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Q3892786 Português
À MARGEM DE UM SONHO

(1º§) Lá se vai uma estória.

(2º§) Menino, magricelo e desdentado, reclamava da encurvada chatice em volta. Ninguém o ouvia, por estarem ocupados com a mesmice de sempre: juros bancários exorbitantes, dívidas vergonhosas, empréstimos. Lengalengas de barbas espessas – geração em geração. Velhacas!

(3º§) Apareceu um sujeitinho de meia idade, simpático, a oferecer uma viagem e tanto: ao reino unido do Sonho. Pedia segredo absoluto, bagagem só de mão, muita delicadeza. Os daqui seriam avisados a não se preocuparem com nada, esperança trotava manso. De trem o percurso, um alerta de vez em quando, céus e céus. Alegria. Marota a moçoila – mãos dadas com o sujeitinho ainda de meia idade.

(4º§) Largada a partida de manhã, névoa negra a esconder o trem das delícias – ao todo eram seis os viajantes. Paisagens, alaranjadas rubras rosáceas, desenhando vales e montanhas comoventes, natureza íntima. 
Menino, confortavelzinho, se perguntava o porquê da escolha, mal acreditando no que escolhera. Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos. Todinhos. Não queria a ralha descontente de alguém.

(5º§) Com tamanhas interrogações adormeceu o menino, sonhando com o raro voo dos anjos rumo ao irreverente lago dos santos. Assustouse lago? Irreverente? Anjos? Novas e milhares de incertezas povoaram-lhe a cabeçola, crescia e crescia de tamanho, ocupando, gratuito, o assento inteiro da locomotiva. Menino, (lhe eram oferecidas revistas aos montes, para que nada escapasse aos tediosos olhos.)

(6º§) No caudaloso lago, surge uma neguinha, ares de donzela, a lançar o seminu corpo num canto enfeitiçado pelos santos. Quem diria, “o pecado não mora ao lado”, nem debaixo da mesa, tampouco na lousa mágica. Menino – exausto com inúmeras magias, oxalá um tediozinho, saudades.

(7º§) E o senhor de meia idade? Sumira? Sonhara com as revistas ou não?

(8º§) Canto do lago guardava um mistério e um tesouro – cisnes brincalhões a trancafiar as esguias neguinhas de caracóis trançados. Bonitíssimos. Menino louco de vontade em possuí-las, embora não mais o peito franzino, por um viés homem. Chaves só com os santos, infinitos em número, com qual deles? Realidade maldita? Mais vale um feitiço na alma do que dois dedos de prosa. Perderam-se os anéis.

(9º§) Menino jurou ao primeiro santo da pecaminosa fila, um majestoso anel de jade, extraído da terra. Imaginava e acontecia. Modelando com farta paixão a cobiça. Nos sonhos as ideias ganham, ternas e ferrenhas.

(10º§) Apesar das profundas olheiras, menino insistia na viagem lá atrás, desconhecendo, talvez, a estrada de volta. Ou não. O primeiro santo acenou um suplício: numa linguagem oblíqua, requisitava simples perdão. Foi-se uma estória...

(AMBRÓSIO, Ana Lia Vianna. Escritora. Jornal A Tarde Salvador. Bahia) – (Adaptado)
Marque o parágrafo que inicia com expressão adverbial de lugar e o parágrafo que inicia com frase interrogativa.
Alternativas
Q3892785 Português
À MARGEM DE UM SONHO

(1º§) Lá se vai uma estória.

(2º§) Menino, magricelo e desdentado, reclamava da encurvada chatice em volta. Ninguém o ouvia, por estarem ocupados com a mesmice de sempre: juros bancários exorbitantes, dívidas vergonhosas, empréstimos. Lengalengas de barbas espessas – geração em geração. Velhacas!

(3º§) Apareceu um sujeitinho de meia idade, simpático, a oferecer uma viagem e tanto: ao reino unido do Sonho. Pedia segredo absoluto, bagagem só de mão, muita delicadeza. Os daqui seriam avisados a não se preocuparem com nada, esperança trotava manso. De trem o percurso, um alerta de vez em quando, céus e céus. Alegria. Marota a moçoila – mãos dadas com o sujeitinho ainda de meia idade.

(4º§) Largada a partida de manhã, névoa negra a esconder o trem das delícias – ao todo eram seis os viajantes. Paisagens, alaranjadas rubras rosáceas, desenhando vales e montanhas comoventes, natureza íntima. 
Menino, confortavelzinho, se perguntava o porquê da escolha, mal acreditando no que escolhera. Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos. Todinhos. Não queria a ralha descontente de alguém.

