autores Silva, Brandt e Moretto (2017, p. 196) […].”
Assinale a alternativa correta sobre a frase.
Texto 1
A região do Oeste catarinense abrigava uma densa região vegetal, que até então era considerada uma floresta original, sendo composto pela Floresta Ombrófila Mista (FOM) e pela Floresta Estacional Decidual (FED), tinha como destaque o pinheiro e a erva-mate. E, esta que foi responsável pela permanência no território de muitos grupos humanos e que impulsionou a economia estadual da época. Contudo, com a construção da ferrovia São Paulo-Rio Grande e outras vias, como a construção de estradas, a fixação dos migrantes nas terras para realizar a agricultura, e a utilização de balsas para o deslocamento da madeira, acelerou o processo de desmatamento em grande escala, como enfatizam os autores Silva, Brandt e Moretto (2017, p. 196): “A Mata Atlântica passou a ser vista pelo viés econômico e, com isso, aceleraram-se as derrubadas, colocando a floresta em ameaça de extinção. Foi dessa forma que o Oeste do estado perdeu grande parte da floresta de araucária”. Isto por que as riquezas naturais na visão da elite da época não poderiam mais ficar sem o devido aproveitamento econômico. O impacto ambiental neste período alterou significativamente e drasticamente o meio-ambiente devido ao desmatamento.
Disponível em: < https://1library.org/article/floresta-agricultura-coloniza%C3%A7%C3%A3o-do-oeste-de-santa-catarina.yjkvwgpq>. Acesso em: 17 de outubro 2023. Fragmento adaptado.
Assinale a alternativa cuja frase está escrita de acordo com a norma padrão de língua portuguesa.
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Fonte: Carlos Drummond de Andrade, Poema Amar.
No verso "Amar solenemente as palmas do deserto", identifique a função sintática desempenhada pela expressão "as palmas do deserto" na frase.
Considere atentamente o texto a seguir, extraído de uma das crônicas de Otto Lara Resende, para responder as próximas questões.
“O Dr. Fritz Muller é um alemão que veio jovem para o Brasil, no século passado. Um sábio. E até um herói, pela vida que levou em Santa Catarina. O Moacir Werneck de Castro escreveu sobre o Dr. Muller um livro que ainda está inédito. Li o original e fiquei impressionado: que vida! O homem se adaptou ao Brasil de tal forma que chegou a andar descalço, com chapéu de caipira na cabeça. Nem por isso deixou de ser alemão. Em 1878, escreveu numa carta o seguinte: ‘Quando se vive todo um quarto de século na terra das preguiças, incorpora-se pouco a pouco algo da natureza desses bichos, seja em razão do exemplo, do clima ou, o que é essencial, da falta de estímulos espirituais’. Estava amargo nesse dia o Dr. Fritz Muller. E tinha lá as suas razões. Era de briga o homem. Teve muito aborrecimento, mas nunca mais saiu daqui e deixou uma bela obra. Per Johns, escritor, é filho de dinamarqueses. Se você quer saber como os nórdicos que vivem aqui veem o brasileiro, leia ‘As aves de Cassandra’. É um romance e nem por isso deixa de ser um documento. Disse nórdicos, mas posso dizer europeus do norte, para aí incluir alemães, ingleses e outros. Têm horror a itálicos e hispânicos. E do Brasil não têm uma visão lisonjeira. Acabam às vezes se abrasileirando, mas não suportam, com licença, a nossa ‘esculhambação’. Está lá no Per Johns o que sentem e o que dizem do trópico. Metem o pau na nossa pasmaceira, sensualidade e preguiça. Mas uma prova da força da nossa cultura é que o próprio Per Johns, dinamarquês de quatro costados, é hoje um acabado escritor brasileiro. Dizer que o brasileiro é preguiçoso é a meu ver injusto. O sujeito que diz isso não conhece o brasileiro. E muito menos a preguiça, um desdentado da família dos bradipodídeos. Brasileira 100%, a preguiça não gasta energia à toa. Prova de que é inteligentíssima. Vive o tempo todo na embaúba. Só se muda se for preciso. Por exemplo: se faltarem as folhinhas novas que aprecia. Ameaçada, é capaz de subir correndo numa árvore de trinta metros. Adora o sol e faz ginástica, feliz da vida. Bem camuflada, não há onça nem jiboia que a peguem. Os nórdicos queriam o quê? Que a preguiça saísse correndo pelo mato qual antílope? Isto seria burrice. E morte na certa. Inteligência é capacidade de adaptação. É o que não falta ao brasileiro e à preguiça”. (Preguiça e inteligência, Otto Lara Resende, com adaptações).