(5º§) Com tamanhas interrogações adormeceu o menino, sonhando com o raro voo dos anjos rumo ao irreverente lago dos santos. Assustouse lago? Irreverente? Anjos? Novas e milhares de incertezas povoaram-lhe a cabeçola, crescia e crescia de tamanho, ocupando, gratuito, o assento inteiro da locomotiva. Menino, (lhe eram oferecidas revistas aos montes, para que nada escapasse aos tediosos olhos.)

(6º§) No caudaloso lago, surge uma neguinha, ares de donzela, a lançar o seminu corpo num canto enfeitiçado pelos santos. Quem diria, “o pecado não mora ao lado”, nem debaixo da mesa, tampouco na lousa mágica. Menino – exausto com inúmeras magias, oxalá um tediozinho, saudades.

(7º§) E o senhor de meia idade? Sumira? Sonhara com as revistas ou não?

(8º§) Canto do lago guardava um mistério e um tesouro – cisnes brincalhões a trancafiar as esguias neguinhas de caracóis trançados. Bonitíssimos. Menino louco de vontade em possuí-las, embora não mais o peito franzino, por um viés homem. Chaves só com os santos, infinitos em número, com qual deles? Realidade maldita? Mais vale um feitiço na alma do que dois dedos de prosa. Perderam-se os anéis.

(9º§) Menino jurou ao primeiro santo da pecaminosa fila, um majestoso anel de jade, extraído da terra. Imaginava e acontecia. Modelando com farta paixão a cobiça. Nos sonhos as ideias ganham, ternas e ferrenhas.

(10º§) Apesar das profundas olheiras, menino insistia na viagem lá atrás, desconhecendo, talvez, a estrada de volta. Ou não. O primeiro santo acenou um suplício: numa linguagem oblíqua, requisitava simples perdão. Foi-se uma estória...

(AMBRÓSIO, Ana Lia Vianna. Escritora. Jornal A Tarde Salvador. Bahia) – (Adaptado)
Marque a alternativa com análise incorreta.
Alternativas
Q3892784 Português
À MARGEM DE UM SONHO

(1º§) Lá se vai uma estória.

(2º§) Menino, magricelo e desdentado, reclamava da encurvada chatice em volta. Ninguém o ouvia, por estarem ocupados com a mesmice de sempre: juros bancários exorbitantes, dívidas vergonhosas, empréstimos. Lengalengas de barbas espessas – geração em geração. Velhacas!

(3º§) Apareceu um sujeitinho de meia idade, simpático, a oferecer uma viagem e tanto: ao reino unido do Sonho. Pedia segredo absoluto, bagagem só de mão, muita delicadeza. Os daqui seriam avisados a não se preocuparem com nada, esperança trotava manso. De trem o percurso, um alerta de vez em quando, céus e céus. Alegria. Marota a moçoila – mãos dadas com o sujeitinho ainda de meia idade.

(4º§) Largada a partida de manhã, névoa negra a esconder o trem das delícias – ao todo eram seis os viajantes. Paisagens, alaranjadas rubras rosáceas, desenhando vales e montanhas comoventes, natureza íntima. 
Menino, confortavelzinho, se perguntava o porquê da escolha, mal acreditando no que escolhera. Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos. Todinhos. Não queria a ralha descontente de alguém.

(5º§) Com tamanhas interrogações adormeceu o menino, sonhando com o raro voo dos anjos rumo ao irreverente lago dos santos. Assustouse lago? Irreverente? Anjos? Novas e milhares de incertezas povoaram-lhe a cabeçola, crescia e crescia de tamanho, ocupando, gratuito, o assento inteiro da locomotiva. Menino, (lhe eram oferecidas revistas aos montes, para que nada escapasse aos tediosos olhos.)

(6º§) No caudaloso lago, surge uma neguinha, ares de donzela, a lançar o seminu corpo num canto enfeitiçado pelos santos. Quem diria, “o pecado não mora ao lado”, nem debaixo da mesa, tampouco na lousa mágica. Menino – exausto com inúmeras magias, oxalá um tediozinho, saudades.

(7º§) E o senhor de meia idade? Sumira? Sonhara com as revistas ou não?

(8º§) Canto do lago guardava um mistério e um tesouro – cisnes brincalhões a trancafiar as esguias neguinhas de caracóis trançados. Bonitíssimos. Menino louco de vontade em possuí-las, embora não mais o peito franzino, por um viés homem. Chaves só com os santos, infinitos em número, com qual deles? Realidade maldita? Mais vale um feitiço na alma do que dois dedos de prosa. Perderam-se os anéis.

(9º§) Menino jurou ao primeiro santo da pecaminosa fila, um majestoso anel de jade, extraído da terra. Imaginava e acontecia. Modelando com farta paixão a cobiça. Nos sonhos as ideias ganham, ternas e ferrenhas.

(10º§) Apesar das profundas olheiras, menino insistia na viagem lá atrás, desconhecendo, talvez, a estrada de volta. Ou não. O primeiro santo acenou um suplício: numa linguagem oblíqua, requisitava simples perdão. Foi-se uma estória...

(AMBRÓSIO, Ana Lia Vianna. Escritora. Jornal A Tarde Salvador. Bahia) – (Adaptado)
Analise as assertivas com V(Verdadeiro) ou F(Falso). Em seguida, marque a alternativa correta.

I – Na expressão: “juros bancários exorbitantes” – o adjetivo “exorbitantes” tem o mesmo sentido semântico contextual de “vultosos”.
II – A oração: “Lá se vai uma estória” – pode ser reescrita sem o “SE” sem perder o sentido semântico contextual, porque ele é meramente enfático, expletivo.
III – No trecho: “Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos” – temos crase imposta pela regência verbal e vírgulas separando expressões que exercem a mesma função sintática de objeto indireto.
IV – A expressão conotativa: “Lengalengas de barbas espessas” sugere: “Narração ou fala extensa e fastidiosa”.
Alternativas
Q3892783 Português
À MARGEM DE UM SONHO

(1º§) Lá se vai uma estória.

(2º§) Menino, magricelo e desdentado, reclamava da encurvada chatice em volta. Ninguém o ouvia, por estarem ocupados com a mesmice de sempre: juros bancários exorbitantes, dívidas vergonhosas, empréstimos. Lengalengas de barbas espessas – geração em geração. Velhacas!

(3º§) Apareceu um sujeitinho de meia idade, simpático, a oferecer uma viagem e tanto: ao reino unido do Sonho. Pedia segredo absoluto, bagagem só de mão, muita delicadeza. Os daqui seriam avisados a não se preocuparem com nada, esperança trotava manso. De trem o percurso, um alerta de vez em quando, céus e céus. Alegria. Marota a moçoila – mãos dadas com o sujeitinho ainda de meia idade.

(4º§) Largada a partida de manhã, névoa negra a esconder o trem das delícias – ao todo eram seis os viajantes. Paisagens, alaranjadas rubras rosáceas, desenhando vales e montanhas comoventes, natureza íntima. 
Menino, confortavelzinho, se perguntava o porquê da escolha, mal acreditando no que escolhera. Atribui às repetidas orações, rezas repletas de fé, a todos os santos. Todinhos. Não queria a ralha descontente de alguém.

(5º§) Com tamanhas interrogações adormeceu o menino, sonhando com o raro voo dos anjos rumo ao irreverente lago dos santos. Assustouse lago? Irreverente? Anjos? Novas e milhares de incertezas povoaram-lhe a cabeçola, crescia e crescia de tamanho, ocupando, gratuito, o assento inteiro da locomotiva. Menino, (lhe eram oferecidas revistas aos montes, para que nada escapasse aos tediosos olhos.)

(6º§) No caudaloso lago, surge uma neguinha, ares de donzela, a lançar o seminu corpo num canto enfeitiçado pelos santos. Quem diria, “o pecado não mora ao lado”, nem debaixo da mesa, tampouco na lousa mágica. Menino – exausto com inúmeras magias, oxalá um tediozinho, saudades.

(7º§) E o senhor de meia idade? Sumira? Sonhara com as revistas ou não?

(8º§) Canto do lago guardava um mistério e um tesouro – cisnes brincalhões a trancafiar as esguias neguinhas de caracóis trançados. Bonitíssimos. Menino louco de vontade em possuí-las, embora não mais o peito franzino, por um viés homem. Chaves só com os santos, infinitos em número, com qual deles? Realidade maldita? Mais vale um feitiço na alma do que dois dedos de prosa. Perderam-se os anéis.

(9º§) Menino jurou ao primeiro santo da pecaminosa fila, um majestoso anel de jade, extraído da terra. Imaginava e acontecia. Modelando com farta paixão a cobiça. Nos sonhos as ideias ganham, ternas e ferrenhas.

(10º§) Apesar das profundas olheiras, menino insistia na viagem lá atrás, desconhecendo, talvez, a estrada de volta. Ou não. O primeiro santo acenou um suplício: numa linguagem oblíqua, requisitava simples perdão. Foi-se uma estória...