No trecho “O sujeito que diz isso não conhece o brasileiro. E muito menos a preguiça”, o substantivo “preguiça” diz respeito a um:
Considere atentamente o texto a seguir, extraído de uma das crônicas de Otto Lara Resende, para responder as próximas questões.
“O Dr. Fritz Muller é um alemão que veio jovem para o Brasil, no século passado. Um sábio. E até um herói, pela vida que levou em Santa Catarina. O Moacir Werneck de Castro escreveu sobre o Dr. Muller um livro que ainda está inédito. Li o original e fiquei impressionado: que vida! O homem se adaptou ao Brasil de tal forma que chegou a andar descalço, com chapéu de caipira na cabeça. Nem por isso deixou de ser alemão. Em 1878, escreveu numa carta o seguinte: ‘Quando se vive todo um quarto de século na terra das preguiças, incorpora-se pouco a pouco algo da natureza desses bichos, seja em razão do exemplo, do clima ou, o que é essencial, da falta de estímulos espirituais’. Estava amargo nesse dia o Dr. Fritz Muller. E tinha lá as suas razões. Era de briga o homem. Teve muito aborrecimento, mas nunca mais saiu daqui e deixou uma bela obra. Per Johns, escritor, é filho de dinamarqueses. Se você quer saber como os nórdicos que vivem aqui veem o brasileiro, leia ‘As aves de Cassandra’. É um romance e nem por isso deixa de ser um documento. Disse nórdicos, mas posso dizer europeus do norte, para aí incluir alemães, ingleses e outros. Têm horror a itálicos e hispânicos. E do Brasil não têm uma visão lisonjeira. Acabam às vezes se abrasileirando, mas não suportam, com licença, a nossa ‘esculhambação’. Está lá no Per Johns o que sentem e o que dizem do trópico. Metem o pau na nossa pasmaceira, sensualidade e preguiça. Mas uma prova da força da nossa cultura é que o próprio Per Johns, dinamarquês de quatro costados, é hoje um acabado escritor brasileiro. Dizer que o brasileiro é preguiçoso é a meu ver injusto. O sujeito que diz isso não conhece o brasileiro. E muito menos a preguiça, um desdentado da família dos bradipodídeos. Brasileira 100%, a preguiça não gasta energia à toa. Prova de que é inteligentíssima. Vive o tempo todo na embaúba. Só se muda se for preciso. Por exemplo: se faltarem as folhinhas novas que aprecia. Ameaçada, é capaz de subir correndo numa árvore de trinta metros. Adora o sol e faz ginástica, feliz da vida. Bem camuflada, não há onça nem jiboia que a peguem. Os nórdicos queriam o quê? Que a preguiça saísse correndo pelo mato qual antílope? Isto seria burrice. E morte na certa. Inteligência é capacidade de adaptação. É o que não falta ao brasileiro e à preguiça”. (Preguiça e inteligência, Otto Lara Resende, com adaptações).
Marque a alternativa que indica, respectivamente, possíveis sinônimos para os termos “lisonjeira”, “esculhambação” e “pasmaceira”, extraídos do texto.
Considere atentamente o texto a seguir, extraído de uma das crônicas de Otto Lara Resende, para responder as próximas questões.