(AMBRÓSIO, Ana Lia Vianna. Escritora. Jornal A Tarde Salvador. Bahia) – (Adaptado)
Sobre a composição estrutural do texto, marque a alternativa incorreta
Alternativas
Q3760045 Português
 “No cérebro, além dos neurônios, há micróglias, células pequenas com ramificações. Elas protegem o sistema nervoso central ao combater agentes infecciosos e ajudar na eliminação de células mortas. A neurocientista Katherine Prater e o bioquímico Kevin Green, ambos da Universidade de Washington em Seattle, extraíram amostras de micróglia do cérebro de pessoas que morreram com [___] doença de Alzheimer e de indivíduos sem a enfermidade e compararam o padrão de ativação dos genes. Comparativamente, [___] micróglias de quem tinha Alzheimer exibiram mais genes ativos associados [___] inflamação. Embora necessária para eliminar microrganismos invasores e células doentes, a inflamação, quando se intensifica ou se prolonga, torna-se nociva: compostos inflamatórios podem danificar células saudáveis e contribuir para [___] progressão do Alzheimer. A identificação desse perfil torna as micróglias um potencial alvo para o desenvolvimento de novas terapias para o Alzheimer, embora até o momento testes com anti-inflamatórios não tenham mostrado efeitos significativos (Nature Aging, 29 de maio; ScienceAlert, 26 de agosto).”

(Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/quando-a-defesa-pode-agredir/. Adaptado.)

Completando as lacunas inseridas no texto com a(s) ou com à(s), a sequência correta fica 
Alternativas
Q3760042 Português
“Uma pesquisa liderada por cientistas do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas (UTIG), nos Estados Unidos, revelou a existência de um reservatório de água gigante no oceano Pacífico. Sua presença pode estar atenuando terremotos na vizinha Zona de Subducção de Hikurangi, na Nova Zelândia.”

(Fonte: https://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2023/10/reservatorio-de-agua-e-descoberto-sob-pacifico-e-pode-explicar-tremores.ghtml)

Quais são, respectivamente, os sujeitos das duas orações presentes no trecho apresentado?
Alternativas
Q3760037 Português
Tem alguém aí?


Publicado em 13/10/2023
Paulo Pestana
Crônica


       Cheguei para uma reunião de trabalho um pouco antes do horário combinado e a secretária da autoridade pôs uma caixinha de madeira sobre a mesa, e avisou: é para deixar o telefone quando entrar. Na hora não entendi, mas um companheiro mais escolado me socorreu. “É para evitar grampo”, disse. “Medo de ser gravado”.

     Eu sempre penso em mim como um sujeito de confiança. É uma das minhas raras virtudes, acho eu. Só falo mal de pessoas que merecem espinafração. Mas na antessala daquele gabinete, a autoridade deixava claro que não confiava em mim; mas antes que eu começasse a ficar amuado, fui me lembrando que na verdade eu sou suspeito.

       Afinal, só um suspeito é vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana, como acontece comigo. Não ____ um lugar em que eu vá que não tenha uma câmera acompanhando meus movimentos e agora sei como se sentia Ubaldo, o Paranoico, personagem das tirinhas do Henfil1 , que tinha certeza de que estava sendo vigiado.

       Encerrado o assunto com a autoridade, não resisti ____ um chiste quando ele perguntou se eu havia entendido a nossa conversa. “Está tudo gravado”, eu disse. Antes que ele tivesse um sobressalto, apontei para a cabeça. “Aqui”. Deixei escapar um sorriso, mas ele não pareceu entender. Depois me caiu a ficha: eu não havia gravado nada, mas não tinha tanta certeza de não ter sido gravado por alguma câmera escondida.

      Saindo dali fui ____ farmácia depois de ter passado por uns três pardais de trânsito; lá dentro havia o cartaz – “Sorria, você está sendo filmado”. Embora o cartaz estivesse escondido atrás de uma estante, pelo menos era um aviso. No supermercado não vi aviso, mas tinha câmera; até ajeitei a camisa dentro da calça.

       O fato é que dá saudade dos tempos em que as únicas câmeras escondidas eram as dos programas de televisão que mostram pegadinhas, para flagrar incautos em situações constrangedoras. Hoje todo mundo é um potencial espião – e ao mesmo tempo está sendo vigiado – como aquele velho quadrinho da revista Mad: Spy vs. Spy2 .

      Na Feira do Paraguai3 , tem botão de camisa que grava até duas horas de vídeo de boa qualidade[,] microfone disfarçado de brochinho e ligado a um gravador fica nas costas ou no bolso[,] captadores de som do tamanho de uma unha que pode ser deixado num canto da sala e transmitir para um gravador colocado fora do ambiente[,] relógio que filma sem atrasar as horas e mais um bocado de tralha para vigiar a vida alheia.

        No mundo virtual é pior. Consultar ou comprar pelo computador equivale a entregar um pouquinho da nossa alma. Comprei o livro Trinta Segundos Sem Pensar no Medo, de Pedro Pacífico, e no mesmo momento em que fechava a conta, me ofereceram cinco outros livros que “poderiam interessar” ____ mim. Estou fichado. No fim, resta um consolo: pode ser que eu não me conheça direito, mas o computador da Amazon4 sabe exatamente quem sou e o que quero. É o meu analista.


1 Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves MG 1944 - Rio de Janeiro RJ 1988). Cartunista, jornalista, escritor. (Fonte:
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5430/henfil)
2 Série de quadrinhos publicada na revista de humor Mad. Criada por Antonio Prohias, sua primeira aparição foi em 1961. Satiriza a
espionagem da Guerra Fria e depois os filmes e séries do gênero, populares a partir da década de 1960. (Fonte:
https://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/papel-de-parede-spy-vs-spy/)
3 Conhecida oficialmente como Feira dos Importados de Brasília. (Fonte: https://www.feirabrasilia.com.br/feira-dos-importados/)
4 Sítio eletrônico de comércio varejista online com atuação mundial. (Fonte: https://www.amazon.com/)



(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/tem-alguem-ai/. Adaptado.)
Ao afirmar que só fala mal de indivíduos que “merecem espinafração”, o cronista NÃO quer dizer que essas pessoas merecem: 
Alternativas
Q3760036 Português
Tem alguém aí?


Publicado em 13/10/2023
Paulo Pestana
Crônica


       Cheguei para uma reunião de trabalho um pouco antes do horário combinado e a secretária da autoridade pôs uma caixinha de madeira sobre a mesa, e avisou: é para deixar o telefone quando entrar. Na hora não entendi, mas um companheiro mais escolado me socorreu. “É para evitar grampo”, disse. “Medo de ser gravado”.

     Eu sempre penso em mim como um sujeito de confiança. É uma das minhas raras virtudes, acho eu. Só falo mal de pessoas que merecem espinafração. Mas na antessala daquele gabinete, a autoridade deixava claro que não confiava em mim; mas antes que eu começasse a ficar amuado, fui me lembrando que na verdade eu sou suspeito.

       Afinal, só um suspeito é vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana, como acontece comigo. Não ____ um lugar em que eu vá que não tenha uma câmera acompanhando meus movimentos e agora sei como se sentia Ubaldo, o Paranoico, personagem das tirinhas do Henfil1 , que tinha certeza de que estava sendo vigiado.

       Encerrado o assunto com a autoridade, não resisti ____ um chiste quando ele perguntou se eu havia entendido a nossa conversa. “Está tudo gravado”, eu disse. Antes que ele tivesse um sobressalto, apontei para a cabeça. “Aqui”. Deixei escapar um sorriso, mas ele não pareceu entender. Depois me caiu a ficha: eu não havia gravado nada, mas não tinha tanta certeza de não ter sido gravado por alguma câmera escondida.

      Saindo dali fui ____ farmácia depois de ter passado por uns três pardais de trânsito; lá dentro havia o cartaz – “Sorria, você está sendo filmado”. Embora o cartaz estivesse escondido atrás de uma estante, pelo menos era um aviso. No supermercado não vi aviso, mas tinha câmera; até ajeitei a camisa dentro da calça.

       O fato é que dá saudade dos tempos em que as únicas câmeras escondidas eram as dos programas de televisão que mostram pegadinhas, para flagrar incautos em situações constrangedoras. Hoje todo mundo é um potencial espião – e ao mesmo tempo está sendo vigiado – como aquele velho quadrinho da revista Mad: Spy vs. Spy2 .

      Na Feira do Paraguai3 , tem botão de camisa que grava até duas horas de vídeo de boa qualidade[,] microfone disfarçado de brochinho e ligado a um gravador fica nas costas ou no bolso[,] captadores de som do tamanho de uma unha que pode ser deixado num canto da sala e transmitir para um gravador colocado fora do ambiente[,] relógio que filma sem atrasar as horas e mais um bocado de tralha para vigiar a vida alheia.

        No mundo virtual é pior. Consultar ou comprar pelo computador equivale a entregar um pouquinho da nossa alma. Comprei o livro Trinta Segundos Sem Pensar no Medo, de Pedro Pacífico, e no mesmo momento em que fechava a conta, me ofereceram cinco outros livros que “poderiam interessar” ____ mim. Estou fichado. No fim, resta um consolo: pode ser que eu não me conheça direito, mas o computador da Amazon4 sabe exatamente quem sou e o que quero. É o meu analista.