“O Dr. Fritz Muller é um alemão que veio jovem para o Brasil, no século passado. Um sábio. E até um herói, pela vida que levou em Santa Catarina. O Moacir Werneck de Castro escreveu sobre o Dr. Muller um livro que ainda está inédito. Li o original e fiquei impressionado: que vida! O homem se adaptou ao Brasil de tal forma que chegou a andar descalço, com chapéu de caipira na cabeça. Nem por isso deixou de ser alemão. Em 1878, escreveu numa carta o seguinte: ‘Quando se vive todo um quarto de século na terra das preguiças, incorpora-se pouco a pouco algo da natureza desses bichos, seja em razão do exemplo, do clima ou, o que é essencial, da falta de estímulos espirituais’. Estava amargo nesse dia o Dr. Fritz Muller. E tinha lá as suas razões. Era de briga o homem. Teve muito aborrecimento, mas nunca mais saiu daqui e deixou uma bela obra. Per Johns, escritor, é filho de dinamarqueses. Se você quer saber como os nórdicos que vivem aqui veem o brasileiro, leia ‘As aves de Cassandra’. É um romance e nem por isso deixa de ser um documento. Disse nórdicos, mas posso dizer europeus do norte, para aí incluir alemães, ingleses e outros. Têm horror a itálicos e hispânicos. E do Brasil não têm uma visão lisonjeira. Acabam às vezes se abrasileirando, mas não suportam, com licença, a nossa ‘esculhambação’. Está lá no Per Johns o que sentem e o que dizem do trópico. Metem o pau na nossa pasmaceira, sensualidade e preguiça. Mas uma prova da força da nossa cultura é que o próprio Per Johns, dinamarquês de quatro costados, é hoje um acabado escritor brasileiro. Dizer que o brasileiro é preguiçoso é a meu ver injusto. O sujeito que diz isso não conhece o brasileiro. E muito menos a preguiça, um desdentado da família dos bradipodídeos. Brasileira 100%, a preguiça não gasta energia à toa. Prova de que é inteligentíssima. Vive o tempo todo na embaúba. Só se muda se for preciso. Por exemplo: se faltarem as folhinhas novas que aprecia. Ameaçada, é capaz de subir correndo numa árvore de trinta metros. Adora o sol e faz ginástica, feliz da vida. Bem camuflada, não há onça nem jiboia que a peguem. Os nórdicos queriam o quê? Que a preguiça saísse correndo pelo mato qual antílope? Isto seria burrice. E morte na certa. Inteligência é capacidade de adaptação. É o que não falta ao brasileiro e à preguiça”. (Preguiça e inteligência, Otto Lara Resende, com adaptações).
Quanto à função de sujeito na oração “Têm horror a itálicos e hispânicos”, pode-se afirmar que é exercida pelo pronome implícito:
Considere atentamente o texto a seguir, extraído de uma das crônicas de Otto Lara Resende, para responder as próximas questões.
“O Dr. Fritz Muller é um alemão que veio jovem para o Brasil, no século passado. Um sábio. E até um herói, pela vida que levou em Santa Catarina. O Moacir Werneck de Castro escreveu sobre o Dr. Muller um livro que ainda está inédito. Li o original e fiquei impressionado: que vida! O homem se adaptou ao Brasil de tal forma que chegou a andar descalço, com chapéu de caipira na cabeça. Nem por isso deixou de ser alemão. Em 1878, escreveu numa carta o seguinte: ‘Quando se vive todo um quarto de século na terra das preguiças, incorpora-se pouco a pouco algo da natureza desses bichos, seja em razão do exemplo, do clima ou, o que é essencial, da falta de estímulos espirituais’. Estava amargo nesse dia o Dr. Fritz Muller. E tinha lá as suas razões. Era de briga o homem. Teve muito aborrecimento, mas nunca mais saiu daqui e deixou uma bela obra. Per Johns, escritor, é filho de dinamarqueses. Se você quer saber como os nórdicos que vivem aqui veem o brasileiro, leia ‘As aves de Cassandra’. É um romance e nem por isso deixa de ser um documento. Disse nórdicos, mas posso dizer europeus do norte, para aí incluir alemães, ingleses e outros. Têm horror a itálicos e hispânicos. E do Brasil não têm uma visão lisonjeira. Acabam às vezes se abrasileirando, mas não suportam, com licença, a nossa ‘esculhambação’. Está lá no Per Johns o que sentem e o que dizem do trópico. Metem o pau na nossa pasmaceira, sensualidade e preguiça. Mas uma prova da força da nossa cultura é que o próprio Per Johns, dinamarquês de quatro costados, é hoje um acabado escritor brasileiro. Dizer que o brasileiro é preguiçoso é a meu ver injusto. O sujeito que diz isso não conhece o brasileiro. E muito menos a preguiça, um desdentado da família dos bradipodídeos. Brasileira 100%, a preguiça não gasta energia à toa. Prova de que é inteligentíssima. Vive o tempo todo na embaúba. Só se muda se for preciso. Por exemplo: se faltarem as folhinhas novas que aprecia. Ameaçada, é capaz de subir correndo numa árvore de trinta metros. Adora o sol e faz ginástica, feliz da vida. Bem camuflada, não há onça nem jiboia que a peguem. Os nórdicos queriam o quê? Que a preguiça saísse correndo pelo mato qual antílope? Isto seria burrice. E morte na certa. Inteligência é capacidade de adaptação. É o que não falta ao brasileiro e à preguiça”. (Preguiça e inteligência, Otto Lara Resende, com adaptações).