1 Henrique de Souza Filho (Ribeirão das Neves MG 1944 - Rio de Janeiro RJ 1988). Cartunista, jornalista, escritor. (Fonte:
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5430/henfil)
2 Série de quadrinhos publicada na revista de humor Mad. Criada por Antonio Prohias, sua primeira aparição foi em 1961. Satiriza a
espionagem da Guerra Fria e depois os filmes e séries do gênero, populares a partir da década de 1960. (Fonte:
https://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/papel-de-parede-spy-vs-spy/)
3 Conhecida oficialmente como Feira dos Importados de Brasília. (Fonte: https://www.feirabrasilia.com.br/feira-dos-importados/)
4 Sítio eletrônico de comércio varejista online com atuação mundial. (Fonte: https://www.amazon.com/)



(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/tem-alguem-ai/. Adaptado.)
Qual é a figura de linguagem que ocorre no trecho “Consultar ou comprar pelo computador equivale a entregar um pouquinho da nossa alma.”? 
Alternativas
Q3737122 Português
Texto

NOMOFOBIA: O QUE É, SINTOMAS E COMO EVITAR

Manuel Reis


    A nomofobia é um termo que descreve o medo de ficar sem contato com o celular, sendo uma palavra derivada da expressão inglesa "no mobile phone phobia". Este termo não é reconhecido pela comunidade médica, mas tem sido utilizado e estudado desde 2008 para descrever o comportamento de dependência e os sentimentos de angústia e ansiedade que algumas pessoas demonstram quando não têm o celular por perto.

    Normalmente a nomofobia é identificada principalmente em pré-adolescentes e adolescentes, já que são os que mais consomem esse tipo de tecnologia e permanecem mais tempo nas redes sociais.

    Por ser uma fobia, nem sempre é possível identificar a causa que leva a pessoa a sentir ansiedade por estar longe do celular, mas, em alguns casos, esses sentimentos são justificados com o medo de não conseguir saber o que está acontecendo no mundo ou de necessitar de assistência médica e não ter como pedir ajuda.

Principais sintomas

Alguns sinais que podem ajudar a identificar que se tem nomofobia incluem: 


  • Sentir ansiedade quando se fica muito tempo sem usar o celular;
  • Necessitar fazer várias pausas no trabalho para utilizar o celular;
  • Nunca desligar o celular, mesmo para dormir;
  • Acordar no meio da noite para ir ao celular;
  • Carregar frequentemente o celular para garantir que se tem sempre bateria;
  • Ficar muito chateado quando se esquece o celular em casa;
  • Verificar o telefone frequentemente para ver se tem notificações;
  • Ansiedade quando está em um ambiente sem sinal de internet;
  • Levar o carregador de telefone para todos os lugares por medo de a bateria acabar.

    Além disso, outros sintomas físicos que parecem estar associados aos sinais nomofobia são os de vício, como aumento do batimento cardíaco, sensação de transpiração excessiva, agitação e respiração rápida.

    Uma vez que a nomofobia ainda está sendo estudada e não é reconhecida como um transtorno psicológico, ainda não existe uma lista fixa de sintomas, existindo apenas vários formulários diversos que ajudam a pessoa a entender se pode ter algum nível de dependência para com o celular. (...)


Como evitar a dependência

Para tentar combater a nomofobia há algumas orientações que podem ser seguidas todos os dias:


  • Ter vários momentos durante o dia em que não se está com o celular e se dá preferência para conversas frente a frente;
  • Diminuir progressivamente o uso do celular;
  • Não utilizar o celular nos primeiros 30 minutos após acordar e nos últimos 30 minutos antes de dormir;
  • Colocar o celular para carregar numa superfície longe da cama;
  • Desligar o celular durante a noite.


    Quando já existe algum grau de dependência, pode ser necessário consultar um psicólogo para iniciar terapia, que pode incluir vários tipos de técnicas para tentar lidar com a ansiedade gerada pela falta do celular, como ioga, meditação guiada ou visualização positiva.
(Fonte: https://www.tuasaude.com/nomofobia/ - Adaptado)
Leia os quadrinhos abaixo atentamente. A seguir, assinale a afirmativa CORRETA considerando também o texto “Nomofobia: o que é, sintomas e como evitar”.
Imagem associada para resolução da questão (Fonte: http:/www.arionaurocartuns.com.br/2016/09/charge-viciocelular-intemet html)
Alternativas
Q3735169 Português
Quanto à acentuação gráfica, marque a alternativa, onde todas as palavras são acentuadas pela mesma razão.
Alternativas
Q3735168 Português
No tocante a elementos da obra literária, analise os itens e assinale a alternativa correta.

I- Exemplos de expressões na linguagem não literária, (ou corriqueira) e exemplos de uso da mesma expressão, porém, de acordo com alguns escritores, na linguagem literária - Linguagem não literária: [Anoitece.]; [Teus cabelos loiros brilham.]; [Aos cinquenta anos, inesperadamente, apaixonei-me de novo.]. Os mesmos exemplos na linguagem literária: [A mão da noite embrulha os horizontes.] (Alvarenga Peixoto); [Os clarins de ouro dos teus cabelos cantam na luz!] (Mário Quintana); [Na curva dos cinquenta, derrapei neste amor.] (Carlos Drummond de Andrade).
II- Outra diferença entre a linguagem literária e não literária é com relação ao tratamento do conteúdo: ao passo que, nos textos não literários (jornalísticos, científicos, históricos, etc.) as palavras servem para veicular uma série de informações, o texto literário funciona de maneira a chamar a atenção para a própria língua no sentido de explorar vários aspectos como a sonoridade, a estrutura sintática e o sentido das palavras.
III- Alguns fatores são responsáveis pelas diferenças entre linguagem oral e linguagem escrita: o contexto, a intenção do falante, do escritor, o tópico do que se diz, ou escreve.
IV- A oralidade e a escrita são duas formas de variação linguística, onde a oralidade é geralmente marcada pela linguagem coloquial (ou informal), enquanto a escrita, em grande parte, está associada à linguagem culta (ou formal).
Alternativas
Q3735167 Português
Em se tratando de discurso, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Discurso direto.
B- Discurso indireto.
C- Discurso indireto livre.

Coluna II.
1- O juiz perguntou se havia algo a declarar.
2- Então, o juiz conduzia a sessão e tentava o mais rápido que podia, fazer a conciliação. Logo hoje que tenho uma agenda cheia! Ele não sabia se conseguiria resolver aquela situação. Tomara que eu consiga!
3- O juiz perguntou:
– Algo a declarar?
Alternativas
Q3735166 Português
Referindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Paronomásia.
B- Assonância.
C- Onomatopeia.
D- Antítese.

Coluna II.
1- É uma figura de linguagem que consiste na repetição de fonemas vocálicos, especialmente em sílabas tônicas, para inferir um som e estabelecer efeitos sonoros específicos no texto.
2- É a inserção de palavras no discurso que imitam sons.
3- Figura pela qual se opõem, numa mesma frase, duas palavras, ou dois pensamentos, de sentido contrário.
4- É a repetição de palavras cujos sons são parecidos.
Alternativas
Q3735165 Português
Sobre língua e linguagem leia os itens, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta.

( ) Emissor: é quem recebe a mensagem.
( ) Receptor: é quem envia a mensagem.
( ) Mensagem: é o conteúdo da informação.
( ) Canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é transmitida.
( ) Código: é a língua em si (como a língua portuguesa, por exemplo).
( ) Contexto: objetivo, ou situação, a que a mensagem se refere.
Alternativas
Q3735164 Português
Sobre funções da linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

Coluna I.
A- Função metalinguística.
B- Função fática.
C- Função poética.

Coluna II.
1- O emissor testa o canal de comunicação: Alô! Você me ouve? Compreende o que eu falei?
2- Imagine um filme que explica as melhores formas de como produzir um longa, ou curta-metragem. Essa redundância – um filme falando sobre filme – ou seja, o código é o tema da mensagem que é usado para falar sobre ele mesmo.
3- Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte. (Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas). 
Alternativas
Q3735163 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Devolva-me. (Adriana Calcanhoto).

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me
Devolva-me.
Devolva-me.
Ainda no texto, em se tratando de classificação das palavras, quanto ao número de sílabas (Adriana, mas, minhas, sozinho) são:
Alternativas
Q3735162 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Devolva-me. (Adriana Calcanhoto).

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me
Devolva-me.
Devolva-me.
Referindo-se a encontros vocálicos, as palavras do texto (meu, não, eu, seu) são respectivamente:
Alternativas
Q3735161 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Devolva-me. (Adriana Calcanhoto).

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz
O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me
Devolva-me.
Devolva-me.
De acordo com o texto, marque a alternativa incorreta. 
Alternativas
Q3714365 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


FIM DO MUNDO


Carlos Drummond de Andrade


Não se sabe ainda se o mundo acabou realmente no sábado, como fora anunciado. Pode ser que sim, e não seria a primeira vez que isso acontece. A falta de sinais estrondosos e visíveis não é prova bastante da continuação. Muitas vezes o mundo acaba em silêncio, ou fazendo um barulho leve de folha. Tempos depois é que se percebe, mas já estamos vivendo em outro mundo, com sua estrutura e seus regulamentos próprios, e ninguém leva lenço aos olhos pelo falecido.


O mundo primitivo dos répteis, o mundo neolítico, o egípcio, o persa, o grego, o romano, o maia... todos esses acabaram, e muitos outros ainda. A história é cemitério de mundos, notando-se que uns tantos acabaram de morte tão acabada que nem sequer figuram lá com uma tabuleta; não se sabe que fim levaram as cinzas.


Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914, mas estavam lendo jornal e não compreenderam no momento. Era apenas mais uma guerra na Europa, mas acabou com a belle époque, a douceur de vivre, a respeitabilidade vitoriana, o franco, a supremacia da libra, os suspensórios, o rapé, os conceitos econômicos, políticos e éticos do século XIX − mundo que parecia eterno. Pedaços dele andam por aí, vagando, como o colonialismo, a opressão de grupos financeiros, a servidão civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido.


(...)


Aos sete anos de idade imaginei que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria com ele. Um cometa mal-humorado visitava o espaço. Em certo dia de 1910, sua cauda tocaria a Terra; não haveria mais aula de aritmética, nem missa de domingo, nem obediência aos mais velhos. Essas perspectivas eram boas. Mas também não haveria mais geleia, Tico-Tico, a árvore de moedas que um padrinho surrealista preparava para o afilhado que ia visitá-lo. Ideias que aborreciam. Havia ainda a angústia da morte, o tranco final, com a cidade inteira (e a cidade, para o menino, era o mundo) se despedaçando − mas isso, afinal, seria um espetáculo. Preparei-me para morrer, com terror e curiosidade.


O que aconteceu à noite foi maravilhoso. O cometa Halley apareceu mais nítido, mais denso de luz e airosamente deslizou sobre nossas cabeças sem dar confiança de exterminar-nos. No ar frio, o véu dourado baixou ao vale, tornando irreal o contorno dos sobrados, da igreja, das montanhas. Saíamos para a rua banhados de ouro, magníficos e esquecidos da morte, que não houve. Nunca mais houve cometa igual, assim terrível, desdenhoso e belo. (...)


Nem todas as concepções de fim material do mundo terão a magnificência desta que liga a desintegração da Terra ao choque com a cabeleira luminosa de um astro. Concepção antiquada, concordo. Admitia a liquidação do nosso planeta como uma tragédia cósmica que o homem não tinha poder de evitar. Hoje, o excitante é imaginar a possibilidade dessa destruição por obra e graça do homem. A Terra e os cometas devem ter medo de nós.


(Fonte: A bolsa e a vida. Rio de Janeiro: Record, 2008.)
"Aos sete anos de idade imaginei(1) que ia presenciar a morte do mundo, ou antes, que morreria(2) com ele. Um cometa mal-humorado visitava(3) o espaço."

Analise as formas verbais destacadas no trecho acima, devidamente identificadas por números. A seguir, associe cada forma verbal ao tempo e ao sentido expressos nas colunas abaixo, assinalando a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA.

Coluna 1 (tempos verbais):
 Futuro do pretérito do indicativo
(b) Pretérito imperfeito do indicativo
(c) Pretérito perfeito do indicativo

Coluna 2 (sentidos):
(I) Ação que transcorreu num passado indeterminado.
(II) Ação que transcorreu num passado determinado.
(III) Ação futura presa a alguma condição ou hipótese.
Alternativas
Q3712930 Português

O texto abaixo foi retirado do site da Câmara Municipal de Chácara. Trata-se de um fragmento do Hino Municipal de Chácara, cuja autoria é de Sebastião Fonseca de Paula. Leia-o para responder à questão:


Título: Te amo cidade querida!


Autor: Sebastião Fonseca de Paula



Cumprimento-te Chácara amada,


o seu povo querido e viril.


Não te troco no Mundo por nada.


Tu és grandeza do meu Brasil!



Deus te deu a beleza e a fama,


e o povo se encanta ao te ver.


Ao sentir tua voz que me chama,


juro que sinto por ti, um prazer!



Tu tens Matas! Tu tens Cachoeiras!


Tu tens belezas para admirar!


Tu tens morenas lindas faceiras!


Que faz nosso povo invejar. (refrão)


(...)



Considerando o emprego de pronomes no texto acima, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:



( ) No título, há uma falha na colocação do pronome oblíquo átono.


( ) Ao referir-se à Chácara, os pronomes referentes a ela foram utilizados de maneira uniforme.


( ) Em “e o povo se encanta ao te ver”, o pronome destacado é reflexivo.


( ) Em “Tu tens Matas!”, o pronome destacado é pessoal do caso reto.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 

Alternativas
Respostas
5241: C
5242: B
5243: E
5244: A
5245: C
5246: D
5247: D
5248: A
5249: B
5250: A
5251: B
5252: D
5253: C
5254: A
5255: D
5256: C
5257: A
5258: B
5259: A
5260: B