No trecho “incorpora-se pouco a pouco algo da natureza desses bichos”, o pronome “se” pode ser classificado como:
Considere o discurso a seguir, proferido na Câmara dos Deputados, em homenagem póstuma ao presidente americano John Kennedy, para responder as próximas questões.
"Foi como se uma luz se tivesse apagado, de repente, no mundo. Foi como se uma noite de angústia e de soturnos íncubos tivesse baixado, repentinamente, sobre a face da Terra. Foi como se um pesadelo e uma delirante alucinação tivesse, inesperadamente, dilacerado nas suas garras de loucura o coração de milhões de homens. Eram aquelas horas mansas e preguiçosas, quando a tarde escorre, plácida, para os braços do crepúsculo, velho e cansado porteiro da noite; mas aquele dia, a noite se antecipou. la descer primeiro sobre os corações; depois, sobre o mundo. A noite com o seu mistério, a noite com os seus fantasmas, a noite com o seu pavor, a noite com a sua mentira, a noite com as suas armadilhas sagazes e as suas emboscadas traiçoeiras, a noite com os seus laços bem urdidos e os seus venenos sutis, com os seus gritos solitários e os seus uivos lancinantes, a noite que gela o coração e acoberta o crime, a noite que atrai vítima desprevenida e empresta à morte o seu regaço de sombra para a solerte tocaia; aquele dia, a noite chegou inesperada, trazendo no seu bojo a gargalhada sinistra que, num átimo - num átimo quase eterno, num átimo que fixou o tempo e estancou o fluxo da história -, ecoou pelos quatro cantos do mundo, como que desafiando a mais tenaz capacidade de crer, zombando da mais desesperada esperança e deixando escorrer a baba envenenada do ódio inimaginável, do ódio que se julgara proscrito, para sempre, da conveniência humana. Com os olhos vendados pela súbita escuridão e velados pelas primeiras lágrimas que nenhuma força humana consegue reter, homens e mulheres de todas as raças e de todas as crenças tentaram agarrar-se a alguma coisa que lhes permitisse não crer, que desmentisse as palavras sinistras que, àquela hora, já se atropelavam nas asas das ondas velozes por sobre montanhas e mares, cidades e vales, até a última fronteira do mundo. Mas, ai de nós, a verdade temida, a verdade terrível, a verdade jamais pressentida, era, desgraçadamente, a verdade verdadeira. A milhares de quilômetros, numa cidade embandeirada em festa, entre flores e aclamações, entre os gritos dos peões na pradaria sem fim, ao cheiro acre do petróleo brotando aos borbotões do solo esturricado, alguém fechara a derradeira porta à compreensão e à fraternidade, e uma janela se abrira ao ódio assassino, covarde e desvairado. Sobre ela a morte se debruçara paciente e tranquila, fria e calculada. Como quem sabe que a presa não lhe fugirá. Como quem não tem pressa, porque conhece a sua hora. Como o caçador previdente a quem o instinto não engana e sabe que a flecha da sua aljava é ligeira, e certeiro seu olho experimentado. Como o encenador que prepara a tragédia para que o herói caia, entre o céu e a terra, ao som das tubas gloriosas, ao rufar de místicos tambores, ante o espanto da multidão colhida de surpresa e as vozes do coro que justifica, soturno, a catástrofe."
(Deputado Padre Godinho, Homenagem póstuma a John Kennedy, 1963, com adaptações).
No trecho "Como o encenador que prepara a tragédia", o termo "tragédia" diz respeito a um: